A boda de prata da Rede Globo não poderia ser pior. Era 1990, programação mais que especial, novela de Silvio de Abreu com elenco estelar – Rainha da Sucata – música tema na “onda” daquele momento – a lambada – a hegemonia de audiência intacta. Eis que um antigo “filho” da casa – Benedito Ruy Barbosa muda de endereço – a extinta Rede Manchete – e cria uma trama que pela primeira vez, desde o início da década de 70, tirou a liderança da Globo no horário nobre.
Pantanal era uma aposta de risco. Com a maior parte das cenas gravadas no recanto natural do Mato Grosso, o folhetim foi esnobado pela "Vênus Platinada". O elenco tinha nomes consagrados, mas a grande maioria era iniciante.
Contrariando qualquer expectativa, a novela foi sucesso absoluto. Dezoito anos atrás, a mistura toda deu muito certo. Cenas belíssimas da natureza, muito sexo e mulher pelada, a “crítica” da época dizia que acompanhar a trajetória de José Leôncio servia como um bálsamo para quem chegava em casa cansado do trabalho e estava enjoado das estórias do Rio de Janeiro. Era um mergulho no interior do Brasil. Eu tinha 20 anos em 1990. E passei a acompanhar a novela com muito entusiasmo.
Hoje, inicialmente por uma certa nostalgia, voltei a ver os capítulos na reapresentação pelo SBT. E só agora tudo fica mais claro. Realmente Pantanal tinha um ritmo bem diferente das demais tramas. Tudo é mais lento, calmo, bem parecido com as pequenas cidades deste Brasil imenso.
Do ponto de vista do folhetim, apenas dois núcleos: Rio de Janeiro e Pantanal. Todos os personagens se relacionam diretamente. A texto é dito de maneira pausada, sem sofreguidão. Vira e mexe aparece alguém pelado. No capítulo de ontem, por exemplo, a Juma e a Muda tomaram o banho mais longo da televisão brasileira. E o Paulo Gorgulho apareceu num ligeiro nu frontal com a Ingra Liberato, os dois jogando-se no rio.
São os diálogos, porém, o melhor de Pantanal. O reencontro do pai com o filho criado no Rio de Janeiro foi emocionante. E esses dois estranhos demoram a se entender, pois os conflitos, claro, são o esteio de qualquer drama. As cenas, porém, são repletas de afeto.
Pra mim, parece coisa de apaixonado. Gente que embarcou numa estória promissora, vestiu a camisa, acreditou que poderiam fazer a diferença. E realmente fizeram.
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