página inicial do tipos

Receba por e-mail os posts de TÊMPERA, o blog do João Bernardo: RSS - Assine os feeds deste blog

Skip to main content.

Archives

This is the archive for May 2007

Sunday, May 27, 2007

Além de Ata-me, música latina e outros ritmos – cuja próxima edição é quinta-feira – EXCEPCIONALMENTE – dia 31 – estou em fase de produção de uma nova discotecagem: Ramona.

A minha idéia é recuperar alguns hits dos anos 80, valorizando muito o que foi tocado nas novelas. Sim... a dramaturgia se apropria tanto de Tom Jobim – Luisa, tema de abertura de Brilhante –, Agepê – Deixa eu te amar, Guerra dos Sexos -, Zizi Possi – Perigo, do remake de Selva de Pedra -, entre muitas outras canções bem engraçadas.

Eu me diverti muito nos anos 80. Vi a primeira apresentação do Barão Vermelho no Fantástico, aguardei ansiosamente o clipe de Triller, do Michael Jackson, também na revista eletrônica dominical, presenteei a minha então namorada, Giseli, com um poster do Mennudo, briguei muito com a Adenir, por sua (dela) “loucura” pelo Robby Rosa, imitei o Paulo Ricardo e seu olhar 43, numa gincana do Colégio Souza Naves – claro que ganhamos a competição e a gincana – e cantei repetidas vezes que você não soube me amar, como se fosse a última canção do universo. Também assisti a apresentação ao vivo d’A Turma do Balão Mágico no Moringão, me esfalfei na exposição nos shows do RPM e da Blitz e sempre achei que Ritchie escrevera para sempre o nome da história da música brasileira por causa do abajur cor de carne.

Bom... nos anos 80, a Lalda e o Elizeu, meus irmãos, se casaram. Não entre si, cara pálida. A lembrança é só por causa da minha sobrinha, a Laíza. Eu fui com minha irmã e o então meu cunhado, Jair, até Cascavel para o ultrassom. Quando soubemos que seria menina, eu vaticinei: tem que se chamar Nathália ou Marília.

Tudo isso por conta da novela Transas e Caretas. A Nathália do Valle era a protagonista, Marília, tinha corte de cabelo chanel dos mais elegantes. Na trama, ela era disputada pelo hiper mega moderno José Wilker, que tinha um robô numa casa futurista – e pelo Reginaldo Faria – um cara que vivia no passado, tocava harpa e tinha uma “escrava” – Zezé Motta – para abaná-lo. Era a “discussão” entre o contemporâneo e o arcaico.

Uma sobrinha tão desejada tinha que ter o nome da atriz ou da personagem mais linda daquele momento. O fato concreto foi que a minha irmã acolheu parte da minha sugestão. Foi assim então que nasceu, tempos depois, a Laíza Nathália, hoje estudante de odontologia em Ponta Grossa e sobrinha queridíssima.

E eu escrevi tudo isso para dizer que a felicidade pode ser essa estrela cantada na música de abertura da novela, cuja letra você pode conferir abaixo. Lembra do Trio Los Angeles? Pois eles bombavam naquela época e se você tiver boa memória e boa vontade, ouvirá estes e outros hits bem legais na festa Ramona. (anote na agenda: estréia dia 26 de julho, 22h30, Bar Valentino)

Se naquela época, a novela chamava atenção por tantas modernidades – a abertura simulava um jogo de vídeogame, dos mais simples – hoje, ainda bem que podemos olhar para o passado e rever tudo aquilo com saudade. Viva o youtube.

Este post também serve para dizer que eu estou bem feliz, acreditando no título deste post, com a mesma esperança daqueles anos 80, que minha coleção de figurinhas do Homem Aranha 3 está quase completa (tenho várias repetidas para trocar) e que a única coisa que eu lamento de verdade nessa história toda foi ter ficado careca.

PS: CLIQUE EM TRANSAS E CARETAS ALI ABAIXO, LIGUE O SOM E SEJA BEM FELIZ. DEPOIS CLIQUE EM TRIO LOS ANGELES. A VIDA É UMA FESTA!

