Bingo. Cursinho para escrever textos, que virarão um livro de auto ajuda.
Mais não digo, porque não sei.
Pra encerrar, lembre-se: ser feliz é uma questão de escolha!
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Monday, February 12, 2007
Sempre me surpreende o fato de nos piores momentos da vida da gente, sempre surgir algum tipo de ajuda, de onde você menos imagina. Pode reparar. Naqueles dias em que o vento parece querer derrubar tudo, alguém lhe acolhe nas suas (as suas mesmo) angústias e descontentamentos. Na maioria das vezes, não muda muita coisa. Mas a gente se sente vivo, apoiado, com forças para recomeçar.
Ontem fui assistir Antonia com o Salomão. Estávamos praticamente sozinhos no cinema. Nós dois e outras três pessoas espalhadas na imensa sala quatro do Catuaí. A série fora muito simpática e o filme explica algumas questões, deixa muitas outras abertas para que haja ainda muitos outros episódios. Afinal, o que não falta é drama na vida das pessoas.
Vou apenas adiantar que há um momento no filme que a Preta, personagem da Negra Li, canta “Como uma onda”, do Lulu Santos. Pra mim, foi uma das cenas mais tocantes de todo o filme. Sim, chorei pra valer e sem vergonha alguma.
“Como uma onda” é a maior prova de otimismo, que a vida vale a pena, que uma hora ou outra as coisas mudam, que nada é para sempre. Quando a gente está triste, decepcionado, enciumado, cego, não consegue mesmo ver um palmo adiante do nariz. Afinal, nada do que passou será de novo como já foi um dia. Não há porque repetir as mesmas cenas, juntar os pedaços daquilo que se quebrou.
Tudo muda o tempo todo no mundo. E por mais que você se esforce, não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo. Enquanto a gente se perde num oceano de lágrimas e lamúrias, há sim tanta vida lá fora. Mas e aqui dentro? Aqui dentro é preciso respeitar o balanço do mar. O indo e vindo infinito não das ondas, mas da própria vida.
Se a gente fosse só feliz, não teria graça. Aceitar a tristeza, a falha, a limitação, vai além do conformismo. Acena-me com a maturidade. Faz-me compreender que talvez sejam nas imperfeições que se possa construir uma nova possibilidade. Se pararmos de olhar o outro e fixarmos o nosso tempo em entender o que efetivamente se passa com a gente, talvez sofrêssemos menos. Chega de ideal, se o real sempre pode ser mais interessante, porque verdadeiro.
O meu coração está do tamanho de uma semente de ervilha. Por isso fiquei tão emocionado no filme. Mas ao sair da sala, estava sim aliviado. Também por perceber que cada um tem as próprias dificuldades. Mas absolutamente certo de que viver é isso. Chorar, rir, amar, odiar, encantar-se, decepcionar, gozar, sofrer, encontrar, separar-se. Talvez o fim, como cantaria Marina Lima, não seja nada. E a estrada seja tudo.
Ah... estava esquecendo. Nessa estrada, a gente também não pode ter vergonha de desejar, de criar expectativa. Esta é outra falácia que inventaram pra nos colocar ainda mais culpa. Não existe alguém que consiga viver sem nada esperar. Quem nada queria, morreu. E que Deus a tenha e proteja.
Saturday, February 10, 2007
Decididamente tenho dificuldades em me relacionar com pessoas cuja inteligência fique a desejar. Hoje num restaurante da cidade, compreendi que limitação é algo muito difícil de ser transposto.
Sentei-me à mesa, sozinho. Veio a garçonete, pedi:
- um suco de laranja com limão e abacaxi, por favor.
Adivinhe o que aconteceu???????
É isso mesmo. A moça trouxe-me três sucos, cada um num copo.
- O que é isso?
- O senhor não pediu um suco de laranja, abacaxi e limão?
- Não. Eu pedi, laranja COM abacaxi e limão.
- Eu entendi que eram três sucos.
- Responda-me uma coisa... é comum vir ao restaurante sozinho, pedir três sucos todos de uma vez?
- Não, não é comum não.
- Ah, tá... Então você, por favor, faça um suco só, misturando todas as frutas no liquidificador e batendo-as todas de uma única vez.
