This is the archive for November 2007
Hoje é aniversário da minha mãe. São 75 anos de vida. Esta mulher que cursou até a quarta série, de gênio forte e muita determinação, soube como ninguém superar desafios.
Naqueles dias mais cinzentos, nos dias mais frios, quando a gente pensa que o vento vai derrubar tudo, ela sempre diz: não se entregue porque Deus está com você. E com Deus ninguém pode.
Hoje, logo após o término das gravações na tv, vou para Rolândia, onde ela está. No domingo, reuniremos alguns amigos para celebrar essa data tão querida.
Esta guerreira merece tudo de melhor!
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
5 comments • Permalink
“O melhor que a gente pode fazer é gostar uns dos outros. Só isso faz a vida valer à pena”. Esse texto foi dito há pouco, na série Brothers & Sisters, exibida pelo Universal Channel. Era uma lembrança do patriarca à mesa, os filhos reunidos, discutindo os efeitos do ataque de 11 de Setembro.
A série, na minha modesta avaliação, é uma das melhores alternativas para quem curte televisão. Elenco afiado, texto bem conduzido, drama e emoção na medida. Tudo gira em torno de uma família, daquelas que a gente imagina ser muito feliz, mas que de perto, enfrenta problemas, dificuldades, encantos, desencantos, são absolutamente normais nas dúvidas, angústias, dores e, pasmem, até nos momentos felizes.
Eu gosto das pessoas, sinto falta delas. Infelizmente só consigo funcionar direito nos mais variados lugares se estabeleço relações de afeto. Talvez por isso me sinta ainda um peixe fora d’água aqui na capital. É um pouco estranho ser mais um na multidão. Mesmo com as eventuais invasões de privacidade, gosto de dividir minha vida com os outros.
Eu já fiz novos amigos aqui em Curitiba, além dos meus companheiros de longa jornada Beto, Simone, Jr., Juliano. Desde a primeira vista, o meu “santo” bateu com o da Carminha, parceira de trabalho, nesta empreitada de implantar a programação de uma nova emissora de televisão.
Arrisco a dizer que já estabelecemos algumas cumplicidades. A dona Carmem é o tipo de pessoa que a gente precisa ter por perto. Afetuosa, gentil, inteligente, perspicaz. Faz toda a diferença.
Outra figura das mais especiais é a Fernanda Martins. Energia boa, bom astral, simpatia, inteligência, paixão pela vida, pelo trabalho, pelas pessoas. É o tipo de repórter que faz qualquer entrevistado se sentir à vontade, arranca dele tudo o que precisa de informação, sem ser agressiva ou invasiva. Tudo nela é na boa medida.
Gostar das pessoas, às vezes pode ter algumas inconveniências. Corre-se o risco de ficar pegajoso, perder o limite, até mesmo se tornar dependente. Eu sou meio assim. Preferia não ser.
Também há pouco, recebi uma ligação da minha irmã Madalena. Nós temos cumplicidade. Ela sempre sabe quando me ligar. Ouvir a voz dela invariavelmente me acalma. E hoje, em especial, tudo que eu precisava era trocar algumas palavras com ela. Admito que foram doloridas. Mas aliviaram o meu peito. Falamos do futuro. E ele não pareceu dos mais promissores. Ela acredita que em breve vamos passar por um momento bem difícil, daqueles inevitáveis.
E isso me fez lembrar o passado, de experiências nunca explicadas, mas muito dolorosas. Fez ainda eu rever um conceito muito nobre, o perdão. E me dar conta que o tempo não para, que não se pode deixar nada pendente. O amor, somente ele, nos redime das nossas falhas, das nossas mesquinharias, da nossa pequenez.
Certa vez escrevi aqui que há uma vida inteira para ser vivida. O pratear dos cabelos está aí para apressar essa vivência. Para remediar essa nossa incrível vocação de deixar tudo para depois, de adiar afetos, palavras de ternura, vivências de comunhão espiritual.
Vou visitar a minha mãe este fim de semana. Ela vai completar 75 anos, decidiu passar a data em Rolândia, na casa do meu irmão Elizeu. Depois de um ano, ela volta à cidade onde viveu os últimos 36 anos. E o amanhã não é tão claro para todos. Nem sempre é uma convicção. E para não correr nenhum risco, quero ficar perto de tudo que acho certo.
