TÊMPERA, o blog do João Bernardo

Essas boas e agradáveis surpresas

A minha vida tem trilha musical. Para cada situação, uma melodia deixa o momento mais agradável. Numa aula de Body Jam em mil seiscentos e antigamente, a música me encantou à primeira ouvida. A professora não sabia o nome, de modo que complicou a vontade de ouvi-la repetidas vezes até enjoar.

Certo dia, na então casa da Simone e da Sílvia, num dos cd’s que tocava no carro, ouvi-a a caminho da Universidade Tuiuti do Paraná. Mas bingo: a Sílvia, dona do CD, tinha gravado-o de não sei quem e também não sabia o nome da música.

Eis que ontem, alguns três anos depois, eu creio, vejo o profile do Marcos no MSN justamente com o refrão. Ato contínuo, ele me indicou o nome da música, eu já baixei-a na internet e pesquisei nos sites para comprar o cd oficial e poder ouvi-lo no carro. Isso sim que é um bom jeito de começar a semana.

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Outra grata e excelente surpresa foi domingo à noite, no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. À espera do ônibus para regressar à Curitiba, comecei a ler o livro Filandras, da Adélia Prado, de longe a minha escritora preferida. Uma das crônicas é simplesmente sensacional. Ei-la, para quem gosta do cotidiano:

Análises

Comia com a mão quando a conheci, a mulher por quem João Jeremias foi a vida inteira apaixonado. Vi depois seu único retrato de juventude, o mesmo penteado da avó. Acredito mesmo que nunca foi jovem, uma desiludida crônica, resumindo seu desconforto de existir entre os homens com o bordão que recitava nas dificuldades: ‘não servia pra ter nascido’. Não gostava do seu nome Diolinda e, nas infrequentes vezes em que se permitia relaxar, ria dele, confessando que ficaria muito satisfeita se se chamasse Nair, principalmente, Maria Nair. Seu marido João Jeremias, também nas poucas vezes em que ensaiou em público tratá-la com carinho de marido chamando-a de Nairinha, não deu certo. Ficou muito enfurecida, pondo em ridículo a paixão dele, que se recolheu e nunca mais ousou, com o que as psicologias não concordam. Devia ter batido nela, ou a porta, gritado, sei lá. A Diola, na minha soberba opinião, precisava de um marido mais avultado, a bem da verdade, um toureador que amansasse a leoa. Mulher, mansa ou brava, quer marido firme. Marido tem que proibir alguma coisa, nem que seja do tipo: ‘quero minha correia dependurada neste prego e ninguém me tire ela daqui.’ Porque senão as mulheres ficam muito infelizes e começam a ter maus pensamentos de querer ficar viúvas, de sumir no mundo, de dar os filhos pra avó criar, essas coisas. Natureza de mulher é de obedecer, de admirar, de servir, natureza de formiga, de abelha operária e gata no borralho, senão, meu Deus, não sobra espaço pra ela virar cinderela. Até a princesa da Inglaterra, que Deus a tenha, arranjou o que fazer nas creches do mundo, não agüentava mais. Serviço nunca faltou pra Diola, aliás o que mais teve foi serviço, serviço e nervosia. Tinha a moda de falar sozinha, teria dado excelente madre superiora, ótima Joana d’Arc, Maria Bonita com grande vocação blasfema, uma santa e tanto, ou uma pecadora pública. No entanto, consumiu-se tolhida, ih... disse no começo que as mulheres precisam de limite e agora vejo que ele atrapalhou a Diola e a mim? Bem, já me achei, Diola foi tolhida pela ausência de autoridade do Jeremias, pois ele não a contrariava em nada, o que é mesmo insuportável. E eu? Teodoro já me fez desaparecer de medo dele umaf vez, uma não, duas. A bem da verdade, três. E chega, não quero saber de outra. Foi surra não, a comparação que me vem é como se um leão estivesse comendo e eu botasse a mão no cocho dele, só o rosnado me deixou sem fala! Sorte minha. Outro dia falei com o Teodoro: como será que o seu pai deu conta de sua mãe? Mole pra ele, Teodoro falou, a mãe nunca deu conta de exasperar o pai. Quando ela chegava no limite, ele pegava no braço dela com aquela mão enorme, levava até a porta da rua e falava: escuta Nairinha, obrigada você não fica comigo não. Você é livre. Impressionante, na hora da maior raiva dele, ele chamava ela de Nairinha, sem desprezo, com todo o respeito e paciência. Funcionava igual bomba atômica. Eu não sabia que João Jeremias, meu sogro, também tinha um prego onde pendurava a correia. A Diola me enganou bonito. Acreditei que a nervosia dela era culpa do Jeremias, um craque.


De Adélia Prado, em Filandras.


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Ah... a música em questão é Red Alert, do Basement Jaxx!

Publicado em 01 de abril de 2008 às 00:02 por joao

Comentários

    • adoro essa musica, mas a melhor deles é good luck demais! tem um vocald e uma negona q arrebenta, tb assita o video deles no youtube da musica you don´t know me, onde eles filmam uma sózia da rainha da inglaterra fazendo peripécias, ela rouba, bate nos outros na rua...um sarro!
    • por mauro
    • 14.Abr.2008 às 15:41 - Permalink - Reportar
    mauro
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