Dias atrás, no meio da tarde cinzenta, recebi um daqueles convites que mudam a cor do dia. O Chammé, proprietário do Valentino, convidou-me para fazer discotecagem no Bar.
Primeiro me senti muito lisonjeado. Depois me bateu um frio na barriga. A responsabilidade é deveras grande, já que a proposta é tocar música latina.
Respirei fundo, pedi benção a titular vitalícia da Noite do Charuto Cubano, Janaína Ávila, e me lancei peito nu, cabelo ao vento. ... ... Tudo bem, deixe o cabelo ao vento pra lá.
Desde então, estou parecendo criança que acabou de ganhar um novo brinquedo. Ontem passei pelo menos umas três horas numa loja de cd ouvindo tudo quanto é tipo de música feito por esse povo “caliente”. E as descobertas têm sido encantadoras.
Enquanto preparo o famoso “set list”, já decidimos data e nome da noite: Ata-me, música latina e outros ritmos. A idéia é bem simples: colocar as pessoas para dançar mais pertinho, quase amarrado, fazendo bamboleos para lá e para cá, de vez em quando terapia do abraço e sempre que quiserem dar um, dois, cinqüenta e sete beijos. Enfim, acreditar e se jogar no ritmo e suíngue dessa música que traz um calor daqueles.
Coloque na agenda: 15 de agosto, a partir das 21h30, no Valentino. Ata-me, música latina e outros ritmos.
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Monday, July 24, 2006
Tuesday, July 11, 2006
Dia desses vi uma cena inusitada, que não sai da minha cabeça. Mal saíra do estacionamento para almoçar e vi um jovem com um homem que parecia ser o seu (dele) pai em frente ao Colégio Hugo Simas. O rapaz, do alto da imponência, onipotência e onipresença juvenil, chorava copiosamente. Não eram lágrimas tolas, de raiva ou alguma emoção momentânea. Pensei que um rapaz de 16, 17 anos, não choraria em público por algo que não fosse realmente grave.
Entre os dois não havia sinal de briga, discussão, desentendimento. Mas algo aconteceu. Não sei o que houve, mas tenho me lembrado disso todos os dias desde então. Talvez escrevendo aqui, isso mude, não sei.
Homens sentem vergonha de chorar. Nos poucos velórios que fui, sempre reparei como é comum ver homens escondendo o rosto para não mostrar sofrimento pela perda da mãe, de um filho, do amor de toda uma vida. Isso me incomoda. Chorar alivia a alma, sempre, sempre, sempre. Não resolve nada, é fato, mas recupera forças, humaniza.
Qual foi a perda capaz de fazer um adolescente chorar na frente dos amigos, dos professores, de quem passava em frente ao colégio? A resposta nunca hei de saber. Mas devo admitir que fiquei comovido com a atitude do pai, outro homem que talvez também tenha aprendido que macho não chora e, mesmo assim, acolheu o filho.
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Começou Páginas da Vida, do meu autor de novelas preferido, o Manoel Carlos. Gostei muito do primeiro capítulo e chorei em duas cenas. Pode ser brega, piegas, lexotan, o que seja. Mas ele sabe retratar o cotidiano como ninguém.
Entre os dois não havia sinal de briga, discussão, desentendimento. Mas algo aconteceu. Não sei o que houve, mas tenho me lembrado disso todos os dias desde então. Talvez escrevendo aqui, isso mude, não sei.
Homens sentem vergonha de chorar. Nos poucos velórios que fui, sempre reparei como é comum ver homens escondendo o rosto para não mostrar sofrimento pela perda da mãe, de um filho, do amor de toda uma vida. Isso me incomoda. Chorar alivia a alma, sempre, sempre, sempre. Não resolve nada, é fato, mas recupera forças, humaniza.
Qual foi a perda capaz de fazer um adolescente chorar na frente dos amigos, dos professores, de quem passava em frente ao colégio? A resposta nunca hei de saber. Mas devo admitir que fiquei comovido com a atitude do pai, outro homem que talvez também tenha aprendido que macho não chora e, mesmo assim, acolheu o filho.
