Hoje senti uma tristeza profunda. Caminhava pelo Calçadão e vi uma muvuca em frente ao Banco do Brasil. Tratava-se de uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. No palco, duas garotas cometendo os mais graves erros de concordância nominal, anunciavam que cantariam um rap feito especialmente para a ocasião. Fiquei pensando em quem teria achado aquela composição digna de ser mostrada em público.
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Minutos depois, a caravana do samba londrinense sobe ao palco. Além de alguns parcos integrantes da bateria da escola vencedora do Carnaval 2006, a Rainha do Carnaval, a Madrinha e a Rainha da Bateria sacolejavam o corpo, numa triste tentativa de convencer o público de que, sim, nós gostamos de samba. Se eu chegar a Presidente da República, decreto o fim do Carnaval em todas as cidades além do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Olinda.
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Pra falar bem a verdade, acho que sou mesmo um chato. As pessoas ali, divertindo-se, exibindo seus (os deles) dotes físicos e performáticos e eu baixando o rosto de tanta vergonha. Vergonha de não ter essa alegria esfuziante (desculpe o pleonasmo), esse contentamento conformista que tudo suporta e tudo aceita. Lá no fundo, acho que essas pessoas simples é que são felizes.
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Certa vez travei uma “briga” com um então vereador, também professor de cursinho, que fazia campanha contra a data do vestibular da UEL sob o pretexto de dar mais oportunidades aos londrinenses. Ele escreveu-me uma carta dizendo algumas bobagens e eu retruquei argumentando que ele deveria defender melhor qualidade de ensino para os estudantes da cidade, que talvez tivessem melhores chances nas provas. A conversa rendeu e houve um dia que escrevi uma coluna para o Jornal de Londrina, onde trabalhava na época, indignado com o protesto que alunos da UEL faziam contra a proibição da venda de cerveja no campus. Escrevi que achava muito triste não se exigir qualidade de ensino, professores melhores formados - um professor da UEL com mestrado HOJE ganha igual a um porteiro de prédio - condições mais adequadas em todos os cursos. O tempo passou e algo deve ter mudado. Esta semana estudantes de jornalismo saíram às ruas por duas vezes protestando contra o descaso do governo estadual. Fizeram a reitora se mexer e já conseguiram algumas migalhas, perto de tudo o que necessitam. E não é que eu mordi a língua? E por isso mesmo, fiquei muito feliz?
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Sou viciado em sabonetes. Se houver uma guerra, pode me ligar ou vir tomar banho em casa. Mesmo que neste e no próximo ano eu não compre mais nenhuma unidade, tenho uma vasta coleção que deve durar ao menos uns dois anos. E hoje cedo não resisti a uma promoção da Natura e comprei só mais 15.
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Viver é muito bom. Cheiroso, melhor ainda.