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This is the archive for April 2007

Monday, April 30, 2007

Parece até piada, mas é incrível como as coisas se repetem. O Adilson, por exemplo, é um defensor de que a experiência não vale para absolutamente nada. De que adianta o sofrimento pela morte do pai quando a sua mãe morre? Absolutamente nada. Cada um é cada um, cada momento fala por si e pronto. Ele tem razão.

O mesmo devem pensar os diretores de marketing dos shoppings de Londrina. Todo dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados é o mesmo roteiro, nos dois principais centros de consumo da cidade. Uma família ou um (a) noivo (a) mais afoito procurando por presentes nas mais variadas lojas.

O Boticário resolveu inovar. Já ouviu a propaganda de rádio sobre o dia das mães? Fale a verdade, quando as crianças começam a falar dos cheiros, imediatamente você não começa prestar atenção? Uma idéia simples, que toca qualquer ser que tenha mais que dois neurônios. Isso é sensibilidade.

E o amor? A paixão? Você que já se apaixonou, se entregou e, algum tempo depois, pelas mais variadas razões, chegou à conclusão de que todo esforço fora em vão. Quantas vezes prometeu que da próxima vai ser diferente, que não vai se entregar tão rápido, que não vai pagar pau, não vai dar moral blá, blá, blá???

Daí chega o amor e você é obrigado a recorrer ao João Cabral de Mello Neto para justificar eventuais rompantes, crenças e, quiçá, esperanças. Talvez só ele, o amor, seja capaz de comer o endereço e todos os papéis onde você escrevera o seu nome. Talvez só o amor roube-lhe a identidade, a certidão de espera. Talvez todos aqueles princípios de nunca fechar portas caiam por água abaixo, já que em certos dias, parece que o vento quer derrubar tudo.

Não tem jeito. A vida é um contínuo clichê, com desculpas pelo pleonasmo. O tempo mostra que não adianta brincar, fugir, rebelar-se. Ele vem, te pega de jeito e mostra que sim, é o senhor da razão. E por mais que você tente, só vai se livrar, quando ele o assim o desejar. Enquanto isso, viva e deixe o resto pra depois.

E pense que se de repente o amor da sua vida resolve aparecer bem no meio da sua vida – sim, você também merece – aproveite. A vida é curta, não se esqueça.

Thursday, April 26, 2007


Hoje eu contei para o André uma dessas bobagens que fazem a vida da gente mais engraçada. Era 22 de junho de 1978, data do meu aniversário. Rolândia, então capital do Café, estava em festa. Naquele dia seria inaugurado o Museu Japonês, em homenagem aos 70 anos da imigração japonesa.

A cidade, o Estado, o País completamente em festa. O então presidente Ernesto Geisel, uma grande comitiva e nada menos que o príncipe Akihito e a princesa Michiko, atuais imperador e imperatriz do Japão. Na época eu era aluno da dona Rosa Pretti, a professora mais brava que eu tive até hoje. Estava na segunda série do primário e junto com todos os demais alunos das escolas da cidade, fomos receber as autoridades. Um cordão de alunos em todas as rodovias e ruas por onde eles passariam, todos acenando bandeirolas do Brasil e do Japão. Muito lindo, pena não haver máquina digital naquela época.

Lembro que minha mãe fez eu usar o meu uniforme mais novo, blusa bonita para suportar o frio daquela manhã. O sol deu um show à parte e fez todas as honras à princesa. Eu fui escolhido para segurar a bandeirinha do Japão. De repente, quase num átimo de segundo, eis que surge aquela mulher de sorriso doce, mexendo o braço delicadamente, como fazem as misses ao acenar.

Eu achava que princesa só existia em contos de fada. E mesmo sendo apenas uma entre as milhares de crianças ali, tenho certeza que a Michiko me viu. Ela olhou nos meus olhos, eu sei, eu sei. Roupa típica toda branca, sombrinha que parecia de papel rosa, toda delicada, e aqueles gestos tão meigos.

Fale aí... quantos amigos seus já foram vistos por uma princesa de verdade? Sinceramente, viver é muito bom!

