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Wednesday, May 31, 2006
Se você for ver X-Men 3, aguente firme e espere passar todos os créditos. Eles são longos, mas depois tem uma surpresa legal.
Monday, May 29, 2006
Saiu hoje na coluna Zapping, publicada no Agora e reproduzida no UOL:
Presentinho
Um apresentador da Globo deu um relógio caríssimo a um jornalista, na semana passada...
Alguém arrisca palpites sobre o apresentador?
E sobre o jornalista?
Seria Raimundo Nonato?
Presentinho
Um apresentador da Globo deu um relógio caríssimo a um jornalista, na semana passada...
Alguém arrisca palpites sobre o apresentador?
E sobre o jornalista?
Seria Raimundo Nonato?
Tuesday, May 23, 2006
Uma das frases que mais gosto nesta minha vida foi dita pelo Beto. Volta e meia, quando passeávamos pelas ruas de Curitiba, ele falava: “Você já pensou que neste exato momento alguém que você não imagina está pensando em você de um jeito que você não imagina, mas que se você imaginasse, ficaria muito feliz?”.
Pois bem.
Tenho o hábito de olhar as horas toda vez que acordo de madrugada.
Sucedeu que segunda-feira, precisamente às 3h36, levantei para tomar água. Perdi o sono e fiquei rolando na cama. Já estava impaciente quando o celular tocou. O rádio-relógio apontava 4h02.
Bem... naquele exato momento, alguém que eu não imaginava estava pensando em mim de um jeito que eu não sonhava, mas sabendo do fato, fiquei imensamente feliz. A conversa rolou até às 5h06. E salvou o dia, talvez a semana. Fez-me acreditar que a bonança talvez esteja começando.
-0-
Se vivo estivesse, o seo João faria hoje 76 anos. A saudade só aumenta. Imagino-o repetindo a frase “Cheguei até aqui. Amanhã eu não sei.”
Pois bem.
Tenho o hábito de olhar as horas toda vez que acordo de madrugada.
Sucedeu que segunda-feira, precisamente às 3h36, levantei para tomar água. Perdi o sono e fiquei rolando na cama. Já estava impaciente quando o celular tocou. O rádio-relógio apontava 4h02.
Bem... naquele exato momento, alguém que eu não imaginava estava pensando em mim de um jeito que eu não sonhava, mas sabendo do fato, fiquei imensamente feliz. A conversa rolou até às 5h06. E salvou o dia, talvez a semana. Fez-me acreditar que a bonança talvez esteja começando.
-0-
Se vivo estivesse, o seo João faria hoje 76 anos. A saudade só aumenta. Imagino-o repetindo a frase “Cheguei até aqui. Amanhã eu não sei.”
Monday, May 22, 2006
Ontem paguei o “mico” de ficar quase 100 minutos na fila para ver O Código da Vinci. E depois de quase duas horas e meia de projeção, ainda não entendi a razão do sucesso do filme. Estou no grupo dos que acharam o filme de mediano para ruim. Faltou ritmo. E do nada, poderia cortar pelo menos uns 40 minutos da obra. E mais... não consigo entender porque o livro provocou tanta celeuma. Tudo tão besta. Mas a vida também é besta, não é?
Thursday, May 18, 2006
Saiu terça-feira, dia 16, na Folha de S. Paulo. Eu gostei muito. E você?
“A vida e a morte
Rubem Alves
Era no tempo de toca-discos. Eu estava ouvindo um long-play com poemas de Drummond e Vinícius. O perigo eram os riscos que fazem a agulha saltar. Felizmente até ali tudo estava liso, sem pulos ou chiados. Era a voz do Vinícius, voz rouca de uísque e fumo. Chegou o poema ”O Haver“, meu favorito, em que o poeta fazia um balanço da sua vida, o que restara.
”Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio...“ ”Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido...“ ”Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança...“
Começava, naquele momento, a última quadra, e de tantas vezes lê-la eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando o último verso que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.
O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata não tivesse fim ela seria um instrumento de tortura. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema é o silêncio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.
A voz do Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. ”Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante...“
Eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: ”... sem saber que é a minha mais nova namorada.“
Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tivesse achado o poema tão bonito que se recusava a ser cúmplice de seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: ”sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova...“
Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, ”sem saber que é a minha mais nova namorada.“ Depois disso foi o silêncio.
Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É possível que a última quadra do poema tenha sido a primeira a ser escrita pelo Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. ”Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer.“ (Eclesíastes 3.1-2)
A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morreu também a vida, tal como Deus no-la deu -ainda que a parafernália dos médicos continue a emitir seus bips e a produzir zigzags no vídeo.
A vida é como aquela peça. E preciso terminar.
A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer.”
“A vida e a morte
Rubem Alves
Era no tempo de toca-discos. Eu estava ouvindo um long-play com poemas de Drummond e Vinícius. O perigo eram os riscos que fazem a agulha saltar. Felizmente até ali tudo estava liso, sem pulos ou chiados. Era a voz do Vinícius, voz rouca de uísque e fumo. Chegou o poema ”O Haver“, meu favorito, em que o poeta fazia um balanço da sua vida, o que restara.
”Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio...“ ”Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido...“ ”Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança...“
Começava, naquele momento, a última quadra, e de tantas vezes lê-la eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando o último verso que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.
O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata não tivesse fim ela seria um instrumento de tortura. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema é o silêncio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.
A voz do Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. ”Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante...“
Eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: ”... sem saber que é a minha mais nova namorada.“
Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tivesse achado o poema tão bonito que se recusava a ser cúmplice de seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: ”sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova...“
Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, ”sem saber que é a minha mais nova namorada.“ Depois disso foi o silêncio.
Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É possível que a última quadra do poema tenha sido a primeira a ser escrita pelo Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. ”Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer.“ (Eclesíastes 3.1-2)
A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morreu também a vida, tal como Deus no-la deu -ainda que a parafernália dos médicos continue a emitir seus bips e a produzir zigzags no vídeo.
A vida é como aquela peça. E preciso terminar.
A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer.”
Tuesday, May 09, 2006
“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar, que daqui para diante vai ser diferente. ”
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
Monday, May 01, 2006
“Olha: o amor pulou o muro o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar. Pronto, o amor se estrepou. Daqui eu estou vendo o sangue que escorre do sangue andrógino. Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca. Às vezes sara amanhã.”
Não sei quem escreveu, mas achei bem bonito.
Não sei quem escreveu, mas achei bem bonito.