- Só um minutinho.
- Obrigado.
Sentei-me à mesa, sozinho. Veio a garçonete, pedi:
- um suco de laranja com limão e abacaxi, por favor.
Adivinhe o que aconteceu???????
É isso mesmo. A moça trouxe-me três sucos, cada um num copo.
- O que é isso?
- O senhor não pediu um suco de laranja, abacaxi e limão?
- Não. Eu pedi, laranja COM abacaxi e limão.
- Eu entendi que eram três sucos.
- Responda-me uma coisa... é comum vir ao restaurante sozinho, pedir três sucos todos de uma vez?
- Não, não é comum não.
- Ah, tá... Então você, por favor, faça um suco só, misturando todas as frutas no liquidificador e batendo-as todas de uma única vez.
- Só um minutinho.
- Obrigado.
Thursday, February 08, 2007
Já está perto de quatro anos, o tempo que tenho uma página aqui no Tipos. Neste período, a cada fim de ano, publiquei um texto de balanço. Invariavelmente, há pelo menos uns 18 anos, tenho uma crise de choro incontrolável na véspera do Natal.
Em 2006 tudo foi diferente. Não verti lágrimas, muito menos elaborei um texto de despedida do ano que se foi. Eu tive férias, viajei com meus melhores amigos, depois passei uma semana com a minha família – mãe, irmã, cunhado, sobrinhos, namorados dos sobrinhos e tudo mais que compõe uma família.
Regressei a Londrina, voltei à análise e disse à terapeuta: parece que o ano não acabou. Estou descansado, mas não renovei as esperanças. Não vejo nada por cima do muro. Não vejo a vida melhor no futuro.
Claro que nisso tudo há muito de egoísmo e, principalmente, desta terrível mania que temos de idealizar o que nos cerca. Sonhamos com um emprego ideal, salário ideal, colegas de trabalho ideais, condições de trabalho ideais, família ideal, pai e mãe ideais, amigos ideais, lugares ideais, pessoas ideais e, principalmente, um amor ideal. Por isso sofremos.
E esta dor sempre tem duas fases: a da negação, para seguir depois pela frustração. Os sinais estão claros e a gente se recusa a vê-los. Até o limite do insuportável. Depois de muito tempo, lágrimas e sono perdidos, surge a frustração de não ter conseguido.
Quando voltei de viagem um amigo foi a minha casa. Conversamos sobre o interesse numa determinada pessoa. Falamos sobre os sinais que esta pessoa emitia. Depois de várias considerações, o veredicto: ela não está a fim de você. É assim, simples, bem simples. Tudo o que você faz é negar esta conclusão. Mas no fundo, lá no fundo, você também sabe que juntos, vocês não tem nada a ver. Fez-se um auto-explicável silêncio constrangedor.
O ano que findou foi dos mais difíceis da trajetória até aqui. Mas quero levar dele os melhores acontecimentos. Lá no topo, indiscutivelmente, está a discotecagem que estreei no Valentino. Foi o que mais me deu prazer. É uma maravilha pesquisar músicas, descobrir novos cantores e montar um set list que coloque a galera toda pra dançar.
Não estou equivocado. O público parece gostar e apreciar cada vez mais o Ata-me, música latina e outros ritmos. As pessoas comentam a noite, os jornais publicam, as tevês fazem matérias, os sites divulgam e, principalmente, as pessoas comparecem e se divertem.
No plano pessoal, gosto dos anos em que conheço gente nova. Ou do tempo que me aproximo de quem já tenho algum contacto. Conhecer o Tomás, Felipe, Guilherme, você que fuça no meu orkut quase todos os dias e conversa comigo só pelo MSN, e você, que costumeiramente me envia poesias, foi um grande presente. Ficar mais perto da Talita, da Amanda, do meu irmão, o Almeida, também foi muito encantador.
Agora há pouco estava de novo na análise. E saí da sessão com uma pergunta cruel: por que você aceita os grãos de milho que lhe oferecem? Na hora eu disse que não sabia. Mas se eu contar essa história pro Tomás, ele vai duvidar disso. “No fundo, a gente sempre sabe as razões”, ele me dirá.
E eu terei que concordar com ele.