Estou numa fase chata, com pouca paciência, nenhuma vontade de ver determinadas pessoas, estar em alguns lugares, um desejo grande de que a angústia passe logo. Não estou fingindo sensações que não fazem parte da minha rotina. E tenho dado muitos feed backs “amor-verdade”. Minha mãe falou que eu não posso ficar triste. Perguntei-lhe se não tinha o direito e por qual razão. Com as outras pessoas tenho sido menos delicado. Anteontem perdi a paciência:
- Sabia que você não é tudo isso?
- Eu? Claro que sabia.
- Eu precisava lhe dizer isso. Você não está com essa bola toda.
- Nunca tive a presunção de ter. Mas existe uma grande diferença entre nós.
- Duvido.
- Existe sim. Eu trato as pessoas com mais delicadeza, mesmo que elas me sejam indiferentes.
- Como assim?
- Você, por exemplo. Desde que bati o olho em você, não vi nenhuma beleza, nenhum atrativo, nada especial que pudesse mover um fio de cabelo em mim, muito menos levantar o meu pau. Mas eu preferi lhe dizer que não ia rolar, que eu tinha um outro compromisso e que a gente se cruzava por aí. Você não precisava ouvir tudo isso, até porque o problema poderia estar comigo, não é mesmo? Certamente outra pessoa vai olhar pra você e perceber outras coisas, detalhes, características bem bacanas que eu não percebi. Acho que às vezes, o silêncio é uma resposta. Nem sempre a gente precisa colocar as pessoas pra baixo, entendeu? Mas hoje você pediu para ouvir tudo isso.