This is the archive for March 2008
Manhã tempestuosa, fim de tarde pouco agradável. Mas entre dois extremos, sempre existe algo que merece um pouco mais de atenção. Ontem eu fui almoçar com o Marcos num restaurante chinês que fica pertinho da minha casa.
O lugar é absurdamente simples, com decoração quase franciscana e duas colunas de pratos: de cerâmica branca para quem for pagar por pessoa e transparente para quem for comer por peso.
Além da boa comida, a simpatia da anfitriã acolhe todos os clientes. Quando a gente entra no restaurante, ela dá aquele bom dia/boa tarde inspirado, sincero, com vontade. Nada que lembre aqueles apertos de mão protocolares, que a gente mal sente a mão alheia.
Já no caixa, a surpresa. Logo após passar o cartão do Marcos e depois o meu, o dono disse: “Xexé”. De início achei que fosse um resmungo qualquer, quando ele repetiu e explicou: - Xexé é obrigado em chinês!
Boquiaberto, perguntei o que a gente responde neste caso. Ele disse algo que eu não memorizei, mas enfatizou que a gente pode simplesmente responder “Xexé”. Daí eu tasquei... então Xexé pro senhor!
E dali saímos de volta ao trabalho, sem eu antes lembrar ao Marcos: - vou ligar pro Xexé e contar tudinho pra ele.
Posted by joao at 12:02 AM. Filed under: Geral
2 comments • Permalink
Existe algo pior que o Big Brother Brasil?
Existe algo pior que o Big Brother Brasil 8?
Sim, meus caros, sim.
Para este final anódino, nada mais apropriado que o arremedo de rock chamado Pity!
Lembre-se sempre: nada é tão ruim que não possa piorar. E que sempre, sempre, sempre, há mais degraus a descer.
Posted by joao at 11:08 PM. Filed under: Geral
No comments • Permalink
Se algum dia você ouviu dizer que o curitibano é um antipático, esqueça. É a mais absoluta mentira. Os curitibanos são muito, muito antipáticos. Sobre isso falarei num outro post, mas precisava do preâmbulo para “temperar” este texto.
Amigo não é só aquele que dá força nos momentos difíceis, que se alegra com a nossa felicidade, que dá broncas necessárias. Um amigo verdadeiro empresta o guarda-sol. Foi o que se sucedeu entre mim e o Beto, em outubro do ano passado, quando ele tirou férias e foi pra Florianópolis, sozinho. Tomou-me emprestado o guarda-sol e a cadeira de praia.
Voltou da praia, deixou os apetrechos no porta-malas do carro dele, até tentou me devolver umas duas vezes. O fato é que isso não ocorreu até o dia que eu os pedi de volta, pois passaria o Carnaval com o André, também em Floripa.
Momento de descoberta esse. De bate-pronto, ele não me disse nada, até a hora combinada, quando me levou até a casa da Simone e do Júnior, para pegar o guarda-sol e as cadeiras dos meus compadres. É que o Beto fora para o Uruguai de carro, passar o reveillon com o Gildo. Ainda na ida, tirou o meu guarda-sol e a cadeira do porta-malas dele e deixou-os na casa do pai do Gildo (este nosso amigo mora em São Paulo), que é tão longe, mas tão longe, que eu nem sei onde fica. Só sei que era em Curitiba mesmo.
O fato concreto é que aceitei a oferta da Simone e do Júnior. Contrariando todas as expectativas e mau agouro dos meus colegas de trabalho, fez muito sol no nosso primeiro dia na capital catarinense. Eu e o André ficamos boquiabertos: na verdade, de tão grande, não era um guarda-sol. Era um guarda-planeta. Dois metros e vinte de diâmetro, alaranjado, podendo ser reconhecido por qualquer pessoa naquele monte de exemplares semelhantes.
