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Saturday, January 29, 2005


A solidão e sua porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar.
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),

Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
E até Deus, em seu silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha

E arquiteta na sombra a despedida
do mundo que te for contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que insolvente e provisório
e de que ainda tem uma salva:
entrar no acaso e amar o transitório.

Carlos Pena Filho, poeta pernambucano

Thursday, January 27, 2005

Acabo de chegar do cinema, onde fui assistir, pela segunda vez, Closer – Perto Demais. E vou logo avisando que se alguém precisar de companhia, topo nova sessão. O filme é excelente. E, óbvio, muita gente sai da sala reclamando sobre algo que talvez nem elas compreendam.



O texto é de uma maturidade absurda. Há alguns anos, tive a oportunidade de ver a montagem de como a obra originalmente foi concebida: para o teatro. O espetáculo brasileiro trazia a Renata Sorrah, no papel que no filme é da Julia Roberts, José Mayer (Clive Owen), Marco Ricca (Jude Law) e Guta Stresser (Natalie Portman).

Closer acaba com o ideal do amor romântico. E mostra quatro pessoas diante de seus fantasmas, hipocrisias, fraquezas e, principalmente, desejos. O título deste post, na verdade, é uma das falas da Natalie, quando descobre a traição. E há muitas outras com especial clareza, que não dá para não ficar tocado.

Sempre acho incrível o quanto a gente consegue cada vez mais se distanciar do amor. É que vivemos sonhando com o impossível, com aquilo que é visto só no cinema. Mas espera aí: este não é um filme também? Sim, é. Mas não é, entende? As pessoas se irritam com o filme porque ele não tem final feliz. E porque a felicidade não existe. E porque, algum dia, em algum lugar, em algum momento, a gente vai ter que enfrentar os próprios fantasmas, as próprias angústias, as próprias limitações. E a não ser que cometamos o suicídio, teremos que apenas e simplesmente aceitar a nossa condição. E se conseguirmos ficar felizes com esta condição, daí, talvez, seja possível alguém também se aproximar.

Não está no outro, não está no externo. É urgente a necessidade de livrar-se do olhar alheio e direcionar a energia para o auto-conhecimento. As vivências, sejam alegres ou tristes, são solitárias, únicas, individuais. O máximo que se consegue é dar-se colo, reconhecer as limitações. E isso já é um grande passo.
Hoje, no jornal Agora:

“Pela metade

Conforme esta coluna (Zapping) antecipou, a nova Globeleza, Giane Carvalho, apareceu na vinheta de Carnaval apenas da cintura para cima.

Popozuda

O bumbum da moça é grande e balançou muito na hora de sambar. Hans Donner não gostou do resultado final da vinheta e tirou o rebolado.”

Wednesday, January 26, 2005


É um hábito. Toda vez que aposto em algum jogo de loteria, mentalizo as minhas ações a partir do momento que descobrir que o bilhete comprado, sim, me deixou milionário.

Dia desses, na volta de Salvador, foi assim. Li uma matéria com a Glória Kalil sobre elegância e descobri que talvez, com muita grana, eu precisasse de ajuda profissional para dar aquele tapa no visual. Imagino que compor o guarda roupa de uma pessoa com muito dinheiro deve ser uma tarefa complicada.

Pois o destino estava a meu favor. Não, fique tranqüilo. Eu ainda não estou nadando em verdinhas. Mas na segunda-feira, quando retornava de Rolândia, parei no sinal em frente ao Marista. Veio um garoto entregar um folheto – eu sempre pego o papel em respeito ao profissional que está ali ganhando um dinheiro honesto. Afinal, ele poderia estar matando, roubando, estuprando, ouvindo Sandy e Júnior, fazendo curso de go go boy no Senac, não é mesmo?

Passei o olho no escrito e vi que, definitivamente, todos os meus problemas estavam resolvidos. Luciany Georgia estava se oferecendo como personal stylist. Ela propõe, a preços módicos, consultoria de imagem, personal shopper, stylist para artistas, consultoria em visagismo, comportamento social, planejamento e organização de guarda roupa.

Elegante que só ela, ainda pediu que o folheto não fosse jogado em praças públicas.

Eu já estava ligando para a moça, quando me bateu uma dúvida: o que Glória Kalil achará de personal stylist que divulga o próprio trabalho em folhetos distribuídos em semáforos?

