A música sempre esteve presente na minha vida. Como sempre achei que a minha trajetória faz parte de um grande enredo, um folhetim daqueles, há sempre uma trilha musical nos mais variados momentos.
Eu era pequenino e dormia com o rádio bege ao lado do travesseiro ouvindo as mais bregas e sinceras canções de amor que tocavam na Rádio Cultura AM. Todos os dias, quatro da tarde, estava eu sintonizado no quadro A música da minha vida – uma pérola interpretada pela Diana, que, invariavelmente, enchia meus olhos de lágrimas.
Qual não foi a minha alegria, nos idos de 1979, quando o seo João conseguiu, enfim, comprar o tão sonhado telefone e eu, escondido da minha mãe, do meu avô, de todo mundo, liguei na Rádio para pedir uma música. Ainda agora fico emocionado só de lembrar.
Algum tempo depois ousei procurar emissoras de Londrina e encontrei na então Rádio Clube o programa Em tempo de amor, apresentado por João Scaff. A chamada do programa ainda é presente na minha memória: "Rádio Clube, João Scaff e você.... Em tempo de amor."
Todos os dias eu estava lá, segurando o rádio nas mãos, ouvindo as poesias, descobrindo o mundo encantador das palavras, dos romances.
Já adulto, certo dia ouvi The Cranberries, mais precisamente a música do vídeo abaixo.
Meu inglês não era o melhor que eu podia fazer, ler, compreender, mas a melodia me seduziu. E invariavelmente eu caía no choro ao ouvir os melancólicos versos da banda.
Houve um 24 de dezembro, eu acabara de comprar o CD, subia a Guaporé depois de trabalhar no Cesec do Banco do Brasil e ia ao Catuaí comprar as últimas lembranças de Natal. Chorei até chegar ao estacionamento do shopping. Era uma sensação de tristeza, misturada com abandono, medo de perder as pessoas que amo, me distanciar do que acredito. Nada palpável, talvez incompreensível, mas o fato é que de vez em quando tenho momentos como este.
Estou assim. Ontem liguei pro Beto, quase numa intimação para jantarmos juntos, estava com saudades dele – afinal, a gente parece se ver menos do que quando eu morava em Londrina – e dei-lhe carona.
Quando o CD começou a tocar, ele lembrou que eu lhe presenteara, tempos atrás, com o mesmo exemplar do Cranberries. Eu fiz isso mesmo. Como ele, certa vez, ouvindo um dos excelentes CD’s do Ney Matogrosso, tirou-o aparelho e me deu ali mesmo, na hora, já que eu tinha gostado tanto.
Chego em casa, vejo o último post da Janaína. E me deu uma saudade imensa. Saudade de algo que eu nem tenho certeza exata do que é. Mas uma saudade dolorida, daquelas que apertam o peito.
Resolvi pesquisar no youtube e só então me dei conta do quão lindo é o clipe da música. E aqui estou escrevendo quase um tratado sobre a saudade, a música, a melancolia.
Fecho os olhos e me vejo naquele quintal grande da rua Diamantina, ora debaixo da árvore, ora na varanda, ora em cima do pé de ameixas, mas sempre acompanhado do radinho bege. Quantas histórias criadas, quantas fantasias, quantos sonhos, quantas viagens.
Que saudade daquela falta de preocupação, daquela irresponsabilidade. Que saudade de ir comer coxinha com o meu pai no bar da dona Teresa, que saudade de fazer pamonhas com a minha mãe, que saudade de lavar a varanda e escorregar no piso ensaboado. Que saudade da minha irmã me arrumando para passear, penteando o meu cabelo.
Será verdade que somos resultado de tudo aquilo que vivemos? Se for, e se houvesse a possibilidade de voltar ao passado, gostaria de reviver tudo isso outra vez, encontrar as mesmas pessoas, dividir as mesmas histórias, as mesmas emoções.
E, principalmente, pegar na mão do meu pai e caminhar com ele para qualquer lugar.
"I'm Still Remembering" – The Cranberries
I'm still remembering the day I gave my life away.
I'm still remembering the time you said you'd be mine.
Yesterday was cold and bare, because you were not there.
Yesterday was cold, my story has been told.
I need your affection all the wa-ay.
The world has changed or I've changed in a wa-ay.
I try to remain, I'm trying not to go insa-ane.
I need your affection all the way, the way.
Get away
I'm still remembering my life before I became your wife.
I'm still remembering the pain and the mind games.
Reverse psychology never tainted me.
I didn't sell my soul.
I didn't sell my soul.
I need your affection all the wa-ay.
The world has changed or I've changed in a wa-ay.
I try to remain, I'm trying not to go insa-ane.
I need your affection all the way, the way.
They say the cream will always rise to the top.
They say that good people are always first to drop.
What of Kurt Cobain, will his presence still remain?
Remember JFK, ever saintly in a way.
Where are you now?
Where are you now?
Where are you now, I said,
Where are you no-ow?
I need your affection all the way.
All the way.
Publicado em 13 de fevereiro de 2008 às 00:01 por joao
Oi querido nao se assuste essa vontade de reviver tudo de novo nao e exclusiva sua...tbem tenho saudade de mtos momentos maravilhosos na minha vida mas ela continua e as vezes nao exatamente da maneira como sonhei...vc sabe a musica que marcou minha vida ne....nem preciso dizer. Um grande abraço e continue a escrever adoro seus posts.....