Rosinéia, a atendente da TAM em Londrina, até foi simpática e engraçada, quando brinquei com a hipótese das malas não chegarem à Fortaleza.
- Só tenho um livro na bagagem de mão. E você não acha que ficará agradável eu sair com uma folha tampa sexo por Fortaleza, certo?
- O senhor pode confiar na TAM.
O resultado foi que as malas do Carlos chegaram e a minha não. Nem tive tempo de ter um ataque de fúria no aeroporto. O seo Pereira explicou-me todos os procedimentos e a única coisa a fazer, de fato, era aguardar.
No Hotel, o Carlos questionou sobre os pertences que estavam na mala, no caso de um real extravio da bagagem. Fizemos as contas e eu deveria ter uns cinco mil reais em roupas e afins. Aos poucos fui percebendo: havia mais que alguns dinheiros naquela mala. Presentes de amigos queridos, presentes que eu me proporcionei. Para essas coisas não há real que tenha valor compatível. Antes de encerrarmos a lista, o seo Pereira ligou explicando que a minha mala ficara em São Paulo e às três da madrugada estaria no hotel, ufa.
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Fortaleza é uma cidade muito legal, onde se venta muito, sempre. Praticamente não conservou nada de sua parte histórica. Dá a impressão que é um lugar mais “novo” que Londrina, principalmente pela arquitetura ultra contemporânea. Nas praias há poucos ambulantes e os que existem são educados. Há excelentes restaurantes e os taxistas também não são malas, nem cobram exageradamente caro. Portanto, uma cidade para voltar sempre. Ah, a prostituição feminina é tão comum quanto lugares vendendo água de côco.
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Em Recife, ontem fui jantar no Azucar, restaurante situado na parte antiga da Cidade, com um cardápio e carta de vinhos pra lá de excelentes. Na praia de Boa Viagem, equipes fazem a limpeza e estranhamente não há barracas vendendo comida. Uma amiga do Carlos, professora da Federal, explicou que é lei municipal, para evitar mais sujeira no cartão postal da cidade. As pessoas aqui são bonitas. O turismo sexual parece uma praga de fato. Hoje à tarde havia um grupo de seis homens – todos muito brancos, aparentando serem alemães – com exatamente seis meninas, todas quase negras. Isso se repete a cada dez metros e todo mundo faz cara de paisagem.
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Praia é o lugar mais democrático do mundo. Há espaço para gordos e magros, corpos esculturais e barangas de toda espécie. Há quem se divirta com frescobol, outros que rasgam frango no dente, gente que come queijo coalho assado, além dos indefectíveis caldinhos – de feijão, de peixe, de camarão. E todo mundo é feliz, sem tirar nem por.
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Aqui concluo que a ignorância é de fato meio caminho para a felicidade. Quem nunca experimentou um espumante Chandon Brut fica muito feliz com uma Cidra qualquer.
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Eu estou feliz.
Publicado em 21 de janeiro de 2006 às 22:03 por joao
e, depois da sua narrativa, fiquei muito curioso pra conhecer fortaleza.
e é ótima a frase “Quem nunca experimentou um espumante Chandon Brut fica muito feliz com uma Cidra qualquer”!