Archives
Friday, December 28, 2007
Agora há pouco, com muito pesar, acabei de ler a notícia abaixo. Depois de sete anos como professor universitário, quando me deparo com este tipo de informação, definitivamente não acredito que este país terá mais jeito. A matéria foi publicada na Folha de S. Paulo desta sexta-feira.
Mãe armada invade escola que reprovou filha
Dona-de-casa de 39 anos ameaçou matar diretora e professores de colégio estadual em Palmeira das Missões (RS)
Ela argumentou que jovem fora aprovada em faculdade e não poderia iniciar o curso; houve tumulto, mas nenhum disparo foi feito
MATHEUS PICHONELLI
DA AGÊNCIA FOLHA
Revoltada com a reprovação da filha, uma dona-de-casa de 39 anos foi detida ontem em Palmeira das Missões (374 km de Porto Alegre) após entrar armada no Colégio Estadual Três Mártires, ameaçar diretora e professores e provocar pânico na escola durante a entrega dos boletins de fim de ano.
Segundo a Polícia Militar, no local da entrega dos boletins, ocorria também a formatura dos alunos. A estudante foi reprovada em três matérias no terceiro ano do ensino médio. Ao saber disso, a mãe dela, Elaine Martins Schwantz, foi à escola com uma pistola calibre 38, carregada com seis balas.
Havia pelo menos cem pessoas na escola. De acordo com o capitão Vicente Antonio Scartascini Júnior, do 39º Batalhão da Polícia Militar, houve choro e correria quando Schwantz entrou e, com a arma em punho, ameaçou matar os professores que haviam reprovado a filha. Nenhum disparo foi feito.
Schwantz argumentava que a filha fora aprovada em uma faculdade de psicologia e, por causa das notas, não poderia dar início ao curso.
Ao ouvir as ameaças, pais, alunos e professores se trancaram em salas e banheiros da escola, de onde só saíram após a mulher ser imobilizada.
"Um sargento conseguiu tomar dela o revólver. Ela estava transtornada, com o corpo todo duro. Parecia surtada", afirmou. O capitão disse ter conversado com familiares, que contaram que Schwantz sofria de depressão e que as notas da filha foram "a gota d'água".
Porte ilegal
Schwantz foi detida por porte ilegal de arma -a pistola estava registrada no nome do marido- e depois encaminhada a um hospital da cidade, onde foi sedada.
Do quarto do hospital, uma cunhada de Schwantz, identificada como Carine, disse que não poderia falar sobre o que motivou as ameaças. "A história é longa", disse.
Após o episódio, a escola solicitou à polícia que enviasse uma guarnição para o local onde aconteceria a festa de formatura, marcada para as 20h.
Mãe armada invade escola que reprovou filha
Dona-de-casa de 39 anos ameaçou matar diretora e professores de colégio estadual em Palmeira das Missões (RS)
Ela argumentou que jovem fora aprovada em faculdade e não poderia iniciar o curso; houve tumulto, mas nenhum disparo foi feito
MATHEUS PICHONELLI
DA AGÊNCIA FOLHA
Revoltada com a reprovação da filha, uma dona-de-casa de 39 anos foi detida ontem em Palmeira das Missões (374 km de Porto Alegre) após entrar armada no Colégio Estadual Três Mártires, ameaçar diretora e professores e provocar pânico na escola durante a entrega dos boletins de fim de ano.
Segundo a Polícia Militar, no local da entrega dos boletins, ocorria também a formatura dos alunos. A estudante foi reprovada em três matérias no terceiro ano do ensino médio. Ao saber disso, a mãe dela, Elaine Martins Schwantz, foi à escola com uma pistola calibre 38, carregada com seis balas.
Havia pelo menos cem pessoas na escola. De acordo com o capitão Vicente Antonio Scartascini Júnior, do 39º Batalhão da Polícia Militar, houve choro e correria quando Schwantz entrou e, com a arma em punho, ameaçou matar os professores que haviam reprovado a filha. Nenhum disparo foi feito.
Schwantz argumentava que a filha fora aprovada em uma faculdade de psicologia e, por causa das notas, não poderia dar início ao curso.
Ao ouvir as ameaças, pais, alunos e professores se trancaram em salas e banheiros da escola, de onde só saíram após a mulher ser imobilizada.
"Um sargento conseguiu tomar dela o revólver. Ela estava transtornada, com o corpo todo duro. Parecia surtada", afirmou. O capitão disse ter conversado com familiares, que contaram que Schwantz sofria de depressão e que as notas da filha foram "a gota d'água".
Porte ilegal
Schwantz foi detida por porte ilegal de arma -a pistola estava registrada no nome do marido- e depois encaminhada a um hospital da cidade, onde foi sedada.
Do quarto do hospital, uma cunhada de Schwantz, identificada como Carine, disse que não poderia falar sobre o que motivou as ameaças. "A história é longa", disse.
Após o episódio, a escola solicitou à polícia que enviasse uma guarnição para o local onde aconteceria a festa de formatura, marcada para as 20h.
