Já faz mais de 40 minutos que ouço a mesma música: Pra te lembrar, do Caetano Veloso, tema romântico do filme Meu tio matou um cara. Antes disso, durante exatos 99 minutos, falei com o Beto ao telefone. Já estava indo dormir, quando resolvi ler o último post da Paula. Fiquei melancólico.
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Foram 25 dias de férias, passagens por Palotina, Santos, São Luis, Barreirinha, Natal, Fernando de Noronha, Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Salvador. O Beto ontem fez um comentário no meu post, questionando se este período foi um fiasco. Não foi, de modo algum. A quem se interessar, conto e mostro as partes bacanas da viagem, todas devidamente fotografadas.
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Quando visitei minha mãe hoje, ela me abraçou e falou:
- Filho, você realizou um sonho, né?
- Sim, mãe. Nestas férias eu acho que vivi o momento mais bonito da minha vida.
- É? Onde?
- Lá em Fernando de Noronha. Eu mergulhei.
- No fundo do mar?
- Sim. Consegui descer 12 metros.
- Não ficou com medo?
- Só no começo, mas a instrutora foi junto.
- É bonito debaixo do mar?
- É lindo.
- O que você viu?
- Muitos, muitos peixes, de vários tamanhos e cores. Tartaruga, raia, golfinho.
- Tinha tubarão?
- A instrutora falou que é comum eles aparecerem. Mas no dia que eu mergulhei, não vi nenhum.
- O que você pensou lá embaixo? Ficou com medo de não voltar?
- Não fiquei com medo. Teve uma hora que a instrutora me virou e eu estava no meio de um cardume de pequenos peixes, todos amarelos.
- Eles não avançam na gente?
- Não. E se a gente não faz movimento, eles também não fogem.
- Tirou foto?
- Tirei, amanhã vou revelar.
- Mas no que você pensou?
- Em todas as pessoas que eu amo, em especial os meus amigos. Lembrei da senhora, do Keno, do Juliano, do Beto. Eu me sentia no paraíso. E desejei levar todo mundo pra lá. A Raquel, a Thais, a Fabíola, a Madalena, a Lalda.
- O Carlos também mergulhou?
- Sim, mas ele foi com outro instrutor.
- O que mais você sentiu?
- Uma paz imensa.
- E se você morresse lá?
- Ah, morreria feliz.
- E eu, o que eu ia fazer?
- A senhora ia receber o meu corpo.
- Não brinca.
- Foi um sonho mãe.
- Sabe o que eu fiz pra você?
- O que?
- Bolo de milho e aquela torta que você gosta.
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Certa vez o Beto editou uma matéria que a Christina Mattos fizera com o Domingos Pellegrini. No final, ele, o Dinho, dizia algo como era bom ter raízes, voltar para Londrina. As férias foram ótimas e acho que elas se comparam ao sexo. São fundamentais. Mas quando o avião sobrevoou Rolândia e eu fui acompanhando pela janela a chegada à Londrina, enxerguei o meu prédio lá do alto, me deu uma alegria, uma felicidade, que parecia que o coração ia saltar pela boca.
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Cheguei em casa, desfiz as malas, botei camisetas, shorts e outras peças para lavar. Entrei em todos os cômodos, abri as gavetas, os armários, fui ao banheiro, passei um pouco de perfume. Estava tudo aqui. A minha vida, a minha história, as minhas coisas, os meus afetos. Amanhã tem mais uma vida inteira por ser vivida. E acho que é preciso agradecer porque viver é muito bom.
Publicado em 24 de janeiro de 2005 às 02:30 por joao