Transas e Caretas, com o Trio Los Angeles - autor da letra; desconhecido

Sha-la-la, sha-la-la
Sha-la-la, sha-la-la

Põe o pé na lua
E descubra que o futuro está perto
Siga o seu robô, tome cuidado
Como vai programar

Entre nessa nave, aperte o cinto
A sorte vai ser lançada
A felicidade é uma estrela
E você tem que alcançar

Quando a magia do amor
Invade o espaço ao seu redor
É como um raio a disparar
Num alvo fácil de acertar

Quem quiser brincar
pode se queimar
é sempre assim
até o fim
e nunca vai mudar

Chega de sonhar
O game é pra valer
Quem vai ganhar, quem vai perder
O tempo vai mostrar

Sha-la-la, sha-la-la
Sha-la-la, sha-la-la

Wednesday, May 23, 2007


Sabe, pai, talvez eu devesse lhe desejar a paz de Deus, como de hábito. Mas fiquei pensando e cheguei à conclusão de que embora importante, não é fundamental. Ao menos neste momento.

Se o senhor ainda estivesse aqui, eu teria arrumado tempo na agenda e ido pra Rolândia almoçarmos juntos. Levaria algum presente e, como sempre, o senhor diria que não era preciso, que já tinha o suficiente até a morte chegar.

A morte chegou, levou o senhor para um lugar distante, embora eu saiba, sinta e reconheça a sua presença quase física junto a mim. Muita coisa mudou depois que o senhor se foi. Estou com menos cabelos, morei em Curitiba parte deste tempo, a mãe ficou bem doente. Tanto que chegamos a pensar que fosse a hora dela te encontrar.

A nossa casa também não existe mais. Pai, a gente vendeu a chácara para a prefeitura, com o compromisso de que lá seria construída uma escola. O seo Eurides Moura prometeu uma placa em sua homenagem. Até agora nada, só o vazio e o mato que cresce sem parar. Naqueles cômodos onde tantas histórias vivemos, habita uma nova família, que nunca ouvi falar.

A mãe se mudou. Mora longe, com a Lalda, lá em Palotina. Ela tomou esta decisão por medo. Houve uma briga de rua, numa madrugada de agosto do ano passado. Dois homens tentando se matar e encerrando a briga lá dentro do quintal, imagina?

Como nada é por acaso, eu, o Zeu e a Lalda, mais os seus netos e a Raquel ajudamos na mudança. Veio tanta gente, o senhor não acreditaria. Mal conseguíamos carregar os móveis. Ali, naquela casa onde todos os seus filhos construíram a própria trajetória, há muito a ser contado. A gente conseguiu tirar quase tudo. A mãe distribuiu parte das coisas entre nós. Fiquei com aquelas taças que o senhor achava bonitas. Também estou com a minha manta de quando era bebê. Trouxe ainda o último brinquedo que o senhor me comprou, o cineminha do Mickey.

Nós vivemos momentos de muita tristeza e dor. Esta separação não foi nada fácil. Desentendimentos provocaram feridas difíceis de serem cicatrizadas. Mágoas escondidas se revelaram. O incompreensível é uma verdade constante agora.

Por incrível que pareça, pai, eu não estou só. O Elizeu me acolheu como a um filho. Cuida de mim, está presente. Tem dias que as coisas estão complicadas. Mas eu estou levando. Agora ele é mais gentil, paciente. A vida é sempre esta descoberta, não é mesmo?

Lembra do Lula, né? Fez muito pouco, pai. Era só falatório. Este mundo aqui está mais quente, embora as pessoas pareçam cada vez mais frias e distantes. Sabia que agora é moda todo mundo querer alguém? Nada igual ao senhor e a mãe, cinqüenta anos juntos, superando diferenças, mágoas, obstáculos, mas tentando, ao seu modo, viverem juntos. Por vocês, por nós.