Wednesday, December 26, 2007
Desde a primeira jornada de "Hoje é Dia de Maria", coloquei a atriz Letícia Sabatella no meu rol de atrizes preferidas. No episódio do Bispo em greve de fome protestando contra a transposição do São Francisco, ela fez o papel que acreditava, de maneira consciente, sem estardalhaço, gritaria, holofotes. É sincera, discreta, na medida. Por isso fiquei muito feliz ao ler o texto abaixo, publicado na Folha de S. Paulo do último domingo.
Letícia Sabatella fez bem ao Natal
Vive-se melhor enquanto houver gente disposta a ir para a rua sustentando aquilo em que acredita
ENTRAR NO Natal pensando na solidariedade que Letícia Sabatella deu ao bispo Luiz Cappio faz bem à alma. Nem tanto pelas razões que a levaram ao sertão baiano e a Brasília. Questão controversa, a transposição do São Francisco tem defensores e críticos cujos pontos de vista merecem atenção e respeito. O que enobrece os gestos de Sabatella é o simples exercício de suas convicções.
Suas aparições podem ter provocado algum desconforto, sobretudo em pessoas que pensam de maneira diferente. Se ela estivesse numa campanha publicitária de condomínios ou de biquínis, seria o jogo jogado. Como participa de um movimento político (ao qual sua carreira nada deve), deveria ficar calada.
Numa época de marquetagem de celebridades, essa atriz (35 anos, uma filha) é ave rara. Tem seu trabalho e suas opiniões, mas, fora delas, é uma perfeita anônima. Quem a conhece atesta que são duas as suas marcas: o profissionalismo e a inflexibilidade de opiniões políticas.
Está mais para o estilo da inglesa Vanessa Redgrave do que para a versão anos 60 de Jane Fonda, que fez fama posando numa bateria antiaérea norte-vietnamita e está pedindo desculpas até hoje.
Quando Nosso Guia elabora a teoria da metamorfose ambulante, acaba-se confundindo convicção com excentricidade. Lula revelou que "eu sei o que é greve de fome, dá uma fome danada". De fato, em 1980, quando estava preso ele liderou uma greve de fome na cela. Tinha umas balas escondidas e foi flagrado por um colega. Posteriormente, apoiou a greve dos bandidos que seqüestraram o empresário Abilio Diniz.
É irrelevante concordar com as opiniões de Letícia Sabatella para poder apreciar as suas atitudes, sempre calmas, educadas. A distância que estabeleceu na resposta à carta aberta do deputado Ciro Gomes é um exemplo disso. (Ambas foram publicadas em "O Globo"). Vive-se melhor enquanto houver gente disposta a ir ao sertão do Nordeste ou à praça do bairro para sustentar aquilo em que acredita.
Letícia Sabatella fez bem ao Natal
Elio Gaspari
Vive-se melhor enquanto houver gente disposta a ir para a rua sustentando aquilo em que acredita
ENTRAR NO Natal pensando na solidariedade que Letícia Sabatella deu ao bispo Luiz Cappio faz bem à alma. Nem tanto pelas razões que a levaram ao sertão baiano e a Brasília. Questão controversa, a transposição do São Francisco tem defensores e críticos cujos pontos de vista merecem atenção e respeito. O que enobrece os gestos de Sabatella é o simples exercício de suas convicções.
Suas aparições podem ter provocado algum desconforto, sobretudo em pessoas que pensam de maneira diferente. Se ela estivesse numa campanha publicitária de condomínios ou de biquínis, seria o jogo jogado. Como participa de um movimento político (ao qual sua carreira nada deve), deveria ficar calada.
Numa época de marquetagem de celebridades, essa atriz (35 anos, uma filha) é ave rara. Tem seu trabalho e suas opiniões, mas, fora delas, é uma perfeita anônima. Quem a conhece atesta que são duas as suas marcas: o profissionalismo e a inflexibilidade de opiniões políticas.
Está mais para o estilo da inglesa Vanessa Redgrave do que para a versão anos 60 de Jane Fonda, que fez fama posando numa bateria antiaérea norte-vietnamita e está pedindo desculpas até hoje.
Quando Nosso Guia elabora a teoria da metamorfose ambulante, acaba-se confundindo convicção com excentricidade. Lula revelou que "eu sei o que é greve de fome, dá uma fome danada". De fato, em 1980, quando estava preso ele liderou uma greve de fome na cela. Tinha umas balas escondidas e foi flagrado por um colega. Posteriormente, apoiou a greve dos bandidos que seqüestraram o empresário Abilio Diniz.
É irrelevante concordar com as opiniões de Letícia Sabatella para poder apreciar as suas atitudes, sempre calmas, educadas. A distância que estabeleceu na resposta à carta aberta do deputado Ciro Gomes é um exemplo disso. (Ambas foram publicadas em "O Globo"). Vive-se melhor enquanto houver gente disposta a ir ao sertão do Nordeste ou à praça do bairro para sustentar aquilo em que acredita.
