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This is the archive for April 2008

Tuesday, April 29, 2008

Às vezes tenho a impressão que gosto mesmo de sofrer. Invariavelmente toda segunda-feira leio a coluna de sexo do Folhateen, suplemento da Folha de S. Paulo. E quanto mais penso que a imbecilidade não tem mesmo limites, mais eu me surpreendo.

Ontem, por exemplo, quatro leitores apresentaram as seguintes dúvidas:

"Um pouco da minha ejaculação caiu na banheira e minha namorada, que ainda é virgem, estava dentro da água. Qual a possibilidade dela engravidar?"

"Meu namorado estava se masturbando, ainda não tinha ejaculado e colocou o dedo na minha vagina. Posso engravidar com o líquido lubrificante em sua mão?"

"Fiz sexo anal com meu namorado, estava menstruada e, depois disso, fui a um churrasco. Lá, comi um molho de alho, que me fez muito mal. Estou melhor, mas ainda tenho dor de cabeça e diarréia. Posso estar grávida?"

"Alguém pode ficar grávida sem ter uma relação sexual, só com um amasso bem quente, em que o namorado ejacula, sem tirar as roupas?


Só posso acreditar que na falta de cartas, o médico Jairo Bouer arrisque esses questionamentos apócrifos. Agora... se eles forem verdadeiros, tenho medo até de pensar que tipo de adultos esses jovens serão.

Prestou atenção no terceiro depoimento? É ou não é uma piada?

Monday, April 28, 2008

“Nunca tivemos nenhuma briga nem desentendimento artístico, nem pessoal, até o desencontro final. Tudo terminou bem, dentro das circunstâncias, embora eu me sentisse arrasado pela dupla perda. Marisa começou a namorar o vocalista Nasi, do grupo de rock paulista Ira! (que não tinha nada de nazista, era brizolista roxo), e eu a atriz Ítala Nandi, uma das estrelas do Teatro Oficina, minha amiga desde O rei da vela, em 1968. Ítala foi um anjo, mas eu não conseguia pensar em outra coisa que não naquele canto de sereia que eu ajudara a ampliar. Me assustei com o tamanho da encrenca, absolutamente desproporcional ao que seria (mais) um rompimento em minha história de muitos. Mas ninguém precisava saber disso, a não ser os amigos muito íntimos, o analista lacaniano cada vez mais entediado com a repetição obsessiva do “drama da impossibilidade”, e João Gilberto, em longos e diários telefonemas.”

A dúvida me lançou uma flecha preta...


Esta é abertura do capítulo Bem que se quis, página 439, do livro Noites Tropicais, de Nelson Motta. Só acabei de ler a obra semanas atrás, e este capítulo me deixou encafifado. Posso estar vendo pêlo em ovo, mas os escritos me incomodaram. Não sei exatamente o que houve, até porque não ouvi, nem sequer li qualquer fala da Marisa Monte sobre o tema. Mas parece ter havido muito mais que “alguns aviões de carreira” em toda essa história.

O artista deve se manter o mais incógnito possível. Saber de determinados detalhes da vida pessoal, tira um pouco do charme, do mistério, da admiração.

Depois de ler a biografia, fiquei muitos meses sem conseguir ouvir uma música do Cazuza.


Foi assim quando li a biografia do Cazuza. Fã do cantor desde a primeira apresentação dele no Fantástico – até pensara em escrever uma peça de teatro baseado nas músicas dele – fiquei profundamente decepcionado depois de saber mais detalhes da trajetória, contados pela própria mãe Lucinha Araújo.

Hum... pelo que entendi... Elis era o tipo... insuportável!


No próprio livro do Nelson Motta, alguns detalhes sobre o comportamento de Elis Regina fizeram-me torcer um pouco o nariz. Pela descrição, a Pimentinha tinha rompantes insuportáveis. Passional, desmedida, estrela, enfim.

Eu não tenho nada a ver com isso, mas será que a Deborah foi passada para trás?


Nunca fui lá muito fã da Déborah Secco, mas incomodou-me o lance da Maria Rita com o Falcão, na época que o vocalista d’O Rappa namorava a atriz.

Será que foi com ela?


Você que leu o texto até aqui, pode estar se perguntando: - mas o que ele (eu) tem a ver com isso?

E por causa dele? O que será que o Falcão tem?


Eu respondo: nada, absolutamente nada. Mas preferia não ter lido essas informações. Faz tempo que tenho acreditado na ignorância como uma das formas de entender melhor a felicidade. Se que isso é possível, registre-se!