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Começou Páginas da Vida, do meu autor de novelas preferido, o Manoel Carlos. Gostei muito do primeiro capítulo e chorei em duas cenas. Pode ser brega, piegas, lexotan, o que seja. Mas ele sabe retratar o cotidiano como ninguém.

Monday, July 10, 2006
Acho dolorido demais perceber que estou me enganando. E você que está aqui, lendo este texto, pode pensar: se você sabe, por que se engana? Se as respostas fossem fáceis, o mundo talvez não tivesse muita graça. Depois de uma sexta-feira triste, um sábado muito bom, o domingo termina em clima nostálgico, com aquela pontada de melancolia. A Kátia é que estava certa: não está sendo fácil!
Monday, July 03, 2006
Um dos presentes que me dei de aniversário foi a caixa de dvds d'Os Maias. Se quando passou já tinha gostado muito, agora parece ainda melhor. A razão eu não sei. Mas o diretor Luiz Fernando Carvalho faz um trabalho de mestre. Enquadramentos, iluminação, trilha sonora e a interpretação dos atores está bem perto do sensacional, espetacular. E ainda compreendi melhor a razão desta ter sido a minissérie de pior audiência em toda a história da Rede Globo: é muito boa para o padrão médio brasileiro. O texto do Eça de Queiroz é impecável. A obra em si, maravilhosa. Como Carvalho decidiu imprimir um ritmo menos frenético, mais intimista, pouca gente gostou. Entre as muitas frases geniais, ontem o poeta vivido por Osmar Prado tascou: “Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam”.
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Gosto muito de dar feed back “amor verdade”, principalmente às pessoas que bajulam jornalistas. Sábado fui conhecer o “novo” Valentino. Chegando lá, vieram me perguntar porque eu não fora à festa de inauguração.
- Eu não recebi convite.
- Como assim?
- Eu não recebi convite.
- Mas eu mandei nos seus (os meus mesmo) dois endereços.
- Mas como eu estou lhe dizendo, não chegou em nenhum deles.
- Puxa vida.
- Acontece.
- Mas você não veio só por falta de convite?
- Sim, com certeza. Não costumo ir a eventos sem ser convidado.
- Puxa... estou tão chateado.
- Não fique.
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Ontem, numa das muitas conversas espetaculares com o Xexé, falávamos sobre as renúncias que fazemos para quase todas as relações: afetivas, fraternas, profissionais. E lembrei que renunciar tem sempre um peso quase negativo, parece que estamos abrindo mão de posicionamentos importantes diante da vida e nem sempre vale a pena. Mas daí, me ocorreu que nunca renunciamos em vão. Sempre, invariavelmente, há algo em troca. Renunciar não é via de mão única. Pode até ser que não compreendamos tudo de imediato. Mas perde-se por um lado, ganha-se por outro. É da vida.
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Gosto muito de dar feed back “amor verdade”, principalmente às pessoas que bajulam jornalistas. Sábado fui conhecer o “novo” Valentino. Chegando lá, vieram me perguntar porque eu não fora à festa de inauguração.
- Eu não recebi convite.
- Como assim?
- Eu não recebi convite.
- Mas eu mandei nos seus (os meus mesmo) dois endereços.
- Mas como eu estou lhe dizendo, não chegou em nenhum deles.
- Puxa vida.
- Acontece.
- Mas você não veio só por falta de convite?
- Sim, com certeza. Não costumo ir a eventos sem ser convidado.
- Puxa... estou tão chateado.
- Não fique.
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Ontem, numa das muitas conversas espetaculares com o Xexé, falávamos sobre as renúncias que fazemos para quase todas as relações: afetivas, fraternas, profissionais. E lembrei que renunciar tem sempre um peso quase negativo, parece que estamos abrindo mão de posicionamentos importantes diante da vida e nem sempre vale a pena. Mas daí, me ocorreu que nunca renunciamos em vão. Sempre, invariavelmente, há algo em troca. Renunciar não é via de mão única. Pode até ser que não compreendamos tudo de imediato. Mas perde-se por um lado, ganha-se por outro. É da vida.