Archives
Tuesday, June 27, 2006
No jogo entre Alemanha e Argentina, eu vou torcer pela Argentina. A razão é simples. Quem ganhar, considerando que o Brasil continue esta trajetória de pouco futebol, mas de resultados positivos, enfrentará o “peso”, como diz meu aluno Emmanuel Monteiro, da camisa verde amarela na grande final.
É que não quero ouvir a conversa fiada de que a anfitriã possa ter comprado a Copa do Mundo, como ocorreu na França em 1998. Se der Alemanha e Brasil na final, com vitória dos europeus, todo mundo vai dizer que houve marmelada.
Se der Argentina e Brasil, além da tradicional rixa, vencerá quem jogar melhor. Assim, bem simples.
Portanto, vou emprestar a camisa argentina do meu outro aluno, o Fernando Souza e torcer.
É que não quero ouvir a conversa fiada de que a anfitriã possa ter comprado a Copa do Mundo, como ocorreu na França em 1998. Se der Alemanha e Brasil na final, com vitória dos europeus, todo mundo vai dizer que houve marmelada.
Se der Argentina e Brasil, além da tradicional rixa, vencerá quem jogar melhor. Assim, bem simples.
Portanto, vou emprestar a camisa argentina do meu outro aluno, o Fernando Souza e torcer.
Monday, June 26, 2006
Sinto-me exatamente assim:
O Rio -
Ana Carolina
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você
O tempo atravessa em meu lugar
E deixo pra depois o que eu tinha que fazer
O destino aceito sem dizer sim ou dizer não
Sem entender
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Nós dois que sequer nos parecemos
E não cabemos num mesmo espelho
Mas nos olhamos toda manhã
A ferrugem mesmo pouca
Corrói os trilhos
As ruas nos atravessam
Sem olhar pro lado
Estou em você
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu vou atravessar o rio a deslizar
O Rio -
Ana Carolina
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você
O tempo atravessa em meu lugar
E deixo pra depois o que eu tinha que fazer
O destino aceito sem dizer sim ou dizer não
Sem entender
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Nós dois que sequer nos parecemos
E não cabemos num mesmo espelho
Mas nos olhamos toda manhã
A ferrugem mesmo pouca
Corrói os trilhos
As ruas nos atravessam
Sem olhar pro lado
Estou em você
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Sunday, June 25, 2006
A pessoa que teve a idéia de montar o youtube não deveria pagar imposto nunca mais, pelo resto da vida de todas as suas (dele) gerações.
Acabo de ver três cenas memoráveis:
- Raquel retorna do “sumiço” por causa do acidente e reencontra Ruth e Marcos;
- Ruth esbofeteia Raquel.
Essas duas são de Mulheres de Areia. Depois vi a clássica cena em que Raquel Accioly tenta desmascarar Maria de Fátima antes do casamento e Odete Roitman não fica nem aí. A cena é de Vale Tudo.
Isso não tem preço! Uhu!
Acabo de ver três cenas memoráveis:
- Raquel retorna do “sumiço” por causa do acidente e reencontra Ruth e Marcos;
- Ruth esbofeteia Raquel.
Essas duas são de Mulheres de Areia. Depois vi a clássica cena em que Raquel Accioly tenta desmascarar Maria de Fátima antes do casamento e Odete Roitman não fica nem aí. A cena é de Vale Tudo.
Isso não tem preço! Uhu!
Monday, June 19, 2006
Hoje pela manhã levei o edredon à lavanderia. A atendente estava ao telefone e quando se virou para mim, percebi os olhos vermelhos e as lágrimas caindo.
- Bom dia.
- Bom dia.
- É urgente?
- Pode ser esta semana.
- Quinta-feira está bom?
- Ótimo.
- Esse negócio de enfarte é triste, né?
- Você está falando do Bussunda?
- Sim, um homem tão novo. Eu acho que não podia ter esse negócio de enfarte.
- Pois é.
- O pai da minha filha também teve enfarte. A gente não tem mais nada a ver, mas eu não queria isso pra ele.
- Sinto muito.
- Não, ele não foi. Mas está na U-T-I.
- E o seu coração está apertado.