Thursday, April 24, 2008

Como na música do Lulu Santos, eu estava por aí, andando de bar em bar. E apesar de então morarmos na mesma cidade, freqüentarmos os mesmos lugares, nunca vira você. Quando lhe encontrei a primeira vez, era um ameno dia de outubro. Você olhou pra mim, eu sei, eu olhei pra você. Naquele instante desejei estar com você.

As conjecturas virtuais fizeram-me descobrir seu nome, seu trabalho, suas fotos. Disfarçado, entrei na sua vida. E lhe seduzi, eu sei. Demorou um pouco até que pudemos, enfim, estar juntos, sermos apresentados, descobrir que há, sim, um vilarejo ali, onde areja um vento bom.

E lá se vai um ano. Ou doze meses, sim, 365 dias. Ou quem sabe 8.760 horas, ou ainda 525.600 minutos, mais de meio milhão, veja você. O mais importante é que nesta nossa história, qualquer matemática é vã, simples demais para explicar, dar conta, arrebatar.

Durante muito tempo escrevi aqui que estava procurando algúem. Explorei aqui talvez o meu mais famoso texto – Os sinos, as estrelas e o frio na barriga – como um recado. Não tínhamos tempo a perder.

Que bom, você entendeu. E veio. E ficou. E tornou tudo aquilo que já era bom, ainda melhor. Olho pra trás e vejo o Hachimitsu, a Marisa Monte, a Na Ozzetti, os passeios em Curitiba, o almoço na Warta, a caminhada no Igapó, a visita à Recife, o carnaval em Florianópolis, o primeiro inverno em Curitiba, a compra das alianças, o nosso compromisso.

Juntos aprendemos que de nada adianta a experiência, os planos, o amanhã. O que importa é o agora, não é mesmo? Este é o primeiro de muitos outros anos que virão. Que farão nossas vidas ainda melhores, que deixarão cada dia desse nosso encontro ainda mais saboroso.

Já provamos que a distância não é empecilho. Agora é viver cada dia um dia, com a certeza de que o céu ficou repleto de balões, desde que você chegou.

Eu amo você!

Da janela do meu quarto eu vi esses balões. E você também os viu. E então a gente entendeu que tinha que ser assim.

Friday, April 18, 2008

Tenho vivido alguns conflitos na capital paranaense. Grande parte das pessoas que moram aqui não prima pela simpatia e delicadeza, mas eu decidi que não vou me importar com elas. E as razões para isso são simples: além de sugar a energia, de nada vai adiantar já que as pessoas não vão mudar e eu terei que me adaptar, pois não está nos meus planos sair daqui tão cedo.

Ontem de manhã, na verdade ainda de madrugada, fui posto à prova. Acordei às seis da manhã, chovia um pouco. Às seis e quinze estava na rua, indo à academia. Logo após o meu prédio, há um semáforo, vermelho para mim. Ainda debaixo de chuva, o sinal abriu e o cidadão no automóvel imediatamente atrás, não esperou dois segundos – o tempo de eu engatar a marcha – e tascou a mão na buzina.

Confesso que aquilo, de início, me irritou bastante. Ouvindo ópera no meu carro, pensei sobre a razão de alguém estar buzinando às seis e quinze da manhã, numa rua em que havia apenas dois carros e muito espaço ao lado.
Por alguns segundos, muitas bobagens passaram pela minha cabeça. E se de repente eu resolvesse descer do carro e tirar satisfação, dando um bofetão no cara? E se ele tivesse uma arma e atirasse em mim? Por que, ainda de madrugada, tanta irritação?

Pensei em Deus, juro. E pedi a ele paciência. Ao invés de olhar para o que havia de pior, pensei... talvez ele esteja indo pro hospital porque algum parente ou amigo se feriu. Talvez perdeu a hora para levar alguém ao aeroporto. Talvez esteja atrasado para o trabalho. Talvez ele não tenha tido uma boa noite. Esse talvez evoca tanta esperança, não?

Depois de todos esses pensamentos, decidi que aquele cidadão não estragaria o meu dia. Ele estava infeliz, por qualquer razão. E irritar-me com ele, seria ficar no mesmo patamar. Tomara que a atitude de hoje se repita por muitos outros dias.

Porque assim eu viverei cada vez melhor nessa cidade.

Thursday, April 10, 2008

Certamente não seria uma rima, muito menos uma solução.

Eu venho de família grande, somos nove filhos, eu o caçula. Meus pais batizaram na Congregação Cristã do Brasil ainda jovens e solteiros, de modo que a prole – quase inteira – ganhou nome bíblico.

Tudo começou bem com o Mateus, Davi, Maria Madalena, Paulo, Moisés e Elizeu. A minha segunda irmã deveria se chamar Laldicéia, para manter a tradição evangélica, mas na última hora acabou virando Laldeci, que se tornou Lalda e talvez isso tenha definido meu interesse por televisão, sei lá.

