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Saturday, June 30, 2007
O vento da mudança soprou e eu espero atento o passar das horas. Feliz e triste, ansioso e sereno, um misto de sensações. Nada, porém, se compara ao bem estar, ao contentamento que acolhe a minha alma.
Thursday, June 28, 2007
Quanto mais eu ouço, quanto mais eu leio, quanto mais eu penso, mais eu fico indignado e impotente. Não deve ser à toa que a polícia diz ao detido que ele tem o direito de ficar calado. Esta história envolvendo a empregada doméstica agredida no Rio de Janeiro é absurdamente revoltante.
E se você lembrar que na semana passada um juiz de direito aqui no Paraná não realizou a audiência porque o trabalhador calçava chinelos, dá uma vergonha de existir. Felizmente até hoje nunca passei por humilhação como essas. Deve ser muito dolorido alguém ser punido simplesmente por existir.
Os garotos criados com Yakult do Rio de Janeiro talvez não saibam distinguir um monte de cocô de gente. Ou pior. Talvez valorizem mais a merda dos que os seres humanos.
Eu não tenho filhos. Acho-me incompetente para tal. Mas pior ainda que o gesto dos mimados, são a postura e atitude dos pais. Como pode um jovem fazendo faculdade ficar na cadeia? Existem crimes piores que o deles? É lamentável, absolutamente lamentável.
Quando veio à tona o caso da Susanne von Richtofen, meu amigo Carlos Appoloni vaticinou: - ainda morrerão muitos pais nas mãos de filhos inconseqüentes.
O pior é que ele estava completamente certo.
Monday, June 25, 2007
Sempre é bom ter informações novas, ainda mais quando elas tratam deste tema tão universal. Dias atrás, vivi este diálogo:
- Sabe a diferença entre a paixão e o amor?
- Não.
- O amor, quando telefone, pergunta: - Como você está?
- E a paixão?
- A paixão pergunta: - onde você está?
- Uia!
Friday, June 22, 2007
“Meu Deus, mais uma vez estou diante de ti. Em primeiro lugar para pedir perdão por minhas falhas. E elas são tantas, o Senhor sabe. E eu estou aqui também para lembrar um pouco da minha mãe. Foi ela quem me ensinou a importância de dar valor às coisas. Daqui a pouco, menos de 24 horas, eu vou completar 37 anos. E especialmente hoje, eu só tenho a agradecer. Me pergunto porque o Senhor me escolheu para tanta riqueza. Eu olho para os lados e percebo a imensa trajetória de sucesso. E quando falo isso, não estou me referindo à minha situação profissional, aos objetivos que tracei e consegui, não pelo fato de ter saído lá de Longuinópolis e ter virado mestre pela USP. Na verdade, não sou mestre de nada. Prefiro me ver como um aprendiz insaciável, buscando um jeito de viver melhor e ter a sabedoria para reconhecer os excelentes momentos de felicidade que a vida tem me propiciado. A minha riqueza, meu Deus, vem das pessoas que o Senhor colocou no meu caminho ao longo da minha vida. Não sei se é pecado. Mas eu gosto de astrologia, de discutir a possibilidade de haver outras vidas além desta tão bacana que o Senhor me proporcionou. Certa vez eu procurei Ana Lúcia, uma estudiosa dos astros e de vidas passadas. E ela me explicou que fora uma missão eu ter nascido filho do seo João e da Dona Alice. Eu precisava passar por isso e esta é a principal razão de eu ter muito a agradecer. Nós tivemos uma vida bem modesta, mas os dois sempre estiveram presentes nos ensinamentos do que é o caminho do bem. Hoje, com bem poucos cabelos, alguns deles já branqueando, ser filho dos dois foi o primeiro dos muitos tesouros que o Senhor me deu. Revendo o tempo, lembrei do Paulo Sérgio, aquele vizinho querido, com quem eu brincava na terra. O César também me veio à memória, mas eu sei que ele já está aí ao seu lado. A rua Diamantina ganhou asfalto, mas não perdeu os afetos, as histórias. Lembro do Ezequias, do Liu, do Fernandinho, dos