Pai, eu sinto tanto a sua falta. Ela só não é maior porque estou certo de termos vivido aquilo que conveio ao nosso tempo nesta caminhada. Aquele carro que eu comprei com a sua aprovação, já foi vendido. Sou capaz de descrever minuciosamente os últimos instantes em que o senhor falou comigo ainda vivo. A camisa que lhe dei, acabei trocando e ficando para eu usar. Não ria, mas quando eu a uso, parece que fico mais perto de ti.

Tempos atrás eu estava muito, muito, muito triste. Lembrei daquela tarde em que o senhor chegou em casa angustiado, chorou como criança, pediu perdão por algo que até hoje não sei o que era, nem preciso mais saber. Quando me deitei, sonhei com o senhor. Na verdade, acredito que foi mais do que isso.

O senhor esteve no meu quarto? Me acordou e me abraçou bem forte? Depois permitiu que eu chorasse profundamente, sem medo, sem receio? Eu acredito que o senhor veio me socorrer. Muito obrigado, de coração eu estava precisando. O senhor salvou o dia, a semana. Fez até eu acreditar que tudo passaria.

E não é que passou? Hoje, pai, no seu aniversário, eu gostaria de lhe encontrar e dizer que eu estou bem. Hoje eu estou feliz, apaixonado e sereno. Hoje meu coração está cheio de esperança. Estou acreditando que existe futuro, que é possível a gente se regozijar com esta vida que nos foi oferecida.

Sabe pai, você morreu não entendendo o que era aquele tal de mestrado que ia fazer em São Paulo. É um título para quem pretende seguir carreira acadêmica, fazer pesquisa, lecionar. Pai, posso lhe garantir algo: eu realmente aprendi muita coisa importante. Hoje mesmo, estive falando com algumas autoridades de bastante destaque. Mas lembrando do senhor, tudo parece pouco.

Suas mãos calejadas, sua disposição para o trabalho e, principalmente, a sua defesa para que fôssemos gente de bem, foram o meu maior aprendizado. O senhor, que mal escrevia o nome me ensinou muito mais.

E é por isso, que lhe sou muito, muito grato. O melhor de mim, eu herdei do senhor.

Haja o que houver, esteja onde estiver, pai, eu amo muito o senhor. E espero que o seu aniversário seja muito, muito feliz.

Tuesday, May 22, 2007

O lance é que alguns poetas sabe explicar melhor os sentimentos. O Manuel Bandeira fez a poesia abaixo, que acho bem apropriada para esta manhã, quase tarde de outono.

A vida assim nos afeiçoa

Se fosse dor tudo na vida,
Seria a morte o grande bem.
Libertadora apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - “Vem”

“quer para a bem-aventurança
“leves de um mundo espiritual
“ aminha essência, onde a esperança
“pôs o seu hálito vital;

“quer, no mistério que te esconde,
“Tu sejas, tão-somente, o fim:
“ – Olvido impertubável, onde
“Não restará nada de mim!”

Mas horas há que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.

Ao nosso ouvido, embaladora,
A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.

E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper
Tudo que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.

A vida assim nos afeiçoa,
Prende. Antes fosse toda fel!
Que ao se mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel...

Thursday, May 17, 2007


Ainda é muito presente na minha memória, a primeira vez que ouvi a poderosa e doce voz de Marisa Monte. Bem que se quis foi tema da novela O Salvador da Pátria. Confesso até que durante muitos anos, confundia a letra da música. Sempre imaginei que ela cantava “...que eu quero sentir o seu corpo peludo...” ao invés de “...que eu quero sentir o seu corpo PESANDO sob o meu...”

De lá pra cá, comprei todos os cd’s, ouvi todas as músicas, li todas as entrevistas possíveis. Sou fã de carteirinha. Isso também me fez aproveitar todas as oportunidades de vê-la ao vivo em cores. Foram cinco shows: três em Londrina, dois em Curitiba.

O melhor de todos esses eventos sempre foram as companhias. Além da própria Marisa Monte (quanta pretensão), sempre vi as apresentações da Diva em excelente companhia.

