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This is the archive for June 2005

Wednesday, June 29, 2005

Toda vez que tem uma discussão no senado, Heloísa Helena grita, grita, grita. E, invariavelmente eu lembro do Beto. Nestas ocasiões, ele sempre tem uma frase ótima:
- Grita demais. Quem tem razão precisa disso?

Monday, June 27, 2005

Como superar um fora

Enquanto fazia um curso em outro país, uma brasileira recebeu uma carta do noivo pedindo que ela devolvesse a fotografia dele porque se apaixonara por uma outra mulher. A garota ficou arrasada, os colegas de classe tentaram em vão consolá-la. Até que, um dia, ela pediu uma fotografia de cada um deles e enviou-as ao ex-noivo com o seguinte bilhete:

“DESCULPE, MAS NÃO ME LEMBRO QUAL É A SUA. PEGUE AÍ E
DEVOLVA O RESTO.”

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional


O texto foi enviado pela Giselle Mazei.

Sunday, June 26, 2005

Saiu na Folha de S. Paulo, on line, e me foi alertado por um amigo muito especial...

24/06/2005 - 20h53

TJ condena universitário a indenizar professor por discussão em sala


da Folha Online

Um estudante de direito da Unigranrio (Universidade do Grande Rio) foi condenado pela 4ª Câmara Cível do TJ (Tribunal de Justiça) do Rio, por unanimidade, a indenizar um professor em R$ 13 mil por tê-lo chamado de “bobão” e “otário” durante uma discussão ocorrida em sala de aula, em 2002.

Segundo o TJ, o professor afirma que aplicava uma prova de múltipla escolha, de Direito Tributário 2, quando pediu a alguns alunos que mudassem de lugar para evitar a “cola”. O aluno teria, então, desafiado e afrontado a autoridade do professor, ignorando os apelos de colegas.

Apesar de ter permanecido na sala, ao contrário dos demais alunos, ele não recebeu a prova. Em sua defesa, o universitário alega que resistiu pois havia chegado mais cedo para estudar e aproveitou para sentar-se em um lugar mais próximo do ventilador, devido a fortes dores de cabeça e falta de ar.

Os desembargadores mantiveram a sentença dada, em primeira instância, pela 1ª Vara Cível de Duque de Caxias (RJ) pois, para eles, a “conduta desrespeitosa do aluno expôs o professor, que na ocasião ocupava também o cargo de diretor adjunto do curso de Direito, à situação vexatória, ficando caracterizado o dano moral”, segundo o TJ.

Para o desembargador Siro Darlan, relator do recurso, “não se pode admitir condutas de tal natureza que revelam o ânimo do aluno de simplesmente tumultuar o ambiente em dia de prova, desrespeitando de forma contundente o mestre, diante de mais de 40 estudantes”.

Friday, June 24, 2005

Haverá uma hora que diremos eu te amo pela internet?
Terá um momento em que nos casaremos pela internet?
Chegará o dia em que filhos serão paridos pela internet?
Numa hora qualquer, pesquisadores poderão me clonar com um clique na internet?
Talvez num determinado momento, as mais de seis milhões de pessoas com as quais estou conectado pelo orkut, dir-me-ão um oi, pela internet?
Terá até aquela hora, em que nossas dores parecerão ultrapassar o limite do corpo e esvaziar a nossa alma pela morte de alguém querido, e os amigos verdadeiros nos darão condolescências pela internet?

Sinceramente, espero que não.

Wednesday, June 22, 2005


Daqui a pouco, mais precisamente às 22h30, completarei 35 anos. Confesso que esta idade nunca me passou pela cabeça. Sim, sonhei em fazer 18 anos. Para ter carro e poder pegar filme pornográfico na locadora. Depois eu achei que seria legal fazer 22 anos, ser jornalista, correr o mundo. Mas fazer 35, nunca. Não sei dizer exatamente onde eu gostaria de estar. Talvez por querer estar exatamente aqui, quem sabe?