nossos carrinhos de rolimã, do primeiro dia no Jardim da Infância. Aproveitando, por que a tia Sandra era tão brava e mal humorada? Preciso agradecer ainda por aquela festa de aniversário de 10 anos, o bolo de trenzinho caipira, o colete de linho que minha mãe mandou fazer e do Senhor ter permitido que a Rosângela Cristina de Freitas comparecesse. Eu tenho que agradecer pelo Senhor ter me feito inteligente. Por ter me dado forças aquele dia que o pai e a mãe foram pra São Paulo e, mesmo sentindo medo dentro do banheiro, eu abri a porta e fui brincar lá fora. O Senhor sabe bem o quanto aquilo foi importante. Tudo bem que a Dona Alice e o seo João eram muito bravos e eu acho que levei cintadas demais para uma criança da minha idade. Está tudo certo. A vida nem sempre tem só flores, não é? Eu também lhe agradeço por um dia eu ter encontrado a Rosângela Mologni e por ser a Giseli a primeira garota que eu beijei. Obrigado por fazer o dono da sorveteria compreender que eu fora roubado e não ter descontado de mim o prejuízo por eu ter perdido aqueles sorvetes. Também, eram dois contra um, né? Confesso que não entendi aquela mensagem. Ah... algo importante. Naquela tarde que eu saí para procurar emprego, obrigado por aquele rapaz da fábrica de móveis lembrar que estavam procurando garotos para trabalhar no Banco do Brasil. Quando eu passei na seleção, entendi que não fora em vão ter sido um aluno aplicado. E naquele inverno de 1987, quando deixei a sala de provas, obrigado pela certeza de que eu passaria no concurso e que, ao completar 18 anos, eu teria o melhor emprego de Rolândia. Obrigado por me fazer o gerente mais jovem do Paraná. Eu trabalhei bem, mas sei que de alguma forma o Senhor me ajudou. Obrigado por ter me dado chefes exigentes e acolhedores, que compreenderam a minha vontade de ser jornalista e, para isso, abriram mão das regras, facilitaram horários, fecharam os olhos para os eventuais atrasos. Eu consegui ser um bom jornalista. Obrigado por ter colocado a Raquel na minha vida. Ela acreditou em mim quando outros duvidaram. Também não poderia esquecer do Ricardo, do empréstimo para comprar o apartamento. Grato por eu ter um orientador de mestrado que realmente fez a diferença. Obrigado pelas oportunidades profissionais. Elas sempre foram muitas e na hora certa. Quase no fim e também o mais importante. Tenho a vida inteira para agradecer os amigos que o Senhor colocou na minha vida. Keno e Juliano, depois o Jonas, o Carlos, depois o Beto, o Xexé, a Raquel e a Simone. Sem eles, a vida não teria tido a mesma graça. E tem ainda os afetos que conquistei como professor. Foram tantos alunos que viraram amigos que eu só posso acreditar que o Senhor me escolheu como seu protegido. Para encerrar, obrigado por me fazer uma pessoa capaz de amar. Minha imensa gratidão pelos amores que vivi e, mais ainda, por este que agora ganha força, aquece o meu coração, enche a minha alma de alegria. Obrigado por me desafiar a ver além do óbvio, obrigado por eu conseguir enxergar esta rara oportunidade de amar e ser amado. Eu estava esperando e acho estar no melhor momento para esta vivência. O Senhor realmente sabe o que faz. Na idade nova que ora se inicia, não vou lhe pedir nada, absolutamente nada além desta maravilha de vida que o Senhor me proporciona. Muito obrigado. Amém!”
Wednesday, June 20, 2007
Acabo de ver uma bela cena de Paraíso Tropical. O ranzinza Antenor quis reparar a injustiça de ter achado que o bom Mateus roubara-lhe o barco. E disse ao garoto que lhe pedisse o que desejasse. O garoto não titubeou:
- O senhor quer me ajudar? Então devolve a mesada para o seo Belisário, o seu pai. Eu não sei porque vocês não se dão bem, mas ele é tão gente boa e já está velho, né? Não acho certo ele passar necessidade.