No sábado de carnaval, abrigou a mim, o André, os nossos amigos Tiesco, Vanilson, Sérgio e Fernando, que chegaram no final da tarde. Domingão, mais sol de estralar mamona e lá fomos nós, guarda-sol e cadeiras debaixo do braço, peito nu cabelo ao vento - eu mais o peito nu mesmo. Ficamos na praia até o entardecer, quando a balada começou a esquentar, o sol já não era mais companheiro e decidi levar os apetrechos para o carro. Levemente alterado pela bebida, não percebi quando o cabo que dá suporte ao guarda-sol caiu na areia. Dei conta da perda já no carro e voltei, olhando para todos os lados, confiante que esquecera o suporte com os amigos. Não o esqueci. Perdi o cabo, voltei perguntando pra cada filho de Deus que alugava guarda-sol na praia e nada. Já fiquei preocupado em não conseguir achar um igual pra devolver ao Júnior e à Simone.
Lembrei de uma ocasião, quando fazia mestrado em São Paulo e peguei emprestado um guarda-chuva do Roberto. A chuva logo passou e esqueci o tal na USP. Qual não foi a minha surpresa em saber que o meu amigo comprara o tal na França, numa das viagens que fizera. Queria morrer de tanta vergonha e fiquei pensando: e se o Júnior também comprou este guarda-sol fora do Brasil? E se for de estimação? E se foi a tia mais legal que ele tem que deu este guarda-sol pra ele? E se o guarda-sol tiver um valor afetivo?
Envergonhado cheguei à Curitiba e fui direto pesquisar na internet. Descobri uma fábrica quase em São José dos Pinhais. Em solidariedade, o Beto foi comigo lá onde o Judas perdeu a meia. Na tal fábrica, descobri que a peça era sim importada, que não era fabricada no Brasil. Entrei em pânico. Disse ao rapaz que me atendeu que já procurara em algumas lojas e não tinha encontrado nada parecido, principalmente do mesmo tamanho. Ele lembrou de uma outra fábrica/importador, deu-me o telefone e desejou boa sorte. E destacou que poderia fazer um com a mesma dimensão sob encomenda.
Passaram-se alguns dias sem eu ter chance de ir até o local. Pelo telefone, a moça me avisou que era bem longe. Imprimi um mapa que consegui na internet, perguntei pra toda redação da TV Sinal se alguém sabia como chegar até aquele lugar. A Sara lembrou que a mãe do Ney Hamilton morava para aqueles lados.
O digníssimo amigo fez as orientações, passo a passo, de tudo o que eu iria encontrar até chegar ao local. E alertou: é longe. Tão longe, mas tão longe, mas tão longe, que gastei 50 minutos para chegar – e olha que não era horário de pico. Seria o mesmo tempo para ir de Londrina a Apucarana, por exemplo.
A tal fábrica não tinha nenhuma indicação, e o número do endereço estava apagado, de modo que precisei dar muitas voltas até entender onde exatamente era o lugar. Depois de fazer ficha na portaria, dar nome, endereço, cpf, rg, tipo sanguíneo e relatar meus interesses ali, o vigilante indicou a sala que deveria procurar.
Na sala, a“simpática” atendente:
- Isso é só com o Thiago.
- E onde está o Thiago?, perguntei.
- Ele não veio hoje.
- E só ele pode resolver este problema?
- O senhor pode ir lá embaixo e procurar o Roberto. Mas vai precisar de carro.
Respirei fundo, contei até 639 e pedi que a simpática e prestimosa moça me explicasse onde exatamente encontraria o tal Roberto. Sem levantar da cadeira, ela detalhou os vários barracões que passaria até onde seria atendido. Realmente era bem longe. Realmente precisei ir de carro.
Ao me aproximar do barracão, alguém – bem ao modo dos nativos locais – foi gritando:
- Estacione ali, estacione ali, estacione ali.
Ao mesmo tempo que pensei que aquilo não acabaria bem, perguntei se era ali que o Roberto trabalhava. O cidadão fez qualquer sinal que sim.
