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This is the archive for February 2008

Thursday, February 14, 2008

Estou mais geminiano que de hábito. Há dois dias estava assolado por uma melancolia inexplicável, chorando por qualquer coisa. Eis que hoje, parece que o céu se descortinou na minha frente.

Recebi duas mensagens no celular (sim, do meu amor) e tudo o que estava bom, ficou ainda melhor. No meu terceiro dia de nova academia, voltei a me entusiasmar com a atividade física.

O professor de spinning manda super bem. Na aula de ontem, arrancou o nosso melhor. Soube estimular sem falsa simpatia, deu ritmo à aula. No trecho mais pesado, convidou-nos a “viajar” por uma praia qualquer. Eu fui para a beira-mar de Florianópolis.

Não melhor assim? De vez em quando é bom perder a razão e achar que todo esquisito é muito interessante!


Embalados por uma música que eu não conhecia – Vem pra cá, do Papas na Língua – apaixonei-me à primeira ouvida. Depois de um ligeiro gosto de amêndoas mofadas, sorri discretamente para mim mesmo e pensei que bobagem perder tempo com tristeza. Aceitei o convite da banda e fui pra algum lugar muito melhor.


Wednesday, February 13, 2008

A música sempre esteve presente na minha vida. Como sempre achei que a minha trajetória faz parte de um grande enredo, um folhetim daqueles, há sempre uma trilha musical nos mais variados momentos.

Eu era pequenino e dormia com o rádio bege ao lado do travesseiro ouvindo as mais bregas e sinceras canções de amor que tocavam na Rádio Cultura AM. Todos os dias, quatro da tarde, estava eu sintonizado no quadro A música da minha vida – uma pérola interpretada pela Diana, que, invariavelmente, enchia meus olhos de lágrimas.

Qual não foi a minha alegria, nos idos de 1979, quando o seo João conseguiu, enfim, comprar o tão sonhado telefone e eu, escondido da minha mãe, do meu avô, de todo mundo, liguei na Rádio para pedir uma música. Ainda agora fico emocionado só de lembrar.

Sim, já posei em frente ao jardim de casa, com roupinha de domingo e jeito de menino angelical. E tive a infelicidade de combinar calça preta com sapato e cinto marron. Ninguém merece.


Eu escrevi no verso a data, a idade, o telefone (não sei  a razão) e coloquei meu nome junto ao da Rosângela - minha paixonite infantil -


Algum tempo depois ousei procurar emissoras de Londrina e encontrei na então Rádio Clube o programa Em tempo de amor, apresentado por João Scaff. A chamada do programa ainda é presente na minha memória: "Rádio Clube, João Scaff e você.... Em tempo de amor."

Todos os dias eu estava lá, segurando o rádio nas mãos, ouvindo as poesias, descobrindo o mundo encantador das palavras, dos romances.

Já adulto, certo dia ouvi The Cranberries, mais precisamente a música do vídeo abaixo.




Tuesday, February 12, 2008

A gente tenta se enganar, tenta se iludir, tenta disfarçar. Mas há dias em que só o colo da mãe tira a angústia do peito. Eu não sou do tipo que vive bem sozinho. Até gosto de alguns momentos comigo mesmo, mas no fundo, no fundo, prefiro sempre ter alguém por perto.

É assim desde que eu era criança. Talvez pelo fato de pertencer a uma família grande, privacidade nunca foi o forte dos Almeida. Desde pequeno tinha muito medo de ficar doente, ser internado.

Certa ocasião, tive uma grande inflamação na garganta. Fiquei muito febril, sentia dores pelo corpo todo, minha mãe e a Madalena, minha irmã mais velha, me davam sucessivos banhos frios e nada do mal estar ir embora.

Lembro que a coisa parecia se agravar e se agravar, de modo que a Irmã Alice resolveu chamar a irmandade e o cooperador da Congregação para orarem por mim. A febre era tão alta, que o irmão Angelin foi além da oração. Ele me ungiu com óleo para que eu ficasse bom. Este ato era praticado apenas em casos considerados graves, fosse lá o que isso significasse. Era noite e eu variava.

O fato concreto foi que no dia seguinte eu estava bom, posso dizer mesmo que curado. Aquela oração, aquele óleo, aquelas palavras me libertaram da dor.

Hoje eu estou meio assim assim. Não é nada tão grave, muito menos perigoso. Mas devo admitir que hoje, nem que fosse por alguns poucos minutos, eu gostaria que minha mãe estivesse aqui comigo. E que orasse por mim, e que fizesse um chá de qualquer coisa para eu tomar e, ato contínuo, dizer: agora descansa que amanhã você já estará bom.

Minha mãe ficou emocionada quando a gente cantou parabéns no aniversário dela de 75 anos. Eu também chorei!

Monday, February 11, 2008

Se eu não estiver enganado, a Rachel de Queiroz afirmava viver sem esperar nada de ninguém, da vida, de tudo. É aquela máxima de fugir do sofrimento, ou melhor, da decepção de ver algum projeto não dar certo ou não sair exatamente como se planejou.

Não acredito que alguém consiga viver assim. E embora ache que seja um jeito mais cinza de encarar a própria trajetória, admito, sim, que zerar expectativa é sinônimo de menos sofrimento.

Neste Carnaval, planejei com o André de ir para Florianópolis. Os dias que antecederam à festa foram de muita chuva, queda de barreiras nas estradas catarinenses. Na sexta-feira, todas as pessoas pareciam ter um comentário negativo para fazer sobre a viagem.