Agora há pouco revi uma amiga que conheci quando comecei a trabalhar no Banco do Brasil. Demo-nos conta que 20 anos se passaram. E naquela hora, ali no meio da tarde, lembrei da Dona Mafalda, professora de português – a melhor que já tive – e diretora do Colégio Souza Naves, onde me formei Técnico de Contabilidade.

Numa das aulas particulares que ela me deu de graça, como preparação para o concurso do Banco do Brasil, fez uma pausa para contar uma história. Disse que houve um poeta que, em datas especiais, refletia sobre a passagem do tempo. Mas ao olhar para trás, sempre sentia uma paz imensa e regozijava-se por tudo que alcançara.

Hoje eu estou assim. Olho para trás e não há absolutamente nada a reclamar. A vida me deu mais que eu podia esperar. Nossa pequenez sempre nos remete às ausências, talvez até como desculpa para continuar sonhando. É uma bobagem. Ao sonhar com as estrelas, esquecemos o chão, a terra que tanto nos oferece.

Trabalhar em um banco me ajudou a ser pragmático em muitas coisas, o que é algo significativo para um canceriano típico como eu. Sim, de vez em quando há lamentos egoístas. Mas isso é um pequeno deslize da alma.

Quando olho para trás me alegro das relações que construí. Da casa onde saí e em todos os lugares em que estive, fiz amigos verdadeiros. No jardim da infância, no Banco, no colegial, na faculdade onde estudei, nas faculdades que lecionei e onde ainda estou. As tevês, o jornal, o mestrado, a vida. Deixei um pouco de mim por onde passei. E levei muito das pessoas mais bacanas que já passaram e daquelas que ainda hoje estão na minha vida.

Por mim e por todos vocês, amigos de todas as horas, é que eu sempre digo: viver é muito bom.

PS: quer lembrar de mim, de vez em quando?

Thursday, June 16, 2005

Eu decidi fazer jornalismo para trabalhar em televisão. Obviamente queria ser repórter e depois apresentar o Jornal Nacional. De JN mesmo, só tive o objeto de pesquisa para o mestrado. Estreei no veículo no dia primeiro de janeiro de 1993, data da posse do primeiro governo petista de Londrina, o de Luiz Eduardo Cheida.

Foram alguns anos como “pautista” da TV Cidade até, finalmente, ocupar a função que mais gosto, a de editor. Obviamente que não existem boas pautas todos os dias, embora alguns colegas de função sejam bem preguiçosos, vamos falar a verdade. Porém, é extremamente desgastante conseguir quatro, seis assuntos diários para que as equipes saiam às ruas.

Admito que sou um pauteiro muito pouco paciente e isso me obrigou a contar até mil, dezenas de milhares de vezes. Porém, minutos atrás eu exercitei o meu lado budista de ser.

- Alô.
- Por favor, é da residência do fulano de tal?
- Sim.
- Ele está?
- Eu não sei.
- Só confirmando, aí é o número tal, casa do professor da UEL tal?
- Sim.
- Você é o que dele?
- Filho.
- Sei. Eu sou o produtor do... e queria convidá-lo para participar do programa. Você sabe onde eu posso encontrá-lo?
- Não.
- Ele está em Londrina? Está na UEL?
- Sabe que eu não sei?
- Você não sabe onde o seu pai está hoje?
- Não.
- Só uma dúvida: você mora com o seu pai?
- Sim.
- E você não sabe se ele está em Londrina?
- Não.
- Sua mãe está?
- Também não.
- Você sabe onde eu posso encontrá-la?
- Não.
- Ok. Obrigado.

