O lance é que alguns poetas sabe explicar melhor os sentimentos. O Manuel Bandeira fez a poesia abaixo, que acho bem apropriada para esta manhã, quase tarde de outono.
A vida assim nos afeiçoa
Se fosse dor tudo na vida,
Seria a morte o grande bem.
Libertadora apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - “Vem”
“quer para a bem-aventurança
“leves de um mundo espiritual
“ aminha essência, onde a esperança
“pôs o seu hálito vital;
“quer, no mistério que te esconde,
“Tu sejas, tão-somente, o fim:
“ – Olvido impertubável, onde
“Não restará nada de mim!”
Mas horas há que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.
Ao nosso ouvido, embaladora,
A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.
E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper
Tudo que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.
A vida assim nos afeiçoa,
Prende. Antes fosse toda fel!
Que ao se mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel...
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