A gente tenta se enganar, tenta se iludir, tenta disfarçar. Mas há dias em que só o colo da mãe tira a angústia do peito. Eu não sou do tipo que vive bem sozinho. Até gosto de alguns momentos comigo mesmo, mas no fundo, no fundo, prefiro sempre ter alguém por perto.
É assim desde que eu era criança. Talvez pelo fato de pertencer a uma família grande, privacidade nunca foi o forte dos Almeida. Desde pequeno tinha muito medo de ficar doente, ser internado.
Certa ocasião, tive uma grande inflamação na garganta. Fiquei muito febril, sentia dores pelo corpo todo, minha mãe e a Madalena, minha irmã mais velha, me davam sucessivos banhos frios e nada do mal estar ir embora.
Lembro que a coisa parecia se agravar e se agravar, de modo que a Irmã Alice resolveu chamar a irmandade e o cooperador da Congregação para orarem por mim. A febre era tão alta, que o irmão Angelin foi além da oração. Ele me ungiu com óleo para que eu ficasse bom. Este ato era praticado apenas em casos considerados graves, fosse lá o que isso significasse. Era noite e eu variava.
O fato concreto foi que no dia seguinte eu estava bom, posso dizer mesmo que curado. Aquela oração, aquele óleo, aquelas palavras me libertaram da dor.
Hoje eu estou meio assim assim. Não é nada tão grave, muito menos perigoso. Mas devo admitir que hoje, nem que fosse por alguns poucos minutos, eu gostaria que minha mãe estivesse aqui comigo. E que orasse por mim, e que fizesse um chá de qualquer coisa para eu tomar e, ato contínuo, dizer: agora descansa que amanhã você já estará bom.