Ano passado, por exemplo, fui pra Curitiba para ver a estréia deste Universo Particular em companhia do Beto. Um ano depois, ela cá esteve e de novo fui apreciar o mais melancólico e triste, porém, não menos bonito show de MM. Novamente em excelente companhia. As canções calaram fundo, verteram lágrimas e me deixaram imensamente feliz. Posso arriscar a dizer que deu aquela boa sensação de comer um biscoito fino.

Ps: a digital não é das melhores, mas captou alguns bons momentos.

... no rastro do seu caminhar, no ar onde você passar... o seu perfume inebriante, pendura num instante a rua inteira a levitar....


Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava... no caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia...


...lá o tempo espera, lá é primavera... portas e janelas ficam sempre abertas para a sorte entrar.. em todas as mesas pão, flores enfeitando os caminhos, os destinos, os vestidos e esta canção....


...minha água é potável, daqui você pode beber... eis o melhor e o pior de mim...

Tuesday, May 15, 2007

O texto abaixo bate muito com o que penso. Ele é da Danuza Leão, e foi publicado ontem na Folha de S. Paulo, caderno Cotidiano, página C-@

Só elas, por Danuza Leão

--------------------------------------------------------------------------------
Não contar a ninguém, a não ser a sua mãe, pois só ela vai ficar feliz com seus sucessos.
É por isso que mãe é mãe
--------------------------------------------------------------------------------

MUITAS VEZES se está numa reunião e ela não anima; a bebida rola, a comida é maravilhosa, a música perfeita, as pessoas certas, mas a química não funciona e fica todo mundo olhando o relógio com ar de quem tem que acordar cedo no dia seguinte.
Mas existe uma solução -a única, aliás- para salvar uma festa: eleger alguém ausente e começar a falar de sua vida; mal, naturalmente. Quanto mais bonita for a pessoa em questão, quanto mais sucesso fizer, quanto mais rica for, melhor. É indescritível o interesse que esse assunto desperta: saber que o outro -aquele que todos sempre invejaram- está na pior traz um prazer que só um analista poderia explicar.
Se perdeu o jatinho, a ilha e o apartamento em Nova York, isso já rende uma hora e meia de assunto, e sempre haverá alguém para contar algum detalhe tenebroso que até aquele momento ninguém sabia.
Nessas horas vale aumentar, inventar, dizer que soube de fonte limpíssima que até a faxineira entrou na Justiça do Trabalho, pois há meses não recebia o salário -e, a partir daí, o nível só faz baixar.
A humanidade adora saber que o outro está passando por uma fase difícil, de suas intimidades, doenças, infelicidades. A popularidade dos atores vai lá para cima quando um deles é preso por porte de drogas, até porque isso faz aumentar a venda das revistas especializadas. Como faz bem saber que os ricos e famosos são gente como todo mundo.
Como sempre pode acontecer alguma coisa de ruim, é bom ir logo pensando em como se comportar.
Para ter a simpatia das pessoas, nunca diga que tudo está bem, queixe-se de tudo; passe a se vestir mal, emagreça -se engordar, melhor ainda- de tanto sofrer, fique feia, envelheça e torne-se -ou pelo menos dê essa impressão- uma pessoa amarga, infeliz e derrotada pela vida.
E seja muito humilde; diga que se as coisas estão como estão é porque foi a vontade de Deus; mostre-se resignada e lembre-se de dizer que existem pessoas em situação muito pior que a sua, que não têm nem uma casa para morar.
Quanto mais infeliz você se mostrar, melhor, pois poucos suportam as pessoas fortes, que seguram o tranco quando ele chega; para alguns, gente assim é quase uma afronta. Ah, você acha que estou exagerando? Pois tente contar sobre aquela sua amiga que morava num conjugado e que está fazendo sucesso na Itália como modelo, com milionários morrendo de paixão por ela; o mínimo que vão dizer é que é tudo mentira, que foi ela quem mandou espalhar.
A humanidade, já viu. Então aprenda: se estiver com a vida que pediu a Deus -bonita, feliz nos amores, bem de dinheiro-, não conte a ninguém, pois essas são coisas difíceis de perdoar. E fuja das festas, dos fotógrafos, do sucesso, da notoriedade; viva intensamente seus momentos de felicidade sem que ninguém saiba, até porque ela não costuma ser eterna.
Mas, para isso, é preciso se trancar e não contar a ninguém, a não ser a sua mãe, pois só ela vai ficar feliz com seus sucessos.
A ela, e só a ela, dá para falar até do dinheiro que conseguiu juntar, onde ele foi investido, e o total de suas aplicações.
É por isso que mãe é mãe, mas os filhos reclamam, e com razão: a gente bem que podia telefonar menos, não?


