Hoje reencontrei minha agenda de 1998. E no dia 07 de fevereiro daquele ano, embarquei para os Estados Unidos. A primeira parada foi em Washington, onde fiquei uma semana, depois Nova Iorque, numa estada de mais 15 dias. Nesses mais de 20 dias, eu estive acompanhado do meu grande e querido amigo Carlos Appoloni, que também não conhecia a América.
Essa história, na verdade, começou muitos anos antes, lá em 1983, quando a professora de português da sétima série, Úrsula Olga Sille, pediu que listássemos cinco sonhos a serem realizados. Um dos meus era ir para os Estados Unidos. Tudo foi minuciosamente planejado para o grande dia.
No fim de semana anterior à viagem, o Carlos reuniu os amigos mais queridos para um vinho e conversa fora até de madrugada. Gostamos de celebrar.
Lembro que eu chorei muito naquela manhã de sábado, 07 de fevereiro de 1998. Fora à Rolândia me despedir da família e deixar o meu carro com o Jonas. Eu gosto sempre de dizer adeus às pessoas importantes quando faço viagens muito longas. Era o caso.
Como viajar de classe econômica não representa conforto algum, passei a noite anterior sem dormir. Mais que isso. Trabalhei no Cesec, do Banco do Brasil, até por volta de meia-noite, depois fui dançar, gastei tanta energia, de modo que tinha certeza que dormiria o vôo inteiro.
Antes de embarcar em Londrina, liguei para o Beto. Está anotado na minha agenda. Disse-lhe tchau, que ele era o melhor amigo que se podia ter. Saí de Londrina às 11 horas, mesmo com a partida para Washington sendo às 23. O medo de perder o vôo era tanto que preferi não arriscar.
Em Guarulhos, no Free Shopping, a sensação de estar num outro mundo. Eu e o Carlos começamos a gastar nossos dólares ali mesmo. Passear no aeroporto é sempre muito agradável, já que era possível paquerar e ser paquerado, pois a oferta de gente bonita é muito grande.
Abaixo, o relato de como foi aquele dia, até as primeiras horas em Washington. O vôo atrasou umas duas horas para partir.
“No avião, um breve cochilo e um jantar com comida horrível. Acordei oito horas depois, já no ar americano. Era irreal. Pousamos em Atlanta. Depois da breve escala, partimos rumo a Washington e as primeiras sensações foram de espanto. Medo e receio de não saber nada de inglês. Mas eu sei. O hotel é bom e bem localizado. Fizemos reconhecimento da região. É verdade: os carros param para atravessarmos as ruas. A cidade, hoje (domingo), parece deserta. Eles (os americanos) são educados e simpáticos. Almoçamos no Fryday’s. Comida boa e gente bonita. Lembramos que estávamos na América. Queria estar com o celular para ligar para Londrina. O sonho é realidade. Na loja de conveniência, a surpresa: preços muito menores que no Brasil. Preciso de luvas e cachecol. Hoje, zero grau. No hotel não sentimos frio. Ou melhor: calor. Não vimos americanos típicos. Ainda estou preso e vou me adaptar.”
A nossa idéia inicial era apenas um cochilo. Mas estávamos tão pregados, o clima tão aconchegante, que só acordamos no outro dia.
Essa história ainda está longe de terminar...