Desci do carro com o guarda-sol na mão. Apontei para o moço agachado e perguntei se ele era o Roberto. Ninguém respondeu. O homem que me mandou, tão gentilmente, estacionar o carro era o próprio Roberto. Quando ameacei dizer mais algo, ele interrompeu:
- É este o guarda-sol com problema? Este é dos bons, é importado.
- S...
- O que aconteceu, são os grampos?
- N...
- Não, não, os grampos até estão mais ou menos.
- Bem...
- Ah tá... foi o cabo. Espere aí.
O tal Roberto se enfiou lá dentro e eu comecei a andar pra lá e pra cá, pensando que aquele doce e gentil homem provavelmente voltaria com o que sobrou do guarda-sol, muito disposto a atochá-lo naquele lugar. Claro que seria no meu. E já comecei a ensaiar o discurso para relatar o ocorrido à Simone e ao Júnior, como repararia aquele dano, na vergonha do que se passou em Florianópolis.
Eis que volta o senhor Roberto com o cabo enrolado num plástico.
- Deu certinho. E aproveitei para trocar os grampos, que já não estavam bons.
Pensei... vai me cobrar uns 50 reais.
- Nossa... que bom, o senhor salvou a minha vida. Quanto ficou o serviço?
- Não é nada não.
Com a maior cara de tacho:
- Não acredito? O senhor não vai cobrar nada?
- Nadinha.
- Então muito obrigado, o senhor é muito gentil.
Já debaixo de chuva, entrei no carro e reduzi a minha matemática. Desde então, deixei de achar que 99% dos curitibanos são antipáticos. A partir de 11 de março de 2008, conclui que só 98% deles são assim.
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
4 comments • Permalink
Acabo de ver uma daquelas cenas que, para mim, vão entrar para a história da teledramaturgia brasileira. Na minissérie
Queridos Amigos, a cumplicidade entre pai e filha, vividos por Juca de Oliveira e Deborah Bloch, é simplesmente encantador.
Lena (Deborah) não teve muita sorte no casamento, separou-se e vive às turras com a filha. O pai está sempre ao lado, dando apoio moral. Hoje ele (Juca) fitou-a com aquele carinho e afeto que só os pais conseguem ter. E disse-lhe, olho no olho:
- Eu fui um péssimo pai. Mas você é uma excelente filha. Quando você decidiu se separar do seu marido, eu senti o maior orgulho. Porque eu sou um covarde. E você foi à luta.
É o tipo de momento que nunca é esquecido. Quando tudo está ruim, nebuloso, o que a gente mais deseja é ser acolhido. Faz toda a diferença.
Depois da cena, lembrei também do filme
As invasões bárbaras, que mostrou a mais linda e singela declaração de amor. O pai, quase à morte, disse clara e cristalinamente ao filho:
- Eu espero que você tenha um filho igualzinho a você.
Pronto. Não precisa de absolutamente mais nada.
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
2 comments • Permalink
Era julho de 1982 e fui passar as férias em São Paulo, na casa do meu irmão mais velho, o Mateus. Já entrando na adolescência, impressionou-me as chamadas da minissérie
Quem ama não mata, escrita por Euclides Marinho e estrelada por Marília Pêra e Cláudio Marzo.
Acompanhei todos os capítulos estarrecido com a força daqueles personagens, mesmo considerando a pouca idade para compreender os conflitos humanos. O último capítulo foi de uma violência verbal e física, culminando com o fim da relação e morte do casal protagonista.
O mesmo impacto está me causando a minissérie
Queridos Amigos, exibida atualmente. Eu já lera alguns escritos de Maria Adelaide Amaral, com destaque para a peça
De braços abertos, retumbante sucesso na década de 80, interpretada por Irene Ravache e Juca de Oliveira. Agora, surpreendo-me com a força, a verdade, a entrelinha, o subtexto de cada um dos vários amigos que desfilam pela obra. Não há nada que destoe, nem mesmo os gêmeos peraltas de cabelos encaracolados.
Esta semana, chamou-me a atenção a personagem da Raquel, interpretada pela magnífica e espetacular Maria Luísa Mendonça – para mim, uma das mais versáteis e talentosas atrizes do momento.