Por favor, eu realmente preciso de uma resposta para esta difícil questão. Eu joguei hoje na Megasena, acumulada em quatro milhões. Portanto, manifestem-se com urgência. É caso de vida ou morte.

Monday, January 24, 2005

Já faz mais de 40 minutos que ouço a mesma música: Pra te lembrar, do Caetano Veloso, tema romântico do filme Meu tio matou um cara. Antes disso, durante exatos 99 minutos, falei com o Beto ao telefone. Já estava indo dormir, quando resolvi ler o último post da Paula. Fiquei melancólico.

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Foram 25 dias de férias, passagens por Palotina, Santos, São Luis, Barreirinha, Natal, Fernando de Noronha, Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Salvador. O Beto ontem fez um comentário no meu post, questionando se este período foi um fiasco. Não foi, de modo algum. A quem se interessar, conto e mostro as partes bacanas da viagem, todas devidamente fotografadas.

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Quando visitei minha mãe hoje, ela me abraçou e falou:
- Filho, você realizou um sonho, né?
- Sim, mãe. Nestas férias eu acho que vivi o momento mais bonito da minha vida.
- É? Onde?
- Lá em Fernando de Noronha. Eu mergulhei.
- No fundo do mar?
- Sim. Consegui descer 12 metros.
- Não ficou com medo?
- Só no começo, mas a instrutora foi junto.
- É bonito debaixo do mar?
- É lindo.
- O que você viu?
- Muitos, muitos peixes, de vários tamanhos e cores. Tartaruga, raia, golfinho.
- Tinha tubarão?
- A instrutora falou que é comum eles aparecerem. Mas no dia que eu mergulhei, não vi nenhum.
- O que você pensou lá embaixo? Ficou com medo de não voltar?
- Não fiquei com medo. Teve uma hora que a instrutora me virou e eu estava no meio de um cardume de pequenos peixes, todos amarelos.
- Eles não avançam na gente?
- Não. E se a gente não faz movimento, eles também não fogem.
- Tirou foto?
- Tirei, amanhã vou revelar.
- Mas no que você pensou?
- Em todas as pessoas que eu amo, em especial os meus amigos. Lembrei da senhora, do Keno, do Juliano, do Beto. Eu me sentia no paraíso. E desejei levar todo mundo pra lá. A Raquel, a Thais, a Fabíola, a Madalena, a Lalda.
- O Carlos também mergulhou?
- Sim, mas ele foi com outro instrutor.
- O que mais você sentiu?
- Uma paz imensa.
- E se você morresse lá?
- Ah, morreria feliz.
- E eu, o que eu ia fazer?
- A senhora ia receber o meu corpo.
- Não brinca.
- Foi um sonho mãe.
- Sabe o que eu fiz pra você?
- O que?
- Bolo de milho e aquela torta que você gosta.

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Certa vez o Beto editou uma matéria que a Christina Mattos fizera com o Domingos Pellegrini. No final, ele, o Dinho, dizia algo como era bom ter raízes, voltar para Londrina. As férias foram ótimas e acho que elas se comparam ao sexo. São fundamentais. Mas quando o avião sobrevoou Rolândia e eu fui acompanhando pela janela a chegada à Londrina, enxerguei o meu prédio lá do alto, me deu uma alegria, uma felicidade, que parecia que o coração ia saltar pela boca.

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Cheguei em casa, desfiz as malas, botei camisetas, shorts e outras peças para lavar. Entrei em todos os cômodos, abri as gavetas, os armários, fui ao banheiro, passei um pouco de perfume. Estava tudo aqui. A minha vida, a minha história, as minhas coisas, os meus afetos. Amanhã tem mais uma vida inteira por ser vivida. E acho que é preciso agradecer porque viver é muito bom.

Saturday, January 22, 2005

Vendo as manchetes do Jornal da Globo de ontem, fiquei estupefato. A polícia de Fortaleza, capital do Ceará, reprimiu turistas estrangeiras que faziam top less na praia. kkkkkkkkkkkkk.

