O navio Oceanic tem nove andares e capacidade para mais de mil pessoas. Nesta viagem levou 702 passageiros e mais 325 tripulantes, de 26 nacionalidades. Os brasileiros são maioria (80), com grande parte vinda de Curitiba. É uma verdadeira cidade, com clínica médica, academia, boate, cassino, teatro, cinema, duas piscinas, dois bares, duas casas de shows, dois restaurantes. Um hotel cinco estrelas flutuante.
Dentro da embarcação você é tratado como um rei. Do recepcionista, ao carregador de mala, da arrumadeira ao camareiro, do cara que serve as bebidas – existe um para água, outro para sucos e refrigerantes e um terceiro para os destilados – aos chefes de cada seção, todos são muito, muito gentis e amáveis. Existem ainda canais exclusivos dentro de cada camarote e uma equipe de animadores dá conta de deixar os passageiros ocupados todo o dia, das seis à meia-noite. A hierarquia é muito respeitada, assim como os horários, britanicamente cumpridos.
Conversei com uma dupla – garçom e assistente de garçom – de Curitiba. Eles assinam contratos de quatro ou sete meses e passam todo esse tempo dentro do navio, com intervalos para dormir e descanso de uma, duas horas por dia. Os garçons ganham, em média, 450 dólares por semana, fora as gorjetas, que podem chegar a 80 dólares por cada cruzeiro. Neste período vivem para o trabalho. Os dois são formados em turismo. E vêem a experiência como única de aprendizado. As regras são claras, rígidas e precisam ser cumpridas num intervalo de tempo. Acaba uma refeição, eles têm “x” minutos para limpar as mesas e arrumá-las para o próximo turno.
O operador da agência de turismo disse que eles ficarão quatro meses fazendo o trajeto Recife-Fernando de Noronha. Sempre os 702 lugares estão repletos. Isso considerando que a cabine mais barata custa 325 dólares. Aliás, dólar é a moeda corrente dentro do navio. Uma água, 0,90 cents, um suco, dois dólares, um refrigerante idem. O valor da cabine inclui todas as cinco refeições servidas ao longo do dia.
Os passageiros são todos endinheirados, o que se nota pelo comportamento “desprendido” de todos eles. Não há limites para os gastos. Festar, comer e beber durante o tempo que estiver acordado.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
Assim como fiz com a cocaína e minha viagem à Ilha do Mel, viajar de navio será uma experiência única. Dos quatro dias do cruzeiro, eu passei mal em três e meio. “Mareei”, como eles dizem. Chamei a presença do “Hugo” várias vezes. E o pior: já faz mais de 24 horas que desembarquei e ainda sinto o balanço do navio. A sensação é a que a gente tem depois de um porre daqueles. Você trança as pernas ao caminhar e a cabeça fica sempre muito pesada. Dorme e acorda mal. Portanto, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E o estômago muito forte.
Publicado em 13 de janeiro de 2005 às 22:32 por joao