página inicial do tipos

Receba por e-mail os posts de TÊMPERA, o blog do João Bernardo: RSS - Assine os feeds deste blog

Skip to main content.

Archives

This is the archive for November 2005

Tuesday, November 29, 2005

Domingo saí para um almoço especial com minha mãe. O pretexto era comemorar o aniversário dela, que completa 73 anos neste 30 de novembro. Dentre os mais variados assuntos, entre uma taça e outra de espumante, ela resolveu me contar uma de suas ótimas histórias.

Lica é a vizinha surda-muda de minha mãe. A senhora deve ter mais de 60 anos e mora na mesma casa pelo menos desde a época em que nos mudamos para Rolândia, em 1971. A Mudinha é filha do irmão Benedito e a irmã Maria, ambos já falecidos.

Meu pai, o seo João, moveu mundos e fundos para conseguir que a Lica se aposentasse. Seria um jeito de ela ter renda própria para o dia que o pai lhe faltasse. Este dia chegou já faz tempo, não sem antes meu pai ter cumprido o prometido. Antes de morrer, irmão Benedito chamou meu pai e minha mãe pedindo-lhes que cuidassem da Lica no dia que ele partisse. Já faz alguns anos que ele se foi, de fato.

A dona Alice e a Lica são amigas e parceiras. Minha mãe faz um monte de gestos, a Lica ri gostoso e elas se entendem. Todo dia minha mãe vai até a casa dela, muitas vezes passeiam juntas no quarteirão, vão à igreja. Pois bem. Quis o destino que as irmãs da Mudinha alugassem parte da casa onde ela mora para um homem solteiro. Na verdade, segundo minha mãe, ele tem uma “namorada” que dorme de dia com ele e à noite cuida de um idoso doente. Evangélica, dona Alice ficou indignada com a atitude. – Nem dormi de noite, filho. Minha mãe solta essas frase e já esboça um riso no canto da boca, sinalizando que “aprontou” alguma.

Numa tarde ensolarada, uma das irmãs da Mudinha passou em frente à nossa casa. Minha mãe convidou-lhe para entrar e passou-lhe aquela descompostura.
- Onde já se viu deixar a irmã de vocês sozinha num quintal com um homem solteiro?
- Não vai acontecer nada, dona Alice.
- E se acontecer minha filha? A Lica não ouve, não fala. Quando vocês descobrirem ela já estará morta.
- Por que a senhora não vai lá dormir com ela?
- Olha aqui, mocinha. Você me respeite. Eu tenho idade pra ser sua mãe. E quando o seu pai morreu, pediu pra gente cuidar da sua irmã. Certamente ele já sabia que vocês iam fazer esse tipo de coisa.
- Eu não posso fazer nada.
- Pode sim. Você é irmã e tem obrigação de cuidar dela. Ela é surda e muda e não consegue se defender. Tire aquele homem de lá imediatamente ou eu vou denunciar vocês por maus tratos.

O resultado: alguém da família se reveza para dormir com a Lica. Por essas e muitas outras ótimas histórias que eu amo a minha mãe.

Dona Alice, num momento hidroginástica.
Quanto mais ouço o cd “O”, de Damiem Rice, mais tenho certeza. É excelente, excelente, excelente.

Thursday, November 24, 2005

Saiu hoje na Folha de São Paulo:

Pensão deve ser paga desde concepção

Decisão de juiz do RS obriga homem a pagar benefício desde a geração de garoto

LÉO GERCHMANN
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Um homem no Rio Grande do Sul foi condenado ao pagamento de dois salários mínimos mensais acumulados desde a concepção de um garoto de 16 anos, em agosto de 1988. O valor total a ser pago por L.L.F. é de R$ 124.200, segundo a decisão do Tribunal de Justiça do Estado.
Em primeira instância, a decisão foi tomada pelo juiz Ricardo Tjäder, de Cruz Alta. No dia 9, foi confirmada pela 7ª Câmara Cível do TJ-RS. Durante o processo, movido pelo adolescente -que foi representado pela mãe, V.C.S.-, L.L.F. se recusou a fazer o exame de DNA (de 20 de maio de 1996 a 20 de fevereiro de 2003). As provas, então, foram testemunhais, somadas ao fato de que a recusa presume participação no ato. As provas testemunhais confirmaram o namoro e comprovaram que V.C.S. apareceu grávida logo após o término do relacionamento com L.L.F.
“”Antes, quando o réu se negava a fazer o exame de DNA, não havia prova e estava encerrado o processo. Hoje, entende-se que ele abriu mão de uma prova que poderia inocentá-lo. Resumindo, pelo entendimento atual, quem cala consente“, disse a desembargadora Maria Berenice, relatora do acórdão.
Normalmente, o pagamento de pensão alimentícia ocorre a partir da citação do réu, que fica, então, sabendo da paternidade.
”Desconheço outras decisões desse tipo no Brasil. Não acho que, a partir de agora, todas as ações devem retroagir para antes da citação. Cada caso tem sua peculiaridade. Deve ser a partir do momento em que fica provado que ele sabia da paternidade.“
”Com essa decisão, mais uma barreira machista é derrubada, e avançamos no sentido de gerar uma paternidade responsável. Cada vez mais, vai-se determinar que o poder familiar é, na verdade, um dever familiar", afirma.
No caso de L.L.F., ele não será preso caso não pague o valor total pelos 17 anos e três meses (R$ 124.200). Haverá, sim, uma penhora sobre seus bens.
A prisão civil, nesse tipo de caso, ocorre se há inadimplência por três meses seguidos a partir da sentença.
A Folha não pôde ter acesso às partes no processo, sob a alegação do sigilo judicial e do envolvimento de um menor.