Friday, May 11, 2007

Fácil entender por que todo mundo deseja ter um amor pra chamar de seu.

O amor nos faz ver o dia de outro jeito, o amor alarga nosso coração.
O amor fortalece, o amor cria esperança.
O amor nos envaidece, o amor nos torna especiais, ungidos, únicos.
O amor nos tira o chão, nos oferece o céu, acena com o infinito.
O amor ajuda a achar graça de tudo, faz a gente rir dos detalhes.
O amor reconhece o outro.
O amor oferece leite desnatado.
O amor faz a gente cantar, deixa a gente perceber o toque do vento, ajuda a escolher uma roupa bonita.
O amor aquece os nossos pés nos dias frios.
O amor nos eleva a ponto de voar.
O amor dá vontade de mergulhar no silêncio do oceano.
O amor nos aproxima do infinito.
O amor nos torna imortais.
Por isso é tão bom, tão necessário, tão procurado.

O amor faz a gente perceber que existem cores no Igapó

Thursday, May 10, 2007

Ainda fico feliz de sempre me surpreender com a reação das pessoas. Dias atrás, o falatório geral era lamentar o excesso de calor, os termômetros batendo nos 37, 38 graus e isso às margens do Lago Igapó.

Londrina tem dias que parece uma sauna a céu aberto. É um tal de sair do banheiro já suando, caminhar na garagem e já molhar a camisa e por aí vai. Pois não é que o clima mudou de ontem pra hoje. E parece que o céu viria terra abaixo por causa da temperatura.

Ontem quando cheguei à Universidade, encontrei um aluno com um sobretudo até os pés.
– Cara, que frio é esse? Está fazendo só 15 graus.
Dentro da sala de aula, 90% dos alunos reclamando. Nas ruas, as pessoas tomando sol. Na fila do banco, reclamação. No banco, reclamação. No restaurante, reclamação.

Filhos de Deus... Londrina tem apenas três dias de frio em todo o ano. A mínima hoje ficou em torno de nove graus. Amanhã já estará em 19. Tratem de arrumar um cobertor de orelha, estourar pipoca, fazer leite queimado e sejam felizes.

E se não gostam do frio... ah, vão encher uma laje, capinar uma data, colher jacas no pé, limpar um fogão encardido, lavar banheiro público. Ninguém se contenta com nada. Francamente!

A praça é bela, faça frio ou faça calor. Não é melhor aproveitá-la?

Monday, May 07, 2007

Era inverno em Curitiba, eu e o Beto assistíamos Mulheres Apaixonadas, quando o Theo (Tony Ramos) levava um pé na bunda da Helena (Christiane Torloni). O texto, de Manoel Carlos, não me sai da memória. Theo falava da dor da separação com uma explicação bem óbvia: quando uma relação começa é bonito porque os dois querem. E geralmente, na separação, apenas um quer. A balança fica fora de prumo. E por isso dói.

Neste fim de semana, Ana Luísa (Renée de Vielmond) descobriu a infidelidade de Antenor (Tony Ramos), em Paraíso Tropical. As cenas de Antenor contando o ocorrido para Daniel (Fábio Assunção) e o “acerto de contas” com Ana Luísa foram impagáveis. Texto e interpretação na medida. – Na verdade você nunca me amou, porque nunca me respeitou. Eu fui conveniente pra você, que precisava de uma mulher como eu para sua (a dele) carreira de empresário. Como pude ser tão idiota?