Antenor engoliu seco e atendeu ao pedido.
Tem dias que a gente só precisa disso.
Tuesday, June 19, 2007
Convivemos repetidamente com escândalos, corrupção, irregularidades das mais variadas grandezas. Aqui no Brasil isso é tão comum, que a gente não se assusta mais. Dia desses li que alguém do primeiro escalão do governo japonês se matou depois de ser descoberto na falcatrua. Se o mesmo se desse aqui nestas bandas, ia faltar cemitério.
O que está me incomodando hoje é a polêmica do Hospital Universitário. O reitor mandou implantar o cartão ponto e alguns médicos estão revoltados com a medida. Isto, mesmo depois de seis deles serem flagrados passando o cartão e indo embora na seqüência. O Estado não pode ser patrão. Em qualquer empresa privada, este assunto jamais viria à tona, por uma razão simples: quando o proprietário tem nome, rg e cpf, certos devaneios não são permitidos. Mas num órgão público, onde as pessoas costumam esperar horas e horas para serem atendidas, é um desrespeito exigir que os baluartes da saúde cumpram a jornada para a qual recebem algo em torno de seis mil reais, de acordo com os jornais de Londrina.
De pequena em pequena atitude, constrói-se o monstro da corrupção, da impunidade, de qualquer coisa. Acabei lembrando do meu pai. Seo João, analfabeto funcional, vivia me dizendo, desde criança, que era feio dar prejuízo para os outros.
Lembro do dia em que ele me levou à escola pela primeira vez.
- Não quero que você fique arrumando briga aqui na escola. Um homem de bem não se mete em confusão.
- Está bem.
- Mas tem uma coisa. Não deixe ninguém fazer você de besta. E preste bem atenção no que eu vou te falar. Se você bater em alguém injustamente, vai levar uma surra quando chegar em casa. E se você apanhar de quem não deve, vai levar outra surra de mim.
Tudo pareceu tão simples: não bater nem apanhar de ninguém. Não fazer ao outro o que não quer ele faça a você. O certo pelo certo. Assim, bem na boa.
Por que será que as pessoas tentam encontrar razão onde ela não existe? Por que eu acho que sou tão especial para merecer tratamento diferenciado? Que vantagem eu tenho em seguir este caminho? E se eu seguir aquele? Fazendo algo por você, o que ganho em troca?
Infelizmente, ao responder essas perguntas a gente pode compreender porque tanta gente corrupta continua ocupando cargos importantes. Tudo é possível, para tudo há um jeito, sempre há alguém com pouco caráter para facilitar a vida de um safado. Certa ocasião, entrevistando um detetive aqui em Londrina, ele me disse que bastavam dez reais para entrar em qualquer prédio da cidade. Uma boa conversa com o porteiro e dez pilas na mão, acesso livre.
Tem dias que simplesmente não dá!
Tuesday, June 12, 2007
Faz dias que penso neste texto. Lembrei de um trecho do clássico shakesperiano, Romeu e Julieta. Na famosa cena do balcão, após a descoberta da inimizade familiar, Julieta questiona:
- Romeu, Romeu, por que razão tu és Romeu? Renega teu pai e abandona teu nome e não serás mais um Montéchio. Que é Montéchio? Não é mão, não é braço, não é nada. Exalaria a rosa algum outro perfume, acaso não se chamasse Rosa?
A verdade é que gostamos de dar nome às coisas. Mas nunca é um nome qualquer. É o nome que sonhamos, que idealizamos, que almejamos. Dificilmente conseguimos dar o nome real daquilo que vivemos.
Chorei vendo Paraíso Tropical na semana passada. A Bebel fora humilhada numa loja e percebeu que não fazia parte daquele mundo. Sabendo do ocorrido, Olavo foi lá tirar satisfação. Tentou devolver um pouco de dignidade à “garota de programa”. Em nenhum momento ele falou de amor.