Tuesday, November 22, 2005

Volta e meia eu e o Beto conversamos sobre questões definitivas, principalmente no que se refere à música. Concordamos, por exemplo, que Eu sei que vou te amar, será sempre insuperável na voz de Tom Jobim. Menino do Rio, só com Baby Consuelo. A nossa divergência era sobre Haja o que houver. Eu acho que ninguém é melhor que Madredeus. Ele gosta da interpretação da Zizi Possi, emocionante, registre-se.

Outra situação ligada à música que também é definitiva, para mim, é a Noite Latina. A festa do charuto cubano promovida pela salve, salve Janaína Ávila só funciona no Valentino, com aquele calor insuportável, com as pessoas se espremendo suadas e tomando o melhor mojito da cidade.

Estou falando isso porque na última sexta-feira, Janaína tocou na sede de inverno do Londrina Country Clube. Acho até que ganhou cachê. Estavam lá as mesmas músicas, o mesmo ritmo – tudo bem que o ex-BBB Serginho foi o maior “mata pista” da noite – os mesmos amigos queridos. E tinham ainda, o frescor daquele monte de gente linda, desmamada no Yakult, criada no Danoninho e perfumada com Calvin Klein.

De qualquer modo, não rolou a química, não teve borogodó, saca? Mesmo a minha música preferida, Olhos Coloridos, não teve aquela “coisa tipo assim” que rola na pista do Valentino.

E mais. Chega o fim de ano e começa a conversa de que o Galvão Bueno vai fechar o bar para quem está in, out, up ou down. Daí as pessoas se reúnem, clamam por mais um tempo. Há quem sugira transferir o bar para outro lugar. Não sou dono da verdade, mas arrisco dois palpites:

1) o que aconteceria no mundo se o Valentino fechasse?

NADA, ABSOLUTAMENTE NADA.


2) O Valentino funcionaria em outro lugar?

NÃO, ABSOLUTAMENTE NÃO.

Meu pai, o finado seo João, dizia que certas coisas têm “catiça” (ou será catissa?). Não adianta espernear. É daquele jeito e pronto.

A Noite Latina é espetacular porque é no Valentino. Pode esquecer de qualquer outra alternativa. Não funciona. E se um dia o Bar fechar ou trocar de lugar, também acaba. E a vida vai continuar exatamente como está, com cada coisa exatamente no lugar que lhe cabe.

Monday, November 21, 2005

Da próxima vez que alguém me disser que eu sou super legal, um amigo super querido, vai levar um murro na boca.

E mais não digo porque estou com raiva.

Thursday, November 17, 2005

Eu gosto de ir à academia, especialmente às aulas de Body Balance. Aqui, no lançamento do último mix, à beira do Igapó. Eu e a Fernanda, professora, fazendo o senhor da dança e uma das posições do guerreiro.

Senhor da dança


posição do guerreiro


Vai encarar?

Mire as pernas...

Wednesday, November 16, 2005

Eu gostei de Belíssima desde a primeira cena. Até dei entrevista para o jornal Agora, falando sobre a nova novela de Sílvio de Abreu. Mas no dia em que fui entrevistado, ainda não havia tocado a música tema do casal protagonista - Glória Pires e Marcelo Antony.

Eis então que o casal se encontra numa cena tipicamente folhetinesca e começa uns grunhidos que eu logo identifiquei a melodia. Era a música do filme Closer, The blower's daughter. Não caros, amigos, era só um arremedo.

Quem fez o favor de estragar totalmente a música foi a Simone. Assim como ela fez com o John Lennon em Merry Christmas - então é natal... a festa cristã... lembra? - a cantora conseguiu que algum safardana fizesse uma letra bem brasileira, ou seja, pobre.

O Beto ainda quis que eu cantasse uns versos. Que começa com o título deste post. Como se pode ver e ouvir, além de tudo ser de péssimo gosto, o “tradutor” ainda comete um erro de português e a música vai ser usada por algum bom professor que aponte os erros de mais este engodo e oportunismo de Simone.

E mais não digo porque estou cansado.

