Esta semana, se eu fosse mulher, poderia usar a boa e velha desculpa da TPM. Ando muito, muito irritado, contando até 357 para não dar patadas além da conta. Eu detesto fases como esta. Está foda encontrar o jeito de digerir o sapo que precisa ser engolido.
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Era final de primavera de 1993. Recebo um telefone do Donizete Buganza anunciando a morte do Jorge Marcos Leão, o coreógrafo que montou o espetáculo de estréia do Ballet de Londrina, mas não pôde apreciar a obra no palco, por conta de um acidente de moto. O Leão coreografara algumas cenas minhas no espetáculo Perfidamente Teu e nos tornáramos amigos. Foi um baque daqueles, uma tristeza sem fim. Na época, ganhei de presente de um amigo, um frasco de perfume bom. No fundo, ele escrevera uma mensagem: “não se preocupe: até isso vai passar”. Ele mentiu. A morte de alguém querido não passa nunca. A gente até se recupera, toca o barco. Mas esquecer, jamais.
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Até agora não entendi direito. Mas o fato é que eu me inscrevi no teste seletivo para professor da UEL. Na terça-feira foi a prova. No dia do sorteio do tema, eu prometera que se caíssem quatro temas específicos, não faria a prova. Como a sorte pareceu estar ao meu lado, fui lá conferir como era. Após o exame da banca, saí do CECA muito mal, com a sensação de que sou um verme, um grande equívoco como professor. Desacreditei no método, no conhecimento, na forma de orientar, indicar, apontar alguns caminhos e possibilidades. Fiquei tão irritado, que em certo momento da entrevista, disse aos componentes da banca que eles deveriam avaliar bem o meu perfil e só depois decidir se eu me encaixava dentro do que a UEL precisa. Na Unopar, falei com a coordenadora que estava tudo errado, que eu não poderia estar dando aula nem em cursinho. As palavras que ouvi de alguns integrantes da banca ficaram martelando na minha cabeça até sexta-feira à tarde. Foi quando saiu o resultado do teste.
Dentre os seis candidatos, eu fiquei em primeiro lugar. Mas não comemorei, porque o caldo já estava entornado, já tinha perdido o tesão. As dúvidas que agora me rondam são:
1) Se eu era o melhor, por que aquele questionamento humilhante?
2) Se com tudo o que me disseram, fiquei em primeiro, devo supor que os outros então, valha-me Deus?
3) É necessário mesmo tocar em feridas?
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O pior momento de uma relação casual:
- Oi...
- Nossa, há quanto tempo. Estou com saudades.
- Pois é. Eu também. Tentei falar com você várias vezes esta semana, mas a Vivo parece conspirar contra nós.
- Sempre essa operadora...
- O que você está fazendo?
- Passando roupa, acredita?
- Se você diz, acredito. Mas não dá para deixar essa roupa pra depois? Eu queria ver você.
- Pois é. Eu ia mesmo te ligar.
- Estava com saudades?
- Sim, mas não era só por isso.
- O que houve?
- É que eu estou namorando.
- ... (silêncio constrangedor) É mesmo? Que bacana.
- É. A gente se conheceu faz pouco mais de um mês e agora decidimos que é namoro.
- Que bom, fico feliz por você.
- Obrigado. Mas ó, eu gosto muito de você, viu?
- Eu sei.
- Não deixe de me ligar pra gente conversar. Você é muito especial.
- Claro, pode deixar que eu ligo. (vá se foder...)
- Vamos sair uma hora dessas pra conversar.
- Vamos sim. Assim que você tiver uma brecha aí no namoro, me liga então.
- Beleza, pode deixar que eu ligo.
- Até mais!
- Abraço!
Publicado em 21 de março de 2005 às 01:38 por joao