“Nunca tivemos nenhuma briga nem desentendimento artístico, nem pessoal, até o desencontro final. Tudo terminou bem, dentro das circunstâncias, embora eu me sentisse arrasado pela dupla perda. Marisa começou a namorar o vocalista Nasi, do grupo de rock paulista Ira! (que não tinha nada de nazista, era brizolista roxo), e eu a atriz Ítala Nandi, uma das estrelas do Teatro Oficina, minha amiga desde O rei da vela, em 1968. Ítala foi um anjo, mas eu não conseguia pensar em outra coisa que não naquele canto de sereia que eu ajudara a ampliar. Me assustei com o tamanho da encrenca, absolutamente desproporcional ao que seria (mais) um rompimento em minha história de muitos. Mas ninguém precisava saber disso, a não ser os amigos muito íntimos, o analista lacaniano cada vez mais entediado com a repetição obsessiva do “drama da impossibilidade”, e João Gilberto, em longos e diários telefonemas.”
Esta é abertura do capítulo
Bem que se quis, página 439, do livro
Noites Tropicais, de Nelson Motta. Só acabei de ler a obra semanas atrás, e este capítulo me deixou encafifado. Posso estar vendo pêlo em ovo, mas os escritos me incomodaram. Não sei exatamente o que houve, até porque não ouvi, nem sequer li qualquer fala da Marisa Monte sobre o tema. Mas parece ter havido muito mais que “alguns aviões de carreira” em toda essa história.
O artista deve se manter o mais incógnito possível. Saber de determinados detalhes da vida pessoal, tira um pouco do charme, do mistério, da admiração.
Foi assim quando li a biografia do Cazuza. Fã do cantor desde a primeira apresentação dele no Fantástico – até pensara em escrever uma peça de teatro baseado nas músicas dele – fiquei profundamente decepcionado depois de saber mais detalhes da trajetória, contados pela própria mãe Lucinha Araújo.
No próprio livro do Nelson Motta, alguns detalhes sobre o comportamento de Elis Regina fizeram-me torcer um pouco o nariz. Pela descrição, a
Pimentinha tinha rompantes insuportáveis. Passional, desmedida, estrela, enfim.
Nunca fui lá muito fã da Déborah Secco, mas incomodou-me o lance da Maria Rita com o Falcão, na época que o vocalista d’O Rappa namorava a atriz.
Você que leu o texto até aqui, pode estar se perguntando: - mas o que ele (eu) tem a ver com isso?
Eu respondo: nada, absolutamente nada. Mas preferia não ter lido essas informações. Faz tempo que tenho acreditado na ignorância como uma das formas de entender melhor a felicidade. Se que isso é possível, registre-se!