Sempre me pego pensando como as pessoas ficaram escravas do telefone celular. O que era pra ser um mero acessório para se comunicar com facilidade de qualquer lugar da cidade, aprisionou muita gente e tornou-se senhor de todas as horas e lugares.
Já fiquei constrangido de ouvir celular tocando em cerimônia religiosa – leia-se missa – em velório, em palestras bem interessantes, sessão de fisioterapia, sessão de massagem. E um detalhe... sempre a pessoa que deixa o celular ligado, coloca um toque horroroso de indecente, sempre demora pra atender e sempre fala alto para todos os circunvizinhos ouvirem. Afinal, pra que serve o vibracall?
Dias atrás, senti pena de uma garota na aula de spinning. A menina toda esbaforida, tentando entrar no ritmo proposto pelo professor, toca o celular. Ela não só atendeu, como se desequilibrou, quase caiu da bicicleta, mas não deixou de tentar falar aos berros com o (a) interlocutor (a). Detalhe... a aula era às 6h30.
Ontem a cena se repetiu com outra adolescente. A galera dando o melhor de si e a menina sai de casa – frio de 11 graus – para ficar falando ao celular durante a aula.
Claro que eu não tenho nada a ver com isso. Mas sinto pena dessa gente que parece se sentir mais importante do que de fato é. Nada é tão urgente, nada é tão necessário. Vivemos quase dois mil anos sem essa droga. E agora ele parece tão imprescindível.
Imprescindível mesmo é a gentileza, a generosidade, o bom humor, a boa vontade, o acolhimento. O resto é conversa mole.
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