Noutra cena, Daniel contava a injustiça que estava sofrendo. Antenor, o ouvinte, não entendeu. E Daniel percebeu que ali não encontraria acolhida. Também não se falou da falta de amor.
Certa vez, tempos depois da morte do meu pai, perguntei à minha mãe:
- A senhora sente falta do pai?
- De dia não. Mas de noite é muito ruim não ter em quem encostar os pés.
Dona Alice não falou de amor.
Amigo querido estava com o relacionamento naquela fase esquisita, com sentimentos confusos. Recebeu uma ligação do amor, que lhe perguntou se o meu amigo sentira saudades, se havia pensado no romance durante o dia, aquelas coisas. O que dizer numa hora dessas? Meu amigo disse que havia preparado um lanche para os dois. E não usou a palavra amor.
Semana passada, dei uma informação importante para a Andressa. Terminei de falar, os olhos dela encheram-se de lágrimas. Ela também não me falou em amor.
Tomava banho, tocou o telefone. – Vamos almoçar juntos?
Caraca... também não falamos a palavra amor.
Com a Janaína, ao telefone, aqui no Brasil.
- Passa lá no Valentino hoje. Quero conversar com você.
Eu fui, conversamos entre uma música e outra. Não mais que 20 minutos. Falamos da vida, das mudanças, do casamento, dos encontros. Não pronunciamos a palavra amor, embora ela estivesse em tudo.
Charlote, a romântica de Sex and the City, encontra um advogado careca, gordinho e peludo, que tinha o hábito de andar pelado na casa e deixar os saches de chás espalhados pela casa. Porém, a beleza e o amor dele não ficavam escondidos. Estava ali sempre pleno, acolhendo-a na dificuldade de ser mãe.
Ontem, dei um telefonema de começo deste dia dos namorados. Recitei um dos poemas de Adélia Prado. Chama-se Ensinamento.
“Minha mãe achava estudo
A coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
Ela falou comigo:
‘Coitado, até essa hora no serviço pesado’.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”
Às vezes está tão perto dos olhos, tão ao alcance das mãos, tão dentro da gente. Só que queremos algo mais, aquele sino que não toca, a rede jogada onde não há peixe, o quente ou o frio. Se não for exatamente do jeito que imagino, sinto muito. Já pensou que entre o 8 e o 80, existem no mínimo 72 possibilidades? Se você incluir o 8 e o 80, são 74 alternativas diferentes?
Contentamento é mesmo uma dádiva. Se deixássemos os nomes de lado, talvez fôssemos mais plenos.
- Romeu, Romeu, por que razão tu és Romeu? Renega teu pai e abandona teu nome e não serás mais um Montéchio. Que é Montéchio? Não é mão, não é braço, não é nada. Exalaria a rosa algum outro perfume, acaso não se chamasse Rosa?
A verdade é que gostamos de dar nome às coisas. Mas nunca é um nome qualquer. É o nome que sonhamos, que idealizamos, que almejamos. Dificilmente conseguimos dar o nome real daquilo que vivemos.
Chorei vendo Paraíso Tropical na semana passada. A Bebel fora humilhada numa loja e percebeu que não fazia parte daquele mundo. Sabendo do ocorrido, Olavo foi lá tirar satisfação. Tentou devolver um pouco de dignidade à “garota de programa”. Em nenhum momento ele falou de amor.
Noutra cena, Daniel contava a injustiça que estava sofrendo. Antenor, o ouvinte, não entendeu. E Daniel percebeu que ali não encontraria acolhida. Também não se falou da falta de amor.
Certa vez, tempos depois da morte do meu pai, perguntei à minha mãe:
- A senhora sente falta do pai?
- De dia não. Mas de noite é muito ruim não ter em quem encostar os pés.
Dona Alice não falou de amor.
Amigo querido estava com o relacionamento naquela fase esquisita, com sentimentos confusos. Recebeu uma ligação do amor, que lhe perguntou se o meu amigo sentira saudades, se havia pensado no romance durante o dia, aquelas coisas. O que dizer numa hora dessas? Meu amigo disse que havia preparado um lanche para os dois. E não usou a palavra amor.