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
9 comments • Permalink
Já são quase cinco meses e ainda sinto alguma estranheza aqui na Capital. Essa cidade tem muitos encantos, algumas chatices, mas creio que deve ser assim mesmo.
Ontem, por exemplo, estava um calor de rachar mamona. Hoje amanheceu com um frio gostoso, daquele que faz a gente querer ficar na cama o dia todo.
Agora mesmo, o clima está ideal para tomar um chocolate quente, ficar abraçado, comer um pão de queijo. Uma hora certa pra gente se dar conta do quanto se é feliz com muito pouco.
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
2 comments • Permalink
A Folha de S. Paulo contratou Willian Vieira pra fazer o obituário. Para mim, a melhor leitura do jornal, todos os dias. Achei que o repórter só falaria bem das pessoas que se foram, algo bem comum depois que alguém morre. Mas que nada. O rapaz é bom mesmo e eu já sou fã dele. Espie o texto de ontem:
José de Medeiros, prefeito dos amigos
WILLIAN VIEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Pacientes, os cerca de 7.000 eleitores da pequena Wanderlândia, no extremo norte de Tocantins, tiveram que assistir ao escrutínio de seu último prefeito pela Justiça. José Maurício de Medeiros foi condenado por ter contratado os amigos -depois de uma série de acusações dos promotores.
Medeiros entrou para a política local como vereador, e chegou à prefeitura pela primeira vez nas eleições de 1996. Perdeu a seguinte, mas recuperou o posto em 2004 -por uma curiosa coligação que fundia PT e PFL.
Um ano depois veio à tona uma onda de acusações. Condenado no ano passado a pagar R$ 30 mil de multa, foi também obrigado a "extinguir imediatamente todos os contratos temporários irregulares". Segundo o promotor que o acusou de nepotismo eram no total, até outubro, 12 irmãos, primos, genros, noras, filhos e filhas de vereadores, secretários e servidores com cargos de chefia na prefeitura.
Foi nesse conturbado cenário que ele morreu no dia sete, de um infarto causado pela doença de chagas. Tinha 55 anos.
Posted by joao at 08:35 AM. Filed under: Geral
3 comments • Permalink
O tempo vai passando e a gente insiste em acumular hábitos, vamos dizer, pouco convencionais, idiotas mesmo. É um tal de criar regra pra isso, regra pra aquilo, na desculpa vã de facilitar a própria vida e que tais. Admito que me sinto bem esquisito a cada ano.
Depois de muitas e muitas unhas encravadas, assumi minha incompetência e só aparo as unhas do pé com profissionais. Por maior que seja a vontade de cutucar os cantos dos dedos, de passar um cortador naquelas monstruosidades, espero o dia marcado e pronto: a podóloga resolve o problema e fica tudo certo. Bem, nem sempre... já teve vezes de a unha encravar mesmo com os cuidados técnicos. Nada é perfeito.
Outra coisa que não consigo controlar é a vontade de devorar um pacote inteiro de bolachas. Recheadas, claro. Como uma, duas, três. Mas o restante fica ali me olhando, me olhando, praticamente implorando para ser devorado. Eu, que acho bolacha a terceira melhor coisa do universo, já fui bem mais compulsivo. Admito que o controle foi forçado. A nutricionista cantou a bola: simplesmente não compre, não tenha ao alcance das mãos. Segui quase à risca. Esta semana comprei um pacote de Negresco – modelo novo, aquele que a bolacha é branca e o recheio negro – e testei minha capacidade de auto controle. Comi apenas três unidades. As lombrigas estão aqui berrando, mas decidi que elas morrerão à mingua.
A minha mais recente esquisitice é evitar cotonetes. Tudo bem, Beto, pode parar de ler o texto aqui, você que já ouviu esta quimera umas 17 vezes. Todo otorrino diz que não presta, que não se deve tirar a tal cera do ouvido bla, bla, bla. Depois de muitas e muitas inflamações, inclusive a do ano passado que foi forte a ponto de necessitar de antibióticos mais poderosos de todos os tempos, de todos os universos e de todas as galáxias, que destruiu minha flora intestinal, ufa!, e me trouxe um “piriri” de mais de um mês, ufa de novo, resolvi seguir as recomendações de não colocar o tal chumaço de algodão na orelha e ouvido.
Bom... bastou tomar essa decisão e ser acometido de uma coceira incontrolável. Eu só penso em cotonete, só vejo cotonete, nada é mais importante e necessário que um bom cotonete para aliviar essa coceira e tirar os quilos e quilos, quiçá toneladas, de cera. Sim, é um desafio e tanto não cutucar.
Até tenho tido razoável sucesso, ampliando cada vez mais o intervalo entre uma e outra intervenção “cotonéica”. Ontem, por exemplo, estava na casa do Beto e simplesmente uma cratera sai do meu ouvido. Quase berrei de felicidade, pois já havia uma semana sem a tentação de sentir o macio do algodão. Disfarcei, fingi que não era bem aquilo, até porque saboreávamos um delicioso sanduíche feito pelo anfitrião.
Hoje juro que me controlei. Contei até 26.388 para não sucumbir. Mas admito minha fraqueza. Agora há pouco, exatos 40 minutos, a única coisa que conseguia enxergar na minha vida era uma haste azul com duas bolinhas de algodão na ponta. Peguei a tal, coloquei-a num ouvido e... uau... foi como se o Mar Vermelho se abrisse, como se terras e céus urrassem de prazer. Que alívio, que alívio.
Tiro o tal e aquela coisa amarelada, cera pura, reluzindo ali. Acho que emagreci 23 quilos. Ato contínuo, cutuco o outro ouvido, mais 45 quilos de cera. Pronto... dá pra lustrar todos os apartamentos, de todos os prédios, de todas as curitibas, de todos os paranás.
Jamais poderia imaginar a sensação de prazer e bem estar que este ato impensado e incontrolado poderia provocar. Hoje recomeço a contagem. Até que um dia vou esquecer que existe cotonete e, quem sabe, serei obrigado a ir a um otorrinolaringologista - adoro esta palavra - fazer limpeza no ouvido.
A gente é bem besta mesmo!
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
5 comments • Permalink
No “coração” da minha casa, há a presença de muita gente legal.
Por essas e outras, viver vale sempre a pena.
Posted by joao at 01:06 AM. Filed under: Geral
2 comments • Permalink
Desde que me entendo por gente, gosto muito de leite. Tanto que, pasmem, mamei na mamadeira até os oito anos de idade e só parei depois de uma tremenda chantagem emocional. Até hoje, se não tomo leite, parece que falta alguma coisa no dia, no ar, no céu, nas estrelas, no firmamento. O Universo inteiro fica mais triste quando eu não ingiro uma boa quantidade de leite.
Sucedeu que no passeio de sábado com o Beto, fomos parar numa loja de material de construção e afins. Uma dessas grandes lojas, tipo Bordignon, Todimo etc. Eis que lá encontrei o meu sonho de consumo: uma xícara de leite para girafas. Ou melhor... que lembre de alguma forma uma girafa. Hoje tive o cuidado de medir: cabem ali 600 mililitros de leite. Dá uma espiada no tamanho...
Por isso que eu sempre digo: viver é realmente muito bom!
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
4 comments • Permalink
Acabo de ler na Folha de S. Paulo que “Tropa de Elite” é o filme nacional mais visto até o último fim de semana. Pelo menos 2,10 milhões de espectadores compareceram aos cinemas Brasil afora. Na reportagem, o diretor lamenta a pirataria ter tirado pelo menos o dobro de público que poderia ter visto a película na tela grande.
Sou contra a pirataria por princípio. Acho o fim da picada as pessoas se apropriarem da produção intelectual de outrem e ganhar dinheiro com isso.
Mesmo contra, eu compreendo quem decidiu pagar muito mais barato pra ver o filme, claro, desconsiderando aí a magia que só a sala negra proporciona.
Eu vi o filme no feriado de Finados, em Londrina, junto com o André. Quase caí pra trás ao ver o preço do ingresso: R$ 16,00. O valor é idêntico ao cobrado nas melhores salas aqui em Curitiba. O detalhe é que o custo de vida em Londrina, salários de atendentes, pipoqueiros e recepcionistas incluídos, é muito menor que na capital. Lógico, não há argumento para este valor de ingresso.
Sucedeu que na segunda-feira, dia 05, a rede Cinemark fez uma grande promoção, exibindo vários filmes nacionais com ingresso a dois reais. O Beto, por exemplo, assistiu dois e relatou que as salas estavam lotadas. E olhe que não eram películas de muito apelo popular. Ele viu “O ano que meus pais saíram em férias” e “Saneamento Básico”.
