Acabo de chegar do cinema, onde fui assistir, pela segunda vez, Closer – Perto Demais. E vou logo avisando que se alguém precisar de companhia, topo nova sessão. O filme é excelente. E, óbvio, muita gente sai da sala reclamando sobre algo que talvez nem elas compreendam.
O texto é de uma maturidade absurda. Há alguns anos, tive a oportunidade de ver a montagem de como a obra originalmente foi concebida: para o teatro. O espetáculo brasileiro trazia a Renata Sorrah, no papel que no filme é da Julia Roberts, José Mayer (Clive Owen), Marco Ricca (Jude Law) e Guta Stresser (Natalie Portman).
Closer acaba com o ideal do amor romântico. E mostra quatro pessoas diante de seus fantasmas, hipocrisias, fraquezas e, principalmente, desejos. O título deste post, na verdade, é uma das falas da Natalie, quando descobre a traição. E há muitas outras com especial clareza, que não dá para não ficar tocado.
Sempre acho incrível o quanto a gente consegue cada vez mais se distanciar do amor. É que vivemos sonhando com o impossível, com aquilo que é visto só no cinema. Mas espera aí: este não é um filme também? Sim, é. Mas não é, entende? As pessoas se irritam com o filme porque ele não tem final feliz. E porque a felicidade não existe. E porque, algum dia, em algum lugar, em algum momento, a gente vai ter que enfrentar os próprios fantasmas, as próprias angústias, as próprias limitações. E a não ser que cometamos o suicídio, teremos que apenas e simplesmente aceitar a nossa condição. E se conseguirmos ficar felizes com esta condição, daí, talvez, seja possível alguém também se aproximar.
Não está no outro, não está no externo. É urgente a necessidade de livrar-se do olhar alheio e direcionar a energia para o auto-conhecimento. As vivências, sejam alegres ou tristes, são solitárias, únicas, individuais. O máximo que se consegue é dar-se colo, reconhecer as limitações. E isso já é um grande passo.