Tuesday, April 24, 2007

A Vanessa da Mata é que está certa: ainda bem que você vive comigo, porque senão, como seria essa vida? Sei lá.

Gosto muito de viver. Mais ainda das pessoas importantes que me cercam, que me mostram que cada dia, mesmo aqueles mais difíceis, vale a pena. Tem horas que lembro daquela novela do Manoel Carlos, Felicidade. No fim de tudo, havia um arco-íris. Ainda bem que era ficção.

Sem contratempos, a vida seria muito chata. E aquilo que a avó da gente sempre dizia, nada como um dia atrás do outro, que não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca acabe, parece até estimulante. Se não fosse assim, talvez a gente nem reconhecesse o que há de bom.

Lembro também da Marina, naquela música em que ela louva a estrada, o caminho, já que o fim, bem, o fim é quase nada. Gosto das manifestações genuínas de afeto. Dessas que acalentam o dia.

Semana passada não fui almoçar com meu irmão, o Almeida. Depois que minha mãe se mudou, ele fez a intimação: a partir de agora, todo domingo você almoça aqui em casa. Eu me senti acolhido. O trabalho me impediu de ir pra Rolândia. Passei-lhe uma mensagem avisando. Ele retornou, me desejando um bom domingo, felicidades.

Fez um bem danado pra minha alma. Mais ou menos como aquele homem pobre, entrevistado na TV Educativa num fim de ano qualquer. Ele tinha um desejo simples: receber bom dia das pessoas. Ser olhado, acolhido, receber uma mensagem positiva a cada amanhecer.

Não parece mais simples viver assim? As três últimas semanas estiverem bem cinza. Mas eu abri a janela, balões coloriram o céu e, desde então, há algo de diferente no ar. Não sei exatamente o que é. Mas estou gostando muito.

Esses são amigos que a gente precisa ter sempre por perto. A foto é do reveillon deste ano, num dia em que estávamos bem felizes


Sunday, April 22, 2007

Nunca apreciei o trabalho de Dercy Gonçalves. Não sou chegado às comédias, principalmente o "estilo" que a atriz realizou ao longo da carreira.

Nos idos dos anos 90 ela esteve em Londrina com uma das peças de humor escrachado típicas da atriz. Numa entrevista na TV Cidade, ela me intimou: - você já leu minha biografia? Constrangido e em respeito à trajetória dela, disse que ainda não, mas o faria assim que possível. Uma mentira sincera nunca cumprida, registre-se.

Na Folha de S. Paulo de hoje, a pretexto dos cem anos que ela comemorará em breve, entrevista de quase três páginas. Dispus-me a ler, à procura de um traço de humanidade que me fizesse olhá-la de um outro jeito. Dercy revela-se solitária, carente e desapegada. Não tem religião, só acredita na natureza, não espera mais nada de ninguém, da vida. Trechos que me pegaram de jeito:

O que a faz rir? Não vi você rindo nenhuma vez. Faz os outros rirem, mas você não ri?
- Eu acho graça em coisas... Meu bisneto (João, 5 anos)... eu acho uma graça louca nele. Ele diz: "Bisa, você não pode morrer porque vai me fazer falta". Isso me faz rir. Como é que esse menino pode pensar numa coisa dessas?

Você vai ao bingo com que frequência?
- Eu vou todos os dias, não tenho de dar mais satisfação a ninguém. Eles me tratam com muito respeito, eu me distraio, as horas passam, matam a minha solidão, matam a minha falta de família, a minha falta de amigo, mata muita coisa meu filho. Prefiro o bingo a tomar uma birita em qualquer lugar.

A solidão assusta mais que a morte?
- É muito pior. A solidão te irrita, te deixa estressado, te dá mágoa. A solidão te mata. É a pior coisa que pode existir para a humanidade. É o abandono dos amigos, da família. Eu vou para a rua, porque na rua eu vejo um desastre e fico olhando, vejo um tiroteio e fico olhando... Eu adoro tudo isso, me distrai.

Algumas atrizes fizeram perguntas à Dercy. Denise Fraga colaborou com esta: "Dercy, para quem você daria o primeiro pedaço de seu bolo de 100 anos?"
- Para a minha filha, a única pessoa na vida a quem não posso esquecer que devo favores, devo obrigações. Ela nasceu da minha barriga, faz parte de mim.