A equação é bastante simples: as pessoas gostam de ir ao cinema, até querem prestigiar a produção nacional, mas não tem condições de pagar dezesseis dinheiros por uma sessão. Sem contar aí, estacionamento/deslocamento e a famosa pipoca com refrigerante. Um casal gasta no mínimo cinquentinha, se nenhum dos dois pagar meia entrada. Ou seja... cinema não é diversão pra qualquer um.
Daí surgiram as dúvidas... é melhor cobrar dois reais e ter as salas lotadas ou cobrar dezesseis e ter um pingo de gente? Ou ainda... ficar de chororô por causa da pirataria?
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
4 comments • Permalink
O fim de semana que está prestes a terminar foi diferente de todos os outros, nesses quatro meses de nova vida na capital. Pra falar bem a verdade, a semana inteira foi peculiar.
Não vou usar meias palavras. Estou ligeiramente deprimido. E o pior dessa sensação é assumir isso e perceber aquele olhar enviesado, do tipo... como assim, você tem tudo, com que direito ousa estar chateado? Não é chateação no sentido literal da palavra. Mas ausência, falta.
Eu pensei que o tempo se encarregasse de deixar as sensações mais leves. Mas tem uma aqui dentro que está pesada, pesada, pesada. É a tal da saudade, palavra que não tem tradução idiomática, mas que sabe como nenhuma outra apertar o coração.
Aqui em Curitiba está tudo certo. O trabalho é excelente. A equipe é daquelas que fazem a diferença, alto astral, um monte de gente legal trabalhando junto, tenho amigos queridos, fui super bem acolhido. Sinto-me desafiado, vejo um grande e brilhante futuro pela frente. Só que falta algo.
E este algo é aquele impregnar de cotidiano, aquela certeza que está todo mundo por perto, basta pegar o telefone, o carro e pronto. Sinto saudades dos alunos, da sala de aula, dos amigos, da Thais, do Xexé, sinto falta das conversas maduras com o Carlos, de cumprimentar as pessoas nas ruas. Sinto falta do otimismo da Cleo, do pragmatismo da Raquel, do olhar afetuoso do Marcelino, das conversas com meu irmão Elizeu, falta da minha mãe, saudades da Janaína, saudades do meu pai.
Eu sinto saudades de você!
Esteve por aqui a Andressa, o cupido dessa relação surpreendentemente apaixonante que estou vivendo. Hoje almocei com a Jossânia, amiga de Londrina que também se mudou pra cá e tenta fazer deste chão a casa dela. Ontem estive com o Juliano, o meu amigo do jardim da infância, e o João, amigo de mais de 15 anos. Fui com o Beto passear no Parque Tingui, falar da vida, dos projetos, dos sonhos. Almoçamos juntos com a Simone e o Júnior. Uma tarde excelente. De madrugada, debaixo de chuva, eu e o Beto fomos comer cachorro quente – ele – e sobremesa – eu – e depois ao supermercado.
Mas ainda assim, falta você.
As minhas amigas psicólogas – Silvia, Ester, Cíntia Helena – já disseram repetidas vezes que é a ausência que nos move. Sem o desejo, de nada adianta o futuro. É preciso acreditar que amanhã tudo será melhor do que hoje, o amor é para sempre, o desafio do trabalho será superado, as metas vão ser atingidas, os sonhos, sempre eles, realizados.
Será que se a gente se regozijasse com tudo o que nos cerca, seríamos mais felizes? Creio que não. Reclamar, perceber a falta é o que nos torna humanos, falíveis, incompletos. É o que nos dá um motivo para a ação, para buscar, realizar, concretizar.
Amanhã é segunda-feira, existe um dia inteiro pra ser vivido de uma vida que sempre é prazerosa, mesmo com as lágrimas caindo aqui e acolá. Hoje foi bom. Ontem também. Anteontem melhor ainda. E saber disso é que faz valer a pena querer acordar amanhã e ter a certeza que a vida está seguindo o ciclo, que a gente está vivendo.
Ainda que os olhos marejem de vez em quando, isso tudo é muito bom.
Posted by joao at 12:01 AM. Filed under: Geral
No comments • Permalink