Tenho vivido alguns conflitos na capital paranaense. Grande parte das pessoas que moram aqui não prima pela simpatia e delicadeza, mas eu decidi que não vou me importar com elas. E as razões para isso são simples: além de sugar a energia, de nada vai adiantar já que as pessoas não vão mudar e eu terei que me adaptar, pois não está nos meus planos sair daqui tão cedo.
Ontem de manhã, na verdade ainda de madrugada, fui posto à prova. Acordei às seis da manhã, chovia um pouco. Às seis e quinze estava na rua, indo à academia. Logo após o meu prédio, há um semáforo, vermelho para mim. Ainda debaixo de chuva, o sinal abriu e o cidadão no automóvel imediatamente atrás, não esperou dois segundos – o tempo de eu engatar a marcha – e tascou a mão na buzina.
Confesso que aquilo, de início, me irritou bastante. Ouvindo ópera no meu carro, pensei sobre a razão de alguém estar buzinando às seis e quinze da manhã, numa rua em que havia apenas dois carros e muito espaço ao lado.
Por alguns segundos, muitas bobagens passaram pela minha cabeça. E se de repente eu resolvesse descer do carro e tirar satisfação, dando um bofetão no cara? E se ele tivesse uma arma e atirasse em mim? Por que, ainda de madrugada, tanta irritação?
Pensei em Deus, juro. E pedi a ele paciência. Ao invés de olhar para o que havia de pior, pensei... talvez ele esteja indo pro hospital porque algum parente ou amigo se feriu. Talvez perdeu a hora para levar alguém ao aeroporto. Talvez esteja atrasado para o trabalho. Talvez ele não tenha tido uma boa noite. Esse talvez evoca tanta esperança, não?
Depois de todos esses pensamentos, decidi que aquele cidadão não estragaria o meu dia. Ele estava infeliz, por qualquer razão. E irritar-me com ele, seria ficar no mesmo patamar. Tomara que a atitude de hoje se repita por muitos outros dias.
Porque assim eu viverei cada vez melhor nessa cidade.
Publicado em 18 de abril de 2008 às 00:22 por joao
Ta dada a ideia: Contos do curitibano broxa!!!!
P.S.: Sou curitibano, mas por aqui ta tudo em riba!!