A pouca diferença de idade sempre me aproximou da minha irmã Laldeci, mesmo com as muitas brigas. Sempre fomos cúmplices, principalmente quando queríamos fazer alguma coisa que nossos pais não permitiam.
Depois que ela casou, fiquei muitas vezes na casa dela em Palotina por períodos razoavelmente longos. A parceria com minha irmã sempre foi tanta que participei efetivamente da escolha dos nomes de todos os filhos dela.
Foi uma surpresa para toda a família, a gravidez da segunda filha. Laiza, a mais velha, tinha pouco mais de um ano e, meio que de repente, sem planejamento, mais um bebê à vista.
Quando soube que seria outra menina, o primeiro nome minha irmã já havia escolhido: Laira. Depois de ter colocado o segundo nome na Laiza, Nathália – em homenagem à Natália do Valle – sugeri a minha irmã colocar Phâmela.
Meus argumentos foram convincentes. Phâmela era a personagem mais bacana da série Dallas, um grande sucesso dos anos 80, interpretada pela belíssima atriz Victoria Principal. Além de linda e sofisticada, era a boazinha da trama. Simplesmente apaixonado por ela, já decidira que minha filha teria esse nome. Como isso poderia demorar uma eternidade, minha irmã acatou a sugestão.
Hoje eu sei que a Laira não é a mais feliz das pessoas com esta singela combinação – que concordo não ficou assim, uma brastemp. Mas o nome foi pensado e aceito por conta dos adjetivos citados no parágrafo anterior.
Sim, sou um tio babão. Sou fã da Laira. Principalmente da Laira Phâmela. Querida, delicada, uma belezinha chupando o dedo durante anos a fio.
Eu fiz teatro durante alguns anos. E minha mãe, a dona Alice, literalmente assistiu todas as apresentações – em todas as cidades – d’ Os Sobreviventes. Na Mostra Regional do Festival Internacional de Londrina de 1991, a Laira tinha uns três, quatro aninhos. Foi com os avós, os pais, a família inteira. Teatro Zaqueu de Mello lotado, numa das cenas eu levo um tiro. Apagam-se todas as luzes, silêncio geral e de repente a Laira abre o maior berreiro: - o tio Edi morreu, o tio Edi morreu...
Público gargalhando, a gente até perdeu a concentração nas coxias. Esta é apenas uma das muitas doces lembranças de excelentes momentos vividos com esta garota espetacular.
Logo que os fios de cabelo começaram a cair, a Laira sempre me deu a maior força: - Tio, eu acho lindo homem careca. Mal sabia ela o terror que aquilo significava. Porém, tudo ficava mais leve depois de ouvi-la.
Hoje a Laira Phâmela está fazendo aniversário. E por ela ser tão especial, quis registrar aqui o que ela já sabe como ninguém: eu amo você!