Todos os jornais noticiam que a Globo decidiu parar com as gravações d' A diarista. E dizem, de maneira quase explícita, que as constantes brigas entre Cláudia Rodrigues e Dira Paes seriam o motivo. Fã de televisão, costumo ler sites, revistas e colunas sobre o tema. E não é de hoje que comentam a destemperança de Cláudia.
Nunca consegui ver dois episódios inteiros da sitcom. Não gosto deste tipo de humor. Mas do que vi, a Solineuza (personagem de Dira) é, de longe, muito mais engraçada. Ponto pra ela.
Hoje, ou ontem, sei lá, a Folha de S. Paulo publicou que a Cláudia teve um chilique ao saber da interrupção do programa e ameaçou ir para a Record. Por mim, poderia ir para o inferno. Ou melhor: cair no mesmo ostracismo do Chico Anysio. Já deu o que tinha que dar e está na hora da aposentadoria.
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Wednesday, July 25, 2007
Monday, July 16, 2007
Ainda estão presentes na minha memória, aquela manhã de agosto de pouca chuva, ar seco e muita esperança. Em cima do caminhão de mudança, ao me afastar da casa dos meus pais, eu chorei. Chorei pela criança que nunca mais existiria, exceto em minha memória. Chorei pelo carrinho de rolimã que nunca mais seria guiado, exceto em minha memória. Chorei pelas fazendinhas com vacas e bois feitos de abacate, que nunca mais teriam vida, exceto em minha memória. Chorei pelas poncãs, pelas mixiricas, pelas goiabas, pelas canas caianas, pelas ameixas, pelas mangas rosa que nunca mais teriam aquele sabor, exceto em minha memória.
Chorei pelo sublime momento em que, à mesa, a mãe distribuía os pedaços de carne, dando a cada um de nós – a seu tempo – o tão desejado peito do frango. Chorei porque a minha irmã Madalena se preocupou em me arrumar de caipira para a festa junina do jardim da infância. Chorei pelo olhar maroto do meu pai ao me entregar os traques, “peidos de véia” e as bombinhas para eu levar à festa. Chorei por meu pai ter acolhido os meu amigos, por ele nunca ter implicado com os irmãos que eu escolhi para mim. Chorei por cada jogo de vôlei no fundo da chácara, pela rede feita com sacos de batatas, pela reuniões após os jogos. Chorei por cada coxinha de mandioca, por cada bolo de milho, por cada pamonha que minha mãe fez para mim.
Chorei pela cumplicidade com a minha irmã mais nova, a Lalda, ao combinarmos os horários para voltar pra casa, ao protegê-la com os namorados, ao nos escondermos de medo dentro do guarda-roupa, à nossa união quando ela deixava o carro afogar. Chorei pelo trote no vestibular, chorei pela aprovação no Banco do Brasil, chorei pela viagem ao Rio de Janeiro, à Camboriú, por aquele churrasco em Vila Prado. Chorei pelo treino de vôlei, pelas gincanas que ganhamos na escola, na cidade. Chorei pela Companhia Andajunto de Teatro, pelos Jovens Amigos de Cristo, pela escolinha da Irmã Renata, pelo Padre José Herions, pelo Professor Francisco Villanueva, pelo Colégio Souza Naves.
Olhando para trás, via o tempo passando e cumprindo o inevitável ciclo da mudança. Naquela rua onde brinquei de bétis, onde dei o primeiro beijo, onde machuquei o joelho, onde fui atropelado, estava quase tudo de mim. A rua mudou de nome, de forma, de cor. A casa de meu pai também já não era a mesma. O jardim simples, o quintal coberto de cimento, os pés de fruta. A Reinaldo Massi, 1089, não era apenas um registro no Código de Endereçamento Postal. Era a minha essência, a minha referência, a minha certeza de poder voltar, a minha raiz.
No portão, minha mãe chorava. Talvez entendesse que eu precisava partir, que o inevitável acabara de chegar. Ainda assim, com amor incondicional, compreendeu que eu já não mais lhe pertencia. Abriu mão da própria felicidade, torcendo para que Deus me acompanhasse. Tudo concretamente rápido, embora o tempo da emoção fosse outro, mais lento, mais profundo, mais intenso. Romper o cordão umbilical era uma realidade incontestável.
