TÊMPERA, o blog do João Bernardo

Soneto para os solitários

A solidão e sua porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar.
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),

Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
E até Deus, em seu silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha

E arquiteta na sombra a despedida
do mundo que te for contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que insolvente e provisório
e de que ainda tem uma salva:
entrar no acaso e amar o transitório.

Carlos Pena Filho, poeta pernambucano

Publicado em 29 de janeiro de 2005 às 16:36 por joao

Comentários

  1. thaisorri
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