Semana passada, dei uma informação importante para a Andressa. Terminei de falar, os olhos dela encheram-se de lágrimas. Ela também não me falou em amor.
Tomava banho, tocou o telefone. – Vamos almoçar juntos?
Caraca... também não falamos a palavra amor.
Com a Janaína, ao telefone, aqui no Brasil.
- Passa lá no Valentino hoje. Quero conversar com você.
Eu fui, conversamos entre uma música e outra. Não mais que 20 minutos. Falamos da vida, das mudanças, do casamento, dos encontros. Não pronunciamos a palavra amor, embora ela estivesse em tudo.
Charlote, a romântica de Sex and the City, encontra um advogado careca, gordinho e peludo, que tinha o hábito de andar pelado na casa e deixar os saches de chás espalhados pela casa. Porém, a beleza e o amor dele não ficavam escondidos. Estava ali sempre pleno, acolhendo-a na dificuldade de ser mãe.
Ontem, dei um telefonema de começo deste dia dos namorados. Recitei um dos poemas de Adélia Prado. Chama-se Ensinamento.
“Minha mãe achava estudo
A coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
Ela falou comigo:
‘Coitado, até essa hora no serviço pesado’.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”
Às vezes está tão perto dos olhos, tão ao alcance das mãos, tão dentro da gente. Só que queremos algo mais, aquele sino que não toca, a rede jogada onde não há peixe, o quente ou o frio. Se não for exatamente do jeito que imagino, sinto muito. Já pensou que entre o 8 e o 80, existem no mínimo 72 possibilidades? Se você incluir o 8 e o 80, são 74 alternativas diferentes?
Contentamento é mesmo uma dádiva. Se deixássemos os nomes de lado, talvez fôssemos mais plenos.
Friday, June 08, 2007
Aquieta-me pensar que independente do que eu faça, o tempo vai se encarregar de colocar cada coisa em seu lugar. Não adianta gritar, chorar, espernear. Posso ter a ilusão, mas ele é inexorável. Não se prende, não se limita, não se restringe.
Certa vez comentei com o Beto que detestava o horário de verão. Ele, com o pragmatismo habitual, perguntou: - E daí?
De bate pronto surgiu uma ligeira irritação, até que ele completou: – O fato de você não gostar não muda nada. De agora até fevereiro será assim. Não há nada a ser feito. Quando não há nada a ser feito, está tudo arranjado.
Comecei a rever os episódios de Sex and the city. Mais que um modismo, os conflitos de Carrie, Miranda, Samanta e Charlote são absolutamente humanos. De soltar um pum perto do futuro grande amor da vida de Carrie, ao tropeçar numa passarela fashion até ouvir o candidato a senador pedir que ela fizesse xixi em cima dele. Tudo o que compõe a estranheza e mistério que fazem a vida da gente ser interessante e, em alguns momentos, parecer enredo de novela ou filme.
Existe um tempo para dizer eu te amo? Afinal, o que é o amor? Quanto tempo depois que começa uma relação é a hora certa para ir pra cama? Indo pra cama, é preciso fazer tudo? Qual a urgência e necessidade de sexo para você? Com que pessoas dividir alegrias e tristezas? Para quem contar a promoção que acaba de ganhar? E aquele seu súbito interesse de mudar de vida, de cidade, de país? Com quem dividir?
Se você achou resposta exata para cada uma dessas perguntas, tenho muito a lamentar. Se não há mistério, o que nos mobiliza, afinal? Viver é esse jogar-se do precipício sem rede de segurança. Como enterrar um defunto sem velar o corpo por algumas horas?
Numa entrevista com a psicóloga Rosely Sayão, ela disse que os pais hoje procuram vacina contra os desafios propostos pelos filhos. E que a paciência há muito deixou de ser uma virtude.
Ter a paciência como virtude, acredito, é render-se à força do tempo. Admitir que o passado é mera referência para dar ligeira sustentação ao que há por vir. Absolutamente nada além disso.