E ontem, sucedeu-se o seguinte com o assessor de um político:
- Alô.
- Boa tarde. Você é o fulano de tal, assessor do beltrano de tal?
- Sim.
- Aqui é do... Você conversou com ele sobre o meu convite?
- Sim.
- E?
- Sabe o que ele disse?
- Não. Mas certamente você vai me dizer.
- Ele está chateado com você.
- Comigo? Por que?
- Porque quando ele estava discutindo as questões da região metropolitana de Londrina você não o convidou para ir ao seu programa.
- É verdade. E sabe por que eu não o convidei?
- Não.
- Porque não existe nada de concreto sobre a região metropolitana. Tanto que não fiz nenhum programa sobre o tema. Por enquanto são só idéias. Quando houver algo concreto, quem sabe eu posso convidá-lo.
- Este assunto não lhe interessa?
- Você é jornalista?
- Sim.
- Pois então, não há gancho para discutir este assunto no momento.
- Mas sobre a situação política do país você quer falar?
- É óbvio.
- Pois é...
- O fulano não quer vir ao programa?
- Ele quer, mas não para falar sobre este tema.
- Mas ele tem um cargo público e de referência para o Estado. Você acha mesmo que é uma questão dele querer ou não? É o ônus do cargo.
- Vou falar com ele de novo.
- Vamos combinar o seguinte: claro que ele não é obrigado a vir. Mas preciso de uma resposta definitiva, se sim ou não.
- Ok.
- E só lembrando que por respeito ao telespectador, eu direi no ar que ele foi convidado mas não quis comparecer, ok?
- Você vai dizer isso?
- Com certeza absoluta.
- Ok.

Meia hora depois a entrevista estava confirmada.

Precisa dizer algo?

num cruzamento qualquer de Curitiba, a gente estava bem feliz.
- Oi.
- Eu te liguei hoje à tarde...
- Eu vi no bina. Mas naquele horário eu estava trabalhando.
- Queria passar aí na sua casa.
- Eu até comprei cerveja.
- Pois é.
- Vem agora?
- Putz, estou com uma preguiça...
- Venha logo. Estou com saudades.
- Acho que não vai dar.
- É uma pena.
- Vamos dormir juntos, de verdade, sem fazer nada.
- Não vem com essa conversa mole.
- Eu prometo que a gente só vai dormir mesmo. Queria ficar abraçado com você algumas horas.
- Eu sei.
- Juro, não farei nada. Você não confia em mim?
- Em você eu confio.
- Então...
- O problema sou eu.Eu não confio em mim.

Tuesday, June 14, 2005

Por uma compulsão que beirou a histeria, companheiro Beto fez questão de registrar todas as entradas que fizemos no elevador. Você terá aqui, a oportunidade de saber quantas vezes saímos de casa entre às 19h52 de sexta-feira, dia 10, até a madrugada de domingo.

Primeira saída: ansiosos pela entrega do prêmio Sangue Novo de Jornalismo. Confiança e expectativa, serenidade e perspectiva retratam os sentimentos que batem forte em nossos corações....

Monday, June 13, 2005

PS:

Com a absolvição de Michael Jackson, tomara que todas as denúncias de assédio sexual sejam vistas com mais cuidado.

Não foi exatamente o que eu esperava. Mas a vida é assim. Em Curitiba, no 10º Prêmio Sangue Novo no Jornalismo, os meus alunos ficaram com uma menção honrosa e um terceiro lugar. Como não vimos os outros trabalhos, não dá para lamentar. São as regras da competição.

Por um lance de deselegância e mesquinharia de uma figura, fui pra Capital de carro. Mas nesta fase pré-aniversário, com síndrome de Poliana, tenho enxergado o lado bom de tudo. Um exemplo? Levei todos os trabalhos e provas para a casa da Simone. Ela, o Beto e o Marcos me ajudaram na correção. Amigos de verdade estão ali. Também pude levar uma penca de roupas, jornais, revistas. Nem precisei pensar no que por na mala. Enchi o bagageiro e boa.

Na estrada, pude ouvir todos os bons cd’s que levei. E observar que o povo paranaense está pagando alto pelas reformas no asfalto que conduz à capital. Ano que vem talvez já tenhamos mais que os quilômetros da Serra do Cadeado duplicados. Nada a ver com a eleição para governador, óbvio.

Quando avistei o Parque Barigui me deu uma saudade imensa do tempo que vivi em Curitiba. Não foi uma época fácil e quase tudo saiu fora do planejado. Regressei, reavaliei e refiz questões importantes. Mas de alguma forma sinto que vou voltar. Sei que ainda vou voltar. O tempo para isso continua uma incógnita. Mas Londrina não é para sempre.