Anos atrás, a Raquel Rodrigues produziu um Paraná Repórter sobre o casamento. A Phoenix (produtora) encontrou um casal de velhinhos que morava em Ibiporã e estava casado há mais de 60 anos. Gente muito simples. Na entrevista bruta, o homem disse assim: Filha, o amor existe aqui (apontando a cabeça) e não aqui (apontando o coração). Aqui (na cabeça) vem a calma. Já aqui (no coração), paixão, pressa, sofreguidão. Eu não posso mais viver sem ela. Mas sem falatório, sem correria. O amor acalma.

No Banco do Brasil, tomava café com uma colega e perguntei-lhe se ela era feliz. De bate pronto ela respondeu que sim. E o casamento? – Ótimo, respondeu enfática. Você é apaixonada? – Nunca fui. Por isso deu certo. A paixão só machuca a gente. Nunca fui apaixonada por ele, mas também nunca amei alguém como ele.

O que essas quatro histórias têm em comum? Arrisco a dizer que uma visão madura do que é o amor. O tempo vai passando, estou próximo dos 37, e cada vez tenho mais certeza de que a paixonite só faz estragos. Vários dos meus amigos, eu inclusive, já ouviram essas “explicações” ao término de uma pretensa relação: não ouvi os sinos tocarem, as estrelas não brilharam diferente, não sinto frio na barriga, você é a pessoa certa na hora errada, não é o momento, eu tenho medo.

Cerca de dois meses atrás, ouvi ao telefone: - eu amo você. Eu ri. E a razão foi simples: como se ama alguém que se conhece apenas por uma trepada (muito boa, registre-se)? Meus relacionamentos anteriores me ensinaram que é preciso querer que dê certo, que é preciso disposição para enfrentar as inseguranças e, principalmente, as diferenças.

Não se ama o desconhecido. Ama-se o ronronar na hora de dormir, ama-se o experimentar a comida do outro, ama-se ao discutir o preço de produtos no supermercado, ama-se na percepção das impotências, ama-se na disposição de enfrentar juntos as dificuldades, ama-se no mau humor do acordar, ama-se na irritação no trânsito, ama-se na surpresa no meio da tarde, ama-se naquele bilhete de surpresa, ama-se ao não deixar os corações de metal irem para o ralo.

Eu imagino que sinos, estrelas e frio na barriga não passam de conversa mole. Desculpas para adiar a possibilidade do real. E se de repente der certo? E se de repente eu for feliz? E se de repente for amor de verdade? Daí não haverá mais nada a lamentar? Não haverá posts a serem escritos? Não haverá amanhã? Duvido. Somos paradoxais por essência. Queremos, mas negamos. Sonhamos, mas receamos. Fugimos quando queríamos ficar. Temos medo de abrir a porta. Duvidamos que podemos ser felizes.

Minha analista, certa vez me presenteou com o livro “A história de Fernão Capelo Gaivota”. O texto, excelente. Melhor foi a dedicatória. Chama-se “Divisa”, escrita por um tal de Moreno. Diz o seguinte:

“Mais importante do que a ciência é o seu resultado.
Uma resposta provoca uma centena de perguntas.
Mais importante do que a poesia é o seu resultado.
Um poema invoca uma centena de atos heróicos.
Mais importante do que o reconhecimento é o seu resultado.
O resultado é dor e culpa.
Mais importante que a procriação é a criança.
Mais importante que a evolução da criação,
É a evolução do criador.
Em lugar de passos imperativos, o imperador.
Em lugar de passos criativos, o criador.
Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus.
E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus;
Então, ver-te-ei com os teus olhos.
E tu ver-me-ás com os meus.
Assim, até a coisa comum serve o silêncio.
E nosso encontro permanece na meta, sem cadeias.
O lugar indeterminado, num tempo indeterminado, a palavra indeterminada para o homem indeterminado.”


