A solidão e sua porta
Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar.
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),
Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
E até Deus, em seu silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha
E arquiteta na sombra a despedida
do mundo que te for contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
Com tudo que insolvente e provisório
e de que ainda tem uma salva:
entrar no acaso e amar o transitório.
Carlos Pena Filho, poeta pernambucano
Publicado em 29 de janeiro de 2005 às 16:36 por joao
Thaís Souza