Hoje saí para fazer um lanche com o Tomás. Num momento da conversa, perguntei-lhe o que lhe dava segurança. A resposta foi de uma obviedade lancinante: não encanar com algo que eu também não faria.
Não é simples? Julgamos os outros a partir de nossas atitudes, de nossas vivências, de nossas projeções. Se sou capaz de matar, julgo que os demais podem fazer o mesmo. E aí inicia o ciclo interminável de possibilidades, principalmente de dúvidas e infelicidade.
Gosto quando a minha analista pergunta: agora que você descobriu isso, o que vai fazer? Se você já entendeu que é assim, por que o sofrimento? É bom ter consciência dos próprios atos.
Numa das vezes que fui traído, ato contínuo após descobrir o jeito como tudo acontecera, liguei ao médico da alma.
- O que você quer fazer neste momento?
- Matar. Simplesmente matar.
- Matando, vai se sentir melhor?
- Muito, muito melhor. É muita sacanagem...
- Ao matar, você deixará de ter um problema.
- Sim, com certeza.
- Não... você terá dois problemas: não deixará de ser corno e ainda poderá ir pra cadeia.
- humpf!!!!!!!!
- E se você pensar que esta traição te liberta?
- Como assim?
- O que aconteceu? Vocês tinham um compromisso de não ficar com outras pessoas. Ao ser traído, você está livre do compromisso.
- Mas isso não tira a raiva que estou sentindo.
- Não estou falando em tirar nada. Estou falando em você se dar a liberdade que até este rompimento você não tinha. O resto é com você.
Quando eu for presidente do Brasil, além de permitir que homens usem camisetas regatas só nas academias ou na praia, também vou criar o serviço público de psicanálise. O conhecimento nos liberta. Tira as amarras, o medo. Se sei que não vou morrer mesmo, posso me jogar em todos os desafios que se apresentam. Qual é o pior que pode acontecer?
Não dar certo, é verdade. Para saber, entretanto, urge o risco, a aposta. E, independente do resultado, lá na frente, tudo estará modificado. Um outro tempo, uma outra pessoa, um outro lugar. Certeza mesmo, nenhuma.
Certa vez comentei com o Beto que detestava o horário de verão. Ele, com o pragmatismo habitual, perguntou: - E daí?
De bate pronto surgiu uma ligeira irritação, até que ele completou: – O fato de você não gostar não muda nada. De agora até fevereiro será assim. Não há nada a ser feito. Quando não há nada a ser feito, está tudo arranjado.
Comecei a rever os episódios de Sex and the city. Mais que um modismo, os conflitos de Carrie, Miranda, Samanta e Charlote são absolutamente humanos. De soltar um pum perto do futuro grande amor da vida de Carrie, ao tropeçar numa passarela fashion até ouvir o candidato a senador pedir que ela fizesse xixi em cima dele. Tudo o que compõe a estranheza e mistério que fazem a vida da gente ser interessante e, em alguns momentos, parecer enredo de novela ou filme.
Existe um tempo para dizer eu te amo? Afinal, o que é o amor? Quanto tempo depois que começa uma relação é a hora certa para ir pra cama? Indo pra cama, é preciso fazer tudo? Qual a urgência e necessidade de sexo para você? Com que pessoas dividir alegrias e tristezas? Para quem contar a promoção que acaba de ganhar? E aquele seu súbito interesse de mudar de vida, de cidade, de país? Com quem dividir?
Se você achou resposta exata para cada uma dessas perguntas, tenho muito a lamentar. Se não há mistério, o que nos mobiliza, afinal? Viver é esse jogar-se do precipício sem rede de segurança. Como enterrar um defunto sem velar o corpo por algumas horas?
Numa entrevista com a psicóloga Rosely Sayão, ela disse que os pais hoje procuram vacina contra os desafios propostos pelos filhos. E que a paciência há muito deixou de ser uma virtude.
Ter a paciência como virtude, acredito, é render-se à força do tempo. Admitir que o passado é mera referência para dar ligeira sustentação ao que há por vir. Absolutamente nada além disso.