Que favores você deve a ela?
- De ela ser correta, de nunca me envergonhar, de ser uma mulher distinta. E de ela não me amar. Ela não me ama, porque não gosta da minha linguagem. Ela é religiosa (católica praticante), eu não sou, não acredito em porra nenhuma. Para mim todo santo é vereador.

A gravidez dela foi difícil?
- Foi porque eu não queria. Eu dava socos na barriga para tirar. Passei nove meses sem mudar de roupa, aquela roupa fedorenta. Tinha ódio da gravidez, ódio da vida porque não podia trabalhar barriguda, feia.

Enfim... ainda bem que as pessoas não são perfeitas e, por isso mesmo, tão encantadoras na própria imperfeição.

Saturday, April 21, 2007

Este ano fui paraninfo da turma de jornalismo da Unopar. A foto abaixo é com a Bruna Lente.

Fale bem a verdade... ficou ou não uma beleza????

Nevava em Londrina, acredita?

Friday, April 20, 2007

Com este lance de montar mais uma discotecagem temática, estou fuçando o baú da internet e reencontrando boas lembranças. Hoje passei o dia corrigindo trabalhos e provas, ouvindo Nikka Costa, cantando “On my own”. Acho que eram os idos de 1982 quando a garota de pouco mais de 10 anos, surgiu com cabelos encaracolados, olhos azuis faiscantes, jeito de anjo e cantando com a força da alma. Muitos casais se apaixonaram com esta música.

Eu fui muito feliz vendo-a no Fantástico. Mas hoje, não sei a razão, senti um aperto ao ouvir aqueles versos... “...When I'm down and feelin' blue… I close my eyes so I can be with you… Oh baby, be strong for me, Baby, belong to me… Help me through, help me need you.”

É que naquela época tudo parecia tão bonito. Na verdade, a letra é bem triste, de um coração abandonado, solitário. Talvez seja algo da memória afetiva, de um tempo em que eu sonhava me casar com a Rosângela Cristina de Freitas. De um aniversário que não permiti que cantassem parabéns enquanto ela não chegou. Do frio na barriga ao receber o caderno de perguntas daquela menina de faces rosadas, sorriso encantador e gênio forte.

Nas minhas divagações eu namorei com ela de verdade. Casamos, tivemos uma linda lua de mel, depois brigamos, fizemos as pazes, nos amamos até termos dois filhos. Tempo depois ela se mudou de Rolândia e eu nunca mais a vi.

Recordo ainda que depois da Rosângela Cristina de Freitas, eu me apaixonei pela Rosângela Mologni, a sardenta mais linda do colégio. Também nunca mais a vi. Teve ainda uma outra Rosângela, cujo sobrenome não lembro, na oitava série, também de olhos azuis faiscantes, lábios carnudos e jeito de princesa.

Foi um tempo em que a máxima preocupação era conseguir ver a Blitz, cantando na Exposição Agropecuária. E que hoje, ouvindo Nikka Costa, encheu meu coração de alegria. Dessas alegrias bem bestas, que fazem a vida da gente valer a pena.

Tuesday, April 17, 2007

- atirador mata mais de 30 nos EUA;
- Nair Bello morre depoios de cinco meses em coma;
- Dupla Sandy e Júnior se separa após 17 anos.

Ainda bem que o luto não é só meu.

Saturday, April 14, 2007

Não era só o dia que estava cinza. Além de dores psicossomáticas, o coração estava do tamanho de uma ervilha. Tanto que adormeci no meio da tarde. Acordei de sobressalto, imaginando ter perdido algum horário. Não tinha. Abri a janela, vi e registrei as cenas abaixo. Era um recado... tudo sempre pode ser melhor!

Eu vivo sempre no mundo da lua...

Porque sou um cientista, o meu papo é futurista, é lunático...

Porque sou inteligente, se você quer vir com a gente, venha que será um barato...

Pegar carona nessa cauda de cometa e ver a via láctea, estrada tão bonita...