O coração do Centro Histórico de São Luis é muito interessante. Além de vários restaurantes com comida típica, saborosa e com preço bem honesto, há dezenas de bares, centros de artes, cinema etc. e tal. São tantos os bares, que eles se juntam em três e contratam o mesmo artista para alegrar os clientes. Isso significa que em cada esquina de menos de 50 metros tem alguém cantando. Quem fica no meio, não ouve nem um, nem o outro. Mas é divertido.
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Era o nosso último dia útil na capital maranhense e fomos experimentar a carne de sol e o cuxá (ou será cuchá?), uma planta cujo formato lembra a folha de maconha e o gosto é um pouco parecido com o da alcaparra. O clima estava bastante agradável quando um artesão começa a proferir palavras de ordem na praça ao lado do restaurante. Algumas frases desconexas, mas a conclusão era que ele estava revoltado com o sistema. Abusado, tirou a roupa e ficou peladão no meio da praça, bradando mais e mais palavrões. Não passou um minuto para que a viatura da polícia chegasse e ele fosse gentilmente, à base do cacetete, convidado a adentrar no camburão. Tentou reagir e levou muitos golpes nas costas e na barriga. A população ficou atônita com a atitude dos ratos fardados. Mas ficou impassível.
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Passado aquele momento de agitação, eis que surge um repórter da Rede Globo, não me lembro o nome da afiliada local, pertencente à família Sarney, acompanhado de uma figura popular, que pareceu ser um tipo de repentista famoso por aquelas bandas. Gravam num lugar e em outro até que começa outro alvoroço na praça. Era um gato correndo atrás de um rato. A agitação contagiou principalmente as crianças, que acompanhavam o desespero do ratinho, tentando fugir para todos os lados. Roubou a cena do global. Por alguns poucos segundos, o rato conseguiu se esconder até ser descoberto por um verme juvenil, que o chutou para o meio da praça, para deleite do gato. O repórter – que usava terno e gravata marrons, sapato preto e meias azuis marinho – precisou interromper de novo a entrevista, até que o cinegrafista, irritado, conseguiu chutar o rato tão longe, que o mesmo morreu na queda. Conseguiu fugir do gato, mas não sobreviveu ao homem. E mais um ciclo se completou ali.
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São Luis é bonita e pobre. Os engraxates aqui não são crianças, nem adolescentes. São homens feitos. E a quantidade de pedintes é tanta que chega a incomodar. Os ricos daqui não se misturam mesmo. Moram num bairro no lado “novo” da cidade e muito dificilmente frequentam a parte histórica.
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Armazém é o melhor restaurante da cidade, pertencente à família - advinhem? - Sarney. Música de excelente qualidade, decoração elegante e sofisticada e preços bem honestos, além de uma carta de vinhos excelente. O point descolado.
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É, viver é muito bom.
Publicado em 13 de janeiro de 2005 às 22:12 por joao