Eis que o pequerrucho aqui vem ao mundo, o Irmão João e a Irmã Alice olham pra minha carinha rechonchuda e decidem me chamar João Batista. Conversam um pouco mais e eu me transformo em Gilberto, que não tem absolutamente nada de bíblico, pelo menos que eu saiba. No meio do caminho, Papai teve um “siricutico” e me agraciou com o Edenilson.

Tudo mudou naquele instante na pequena Corbélia, interior do Paraná. Mal sabia o meu pai que todas as pessoas do universo errariam o meu nome e que isso me deixaria, invariavelmente, irritado. As professoras erravam, os vizinhos não lembravam direito, e o melhor amigo do meu pai, o Irmão Antônio quase caiu pra trás, já que sempre imaginou que eu respondesse pela alcunha de Éden, assim mesmo, como o Jardim do Éden, de Adão e Eva.

Volta e meia eu fazia alguma birra por causa do meu nome e, desde criança, perguntava à minha mãe porque ela não continuara com os livros da bíblia. Por que não me agraciou com um João, José, Marcos, Pedro, Thiago, até Timóteo, sei lá.

Eis que chegou então, a formatura da oitava série. Todos os meus amigos apostavam que eu seria homenageado como melhor aluno, já que as notas do queridão aqui sempre foram ótimas, modéstia às favas. Preparei minha vingança para o grande dia.

Por alguma razão que eu não me lembro, o assunto nome veio à baila e falei pra minha mãe que todo mundo não sabia dizê-lo corretamente e que isso deveras me irritava. E alertei: se no dia da minha formatura errarem o meu nome, não levanto pra receber o diploma.

Uma sexta-feira calorenta de dezembro, nós todos na Igreja da Vila Oliveira – praticamente um ultraje para os evangélicos – começa a colação de grau. Quem entregou o certificado de conclusão foi a dona Rena Verri, nossa professora de português e madrinha da turma. Muito cuidadosa, disse pausadamente E-D-E-N-I-L-S-O-N e lá fui eu, todo faceiro, minha mãe exultante de alegria.

Eis então que o diretor geral da Escola Estadual Professor Francisco Villanueva, professor Ilton Gonlçaves Barbosa, anuncia que iria entregar uma medalha para os melhores alunos de cada turma. Eu era da Oitava A.

Antes de anunciar o melhor aluno, ele fez questão de enfatizar que, de acordo com levantamento feito na cidade, o então melhor aluno não era apenas o melhor do Villanueva. O tal felizardo tinha conseguido a melhor média geral da cidade, o que era razão de muito orgulho para a Escola – pública e das mais pobres. Os colegas já me olharam, todos na maior expectativa – também cientes que eu odiava que errassem o meu nome.

Peito estufado, professor Ilton voz embargada:
- O melhor aluno da Oitava A e de Rolândia é.... E D I N E L S O N de Almeida.

Eu simplesmente murchei no banco, os amigos todos sabiam que eu não me levantaria, ninguém moveu um músculo, nem mesmo a dona Rena, de modo que até hoje, nenhuma viva alma naquela igreja soube, afinal, quem era o destacado aluno.

Foi uma criancice danada, eu sei, minha mãe chorou horrores e eu, sem nenhuma hipocrisia, senti-me vingado por ostentar este nome tão bacana.

Meu pai fez a gentileza de comprar duas roupas para mim: uma para a colação e esta aqui, no dia da festa, no salão do Villanueva. Gravata de crochê era, supostamente, o grito da moda na época. E as muitas espinhas no rosto revelam que eu estava em plena puberdade! A dona Alice, sem dúvida alguma, foi a mãe mais elegante da festa, com um vestido simples e sofisticado em tom de azul esverdeado!

Wednesday, April 09, 2008

Desde que me mudei pra Curitiba, nunca mais almocei sozinho. Quer dizer... talvez umas dez, onze vezes nestes nove meses. Todos os dias, invariavelmente, sempre há uma boa companhia nas refeições. Sejam os meus diletos e antigos amigos de Rolândia (Juliano), Londrina (Beto, Simone, Marcos, Jossânia), sejam os novos amigos de Curitiba (Júnior, Carminha, Fernanda, Nascimento, Cláudia Almeida,´Cláudia Porcher, Rosi, Carla, Cássia, Melissa).

O fato é que, entre os muitos presentes que já recebi desta cidade, fiz questão de escrever este post. Como disse o Beto, anteontem, sempre tem coisas boas na vida da gente.

E é importante reconhecê-las!

