Toda mudança é positiva. A frase é da minha amiga Fernanda Martins. Ela foi uma das muitas gratas surpresas que conquistei em Curitiba, nesse um ano que estou na Capital.
Era mais ou menos final de maio quando fui convidado pelo Ricardo Toledo para fazer parte do grupo que implantaria a TV Sinal (Som, Imagem e Notícias da Assembléia Legislativa). Tinha recém começado a namorar, vivia uma fase profissional muito boa em Londrina, era articulado, conhecido e reconhecido.
Tudo isso – com maior destaque para o namoro – pesou na minha decisão. Pensei que não gostaria de me aposentar como professor e que talvez – considerada a minha idade – fosse aquela oportunidade que ninguém poderia deixar passar. E mesmo com o coração bem apertado – cancerianos sofrem muito com separações – optei pelos ares da capital.
A despedida em Londrina foi bem discreta. Apenas eu, o André, o Carlos, a Thais e o Tomás. Almoçamos no Mercado Guanabara. Como foram longas cada uma daquelas garfadas. Assim como foram imensos cada um dos 380 quilômetros que me separavam de Curitiba.
Chorei durante praticamente toda a viagem. Parti com a certeza de não mais voltar. A estada de 2003 fora ruim, mas este retorno encheu meu coração de esperança.
Aqui fui acolhido de maneira muito especial. Um jantar entre mim, o Beto, a Simone e o Júnior celebrou o início desta nova etapa de vida. Depois conheci o grupo que faria a TV Sinal funcionar.
Quantas excelentes surpresas. A primeira delas atende pelo nome de Carmem Sunye. A segunda, por Ney Hamilton. Esses dois curitibanos me abriram os braços como ninguém melhor faria. Mais que companheiros de trabalho, fizeram-me sentir em casa. A empatia foi imediata, amizade à primeira vista mesmo.
Depois foi um suceder de encontros, descobertas, aprendizados, avaliações, reavaliações. As fotos “falam” mais sobre a participação de cada um nessa história.
Quero registrar aqui duas pequenas gentilezas, daquelas que fazem a gente pensar que tudo realmente vale a pena, mesmo com eventuais decepções. Claro que nem tudo foram flores. As pessoas se comportam de maneira muito diferente aqui. Têm atitudes que nem sempre eu compreendo, mas tenho me esforçado para não me incomodar. Afinal, cada um é cada um.
A Rosi Guilhen é um presente. Na páscoa, ela perguntou se eu ganhara muito chocolate. Respondi que não. No dia seguinte, discretamente deixou alguns bombons na minha mesa. Noutra ocasião, após uma conversa informal na hora do almoço, ela atentou que eu gostava muito de bolachas. Foi o suficiente para que me trouxesse um pacote das melhores opções de uma panificadora londrinense. E depois repetiu a dose com os biscoitos feitos pela mãe dela.
Decididamente não sou parceiro da solidão. Gosto das pessoas e elas me fazem falta. Algo muito bom aqui é o fato de praticamente não ter almoçado sozinho nesses 365 e mais alguns dias de vida curitibana.
Hoje a lua de mel acabou, os problemas surgiram. Mas olhando para trás, valeu a pena. O futuro é uma incógnita, mas já existe uma certeza: toda mudança é positiva. Palavras da Fernanda Martins, numa das nossas muitas calorosas e afetuosas conversas.
Publicado em 23 de julho de 2008 às 00:01 por joao