TÊMPERA, o blog do João Bernardo

Diário de uma boa viagem

Rosinéia, a atendente da TAM em Londrina, até foi simpática e engraçada, quando brinquei com a hipótese das malas não chegarem à Fortaleza.
- Só tenho um livro na bagagem de mão. E você não acha que ficará agradável eu sair com uma folha tampa sexo por Fortaleza, certo?
- O senhor pode confiar na TAM.
O resultado foi que as malas do Carlos chegaram e a minha não. Nem tive tempo de ter um ataque de fúria no aeroporto. O seo Pereira explicou-me todos os procedimentos e a única coisa a fazer, de fato, era aguardar.
No Hotel, o Carlos questionou sobre os pertences que estavam na mala, no caso de um real extravio da bagagem. Fizemos as contas e eu deveria ter uns cinco mil reais em roupas e afins. Aos poucos fui percebendo: havia mais que alguns dinheiros naquela mala. Presentes de amigos queridos, presentes que eu me proporcionei. Para essas coisas não há real que tenha valor compatível. Antes de encerrarmos a lista, o seo Pereira ligou explicando que a minha mala ficara em São Paulo e às três da madrugada estaria no hotel, ufa.

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Fortaleza é uma cidade muito legal, onde se venta muito, sempre. Praticamente não conservou nada de sua parte histórica. Dá a impressão que é um lugar mais “novo” que Londrina, principalmente pela arquitetura ultra contemporânea. Nas praias há poucos ambulantes e os que existem são educados. Há excelentes restaurantes e os taxistas também não são malas, nem cobram exageradamente caro. Portanto, uma cidade para voltar sempre. Ah, a prostituição feminina é tão comum quanto lugares vendendo água de côco.

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Em Recife, ontem fui jantar no Azucar, restaurante situado na parte antiga da Cidade, com um cardápio e carta de vinhos pra lá de excelentes. Na praia de Boa Viagem, equipes fazem a limpeza e estranhamente não há barracas vendendo comida. Uma amiga do Carlos, professora da Federal, explicou que é lei municipal, para evitar mais sujeira no cartão postal da cidade. As pessoas aqui são bonitas. O turismo sexual parece uma praga de fato. Hoje à tarde havia um grupo de seis homens – todos muito brancos, aparentando serem alemães – com exatamente seis meninas, todas quase negras. Isso se repete a cada dez metros e todo mundo faz cara de paisagem.

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Praia é o lugar mais democrático do mundo. Há espaço para gordos e magros, corpos esculturais e barangas de toda espécie. Há quem se divirta com frescobol, outros que rasgam frango no dente, gente que come queijo coalho assado, além dos indefectíveis caldinhos – de feijão, de peixe, de camarão. E todo mundo é feliz, sem tirar nem por.

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Aqui concluo que a ignorância é de fato meio caminho para a felicidade. Quem nunca experimentou um espumante Chandon Brut fica muito feliz com uma Cidra qualquer.

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Eu estou feliz.

Publicado em 21 de janeiro de 2006 às 22:03 por joao

Comentários

    • seu cartão chegou hoje. fiquei feliz por saber das suas felicidades todas! aqui tb tenho tido felicidades. aquelas coisas boas estão acontecendo.
      e, depois da sua narrativa, fiquei muito curioso pra conhecer fortaleza.
      e é ótima a frase “Quem nunca experimentou um espumante Chandon Brut fica muito feliz com uma Cidra qualquer”!
    • por zero
    • 22.Jan.2006 às 00:46 - Permalink - Reportar
    zero
    • Zero, se for a Fortaleza, não deixe de visitar a sorveteria 50 Sabores e pedir um duas bolas de qualquer coisa.
    • por guilherme
    • 23.Jan.2006 às 16:30 - Permalink - Reportar
    guilherme
    • A TAM agradece por esquecer suas malas, senhor. Volte sempre!
    • por Rosinéia
    • 24.Jan.2006 às 01:32 - Permalink - Reportar
    Rosinéia
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