Antes disso, eu mesmo já havia “alertado” o André sobre a muvuca que Florianópolis se torna em datas como esta, imaginando que passaríamos horas e horas a fio em fatídicos congestionamentos.

Saímos de Curitiba por volta das 18 horas, com o céu pouco amistoso, chuviscos aqui e ali. De fato o trânsito estava lento, mas em momento algum cheguei a ficar com o carro literalmente parado.

Já na Pousada, combinamos de ir bem cedo à praia. E daí, então, a surpresa: não pegamos um segundo de congestionamento. A explicação foi bem simples: quem vai à capital catarinense procura muitas baladas. Logo, ninguém madruga para ir à praia.

Eu e o André levamos o sol para Florianópolis. No sábado, o céu estava completamente azul, sem nenhuma nuvem, sol estralando mamona. E este bom tempo durou literalmente até terça-feira, quando deixamos a Praia Mole por volta das 18 horas.

Foi este o céu que encontramos no sábado, em Florianópolis. E ele se manteve assim, todos os dias do Carnaval.


No retorno à Curitiba, trânsito agitado, mas foi possível manter a velocidade em torno de cem quilômetros por hora. Tudo absolutamente normal.

Por si, a viagem seria muito boa. Não ter enfrentado longos congestionamentos, ter visto o sol todos os dias, voltado para Curitiba na maior tranqüilidade, encontrado amigos londrinenses na praia, ter ido a uma excelente festa no domingo, fez deste Carnaval o melhor de muitos e muitos anos.

Eu, André, Tiesco, Sérgio, Vanilson e Fernando. A gente se divertiu, riu, conversou, aproveitou ao máximo.


E serviu também para confirmar que esperar demais da vida, mesmo que sejam coisas ruins, é realmente uma grande furada. O ideal - olha a expectativa aí outra vez - é simplesmente viver.

Thursday, February 07, 2008

Hoje reencontrei minha agenda de 1998. E no dia 07 de fevereiro daquele ano, embarquei para os Estados Unidos. A primeira parada foi em Washington, onde fiquei uma semana, depois Nova Iorque, numa estada de mais 15 dias. Nesses mais de 20 dias, eu estive acompanhado do meu grande e querido amigo Carlos Appoloni, que também não conhecia a América.

Essa história, na verdade, começou muitos anos antes, lá em 1983, quando a professora de português da sétima série, Úrsula Olga Sille, pediu que listássemos cinco sonhos a serem realizados. Um dos meus era ir para os Estados Unidos. Tudo foi minuciosamente planejado para o grande dia.

Em dois anos perdi muito cabelo. A foto de camisa branca é a do passaporte, tirada em 1995. A com camisa azul foi tirada em 1997 para conseguir o visto de entrada em solo americano.


No fim de semana anterior à viagem, o Carlos reuniu os amigos mais queridos para um vinho e conversa fora até de madrugada. Gostamos de celebrar.

Lembro que eu chorei muito naquela manhã de sábado, 07 de fevereiro de 1998. Fora à Rolândia me despedir da família e deixar o meu carro com o Jonas. Eu gosto sempre de dizer adeus às pessoas importantes quando faço viagens muito longas. Era o caso.

Como viajar de classe econômica não representa conforto algum, passei a noite anterior sem dormir. Mais que isso. Trabalhei no Cesec, do Banco do Brasil, até por volta de meia-noite, depois fui dançar, gastei tanta energia, de modo que tinha certeza que dormiria o vôo inteiro.

Antes de embarcar em Londrina, liguei para o Beto. Está anotado na minha agenda. Disse-lhe tchau, que ele era o melhor amigo que se podia ter. Saí de Londrina às 11 horas, mesmo com a partida para Washington sendo às 23. O medo de perder o vôo era tanto que preferi não arriscar.

Em Guarulhos, no Free Shopping, a sensação de estar num outro mundo. Eu e o Carlos começamos a gastar nossos dólares ali mesmo. Passear no aeroporto é sempre muito agradável, já que era possível paquerar e ser paquerado, pois a oferta de gente bonita é muito grande.

Abaixo, o relato de como foi aquele dia, até as primeiras horas em Washington. O vôo atrasou umas duas horas para partir.

“No avião, um breve cochilo e um jantar com comida horrível. Acordei oito horas depois, já no ar americano. Era irreal. Pousamos em Atlanta. Depois da breve escala, partimos rumo a Washington e as primeiras sensações foram de espanto. Medo e receio de não saber nada de inglês. Mas eu sei. O hotel é bom e bem localizado. Fizemos reconhecimento da região. É verdade: os carros param para atravessarmos as ruas. A cidade, hoje (domingo), parece deserta. Eles (os americanos) são educados e simpáticos. Almoçamos no Fryday’s. Comida boa e gente bonita. Lembramos que estávamos na América. Queria estar com o celular para ligar para Londrina. O sonho é realidade. Na loja de conveniência, a surpresa: preços muito menores que no Brasil. Preciso de luvas e cachecol. Hoje, zero grau. No hotel não sentimos frio. Ou melhor: calor. Não vimos americanos típicos. Ainda estou preso e vou me adaptar.”

A nossa idéia inicial era apenas um cochilo. Mas estávamos tão pregados, o clima tão aconchegante, que só acordamos no outro dia.

Essa história ainda está longe de terminar...