Tuesday, April 01, 2008


A minha vida tem trilha musical. Para cada situação, uma melodia deixa o momento mais agradável. Numa aula de Body Jam em mil seiscentos e antigamente, a música me encantou à primeira ouvida. A professora não sabia o nome, de modo que complicou a vontade de ouvi-la repetidas vezes até enjoar.

Certo dia, na então casa da Simone e da Sílvia, num dos cd’s que tocava no carro, ouvi-a a caminho da Universidade Tuiuti do Paraná. Mas bingo: a Sílvia, dona do CD, tinha gravado-o de não sei quem e também não sabia o nome da música.

Eis que ontem, alguns três anos depois, eu creio, vejo o profile do Marcos no MSN justamente com o refrão. Ato contínuo, ele me indicou o nome da música, eu já baixei-a na internet e pesquisei nos sites para comprar o cd oficial e poder ouvi-lo no carro. Isso sim que é um bom jeito de começar a semana.

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Outra grata e excelente surpresa foi domingo à noite, no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. À espera do ônibus para regressar à Curitiba, comecei a ler o livro Filandras, da Adélia Prado, de longe a minha escritora preferida. Uma das crônicas é simplesmente sensacional. Ei-la, para quem gosta do cotidiano:

Análises

Comia com a mão quando a conheci, a mulher por quem João Jeremias foi a vida inteira apaixonado. Vi depois seu único retrato de juventude, o mesmo penteado da avó. Acredito mesmo que nunca foi jovem, uma desiludida crônica, resumindo seu desconforto de existir entre os homens com o bordão que recitava nas dificuldades: ‘não servia pra ter nascido’. Não gostava do seu nome Diolinda e, nas infrequentes vezes em que se permitia relaxar, ria dele, confessando que ficaria muito satisfeita se se chamasse Nair, principalmente, Maria Nair. Seu marido João Jeremias, também nas poucas vezes em que ensaiou em público tratá-la com carinho de marido chamando-a de Nairinha, não deu certo. Ficou muito enfurecida, pondo em ridículo a paixão dele, que se recolheu e nunca mais ousou, com o que as psicologias não concordam. Devia ter batido nela, ou a porta, gritado, sei lá. A Diola, na minha soberba opinião, precisava de um marido mais avultado, a bem da verdade, um toureador que amansasse a leoa. Mulher, mansa ou brava, quer marido firme. Marido tem que proibir alguma coisa, nem que seja do tipo: ‘quero minha correia dependurada neste prego e ninguém me tire ela daqui.’ Porque senão as mulheres ficam muito infelizes e começam a ter maus pensamentos de querer ficar viúvas, de sumir no mundo, de dar os filhos pra avó criar, essas coisas. Natureza de mulher é de obedecer, de admirar, de servir, natureza de formiga, de abelha operária e gata no borralho, senão, meu Deus, não sobra espaço pra ela virar cinderela. Até a princesa da Inglaterra, que Deus a tenha, arranjou o que fazer nas creches do mundo, não agüentava mais. Serviço nunca faltou pra Diola, aliás o que mais teve foi serviço, serviço e nervosia. Tinha a moda de falar sozinha, teria dado excelente madre superiora, ótima Joana d’Arc, Maria Bonita com grande vocação blasfema, uma santa e tanto, ou uma pecadora pública. No entanto, consumiu-se tolhida, ih... disse no começo que as mulheres precisam de limite e agora vejo que ele atrapalhou a Diola e a mim? Bem, já me achei, Diola foi tolhida pela ausência de autoridade do Jeremias, pois ele não a contrariava em nada, o que é mesmo insuportável. E eu? Teodoro já me fez desaparecer de medo dele umaf vez, uma não, duas. A bem da verdade, três. E chega, não quero saber de outra. Foi surra não, a comparação que me vem é como se um leão estivesse comendo e eu botasse a mão no cocho dele, só o rosnado me deixou sem fala! Sorte minha. Outro dia falei com o Teodoro: como será que o seu pai deu conta de sua mãe? Mole pra ele, Teodoro falou, a mãe nunca deu conta de exasperar o pai. Quando ela chegava no limite, ele pegava no braço dela com aquela mão enorme, levava até a porta da rua e falava: escuta Nairinha, obrigada você não fica comigo não. Você é livre. Impressionante, na hora da maior raiva dele, ele chamava ela de Nairinha, sem desprezo, com todo o respeito e paciência. Funcionava igual bomba atômica. Eu não sabia que João Jeremias, meu sogro, também tinha um prego onde pendurava a correia. A Diola me enganou bonito. Acreditei que a nervosia dela era culpa do Jeremias, um craque.


De Adélia Prado, em Filandras.


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Ah... a música em questão é Red Alert, do Basement Jaxx!