Além da excelente companhia dos amigos que revi, também comprei um CD maravilhoso da Dianna Krall. No caminho de volta, senti paz. Algo que estava faltando, havia tempos.

Viver é sempre muito bom.

Friday, June 10, 2005


Resolvi ir ao show da Zélia Duncan, mas confesso que o entusiasmo estava bem pequeno. Mas não é que o show foi bom demais da conta? A mulher tem carisma, é simpática, acaricia o público, além de fazer um som bem maneiro. Sem contar que, para delícia das bolachas de plantão, a melhor cantora do mais recente Prêmio Tim de MPB bradou que Londrina lhe deu muito tesão.

Pra ajudar, tive a maneira companhia da Thais, Paula Fontes, Daniele, Ingrid e Julia. Uma beleza de noite...

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Hoje, dia 10, meus adorados e idolatrados ex-alunos da Metropolitana são finalistas no prêmio Sangue Novo do Jornalismo. Dedos cruzados porque acho que a gente tem bastante chance.

Está quase todo mundo aqui...Infelizmente a Luciana e a Giselle faltaram nesse dia. E tb o Hanz, né, que editou o documentário dos japas.


Wednesday, June 08, 2005

Junho e novembro são meses muito complicados. São dezenas e dezenas de trabalhos, provas, trabalhos de conclusão de curso. Ao menos por três semanas, mal consigo respirar. Pra ajudar, fiz um frila em Maringá e outro em Londrina na semana passada. Portanto... aos que sentiram falta de algo escrito por aqui, minhas sinceras desculpas.

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O evento que prestei assessoria em Londrina trazia o ex-ministro Maílson da Nóbrega. Ele veio falar de conjuntura econômica e política. Num trecho do bate-papo com a imprensa, destacou que durante muitos anos, o PT acreditou que detinha o monopólio da ética e da moralidade neste País. Os fatos recentes provam a miopia petista.

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Hoje pela manhã, na aula com o quarto ano, um aluno lamentou comigo este quadro tão absurdo. E admitiu que quase chorou de vergonha. Parece que não há mais fundo do poço nesse mar de lama. Quando a gente pensa que já viu de tudo, há mais e mais a ser descoberto, revelado. O pior é saber que isso ainda vai longe. Pra pior, claro.

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Sábado vi um filme muito bom. Kinsey, vamos falar de sexo conta a história do pesquisador Alfred Kinsey, que fez um levantamento detalhado e minucioso sobre o comportamento sexual de homens e mulheres dos Estados Unidos. Conseguiu dados significativos. Obviamente assombrou a moral e os bons costumes daquela época, lá pelos idos dos anos 40. Uma frase me chamou a atenção. Quase ao final do filme, um auxiliar questiona o pragmático biólogo onde entrava o amor, naquele amontoado de números, dados e estatísticas. Ao que o maduro e sábio respondeu: “o amor não se mede, não se quantifica, não se delimita. Portanto, não pode ser objeto de nenhuma pesquisa.”
Se puder, veja o filme. É bom demais da conta.

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Aprecio muito a novela das sete. A lua me disse é uma sucessão de clichês feita com competência, texto acima da média e elenco afiado. Falo mais outro dia. Hoje, o personagem CDF leu um poema de Antonio Cícero para o objeto de sua ternura e contentamento:
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre, perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la.
Fitá-la, mirá-la por admirá-la.
Isto é: iluminá-la e ser por ela iluminado”

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Mordi a língua. Hoje finalmente alunos da Universidade Estadual de Londrina fizeram um manifesto por melhor qualidade do ensino superior. Tudo bem que eram poucos. Mas sempre é muito, perto da omissão generalizada.

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Estou perto de completar 35 anos, metade de minha vida efetivamente útil. O que prevejo para o futuro tem um misto de desencanto e desesperança. Mas o que enxergo no passado sempre me enche de alegria. E tenho saudade de tudo.