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This is the archive for May 2008

Friday, May 30, 2008

Pela primeira vez este ano, freqüentei uma aula de Body Combat. Para quem não sabe, é um dos programas da Body Systems que simula golpes e chutes de vários tipos de luta.

Fiz este tipo de aula em Rolândia, Maringá e Londrina, assisti demonstrações em algumas outras cidades. Sempre é muito agitada, as pessoas se envolvem no ritmo, nos golpes, é uma gritaria só, pra lá de animada.

Na academia, hoje, silêncio total, exceto pela condução do instrutor – muito bom, por sinal – e as músicas. Nenhum grito, nenhum urro, nenhuma manifestação de vivacidade.

E lembrei que na academia anterior, aqui em Curitiba, também foi assim. Numa determinada aula... soltei um berro. Todo mundo me olhou tão estranho, que nunca mais esbocei qualquer grunhido.

Por que será que aqui é assim?

Eu numa aula de Combat, em Londrina. Vai encarar?

Wednesday, May 28, 2008

Fala sério.... não é uma Zebra das mais pomposas?


Neste feriadão, fiquei na capital e recebi a grata visita do André. Domingão de muito sol, passeando pela cidade, ele perguntou se Curitiba tinha um zoológico. Ignorante, respondi com veemência que não. Um átimo de segundo após, liguei para o Beto e ele confirmou que sim, Curitiba tem um zoológico.

Vai encarar?


O espaço fica lá onde o Judas perdeu a segunda meia. Pensa num lugar longe... muito longe... mas muito longe mesmo. Praticamente em São José dos Pinhais.

Esses dois aí estavam se estranhando... por que será?????


Qual não foi a nossa surpresa ao chegar ao local e perceber que praticamente metade de Curitiba estava lá dando bananas aos macacos. Aliás, esta é uma boa característica dos curitibanos: aqui as pessoas realmente aproveitam os parques e afins. E o poder público, por outro lado, oferece a infra-estrutura necessária para todo mundo se divertir. O melhor? Sem pagar qualquer tarifa.

São ou não são lindas?


Eu e o André voltamos a ser crianças. Ver aqueles animais todos – não existem muitos exemplares – fez o fim de semana ficar pra lá de divertido.

Lindas, imponentes, sagazes. Quer mais?

Monday, May 19, 2008

O meu afilhado Paulo Armando Ribas Júnior leu o post sobre os celulares. E descobriu o vídeo abaixo, que quero compartilhar com vocês. O incidente ocorreu no Bom Dia Paraíba, veiculado pela afiliada da Globo de lá.

Espie! E preste atenção naquilo que eu já dissera: todo celular inconveniente tem toque absurdamente imbecil.

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Quando eu dava aulas, a melhor de todas elas - sem falsa modéstia - era uma entrevista conduzida pelos futuros apresentadores de televisão. Simulávamos todos os possíveis problemas durante a atividade. Tudo para que eles prestassem mais atenção nesse tipo de detalhe.

Como o vídeo acima comprova, eu estava correto.

Friday, May 16, 2008

A minha mãe, em foto de 1944, quando ela tinha doze anos e completara o ensino primário. Nunca mais voltou às salas de aula. Mas é mestra em muita coisa.


Quando tive a mais dolorida das conversas com minha mãe, ela olhou-me nos olhos e disse-me que nada tinha tanta importância, exceto eu continuar sendo o filho dela. Noutra ocasião, precisei deixar claro que filhos e casamento convencional não estavam mais nos meus planos, ela olhou-me com o mais maternal dos olhares.
- E quem vai cuidar de você na velhice?

Embora consternado e emocionado pela preocupação, retruquei que filhos não garantiam absolutamente nada. E que na vida, nossas mais importantes vivências eram, de fato, muito solitárias. Nascemos sozinhos, passamos as piores dores sozinhos e até mesmo para morrer, precisamos de forças – algo que me disseram logo que o meu pai nos deixou – para o derradeiro ato. E ele também é solitário, único, exclusivo.

O tempo, sempre ele, é cruel com algumas pessoas. Com minha mãe não tem sido diferente. Acometida de vários problemas de saúde, é uma brava guerreira. Não se conforma com as limitações, briga com os sinais do tempo, incomoda-se com as dificuldades. Eu sinto muito orgulho.