Hoje saí para fazer um lanche com o Tomás. Num momento da conversa, perguntei-lhe o que lhe dava segurança. A resposta foi de uma obviedade lancinante: não encanar com algo que eu também não faria.
Não é simples? Julgamos os outros a partir de nossas atitudes, de nossas vivências, de nossas projeções. Se sou capaz de matar, julgo que os demais podem fazer o mesmo. E aí inicia o ciclo interminável de possibilidades, principalmente de dúvidas e infelicidade.
Gosto quando a minha analista pergunta: agora que você descobriu isso, o que vai fazer? Se você já entendeu que é assim, por que o sofrimento? É bom ter consciência dos próprios atos.
Numa das vezes que fui traído, ato contínuo após descobrir o jeito como tudo acontecera, liguei ao médico da alma.
- O que você quer fazer neste momento?
- Matar. Simplesmente matar.
- Matando, vai se sentir melhor?
- Muito, muito melhor. É muita sacanagem...
- Ao matar, você deixará de ter um problema.
- Sim, com certeza.
- Não... você terá dois problemas: não deixará de ser corno e ainda poderá ir pra cadeia.
- humpf!!!!!!!!
- E se você pensar que esta traição te liberta?
- Como assim?
- O que aconteceu? Vocês tinham um compromisso de não ficar com outras pessoas. Ao ser traído, você está livre do compromisso.
- Mas isso não tira a raiva que estou sentindo.
- Não estou falando em tirar nada. Estou falando em você se dar a liberdade que até este rompimento você não tinha. O resto é com você.
Quando eu for presidente do Brasil, além de permitir que homens usem camisetas regatas só nas academias ou na praia, também vou criar o serviço público de psicanálise. O conhecimento nos liberta. Tira as amarras, o medo. Se sei que não vou morrer mesmo, posso me jogar em todos os desafios que se apresentam. Qual é o pior que pode acontecer?
Não dar certo, é verdade. Para saber, entretanto, urge o risco, a aposta. E, independente do resultado, lá na frente, tudo estará modificado. Um outro tempo, uma outra pessoa, um outro lugar. Certeza mesmo, nenhuma.
Wednesday, June 06, 2007
Eu ia escrever sobre um outro tema, mas decidi falar dos meus alunos do quarto ano. Agora, faltando menos de um mês para encerrarem as aulas formais – depois só o Trabalho de Conclusão de Curso – já começa a dar um aperto danado no coração. Cancerianos então... vixe maria...
Nos últimos 18 meses trabalhamos muito juntos. E como em todas as relações, tivemos momentos alegres, outros de absoluto estresse. Sempre questiono minha vocação para esta tarefa, já que, admito, talvez pese a mão em algumas ocasiões.
Agora, é inevitável lembrar da Dona Mafalda, a melhor professora de língua portuguesa e literatura que eu já tive na vida. Ela, inclusive, me deu aulas particulares para eu passar no Banco do Brasil. E de graça. Certo dia, fitou-me os olhos e disse: - faça tudo de modo a não se arrepender de nada. Quando terminar uma missão, olhe pra trás, estufe o peito com orgulho do dever cumprido.
Parece que estava escrito. Retornei de Curitiba para pegar as duas turmas – manhã e noite – primeiro com história do jornalismo, depois com tele e oficina de telejornalismo. Vivemos intensas emoções.
Como educador, para mim é importante ver a evolução de cada um. Gente que começou tímida e hoje está desenvolta, pronta para enfrentar os desafios. Eles serão muitos, todos sabem e reconhecem.
Depois de tantos embates, o que restará de nossa história? De minha parte, os afetos que trocamos. Principalmente com aqueles que confiaram em mim, dividiram angústias, dúvidas, desesperanças. Creio que não foi em vão. São esses os momentos que fazem toda a diferença. Cada um sabe exatamente do que estou falando.
Quanto aos alunos, espero que daqui pra frente eles se lembrem de todas as nossas trapalhadas com carinho, dêem aquela boa gargalhada e, passe o tempo que passar, haja o que houver, viva o que se viver, saibam que no fundo, lá no fundo, eu sempre quis o melhor para todos.