Depois de anos a fio dedicada aos filhos, ao lar e ao marido, foi abandonada pelo marido professor, apaixonado por uma aluna. Ato contínuo à descoberta, entrou em depressão profunda, daquelas que impede até sair da cama, comer, beber, tomar banho. Era a própria derrota, o desencanto, a desesperança.
Mas como viver é um ato de bravura, ela foi chamada à razão pela filha mais velha, clamando a presença da mãe, viva, não uma moribunda. Bastou ouvir a canção do Beto Guedes (...quando entrar setembro e a boa nova entrar nos campos...), ela começou a recuperar as forças, levantou, tomou banho, alimentou o corpo e partiu resoluta em busca de si mesma. Seguiu o ritual da morte: receber a notícia do morto, velar o corpo para, só então, enterrá-lo e deixar a vida correr.
É magnífico perceber a grandiosa capacidade que as pessoas têm de recomeçar. De um jeito que dispensa julgamentos, todo mundo acaba dando um rumo para a própria existência. A luz do túnel sempre esteve lá, só um pouco nebulosa, escondida. Mas era tão perene que se fez valer.
Hoje parece ser politicamente incorreto ter problemas, sentir dores. Não importa o revés, o luto, é preciso sacudir a poeira, dar a volta por cima, de preferência sem rompantes, sem gritos. Aquele sorriso de atleta de aeróbica precisa estar estampado não só no rosto, mas principalmente na alma.
A dona Alice sempre foi muito enérgica, dura, sem nenhum constrangimento de “cortar” a gente no “cinto”, na mangueira ou o que estivesse à mão. Mas de todas as agressões, sem dúvida alguma, a mais dolorida era proibir a gente de chorar. Mesmo depois de surras homéricas, com pancadas que nunca foram leves, as marcas nas pernas, na bunda e nas costas idem. A maior crueldade era engolir as lágrimas.
Perdoar isso tudo não foi tarefa fácil, mas creio ter feito o melhor que podia. E depois de muita reflexão, muitas outras lágrimas, talvez até mesmo comiseração, entendi que tinha sim o direito de chorar. O tempo passou, as angústias se modificaram, os aprendizados se potencializaram e mais que nunca creio que o tempo, sempre ele, é o senhor de todas as razões.
Nada de crueldade. Cada um precisa do tempo que lhe convém para cuidar das próprias feridas. Como diz a música cantada pelo Ney Matogrosso, “quem sabe soletrar adeus, sem lágrimas, nenhuma dor”, talvez não saiba viver. Porque, muitas vezes, é preciso morrer, para poder viver outra vez. E então recomeçar.
Posted by joao at 12:26 AM. Filed under: Geral
4 comments • Permalink
Dia desses, numa sala de espera, folheei uma Veja, cuja capa era sobre regras. Nem perdi tempo em ler a matéria, mas na passada de olho, vi quadros de dicas para seduzir alguém, como superar um pé na bunda, como saber se é a hora de pedir aumento, como gozar em 25 etapas sucessivas ou alternadas e um monte de outras baboseiras.
Lembrei de uma entrevista com a psicóloga Rosely Sayão para o programa Viver Bem, na então TV Mix. Entre muitas colocações sensatas, ela disse que os pais estão à procura de uma vacina. Apareceu uma dificuldade qualquer, vacina nela e vamos que vamos, afinal, é preciso viver etc. e tal.
Educação, aprendizado, completou ela, “são processos lentos, demorados, exigem paciência. E o pior, alguns nunca aprendem.” Isso me veio à mente hoje, depois de dar algumas dicas para um ex-aluno, agora recém-formado, que, obviamente, está ansioso para conseguir um trabalho.
O tempo voou depois que me formei. E mesmo após quase 16 anos de labuta, algumas coisas eu ainda não aprendi, o que me faz recear estar incluído na frase da psicóloga.