Sunday, November 13, 2005

A Medida Da Paixão, de Lenine

É como se a gente não soubesse
Pra que lado foi a vida
Por que tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saída
Nem medida na paixão

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me machucou

É como se a gente presentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou medo de ficar
Vazio demais meu coração

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou


Esta é a melhor turma de jornalismo com a qual eu tive a honra de trabalhar e ser nome de turma. No grupo tem ainda outros dois professores espetaculares: Flávia Bespalhok e Mário Benedito Salles, o Bola.

Friday, November 11, 2005

A semana foi de muito trabalho. Por conta da assessoria para o Congresso de Criminologia, praticamente tomei café da manhã no mesmo horário todos os dias. E em respeito ao próximo feriado, os alunos da escola vizinha ao meu prédio cantaram o hino da proclamação.

Entre um pedaço e outro de pão, de repente começava a ouvir “liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós”. Senti muita melancolia.

Somos um país de absurdas desigualdades. Somos cínicos e hipócritas. Se Deus olhasse para a Terra somente hoje, veria que temos muito mais paciência que Jó. Aceitamos calados toda e qualquer patifaria governamental. Fingimos ser a favor de qualquer postura moralmente aceita, embora nas alcovas os desejos reprimidos fiquem à solta. Toleramos um presidente que afirma e reafirma, quase diariamente, ser desatento e pouco responsável por tudo que o cerca. Acreditamos num “adolescente” de 17 anos que afirma ter sido seduzido por um padre. Consideramos super bonito, descolado e politicamente correto ter amigos gays, negros, obesos e portadores de deficiência. Mas quando essas “características” cruzam o portão da rua e se instalam dentro da nossa casa, aí é que são elas.

Ontem, conversando com a coordenadora municipal do programa de DST/Aids, ela me disse não esperar que pelo menos em duas gerações, as pessoas sejam mais conscientes sobre sexo seguro. Falando com um padre que trabalha com adolescente infrator, concluímos – mais uma vez – que é na sociedade o lugar onde nascerão as alternativas concretas e possíveis para diminuir a violência que nos cerca. Do Estado, não se pode esperar nada, exceto desmando e corrupção.

E assim, de crença em crença, desilusão em desilusão, esperança em esperança, descrédito e desolação, talvez nunca tenhamos a condição exata de entender o real significado de cantar “liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.

Saturday, November 05, 2005

Hoje foi um dia esquisito. Senti um cansaço tremendo, além de um vazio enorme. As razões, penso que as desconheço.

Eu costumo dormir fora de hora. Hoje foi assim na análise. Depois se repetiu num dos filmes da abertura da Sétima Mostra de Cinema de Londrina. Também já ocorreu na aula de inglês, repete-se quase em todas as aulas de body balance. Se fico quieto, durmo.

Numa das projeções fui apresentado à música de Lenine, A medida da paixão, pela qual fiquei completamente apaixonado.

Neste momento deveria estar dormindo. Mas este terrível futuro do pretérito não permitiu.

Estou sem sono, carente e com uma ligeira irritação por ter sido enganado pela Glória Perez. Não foi desta vez que uma novela chinfrim entrou para a história da teledramaturgia brasileira. Creio que foi apenas estratégia de marketing. Pela primeira vez, o público não esperava pelo beijo da mocinha. Mas se em tudo este país é uma fraude, por que não o seria na novela?

Não gosto quando os pensamentos ficam assim difusos. Mas eles os são, independente da minha vontade. Assim como é quente em Londrina, assim como existe o horário de verão, assim como parece haver um desconforto generalizado diante de tudo.

Você bem que poderia chegar de mansinho, sem avisar e tomar conta de mim. Eu ainda não sei o seu nome, mas tenho certeza que é alguém que eu estou esperando.

Thursday, November 03, 2005

O Beto esteve por aqui nesses últimos dias. E contei-lhe que depois de arrumar um pouco da bagunça caseira, encontrei uma revista antiga que recebi em julho, mas até agora não havia iniciado a leitura. Na capa, as previsões astrológicas para este segundo semestre, já perto do fim.

Pois bem. Segundo os astros, para os cancerianos como eu, “no trabalho, o cotidiano profissional do nativo deverá sofrer mudanças radicais ao longo dos próximos meses, trazendo uma agradável sensação de renovação”.

A gente resolveu se divertir. E dai?


Lancei algumas sementes nesses últimos dias. Fiz a lição de casa e, mais do que isso, envolvi as pessoas mais importantes da minha vida nesta mentalização positiva. Tomara que algo frutifique.

Hoje, voltando da faculdade, senti a doce sensação do bem estar. Olhei para os lados, percebi a boa música que tocava no rádio e pensei: putz, você deu um grande passo.

Talvez seja o decisivo. Talvez seja o necessário para subir mais um degrau. Talvez seja mais uma etapa de crescimento espiritual. Talvez seja a hora. Como é doce e esperançoso este talvez.

Ainda que o mundo mude, as pessoas legais, por favor, fiquem por perto.