Coração apertado, lágrimas nos olhos, virei pra frente. Aquele agosto de 1991 reservava o melhor desta minha existência. Uma nova cidade, novos amigos, um novo amor que se aproximou tão logo me instalei na casa nova. Faculdade, profissão definida, promoções, desesperanças, separações. Uma vida inteira para ser vivida.
Deixei o vento se aproximar. Fiquei em paz. Mesmo com medo e com muita saudade de tudo, encarei aquele futuro. Um tempo que depois se revelou espetacular, mais uma vez pelas inúmeras pessoas que conheci.
E como tudo se repete, há poucos dias iniciei um novo ciclo, cheio de possibilidades. E que eu espero vivê-lo cada segundo com o melhor de mim.
Viver é uma dádiva!
Chorei pelo sublime momento em que, à mesa, a mãe distribuía os pedaços de carne, dando a cada um de nós – a seu tempo – o tão desejado peito do frango. Chorei porque a minha irmã Madalena se preocupou em me arrumar de caipira para a festa junina do jardim da infância. Chorei pelo olhar maroto do meu pai ao me entregar os traques, “peidos de véia” e as bombinhas para eu levar à festa. Chorei por meu pai ter acolhido os meu amigos, por ele nunca ter implicado com os irmãos que eu escolhi para mim. Chorei por cada jogo de vôlei no fundo da chácara, pela rede feita com sacos de batatas, pela reuniões após os jogos. Chorei por cada coxinha de mandioca, por cada bolo de milho, por cada pamonha que minha mãe fez para mim.
Chorei pela cumplicidade com a minha irmã mais nova, a Lalda, ao combinarmos os horários para voltar pra casa, ao protegê-la com os namorados, ao nos escondermos de medo dentro do guarda-roupa, à nossa união quando ela deixava o carro afogar. Chorei pelo trote no vestibular, chorei pela aprovação no Banco do Brasil, chorei pela viagem ao Rio de Janeiro, à Camboriú, por aquele churrasco em Vila Prado. Chorei pelo treino de vôlei, pelas gincanas que ganhamos na escola, na cidade. Chorei pela Companhia Andajunto de Teatro, pelos Jovens Amigos de Cristo, pela escolinha da Irmã Renata, pelo Padre José Herions, pelo Professor Francisco Villanueva, pelo Colégio Souza Naves.
Olhando para trás, via o tempo passando e cumprindo o inevitável ciclo da mudança. Naquela rua onde brinquei de bétis, onde dei o primeiro beijo, onde machuquei o joelho, onde fui atropelado, estava quase tudo de mim. A rua mudou de nome, de forma, de cor. A casa de meu pai também já não era a mesma. O jardim simples, o quintal coberto de cimento, os pés de fruta. A Reinaldo Massi, 1089, não era apenas um registro no Código de Endereçamento Postal. Era a minha essência, a minha referência, a minha certeza de poder voltar, a minha raiz.
No portão, minha mãe chorava. Talvez entendesse que eu precisava partir, que o inevitável acabara de chegar. Ainda assim, com amor incondicional, compreendeu que eu já não mais lhe pertencia. Abriu mão da própria felicidade, torcendo para que Deus me acompanhasse. Tudo concretamente rápido, embora o tempo da emoção fosse outro, mais lento, mais profundo, mais intenso. Romper o cordão umbilical era uma realidade incontestável.
Coração apertado, lágrimas nos olhos, virei pra frente. Aquele agosto de 1991 reservava o melhor desta minha existência. Uma nova cidade, novos amigos, um novo amor que se aproximou tão logo me instalei na casa nova. Faculdade, profissão definida, promoções, desesperanças, separações. Uma vida inteira para ser vivida.
Deixei o vento se aproximar. Fiquei em paz. Mesmo com medo e com muita saudade de tudo, encarei aquele futuro. Um tempo que depois se revelou espetacular, mais uma vez pelas inúmeras pessoas que conheci.
E como tudo se repete, há poucos dias iniciei um novo ciclo, cheio de possibilidades. E que eu espero vivê-lo cada segundo com o melhor de mim.
Viver é uma dádiva!