Certamente tenho algumas virtudes e outros tantos defeitos. Hoje acho que o principal deles é apostar que tudo é para sempre, extrapolar na expectativa. Mesmo após algumas experiências malsucedidas, não absorvi o aprendizado. Não consigo conviver bem com a finitude das coisas, das relações, dos projetos. E admito: isso é muito ruim.
Em muitos momentos tenho a sensação de estar no lugar errado, embora também não saiba precisar exatamente qualquer alternativa factível. Quase aos 38, ainda sofro ao perceber que determinadas coisas são apenas para alguns. Se todos tivessem o que sonham, será que teria graça? Acabo de lembrar da Ester dizendo que é a ausência que nos mobiliza.
Lembro também da minha mãe “ensinando” poupar na mocidade para gozar na velhice. Ela não contou com a possibilidade de perder o marido, muito menos de ser acometida pela osteoporose. Não há gozo com estas dores.
Apesar do constante desejo de viver cada dia como se não houvesse amanhã, reconheço que sou um blefe. Eu sonho, projeto, crio expectativa. Às vezes distorço o foco. Ao invés de ficar feliz com tudo o que conquistei, afinal, eu poderia estar fazendo malabares no semáforo, participando do Big Brother, pegando sobras no aterro sanitário, esmolando nas ruas, morrendo de fome no Zimbábue, fico esperando dias melhores. E para sempre, o que só agrava tudo.
Quando estou mais generoso comigo mesmo, penso porque eu não poderia ter inventado o windows, porque eu não virei modelo internacional – olha a presunção -, porque eu não sou galã de novela da Globo, porque eu não ganhei um Nobel qualquer, porque eu não posso viajar de primeira classe, porque eu não virei o âncora do Jornal Nacional, talvez até da CNN, BBC, porque eu não sou o único qualquer coisa em qualquer lugar diferente deste onde estou agora.
A resposta é tão simples quanto dolorida: porque isso não é pra mim.
Aceitar que há sapos que devem ser engolidos, por maior que seja o tamanho, que somos limitados e que a partir de um determinado ponto, não se avança mais, é reconhecer as próprias forças. E só então apropriar-se das legítimas e efetivas conquistas e refutar, veementemente, a idéia de que a laranja do quintal do vizinho é mais doce que a sua.
O que isso mudou na sua vida de verdade, não na teórica, sonhada, projetada? Nada, absolutamente nada. E pode ter certeza que será assim. E pra sempre!
Posted by joao at 01:37 AM. Filed under: Geral
2 comments • Permalink
Muito se diz que não existe opinião pública e que toda unanimidade é burra. Sempre desconfiei um pouco disso. Quando ouvia dizer que o povo adorava ver o É o Tchan, os sertanejos dos infernos e todo o monte de patifaria televisiva, desconfiava que era por pura falta de opção. Se não se conhece o biscoito fino, o jeito é se contentar com bolachas de maisena mesmo.
A primeira boa notícia é que a volta do Aqui Agora no SBT foi um verdadeiro fracasso. Apelaram, recuperaram as vinhetas do passado, investiram na mesma temática e o público deu uma singela banana para o policialesco. Perdeu para a Globo, Record e até a Band.
Outra boa notícia é que a Playboy com a ex-BBB 8 Jaqueline Khury está encalhada nas bancas. Tomara que não venda nenhuma. Quem sabe esse povo deixa de pagar tanto pau para essas pretensas, ocas e vazias celebridades instantâneas.
E o que foi a cara da Juliana, a jornalista rifada do BBB? A gostosona achou que estava bombando e tomou na tarraqueta.
E mais não falo, enquanto não fizer um post sobre a comenda Jacu.
Posted by joao at 12:02 AM. Filed under: Geral
1 comment • Permalink
A manhã de 11 de junho de 1987 foi normal até por volta das 10h30, 11 horas. Eu era um menor auxiliar de serviços gerais do Banco do Brasil – um office boy mesmo – e retornava dos Correios quando encontrei o Paulo, um dos meus irmãos, no meio da Avenida Expedicionários. Ele foi direto.
- O Moisés morreu.