- (chorando) Sim. (silêncio) Vou fazer a ordem a mão. O computador está travando.
- Tudo bem. (...)
- Aqui está, quinta-feira.
- Obrigado. Fique bem!
- Obrigada (mais uma lágrima cai).
- Bom dia.
- Bom dia.
- É urgente?
- Pode ser esta semana.
- Quinta-feira está bom?
- Ótimo.
- Esse negócio de enfarte é triste, né?
- Você está falando do Bussunda?
- Sim, um homem tão novo. Eu acho que não podia ter esse negócio de enfarte.
- Pois é.
- O pai da minha filha também teve enfarte. A gente não tem mais nada a ver, mas eu não queria isso pra ele.
- Sinto muito.
- Não, ele não foi. Mas está na U-T-I.
- E o seu coração está apertado.
- (chorando) Sim. (silêncio) Vou fazer a ordem a mão. O computador está travando.
- Tudo bem. (...)
- Aqui está, quinta-feira.
- Obrigado. Fique bem!
- Obrigada (mais uma lágrima cai).
Friday, June 16, 2006
“A vida é uma criança. Um carrossel de esperanças.”
Ainda não aconteceu. Mas sinto que está chegando a hora.
“- É egoísmo, próprio de imaturos, pensar só nos frutos, quando se planta; a colheita não é a melhor recompensa para quem semeia; já somos bastante gratificados pelo sentido de nossas vidas, quando plantamos, já temos nosso galardão só em fruir o tempo largo da gestação, já que é um bem que transferimos, se transferimos a espera de gerações futuras, pois há um gozo intenso na própria fé, assim como há calor na quietude da ave que choca os ovos no seu ninho. E pode haver tanta vida na semente, e tanta fé nas mãos do semeador, que é um milagre sublime que grãos espalhados há milênios, embora sem germinar, ainda não morreram.
- Ninguém vive só de semear, pai.
- Claro que não meu filho; se outros hão de colher do que semeamos hoje, estamos colhendo, por outro lado, do que semearam antes de nós. É assim que o mundo caminha, é esta a corrente da vida.”
Ainda não aconteceu. Mas sinto que está chegando a hora.
“- É egoísmo, próprio de imaturos, pensar só nos frutos, quando se planta; a colheita não é a melhor recompensa para quem semeia; já somos bastante gratificados pelo sentido de nossas vidas, quando plantamos, já temos nosso galardão só em fruir o tempo largo da gestação, já que é um bem que transferimos, se transferimos a espera de gerações futuras, pois há um gozo intenso na própria fé, assim como há calor na quietude da ave que choca os ovos no seu ninho. E pode haver tanta vida na semente, e tanta fé nas mãos do semeador, que é um milagre sublime que grãos espalhados há milênios, embora sem germinar, ainda não morreram.
- Ninguém vive só de semear, pai.
- Claro que não meu filho; se outros hão de colher do que semeamos hoje, estamos colhendo, por outro lado, do que semearam antes de nós. É assim que o mundo caminha, é esta a corrente da vida.”
Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar
Tuesday, June 13, 2006
Não sou agourento, acho bacana esta paixão do brasileiro por futebol - até por acreditar que é o único esporte que une todo mundo bla bla bla - estarei na maior torcida, de camisa verde-amarela e tudo.
Mas vamos imaginar que, como o futebol é essa tão famigerada “caixinha de surpresas”, tenhamos a infelicidade de perder para a Croácia. Quais seriam as desculpas dos 180 milhões de técnicos de futebol, obviamente embalados pelo ufanismo ridículo do narrador mor Galvão Bueno?
1) o gramado não estava bom o suficiente?
2) as bolhas da chuteira do Ronaldinho se espalharam para os pés dos demais jogadores?
3) eles foram comprados pela Croácia?
4) o “peso” da camisa da seleção é muito forte?
5) resolveram protestar contra a cobrança do hexa feita pelo Lula?
6) são uns mercenários que só pensam em dinheiro e não deram tudo de si?
7) faltou enxada antes do treino?
8) o Ronaldo ficou chateado porque a Raica assistiu ao jogo acompanhada do Pedro Bial?