Tuesday, December 25, 2007
Querido Papai Noel,
Hoje resolvi lhe escrever novamente porque creio ter entendido a razão do Natal, invariavelmente, me deixar triste. Não tenho filhos e é bem provável que eles não farão parte da minha existência, as razões o senhor conhece bem. Mas se os tivesse, certamente faria o esforço necessário para que eles acreditassem na sua existência.
O senhor sabe bem que eu pertenço a uma família de evangélicos e tudo o que se relacionava ao Natal era visto como “coisa do mundo”, algo ligado ao mal e, portanto, eu deveria estar bem afastado. Eu lamento por isso.
Não existe na minha memória nenhum registro da sua espera, daquela crença que talvez o senhor realmente coubesse na chaminé, que todos os meus sonhos se tornariam realidade com a sua passagem pela minha casa.
O único presente de fato natalino, eu consegui depois de chantagear o meu pai, que desejava viajar com minha mãe para a Bahia. O senhor não apareceu nenhuma outra vez.
Lembro bem de natais muito tristes por causa das crises que o Moisés, o meu irmão que morreu em decorrência das drogas, invariavelmente tinha no dia 25 de dezembro.
O tempo foi passando e eu nunca consegui me encantar com o Natal. Mesmo morando sozinho há vários anos, jamais me dispus a enfeitar a casa, comprar árvore de natal, por guirlanda na porta.
Só hoje, deslocando-me até Toledo com minha irmã, caiu a ficha. No fundo, bem no fundo, eu desejei acreditar na sua mágica. Na idéia de neve, do velhinho bom que a todos atende indistintamente, que basta a gente ser bonzinho e tudo será recompensado com a sua chegada. Isso não é verdade.
Ser bom é uma condição da existência, de caráter, de postura. A bondade deve emanar de fora para dentro, de cada um para todos, sem esperar um mísero sinal de reconhecimento. Só assim tem valor. Embora seja muito difícil, e raro, não criar expectativa, pode ser que alguma boa alma consiga.
Embora com todas as evidências, as famílias sempre foram perfeitas apenas nos comerciais de televisão, naquelas mensagens ufanistas e repletas de hipocrisias. Nós, seres humanos, somos limitados. Por mais que nos esforcemos, é difícil reconsiderar, mudar a atitude, aceitar o outro literalmente como ele é, perdoar.
Somos pequenos. Temos diferenças difíceis de serem superadas. E o pior: algumas feridas são tão grandes que é impossível curá-las. Na verdade, acho que hoje eu entendi o que de fato é natal e espero nunca mais ficar triste nesta data.
O verdadeiro natal existe quando somos verdadeiros, quando amamos as imperfeições. Quando não somos hipócritas e fingimos amar a quem, na verdade, temos pouca consideração. É, Papai Noel, não somos bonzinhos. Olho para trás e vejo que abandonei muita gente no caminho simplesmente porque elas eram diferentes. Amar o belo é fácil.Difícil é aceitar o inóspito, o inodoro, o insensível. Reconheço-me humanamente fraco para ir além do óbvio.
A partir do Natal do ano em que eu fui mais feliz e vi um avião espelhado no olhar de quem amo até sumir, vou tentar não ficar mais triste no dia do nascimento de Jesus Cristo. Vou continuar valorizando aquilo que acredito: as pessoas devem ser amadas e lembradas todos os dias. Exaltadas nas suas virtudes, lembradas em particular naquilo que é possível melhorar. Talvez assim, e quem sabe só assim, este dia realmente tenha um significado além das muitas compras, shoppings, lojas e estradas lotadas.
É só o amor que pode nos salvar.
Um feliz natal para o senhor!
Hoje resolvi lhe escrever novamente porque creio ter entendido a razão do Natal, invariavelmente, me deixar triste. Não tenho filhos e é bem provável que eles não farão parte da minha existência, as razões o senhor conhece bem. Mas se os tivesse, certamente faria o esforço necessário para que eles acreditassem na sua existência.
O senhor sabe bem que eu pertenço a uma família de evangélicos e tudo o que se relacionava ao Natal era visto como “coisa do mundo”, algo ligado ao mal e, portanto, eu deveria estar bem afastado. Eu lamento por isso.
Não existe na minha memória nenhum registro da sua espera, daquela crença que talvez o senhor realmente coubesse na chaminé, que todos os meus sonhos se tornariam realidade com a sua passagem pela minha casa.
O único presente de fato natalino, eu consegui depois de chantagear o meu pai, que desejava viajar com minha mãe para a Bahia. O senhor não apareceu nenhuma outra vez.
Lembro bem de natais muito tristes por causa das crises que o Moisés, o meu irmão que morreu em decorrência das drogas, invariavelmente tinha no dia 25 de dezembro.
O tempo foi passando e eu nunca consegui me encantar com o Natal. Mesmo morando sozinho há vários anos, jamais me dispus a enfeitar a casa, comprar árvore de natal, por guirlanda na porta.
Só hoje, deslocando-me até Toledo com minha irmã, caiu a ficha. No fundo, bem no fundo, eu desejei acreditar na sua mágica. Na idéia de neve, do velhinho bom que a todos atende indistintamente, que basta a gente ser bonzinho e tudo será recompensado com a sua chegada. Isso não é verdade.
Ser bom é uma condição da existência, de caráter, de postura. A bondade deve emanar de fora para dentro, de cada um para todos, sem esperar um mísero sinal de reconhecimento. Só assim tem valor. Embora seja muito difícil, e raro, não criar expectativa, pode ser que alguma boa alma consiga.
Embora com todas as evidências, as famílias sempre foram perfeitas apenas nos comerciais de televisão, naquelas mensagens ufanistas e repletas de hipocrisias. Nós, seres humanos, somos limitados. Por mais que nos esforcemos, é difícil reconsiderar, mudar a atitude, aceitar o outro literalmente como ele é, perdoar.
Somos pequenos. Temos diferenças difíceis de serem superadas. E o pior: algumas feridas são tão grandes que é impossível curá-las. Na verdade, acho que hoje eu entendi o que de fato é natal e espero nunca mais ficar triste nesta data.
O verdadeiro natal existe quando somos verdadeiros, quando amamos as imperfeições. Quando não somos hipócritas e fingimos amar a quem, na verdade, temos pouca consideração. É, Papai Noel, não somos bonzinhos. Olho para trás e vejo que abandonei muita gente no caminho simplesmente porque elas eram diferentes. Amar o belo é fácil.Difícil é aceitar o inóspito, o inodoro, o insensível. Reconheço-me humanamente fraco para ir além do óbvio.
A partir do Natal do ano em que eu fui mais feliz e vi um avião espelhado no olhar de quem amo até sumir, vou tentar não ficar mais triste no dia do nascimento de Jesus Cristo. Vou continuar valorizando aquilo que acredito: as pessoas devem ser amadas e lembradas todos os dias. Exaltadas nas suas virtudes, lembradas em particular naquilo que é possível melhorar. Talvez assim, e quem sabe só assim, este dia realmente tenha um significado além das muitas compras, shoppings, lojas e estradas lotadas.
É só o amor que pode nos salvar.
Um feliz natal para o senhor!
Monday, December 24, 2007
Plantão básico na TV Sinal neste sábado, sol estralando mamona, minha irmã me telefona:
- Você pode comprar uma sapatilha de natação para a mãe?
- Sim, claro.
Bom, acho que todas as mães curitibanas estavam precisando das tais sapatilhas. O Shopping Muller estava lotado e nem adiantava ficar irritado. Fiquei com uma dúvida, liguei pra minha mãe e ela precisava também de um maiô para a hidroginástica. – Mas tem que ser de perninha, tá?????
Entro numa loja de esportes, vem a simpática vendedora curitibana:
- Pois não...
- Eu queria um maiô de hidroginástica, com perninha.
- É para o senhor mesmo?
Eu respirei fundo, contei até 658, embriaguei-me do espírito natalino, deixei a luz do céu entrar no meu coração, depilei o peito.
- Tem maiô masculino?
- Pra natação sim.
- E os nadadores profissionais chegam aqui e pedem um maiô com perninha?
- Não.
- Ufa... ainda bem. Já estava preocupado. O maiô com perninha é para a minha santa mãezinha fazer hidroginástica.
- Ah... não temos. Com perninha não.
- Muito obrigado e feliz natal.
Depois de encontrar os pedidos de mamãe, ainda tive tempo para comprar os alfajores argentinos mais gostosos do planeta, fui pra casa, arrumar a bagunça e consegui, finalmente, me livrar de todas as caixas da minha mudança. Sim, ainda restavam os cd’s.
A caminho da rodoviária, o taxista foi sensato:
- Olha o tamanho da fila. Se o senhor descer aqui vai chegar muito mais rápido, além de pagar menos pela corrida.
- Valeu aí.
Dentro da rodoferroviária, lamentei não ter uma arma. Certamente mais da metade de Curitiba estava lá. O que me deixa intrigado é o pensamento tosco de que é preciso esperar em frente à porta de embarque, ainda que o horário previsto para tal seja uma hora depois do seu embarque. As pessoas, além de mal educadas, são afobadas, enlouquecidas. Era um bando de gente, criança chorando, milhares de centenas de malas, adultos ensandecidos comendo, enfim, uma loucura. Estufei o peito, levantei a mala e fui abrindo caminho como pude.
Prevenido, tomei dois dramins e simplesmente capotei. Só fui acordar 10 horas depois, com o motorista me chamando. E cá estou, na acalorada e afetuosa Palotina, para comemorar mais um Natal em família.
E hoje são oito meses de felicidade! Mais não digo porque não é necessário.
Thursday, December 20, 2007
“Um brinde à competência e responsabilidade de todos vocês. E também pela alegria que estou vendo no olho de cada um”. Assim terminou 18 de dezembro de 2.007, o dia em que estreou a primeira televisão totalmente digital do Brasil. Eu estava lá. Participei do projeto desde julho deste ano e assumi, na etapa final a coordenação dos programas de debate.

Colocar a TV Sinal (Som, Imagem e Notícias da Assembléia Legislativa) no ar quebrou o principal paradigma da maioria absoluta das demais emissoras: que televisão é estressante e ninguém consegue trabalhar numa boa.

A equipe de mais de 40 profissionais simplesmente foi brilhante. Não houve um grito, não houve uma encrenca, não houve uma palavra ríspida, não houve um erro. Tudo o que cabia à equipe de produção e engenharia saiu simplesmente perfeito.

Menos de meia hora para o meio-dia, o senhor Pinheiro avisou: quando faltar três minutos, silêncio geral. E assim foi. Uma ligeira tensão no ar, olhos vidrados nos monitores até que o top de 07 segundos começa e, enfim, a programação preparada com tanto empenho, dedicação e talento estava no ar.

Aos poucos a tensão foi se dissipando, até sobrou tempo para lembrar de tirar algumas fotos. Um dia muito importante, daqueles que a gente nunca vai esquecer. O tempo vai se encarregar de deixá-lo ainda mais especial. E talvez daqui a 20, 30 anos, a gente mude um pouco essa versão e olhe para o passado ainda com mais afeto, mais ternura.
O time que a GW montou é simplesmente espetacular. O senhor Pinheiro sempre muito exigente, voz firme, não deixava passar nenhum detalhe. Dos equipamentos ao cenário, do sabonete do banheiro ao figurino de repórteres e apresentadores. A seu tempo, cada item recebeu o devido tratamento.

Foi bonito de ver. Como eu escrevera no post anterior, estou muito feliz, realizado. Aceitei o desafio de voltar pra Capital, mudei a minha vida, recuei um passo e já avancei dois.
Felizmente ou não, quando estabeleço relações de afeto e admiração, tudo fica mais simples, mesmo no trabalho. E aqui em Curitiba foi assim. Além dos excelentes amigos que eu já possuía – Beto, Simone, Jr., Juliano – outros se aproximaram. Hoje já não dá mais para pensar em outra convivência que não incluísse a Dona Carmem, o seo Ricardo, o Ney Hamilton, a dona Cida, a dona Kátia, o Marquinhos tudo bem, tudo bem, a Fernanda, o seo Adelino, o seo Pinheiro, a dona Carla, o seo Edílson, a dona Sara, a dona Elen, o seo Kico, o Camil, a Camila, a Ana, a Andrea, as Carlas, enfim, todo o grupo.

A Dona Mafalda Guimarães, minha professora de português e literatura no segundo grau – e personagem do PR399 (programete em que um morador apaixonado apresenta à cidade ao Estado) sobre Rolândia (sim, eu fui nepotista sem nenhum pudor) – certa vez, numa aula particular, me olhou nos olhos e disse: Edenilson, aja de maneira que ao olhar para trás, tenha orgulho da estrada que você percorreu.
Nunca pensei que parir um filho fosse tão bom. Ainda que ele não tenha sido carregado só por mim, certamente a história há de lembrar que naquele projeto, de algum jeito, houve a minha colaboração.
É por momentos como esse que eu sempre digo: viver é muito bom.
Colocar a TV Sinal (Som, Imagem e Notícias da Assembléia Legislativa) no ar quebrou o principal paradigma da maioria absoluta das demais emissoras: que televisão é estressante e ninguém consegue trabalhar numa boa.
A equipe de mais de 40 profissionais simplesmente foi brilhante. Não houve um grito, não houve uma encrenca, não houve uma palavra ríspida, não houve um erro. Tudo o que cabia à equipe de produção e engenharia saiu simplesmente perfeito.
Menos de meia hora para o meio-dia, o senhor Pinheiro avisou: quando faltar três minutos, silêncio geral. E assim foi. Uma ligeira tensão no ar, olhos vidrados nos monitores até que o top de 07 segundos começa e, enfim, a programação preparada com tanto empenho, dedicação e talento estava no ar.
Aos poucos a tensão foi se dissipando, até sobrou tempo para lembrar de tirar algumas fotos. Um dia muito importante, daqueles que a gente nunca vai esquecer. O tempo vai se encarregar de deixá-lo ainda mais especial. E talvez daqui a 20, 30 anos, a gente mude um pouco essa versão e olhe para o passado ainda com mais afeto, mais ternura.
O time que a GW montou é simplesmente espetacular. O senhor Pinheiro sempre muito exigente, voz firme, não deixava passar nenhum detalhe. Dos equipamentos ao cenário, do sabonete do banheiro ao figurino de repórteres e apresentadores. A seu tempo, cada item recebeu o devido tratamento.
Foi bonito de ver. Como eu escrevera no post anterior, estou muito feliz, realizado. Aceitei o desafio de voltar pra Capital, mudei a minha vida, recuei um passo e já avancei dois.
Felizmente ou não, quando estabeleço relações de afeto e admiração, tudo fica mais simples, mesmo no trabalho. E aqui em Curitiba foi assim. Além dos excelentes amigos que eu já possuía – Beto, Simone, Jr., Juliano – outros se aproximaram. Hoje já não dá mais para pensar em outra convivência que não incluísse a Dona Carmem, o seo Ricardo, o Ney Hamilton, a dona Cida, a dona Kátia, o Marquinhos tudo bem, tudo bem, a Fernanda, o seo Adelino, o seo Pinheiro, a dona Carla, o seo Edílson, a dona Sara, a dona Elen, o seo Kico, o Camil, a Camila, a Ana, a Andrea, as Carlas, enfim, todo o grupo.
A Dona Mafalda Guimarães, minha professora de português e literatura no segundo grau – e personagem do PR399 (programete em que um morador apaixonado apresenta à cidade ao Estado) sobre Rolândia (sim, eu fui nepotista sem nenhum pudor) – certa vez, numa aula particular, me olhou nos olhos e disse: Edenilson, aja de maneira que ao olhar para trás, tenha orgulho da estrada que você percorreu.
Nunca pensei que parir um filho fosse tão bom. Ainda que ele não tenha sido carregado só por mim, certamente a história há de lembrar que naquele projeto, de algum jeito, houve a minha colaboração.
É por momentos como esse que eu sempre digo: viver é muito bom.
Tuesday, December 18, 2007
Adquiri o hábito de olhar a seção Almanaque, do Tipos, todos os dias. Invariavelmente sinto-me feliz quando algum texto meu cai no sistema implantado pelo Deus Moraes. Gosto de reler o que escrevi, viajar no tempo, lembrar a razão exata daquelas palavras, em que contexto foram elaboradas, o que eu pensava, o que eu sentia.
Há poucos dias, a viagem temporal parou em 2003, quando fiz o primeiro da série Essa tal felicidade. Num dos parágrafos, relatei ter a sensação que a gente se preocupa tanto em encontrá-la (a tal felicidade) e, de repente, ela está ali, ao alcance das mãos e fica despercebida.
Tais palavras surgiram após uma estada frustrada em Curitiba, o retorno à Rolândia depois de mais de uma década morando sozinho, uma adaptação forçada em morar com minha mãe, um inconformismo – que tempos depois revelou-se fundamental estar com a Dona Alice naquele período – desconcertante e a certeza de que o tempo é o senhor da razão e tudo acomoda e aquieta.
Quatro anos se passaram. Muito foi vivido, mesmo com os ponteiros do relógio insistindo em simplesmente voar, a marcar o tempo que nos serve. Voltei a dar aulas, produzi, editei e apresentei programas de televisão, fiz novos amigos, viajei por lugares tão desejados, a diversão com qualidade foi sempre uma companheira.
Não gosto muito de elencar situações, pessoas, afetos. Mas o fato concreto é que, depois de algumas paixões frustradas, encontrei o que há muito procurava. O meu amor tem nome, sobrenome, carteira de identidade, cadastro de pessoa física, insiste em me enrolar e não faz o passaporte, corpo, alma, sonhos, projetos, futuro.
Quis o destino que este amor surgisse e menos de um mês depois o convite para voltar à Curitiba, algo que sempre esteve em minha mente. Voltei sim pra Capital. E tudo aquilo que era bom, ficou ainda melhor.
A relação está amadurecendo, os projetos e sonhos a dois estão cada vez mais vivos e os 391 quilômetros que nos separam parecem pequenos.
Hoje, ao meio-dia em ponto, entra no ar a TV S.I.N.A.L Som, Imagem e Notícias da Assembléia Legislativa, o projeto profissional que me seduziu. Por enquanto, canal 16 da NET e 90 na TVA. Em breve, na rede aberta também. É muito gratificante fazer parte do time que está colocando a nova emissora no ar.
O trabalho, mais uma vez, trouxe-me grandes afetos. Companheiros de trabalho que não só podem, como devem ser considerados amigos. Gente que abriu os braços, arregaçou as mangas, colocou o melhor de si em cada tarefa realizada, não mediu esforços, muito menos carinho e atenção para acolher o Pé-Vermelho. É muito bom estar todos os dias com a Dona Carmem, Fernanda, Ney Hamilton, Kátia, Cláudia Almeida, Cláudia Porcher, Camila, Marcos, Kico, Edílson, Sara, Manuela, Zé Maria, Miguel, Marquinhos, enfim, toda a equipe.
Os meus anos terminados em sete sempre foram especiais. Aos sete entrei para a escola – um grande sonho -, aos 17 passei no concurso do Banco do Brasil, aos 27 fui para os Estados Unidos, já era gerente e, agora, aos 37, além de estar completamente apaixonado, estou trabalhando com o que mais gosto de fazer, na função que almejava estar e pertinho de realizar mais um grande desejo: uma bela viagem a dois.
Tem dias que nem tudo são flores. Mas a passagem das horas foi mostrando que basta saber viver cada vão momento e o tempo se encarrega mesmo de colocar cada coisa no devido lugar.
Hoje é um dia de felicidade. De muita felicidade. De olhar para trás e saber que cada semente lançada não foi em vão. Que oferecer o melhor em cada desafio valeu a pena. Que não me envolver com qualquer pessoa teve sim um significado. E sobretudo: viver realmente é uma dádiva.
Tuesday, December 11, 2007
Uma leitura recorrente, todas as semanas, é Rubem Alves. Gosto da forma lúcida como ele fala sobre os sentimentos. A coluna dele de hoje, na Folha de S. Paulo, foi especial.
Sobre a paixão
Sem os desentendimentos, retorna o amor que toca a memória com a vara mágica do esquecimento
O APAIXONADO NÃO consegue pensar sobre a sua paixão. Porque o pensamento exige que se tome distância da coisa pensada, que aquele que pensa esteja na posição de um observador que olha de fora. Mas o apaixonado está inundado pelo sentimento. Tudo o que pensa são pensamentos apaixonados e não pensamentos sobre a sua paixão.
A vida era um inferno de brigas. A memória estava lotada com cenas de desamor. A razão aconselhava: "O melhor é a separação". E o coração concordava, pois nas brigas não existe o amor. A separação aconteceu. Com a separação vem a distância -e à distância os desentendimentos não mais acontecem. Sem os desentendimentos, retorna o amor que toca a memória com a vara mágica do esquecimento. E o esquecimento apaga da memória todas as brigas e ilumina as cenas de amor e ternura que estavam na sombra. E a paixão retorna. E tudo se repete.
O que dói mais? A morte da pessoa amada ou a partida da pessoa amada? Digo que é a partida da pessoa amada. Porque a morte, ao matar a pessoa amada no momento mesmo do amor, eterniza o amor; congela, na imaginação, o abraço. Esse abraço pode se transformar numa foto que se pendura na parede. Ela ficará lá, imóvel, para sempre. A partida da pessoa amada, ao contrário, rasga todas as fotografias do abraço. Cada foto de abraço se transforma numa dor. E o que resta na foto? A pessoa abandonada, sozinha, com a pergunta: "Por onde andará?"
Ele vinha de uma prolongada relação com uma mulher separada do marido. Era uma relação agradável e sem brigas, mas também sem grandes paixões, igual a todas as relações tocadas pela rotina. Um dia ele chegou transfigurado para sua sessão de psicanálise. "Encontrei a mulher da minha vida!", disse. E passou a descrever sua nova experiência de paixão. Estava decidido a abandonar a companheira com quem vivia. Mas não queria magoá-la por gostar muito dela. Imaginou então uma mentira. Chegaria para ela e diria: "Meu bem, tenho estado observando você, seu olhar perdido, seu desinteresse pelos beijos... Fico imaginando que talvez você tenha saudades do marido e queira voltar... Não seria sábio a gente dar um tempo para a nossa relação?" Na semana seguinte ele retornou transtornado. Fizera o que planejara. Mas, dita a mentira, foi isso que sua mulher lhe disse: "Mas como você é sensível! Como é que percebeu?" Que coincidência feliz! Era ela que o estava abandonando para voltar para o marido!
Podia então entregar-se à nova paixão sem sentimentos de culpa! Mas não foi isso que ele sentiu. Instantaneamente, se esqueceu da paixão nova e ficou dilacerado de amor pela mulher que o deixava. Como explicar essa transformação absurda e imediata? Na cena que imaginara, era ele que partia e ela que ficava. Mas as palavras da mulher inverteram a cena: era ela que partia e ele que ficava. A paixão não vive de pessoas; ela vive de cenas.
"Ajoelhado à sua cabeceira ocorrera-lhe a idéia de que ela viera para ele numa cesta sobre as águas. Já disse que as metáforas são perigosas. O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética" (Milan Kundera, "A insustentável leveza do ser")
Sobre a paixão
Sem os desentendimentos, retorna o amor que toca a memória com a vara mágica do esquecimento
O APAIXONADO NÃO consegue pensar sobre a sua paixão. Porque o pensamento exige que se tome distância da coisa pensada, que aquele que pensa esteja na posição de um observador que olha de fora. Mas o apaixonado está inundado pelo sentimento. Tudo o que pensa são pensamentos apaixonados e não pensamentos sobre a sua paixão.
A vida era um inferno de brigas. A memória estava lotada com cenas de desamor. A razão aconselhava: "O melhor é a separação". E o coração concordava, pois nas brigas não existe o amor. A separação aconteceu. Com a separação vem a distância -e à distância os desentendimentos não mais acontecem. Sem os desentendimentos, retorna o amor que toca a memória com a vara mágica do esquecimento. E o esquecimento apaga da memória todas as brigas e ilumina as cenas de amor e ternura que estavam na sombra. E a paixão retorna. E tudo se repete.
O que dói mais? A morte da pessoa amada ou a partida da pessoa amada? Digo que é a partida da pessoa amada. Porque a morte, ao matar a pessoa amada no momento mesmo do amor, eterniza o amor; congela, na imaginação, o abraço. Esse abraço pode se transformar numa foto que se pendura na parede. Ela ficará lá, imóvel, para sempre. A partida da pessoa amada, ao contrário, rasga todas as fotografias do abraço. Cada foto de abraço se transforma numa dor. E o que resta na foto? A pessoa abandonada, sozinha, com a pergunta: "Por onde andará?"
Ele vinha de uma prolongada relação com uma mulher separada do marido. Era uma relação agradável e sem brigas, mas também sem grandes paixões, igual a todas as relações tocadas pela rotina. Um dia ele chegou transfigurado para sua sessão de psicanálise. "Encontrei a mulher da minha vida!", disse. E passou a descrever sua nova experiência de paixão. Estava decidido a abandonar a companheira com quem vivia. Mas não queria magoá-la por gostar muito dela. Imaginou então uma mentira. Chegaria para ela e diria: "Meu bem, tenho estado observando você, seu olhar perdido, seu desinteresse pelos beijos... Fico imaginando que talvez você tenha saudades do marido e queira voltar... Não seria sábio a gente dar um tempo para a nossa relação?" Na semana seguinte ele retornou transtornado. Fizera o que planejara. Mas, dita a mentira, foi isso que sua mulher lhe disse: "Mas como você é sensível! Como é que percebeu?" Que coincidência feliz! Era ela que o estava abandonando para voltar para o marido!
Podia então entregar-se à nova paixão sem sentimentos de culpa! Mas não foi isso que ele sentiu. Instantaneamente, se esqueceu da paixão nova e ficou dilacerado de amor pela mulher que o deixava. Como explicar essa transformação absurda e imediata? Na cena que imaginara, era ele que partia e ela que ficava. Mas as palavras da mulher inverteram a cena: era ela que partia e ele que ficava. A paixão não vive de pessoas; ela vive de cenas.
- o -
"Ajoelhado à sua cabeceira ocorrera-lhe a idéia de que ela viera para ele numa cesta sobre as águas. Já disse que as metáforas são perigosas. O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética" (Milan Kundera, "A insustentável leveza do ser")
Thursday, December 06, 2007
Filho de evangélicos, apaixonei-me pela televisão desde a primeira vez que vi aquela caixinha preta cheia de imagens, sons e muita fantasia. Era uma cena do Sítio do Pica Pau Amarelo, da estorinha “Do outro lado da lua”. A imagem mostrava a Emília jogando um tal de pó de Pirlimpimpim e se transportando para a lua. Puro encantamento naqueles cinco, seis anos.

A adolescência chegou, o segundo grau e a dúvida do que fazer quando o futuro fosse uma realidade incontestável. Escolhi a comunicação social depois de fazer orientação vocacional, mas já certo de que trabalharia com televisão.
Nunca, em momento algum, passou-me pela cabeça atuar em outra área. Canudo na mão, nem me dignei a deixar currículo nos jornais, emissoras de rádio, revistas, nada. Só fui às emissoras de TV de Londrina.
A primeira oportunidade concreta surgiu na TV Cidade, afiliada do SBT em Londrina. Comecei num primeiro de janeiro, posse do então prefeito Luiz Eduardo Cheida, eu mais perdido que cego em tiroteio, porém cheio de vontade de acertar, de fazer bem o meu trabalho.
Alguns meses na pauta, surge a tão esperada oportunidade de ser repórter. Encantado com a possibilidade, sonhei virar correspondente internacional. Era com esse espírito que eu saía às ruas. Tentava transformar qualquer mera nota coberta em reportagem.
Não me importava se eram uma, duas, quatro pautas. Corria contra o tempo, mas nunca voltava à redação sem o dever cumprido. Por isso, várias edições do então TJ Meio-dia tinham apenas matérias minhas.
Óbvio dizer que quantidade nunca foi sinônimo de qualidade, mas ainda assim não me furtava em executar. Não dei certo como repórter. Inexperiente, senti falta de um editor que visse potencial em mim. Esta figura nunca apareceu, saí das ruas e me transformei num bom editor, sem falsa modéstia.
Sábado passado, o Marcelino Barbosa – cinegrafista daqueles áureos tempos – me entregou um DVD com algumas reportagens. Hoje, distanciado pelo tempo e amadurecido com as experiências já vividas, acho que eu seria sim um bom repórter. Precisava apenas de orientação.
Isso aqui não é um lamento. Apenas a constatação que talento também precisa de ajuda, um norte. Não virei correspondente internacional, mas faço meu trabalho com a maior dignidade, exigindo o melhor de mim e da equipe que trabalha comigo.
E hoje, posso olhar pra trás e dizer que estou exatamente no lugar onde gostaria de estar.