A retina dos olhos força a observar o tempo de outra forma. Que droga esta nossa incansável mania de adiar tudo para o amanhã. Enquanto esperamos o sino tocar, perdemos a composição musical. Se esperamos pelas estrelas, esquecemos o sol, a lua, o dia, a noite. Se desejamos o frio na barriga, abandonamos o aconchego do abraço. Enfim, perdemos.

Talvez devêssemos ter apenas um pouco mais de urgência de viver. Sofrer será inevitável mesmo, portanto, é o aqui e o agora o que importa. Até para, lá na frente, poder olhar pra trás e dizer: eu vivi. Arrepender-se do que fez, nunca pelo que deixou passar. A dor é inerente. O abandono não.

Friday, May 04, 2007


Hoje desejei que o tempo parasse e eu pudesse descer em Fernando de Noronha, mergulhar naquele mar azul e esquecer que existe uma vida inteira pra ser vivida. Tudo parece errático, exceto a novidade de agora eu ter um dvd recorder, adquirido pela metade do preço numa promoção da Americanas ponto com.

Mas eis que agora à tarde, algo mexeu com este coração gelatinoso. Lendo o JL, uma notícia me chamou a atenção duplamente: um garoto de oito anos abusa sexualmente da irmã, de sete. Honestamente, não consigo entender o exato significado de abuso sexual. Já me esforcei, porém...

O que me causou estranhamento foi o lugar onde se deu tal fato: Braganey. Não sei se você sabe, mas este João Bernardo aqui, nasceu Edenilson de Almeida e num lugar onde o Judas perdeu a segunda meia: Longuinópolis.

Pois bem. Sucede que nos idos dos anos 70, Longuinópolis era um patrimônio de Braganey, então distrito de Corbélia, lá perto de Cascavel. Braganey era uma homenagem ao então governador, Ney Braga. Sacaram a inversão?

Bom... Longuinópolis só serviu mesmo para eu fazer o meu mapa astral e descobrir que por conta da latitude, longitude, meridianos e afins, eu sou de câncer, com ascendente em peixes. Hoje sempre duvido se isso é uma boa coisa, mas...

Talvez nunca mais nesta encarnação eu volte a Braganey, Longuinópolis. Saímos de lá, eu tinha seis meses, quando meu pai veio embora para Londrina, à espera da morte, já que ele fora vitimado por um câncer num dos rins. Em meados de 1971, fez-se a cirurgia, ele retirou o órgão comprometido, felizmente não houve metástase e o seo João venceu a doença.

Felizmente o meu pai viveu por mais 30 anos com apenas um rim. Ele teve momentos de felicidade, de raiva e desespero. Certo dia, do nada, ele teve uma crise de choro, era medo de morrer e deixar algo para trás. Não morreu também naquela hora. Foi morrer no dia da comemoração do meu mestrado, não sem antes preparar tudo para mim, como sempre fizera desde que ficamos só os três – eu, ele e minha mãe – em casa.

Dias atrás sonhei com ele. Foi um daqueles sonhos arrebatadores, verdadeiro. Eu não estava bem, passava por algumas angústias. Ele surgiu, não disse uma palavra como de hábito. Apenas me abraçou e permitiu que eu chorasse. Ficamos muitos tempo assim até que ele também começou a chorar. De repente ele se foi, eu acordei melhor.

Hoje me deu vontade de reviver aquele ritual dos tempos da Faculdade... Meu pai me acordava, eu ia tomar banho. Enquanto isso, ele preparava o meu café. Depois, enquanto eu tomava o café, ele tirava o carro da garagem, jogava uma “aguinha” para tirar o pó, ligava o motor para esquentar. “Carro à álcool é uma droga”, resmungava. Tudo para que eu pudesse dormir um pouco mais, já que tinha uma rotina puxada. Ao sair, sempre a mesma frase... vai com Deus, cuidado na estrada.

É seo João... hoje eu desejei estar em Longuinópolis e recomeçar toda esta trajetória. E nesta história, apesar dos percalços, gostaria de apagar aquele oito de setembro mais dolorido de toda a minha vida. E, quem sabe, tê-lo por perto e ouvi-lo repetir todos os dias... vai com Deus, cuidado na estrada.