Recentemente ela teve um pequeno derrame cerebral que lhe tirou algumas funções bem vitais. Daquelas que humilham quando nos percebemos incapazes de realizá-las. Ficou ainda mais dependente. Teimosa, reclama de ir ao médico, embora algumas sessões de fisioterapia tenham devolvido um pouco mais de conforto.

A minha mãe tem medo de faltar dinheiro. – Não quero dar trabalho a vocês. Esta postura sempre foi muito presente na nossa vida. Lembro dela dizendo que era importante lavar a louça do jantar antes de dormir. Caso passasse mal durante a noite e precisasse da ajuda de alguém, dos vizinhos, dos parentes, ao menos não teriam que arrumar a cozinha. – Evite dar trabalho a quem quer que seja.

Embora diga que a vida caminha cada vez mais rápido para o fim, a Dona Alice se preocupa em não precisar do dinheiro dos sete filhos. Desta vez, no último fim de semana, fui eu a olhá-la nos olhos:
- Não vai faltar dinheiro à senhora. E se faltar, saiba que a gente vai cuidar da senhora até o último minuto.
Os olhos dela marejaram.

Noutro momento, ela perguntou se eu estava bem em Curitiba. Reafirmei mais uma vez que nunca vivera fase tão boa, que passava pelo meu melhor momento pessoal e profissional. Sentada na cadeira, ela segurou as minhas mãos.
- Eu não consigo ver você assim, tão grande. Pra mim, você ainda é um menino. Eu vejo você brincando pelo quintal, pela chácara, voltando correndo da escola e pedindo mamadeira. Eu só vejo você assim. Por que será?
Os meus olhos marejaram.

Antes de vir embora, pedi-lhe que fizesse mais fisioterapia, pois os resultados ela mesmo dissera serem bons. E que não se preocupasse com dinheiro, comigo, com nada, exceto a própria saúde. E ainda, que se algo viesse a faltar, ela poderia contar comigo. Sempre.

Minha mãe então me abraçou e chorou muito. Copiosa e dolorosamente. Foi um choro sentido, do fundo da alma. Pedi-lhe que não chorasse, não havia razão para isso. Voltou-me a abraçar e chorou ainda mais.

Ficamos ali por alguns instantes, beijei-a no rosto e saí pegar o ônibus e voltar à Curitiba.

Eu fiz 30 anos, estava com minha mãe e meu pai, num dia absurdamente feliz. Foi a última foto dos três juntos.

Wednesday, May 14, 2008

Sempre me pego pensando como as pessoas ficaram escravas do telefone celular. O que era pra ser um mero acessório para se comunicar com facilidade de qualquer lugar da cidade, aprisionou muita gente e tornou-se senhor de todas as horas e lugares.

Já fiquei constrangido de ouvir celular tocando em cerimônia religiosa – leia-se missa – em velório, em palestras bem interessantes, sessão de fisioterapia, sessão de massagem. E um detalhe... sempre a pessoa que deixa o celular ligado, coloca um toque horroroso de indecente, sempre demora pra atender e sempre fala alto para todos os circunvizinhos ouvirem. Afinal, pra que serve o vibracall?

Dias atrás, senti pena de uma garota na aula de spinning. A menina toda esbaforida, tentando entrar no ritmo proposto pelo professor, toca o celular. Ela não só atendeu, como se desequilibrou, quase caiu da bicicleta, mas não deixou de tentar falar aos berros com o (a) interlocutor (a). Detalhe... a aula era às 6h30.

Ontem a cena se repetiu com outra adolescente. A galera dando o melhor de si e a menina sai de casa – frio de 11 graus – para ficar falando ao celular durante a aula.

Claro que eu não tenho nada a ver com isso. Mas sinto pena dessa gente que parece se sentir mais importante do que de fato é. Nada é tão urgente, nada é tão necessário. Vivemos quase dois mil anos sem essa droga. E agora ele parece tão imprescindível.

Imprescindível mesmo é a gentileza, a generosidade, o bom humor, a boa vontade, o acolhimento. O resto é conversa mole.