A chuva me acompanhou do cinema até em casa. Aqui resolvi relembrar o tema do meu personagem na peça
Miriam, o horror em miniatura. Convidei o Plácido Domingo e o John Denver para cantarem
He couldn’t love you more. É linda, ouça quando puder.
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Meu tio matou um cara é bem singelo, leve, descompromissado. Tem o Darlan Cunha, o Laranjinha de
Cidade dos Homens, no papel de Darlan Cunha, o Laranjinha de
Cidade dos Homens. Ainda assim, eu me diverti. É uma trama policial tola acompanhada da descoberta do “amor”, se é que podemos chamar assim os arroubos juvenis.
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Lembrei da Gisele de Cássia Pegorin. Estudamos juntos na oitava série. Ela é parecida com a Elisabeth Savalla. Entre tapas e beijos, apaixonamo-nos um pelo outro. Certa vez, fui levá-la embora, depois da aula de educação física. A bicicleta barra forte da Caloi foi empurrada até que, num momento de extrema imbecilidade, eu levei o maior tombo. Até hoje não sei como consegui fazr aquilo na frente do meu amor. Era a nossa primeira saída. Quase chegando perto da casa dela, chamei-a bem perto e disse-lhe:
- Gisele, eu te amo.
- Eu também.
E assim dei o meu primeiro beijo apaixonado. Nossa primeira ida ao cinema foi para ver
Beth Balanço, com a Débora Bloch e o Lauro Corona, com uma participação especial do Cazuza. Eu estava com a perna engessada, fruto da primeira entorse no joelho. Fomos de ônibus e no escurinho do cinema, creio termos dados uns 697 beijos. Precisei voltar noutro dia, sozinho, para ver o filme. Namoramos até o ano letivo terminar. Depois eu fui cursar o Técnico em Contabilidade à noite. Ela fez Magistério pela manhã. No dia do aniversário dela, deixei uma mensagem de amor no quadro, já que sabia onde Gisele estudava. Causou espécie, mas este foi o nosso último contato. Pelo que sei, casou-se com o Serginho e mudou-se para a Itália.
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Agora toca o CD
Rita Lee em Bossa’n Roll, com a clássica,
Cry me a river. Linda. Fez-me lembrar o meu primeiro amor verdadeiro, então já com 17 anos. Ainda lá naquela época da Gisele, eu já apreciava as palavras e, principalmente sua (a dela, a palavra) objetividade. Imagine, 14 anos e declarando Eu te amo. Éramos colegas de turma, estávamos no segundo ano colegial e eu me apaixonei. Sozinho, platônico. Um dia, voltávamos da aula, paramos na esquina da Avenida Tiradentes e fui questionado:
- A Adenir veio me dizer que você estaria apaixonado por mim.
- Sei.
- É uma brincadeira?
- Não.
- Você está falando sério?
- Sim, eu estou apaixonado por você.
- É brincadeira?
- Não. Eu estou apaixonado por você.
E assim revelei meu mais puro sentimento. Não rolou nada além de uma amizade profunda.
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Talvez por apreciar tanto a literatura, dramaturgia e afins, acho o momento da cantada desafiador e excelente. Creio até, sem falsa modéstia, que fui sofisticando o método. E sabe por que eu estou relembrando disso? Um pouco por nostalgia mesmo. Mas é que tem algo me incomodando. Para dar certo, a abordagem precisa ser diferente, inusitada, ter um pouco de charme, surpresa.
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Se alguém chegasse pra você e lhe dissesse:
- Adivinhe o que eu estou fazendo agora?
- Ah, sei lá. Não gosto desse tipo de brincadeira.
- Vendo um filme pornô.
Passaria pela sua cabeça que esta pessoa está lhe cantando? Para mim não. Mas fui tirar a dúvida com a minha analista, que foi taxativa:
- Talvez a pessoa esteja projetando em você um desejo que é dela.
Ah, tá. Ufa!
muita saúde no corpinho e muita paz no espírito brou!
beijo na bunda!!!
hihihi...