9) alguns craques não perdoam o fato da Fátima Bernardes entrevistar sempre os mesmos jogadores?
10) o mundo inteiro cobrando nossa superioridade futebolística calou fundo no íntimo dos jogadores?
11) vai que num ímpeto de racionalidade, assumiremos que jogamos mal e pronto, como fez a Daiane dos Santos ao explicar a razão de ter perdido a medalha na última olimpíada?
Pra frente Brasil!
Mas vamos imaginar que, como o futebol é essa tão famigerada “caixinha de surpresas”, tenhamos a infelicidade de perder para a Croácia. Quais seriam as desculpas dos 180 milhões de técnicos de futebol, obviamente embalados pelo ufanismo ridículo do narrador mor Galvão Bueno?
1) o gramado não estava bom o suficiente?
2) as bolhas da chuteira do Ronaldinho se espalharam para os pés dos demais jogadores?
3) eles foram comprados pela Croácia?
4) o “peso” da camisa da seleção é muito forte?
5) resolveram protestar contra a cobrança do hexa feita pelo Lula?
6) são uns mercenários que só pensam em dinheiro e não deram tudo de si?
7) faltou enxada antes do treino?
8) o Ronaldo ficou chateado porque a Raica assistiu ao jogo acompanhada do Pedro Bial?
9) alguns craques não perdoam o fato da Fátima Bernardes entrevistar sempre os mesmos jogadores?
10) o mundo inteiro cobrando nossa superioridade futebolística calou fundo no íntimo dos jogadores?
11) vai que num ímpeto de racionalidade, assumiremos que jogamos mal e pronto, como fez a Daiane dos Santos ao explicar a razão de ter perdido a medalha na última olimpíada?
Pra frente Brasil!
Monday, June 12, 2006
É frase feita dizer que a medida que não esperamos nada do outro, corremos menos risco de nos desapontarmos. Simplesmente porque acredito ser impossível viver de modo tal que as atitudes das pessoas que nos cercam sejam de fato indiferentes.

Concreto mesmo é o gosto amargo da decepção. Sabe aquela pessoa que você tinha fé absoluta que poderia contar e, justamente no momento mais importante, ela falha? Por medo, por crença absoluta, por falta de outra opção, por falta de cuidado, sensibilidade, noção de coletivo.
Juro que me esforço. Tento agir do modo mais livre de expectativas possível. Admito minha fraqueza de não conseguir sempre. Mas em dias como hoje, com o céu mais lindo do universo, até de maneira concreta minha boca está amarga e a garganta inflamada. Não é à toa. Agora há pouco dei um típico feed back “amor verdade” para tentar digerir mais fácil esse sapo. Melhorei.
O que mais me entristece, sempre, é a plena convicção de que somos efetivamente muito solitários. Essas angústias podem até encontrar um ou outro ombro amigo. Mas o ato de engolir é tão dolorido quanto absolutamente individual.
Um dia muda.
Pensando bem, creio que não.
Ou a gente encontra um jeito de viver melhor com as limitações alheias ou cada vez mais ficaremos distantes das pessoas que, em tese, nos são importantes.

Concreto mesmo é o gosto amargo da decepção. Sabe aquela pessoa que você tinha fé absoluta que poderia contar e, justamente no momento mais importante, ela falha? Por medo, por crença absoluta, por falta de outra opção, por falta de cuidado, sensibilidade, noção de coletivo.
Juro que me esforço. Tento agir do modo mais livre de expectativas possível. Admito minha fraqueza de não conseguir sempre. Mas em dias como hoje, com o céu mais lindo do universo, até de maneira concreta minha boca está amarga e a garganta inflamada. Não é à toa. Agora há pouco dei um típico feed back “amor verdade” para tentar digerir mais fácil esse sapo. Melhorei.
O que mais me entristece, sempre, é a plena convicção de que somos efetivamente muito solitários. Essas angústias podem até encontrar um ou outro ombro amigo. Mas o ato de engolir é tão dolorido quanto absolutamente individual.
Um dia muda.
Pensando bem, creio que não.
Ou a gente encontra um jeito de viver melhor com as limitações alheias ou cada vez mais ficaremos distantes das pessoas que, em tese, nos são importantes.