Mal ouvi a frase e comecei a rir da piada. Onde já se viu, o Moisés, o meu outro irmão, morrer, assim, de repente aos 27 anos. Para espanto do Paulo, virei as costas sem dizer uma palavra e segui para o trabalho.
Já na agência, comentei com o então meu chefe, Nivaldo, o que se passara. Ele também foi direto:
- Mas é verdade, sua mãe acabou de ligar pedindo para você ir embora. O seu irmão morreu mesmo.
Liguei pra casa, confirmei tudo, perguntei se precisava de algo, respondeu que não, decidi continuar trabalhando até completar o meu horário. Tudo aquilo me parecia muito fantasioso. Jamais poderia imaginar que um dia o Moisés fosse morrer.
Mas ele morreu e de maneira absurdamente violenta. Foi assassinado com pancadas de paralelepípedos na cabeça. Eram muitos a segurá-lo, já que não havia hematoma algum no corpo, de modo que apenas a cabeça fora atingida. Para a polícia, um acerto de dívidas.
Aos 14 anos, o Moisés começou a estudar em Londrina – o único da família a ter essa oportunidade – e no trajeto de Rolândia até a cidade vizinha, teve o trágico encontro com as drogas. Primeiro como usuário, depois como traficante.
Nossa relação nunca foi boa, muito longe disso. Agressivo, egoísta, egocêntrico, era o tipo de pessoa que achava que o mundo lhe devia algo. Nada era suficiente para satisfazê-lo. Muitas e muitas vezes eu e minha irmã nos escondemos por horas a fio dentro do guarda-roupas para que ele não desconfiasse que estávamos em casa e, por conseguinte, não fôssemos agredidos por ele. Certa ocasião, numa das crises provocadas pela droga, esbofeteou o meu avô, que sangrou pelos olhos.
A morte violenta mobilizou a imprensa, a vizinhança, toda a cidade. Quando o caixão chegou, lacrado, as ruas do bairro ficaram intransitáveis. Todos queriam ver de perto. Foram as 24 horas mais chatas da minha vida. E ali comecei a perceber o quanto as pessoas se tornam falsas e hipócritas diante da morte. Nunca achei que partir dessa para outra significasse a redenção pelas atitudes praticadas neste tempo e nesta vida.
O fato concreto é que depois do enterro, retomei as minhas atividades normais, já que eu estava na fase final de preparação para fazer o concurso e me tornar funcionário de fato e direito do Banco do Brasil.
Já somavam mais de 20 anos e, volta e meia, eu sonhava com o Moisés. E em todos eles, invariavelmente, meu irmão tentava me matar. Esses pesadelos me perseguiram ao longo de todo esse tempo. Até que na última quinta-feira, isso mudou.
Neste último sonho, o Moisés estava bonito, com uma bela aparência, cabelos levemente desajeitados, nada que lembrasse o drogadito que sempre foi. Apesar não haver nenhum indício, ele estava ferido. E gentilmente pediu que eu cuidasse dos seus (dele) machucados. E eu fiz isso. Tirei-lhe a camisa, passei algo que lembrasse mercúrio nas costas dele e meu irmão ficou bom. E pela primeira vez me agradeceu.
Eu acordei meio atordoado até me dar conta que era mais um sonho. Voltei a dormir e, bingo, sonhei com os meus pais. A dona Alice estava feliz e o seo João percebeu que eu não me sentia muito bem. Simplesmente me chamou para perto de si, me abraçou e disse-me que tudo aquilo ia passar, que não adiantava eu me preocupar.
Acordei de novo e me senti muito aliviado e fui recompondo, cena a cena, os dois sonhos. Numa semana que recebi notícias bem desagradáveis, no período que fui acometido de uma raiva muito grande, este sonho certamente teve muito significado.
Creio que será necessário mais tempo para eu dimensionar exatamente tudo isso. Mas tenho que admitir: há muito eu não sentia tanta paz interior.
Posted by joao at 12:02 AM. Filed under: Geral
No comments • Permalink