Gislaine, Eliane e Andressa Amaral... Perdão, mais uma vez.
Dona Mafalda sentiria orgulho de mim neste momento. Fiz o melhor que pude.
Nos últimos 18 meses trabalhamos muito juntos. E como em todas as relações, tivemos momentos alegres, outros de absoluto estresse. Sempre questiono minha vocação para esta tarefa, já que, admito, talvez pese a mão em algumas ocasiões.
Agora, é inevitável lembrar da Dona Mafalda, a melhor professora de língua portuguesa e literatura que eu já tive na vida. Ela, inclusive, me deu aulas particulares para eu passar no Banco do Brasil. E de graça. Certo dia, fitou-me os olhos e disse: - faça tudo de modo a não se arrepender de nada. Quando terminar uma missão, olhe pra trás, estufe o peito com orgulho do dever cumprido.
Parece que estava escrito. Retornei de Curitiba para pegar as duas turmas – manhã e noite – primeiro com história do jornalismo, depois com tele e oficina de telejornalismo. Vivemos intensas emoções.
Como educador, para mim é importante ver a evolução de cada um. Gente que começou tímida e hoje está desenvolta, pronta para enfrentar os desafios. Eles serão muitos, todos sabem e reconhecem.
Depois de tantos embates, o que restará de nossa história? De minha parte, os afetos que trocamos. Principalmente com aqueles que confiaram em mim, dividiram angústias, dúvidas, desesperanças. Creio que não foi em vão. São esses os momentos que fazem toda a diferença. Cada um sabe exatamente do que estou falando.
Quanto aos alunos, espero que daqui pra frente eles se lembrem de todas as nossas trapalhadas com carinho, dêem aquela boa gargalhada e, passe o tempo que passar, haja o que houver, viva o que se viver, saibam que no fundo, lá no fundo, eu sempre quis o melhor para todos.
Gislaine, Eliane e Andressa Amaral... Perdão, mais uma vez.
Dona Mafalda sentiria orgulho de mim neste momento. Fiz o melhor que pude.
Friday, June 01, 2007
Hoje um texto meu de 2003 está no Almanaque Tipos. Há exatos quatro anos eu estreava este blogue. O Beto bem lembrou que ele (o blogue) “nasceu” na casa dele. Em 2003 eu morei parte do ano em Curitiba. Fui para um projeto que acabou não dando certo, acabei retornando e muita coisa boa rolou desde então.
Na estréia, usei uma música dos Smiths. A canção falava de um sonho na noite anterior, sobre alguém que amava o autor da música. O vento da mudança está soprando de novo. O famoso inferno astral de 2007 parece que será diferente.
Isso não significa menos dolorido, já que mudanças envolvem escolhas e todas elas, invariavelmente, trazem junto algum tipo de dor. Cancerianos de modo geral, eu especificamente, são muito apegados. Principalmente às pessoas. Se no convívio direto isso é uma dádiva, na separação parece uma lâmina sendo enfiada no peito.
Esta noite sonhei com a paixão. Ela me envolvia de todas as formas. Quase como um sonho no próprio sonho. A paixão concreta ilumina meu dia. Enche meu coração de esperança. E como tenho certeza de que existe uma vida inteira pra ser vivida, sinto medo, mas olho para frente.
E nestes quatro anos de tipos, registro aqui a música mais esperançosa que eu conheço. Acredite... quando a gente menos espera, tudo muda. Nem sempre é ruim. E mais... a ajuda sempre vem de onde a gente menos imagina.
Eu estou feliz. Com medo, mas feliz.
Como uma onda, de Lulu Santos e Nelson Motta
Nada do que foi será,
De novo, do jeito que já foi um dia.
Tudo passa, tudo sempre passará.
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito.
Tudo que se vê não é,
Igual ao que a gente viu há um segundo.
Tudo muda, o tempo todo no mundo.
Não adianta fugir,
Nem mentir pra si mesmo.
Agora, há tanta vida lá fora.
Aqui dentro, sempre...
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar