“O melhor que a gente pode fazer é gostar uns dos outros. Só isso faz a vida valer à pena”. Esse texto foi dito há pouco, na série Brothers & Sisters, exibida pelo Universal Channel. Era uma lembrança do patriarca à mesa, os filhos reunidos, discutindo os efeitos do ataque de 11 de Setembro.
A série, na minha modesta avaliação, é uma das melhores alternativas para quem curte televisão. Elenco afiado, texto bem conduzido, drama e emoção na medida. Tudo gira em torno de uma família, daquelas que a gente imagina ser muito feliz, mas que de perto, enfrenta problemas, dificuldades, encantos, desencantos, são absolutamente normais nas dúvidas, angústias, dores e, pasmem, até nos momentos felizes.
Eu gosto das pessoas, sinto falta delas. Infelizmente só consigo funcionar direito nos mais variados lugares se estabeleço relações de afeto. Talvez por isso me sinta ainda um peixe fora d’água aqui na capital. É um pouco estranho ser mais um na multidão. Mesmo com as eventuais invasões de privacidade, gosto de dividir minha vida com os outros.
Eu já fiz novos amigos aqui em Curitiba, além dos meus companheiros de longa jornada Beto, Simone, Jr., Juliano. Desde a primeira vista, o meu “santo” bateu com o da Carminha, parceira de trabalho, nesta empreitada de implantar a programação de uma nova emissora de televisão.
Arrisco a dizer que já estabelecemos algumas cumplicidades. A dona Carmem é o tipo de pessoa que a gente precisa ter por perto. Afetuosa, gentil, inteligente, perspicaz. Faz toda a diferença.
Outra figura das mais especiais é a Fernanda Martins. Energia boa, bom astral, simpatia, inteligência, paixão pela vida, pelo trabalho, pelas pessoas. É o tipo de repórter que faz qualquer entrevistado se sentir à vontade, arranca dele tudo o que precisa de informação, sem ser agressiva ou invasiva. Tudo nela é na boa medida.
Gostar das pessoas, às vezes pode ter algumas inconveniências. Corre-se o risco de ficar pegajoso, perder o limite, até mesmo se tornar dependente. Eu sou meio assim. Preferia não ser.
Também há pouco, recebi uma ligação da minha irmã Madalena. Nós temos cumplicidade. Ela sempre sabe quando me ligar. Ouvir a voz dela invariavelmente me acalma. E hoje, em especial, tudo que eu precisava era trocar algumas palavras com ela. Admito que foram doloridas. Mas aliviaram o meu peito. Falamos do futuro. E ele não pareceu dos mais promissores. Ela acredita que em breve vamos passar por um momento bem difícil, daqueles inevitáveis.
E isso me fez lembrar o passado, de experiências nunca explicadas, mas muito dolorosas. Fez ainda eu rever um conceito muito nobre, o perdão. E me dar conta que o tempo não para, que não se pode deixar nada pendente. O amor, somente ele, nos redime das nossas falhas, das nossas mesquinharias, da nossa pequenez.
Certa vez escrevi aqui que há uma vida inteira para ser vivida. O pratear dos cabelos está aí para apressar essa vivência. Para remediar essa nossa incrível vocação de deixar tudo para depois, de adiar afetos, palavras de ternura, vivências de comunhão espiritual.
Vou visitar a minha mãe este fim de semana. Ela vai completar 75 anos, decidiu passar a data em Rolândia, na casa do meu irmão Elizeu. Depois de um ano, ela volta à cidade onde viveu os últimos 36 anos. E o amanhã não é tão claro para todos. Nem sempre é uma convicção. E para não correr nenhum risco, quero ficar perto de tudo que acho certo.
Publicado em 29 de novembro de 2007 às 00:01 por joao
Só posso te dizer que eu não sei mais viver sem o sr.
Acho até que, de alguma forma, o sr. sempre esteve por perto. Nós só não nos conhecíamos.