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O lindo deste Brasil é que Fortaleza, segundo estimativas oficiais, é a capital brasileira da prostituição infantil. Lá as garotas começam bem cedo. E dizem ser bem pior que em São Luis, que, conforme relatei no primeiro diário de bordo, um velhote simplesmente lambia, isso mesmo, lambia como um cachorro, duas garotas aparentando serem menores de idade. Ver os peitos das gringas não pode. Mas deixar nossas putinhas oferecerem suas bucetinhas aos turistas estrangeiros, isso pode.

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Doido para chegar em casa e a moça da Varig diz que o grande e nobre aeroporto de Londrina está fechado por conta da chuva. Humpf!

Friday, January 21, 2005

Faltam menos de 15 horas para o final destas férias. Amanhã de manhã retorno à Londrina. Estou com saudades de muitas pessoas.

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Está decidido: Salvador também será uma experiência única na minha vida. Muito dificilmente voltarei para cá.

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Sabe o banheiro do Valentino? Pois é. Vários lugares aqui têm exatamente aquele mesmo cheiro. As pessoas são muito despojadas. Chegam e vão te tocando com a maior naturalidade.

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No Pelourinho, uma moça me chamou:
- Vem cá, moço bonito. (Ganhou 20 mil pontos pelo moço e pelo bonito)
- Oi.
- Deixe eu por uma fita do Senhor do Bonfim em você.
- Não, eu não gosto.
- Deixe, é de graça.
- Não, eu não gosto.
- De onde você é?
- De Londrina, no Paraná.
- Pois então, leve a fitinha do Senhor do Bonfim pra lá. É de graça. (já pegando no meu pulso). Deixe eu por, vai.
- Está bem.
- Passe a mão na minha barriga. Eu estou grávida.
- Parabéns.
- Não quer comprar um colar?
- Não.
- É bonito, eu mesma que fiz.
- Não, eu não quero.
- Só pra me ajudar. Eu preciso comprar o enxoval do bebê.
- Não, eu não quero.
- Poxa, vai deixar o meu bebezinho sem enxoval?
- Pois é, vou.

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Sexo aqui parece ser algo muito fácil, evidentemente se você modificar os critérios de beleza sulistas. E prostituição começa às oito da manhã. Homens e mulheres ficam no calçadão beira mar e cumprimentam todos e todas. Os michês levantam metade da camisa, deixam o calção à mostra e ficam coçando o pau. As moças cumprimentam, geralmente, em português, inglês e francês. Você olha pra elas, que perguntam de bate pronto:
- Tem um real?
E detalhe: tudo isso, logo de manhã, na primeira ida à praia.

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Hoje, descansando no hotel, descobri que o Multishow está reprisando alguns episódios da TV Pirata. E revi um dos capítulos da novela mais bacana daquela época, Fogo no Rabo. Neste episódio a Natália (Débora Bloch) ficará noiva de Reginaldo (Luis Fernando Guimarães). Na festa, o Barbosa (Ney Latorraca) beija todo mundo na boca, com aquela beiçola que só ele sabia fazer.

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Terminei de ler hoje o Ensaio sobre a Lucidez, do Saramago. Excelente, excelente, excelente.

Thursday, January 20, 2005

O Luis Fernando Carvalho, disparado, é o melhor diretor da tevê brasileira. Essa minissérie é muito, muito boa. As primeiras cenas de amor entre a Letícia Sabatela e o Rodrigo Santoro estão entre as dez melhores de toda a história da teledramaturgia brasileira. De longe, disparado.

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Cirino, o personagem de Daniel Oliveira, questionava: “O amor não pode ser peso”. E daí, Janaína, o que você me diz?

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“Quem sabe manter vivo o amor, não tem receio de partir”, disse o pássaro/homem, pouco antes de ser preso pelo vilão.

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Existe alguma alma boa aí em Londrina que poderia gravar os capítulos de hoje e de amanhã, para mim, por favor?

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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Da próxima vez que eu viajar para o Nordeste, trarei comigo uma metralhadora. Caralho. A cada dois metros, ou dois segundos, aparece um vendedor de alguma lembrancinha ou comida típica de “Salvadô” ou um filho da puta querendo ser guia. E sempre com um apelo emocional dos infernos. Uma velha olho pra mim e disse: - vai deixar a véia passar fome? - Sim, respondi sem nenhuma culpa.

Monday, January 17, 2005

Desculpem, mas vou dizer alguns palavrões. É que a fdp da garota que tentou desencravar minhas unhas aí em Londrina, um dia antes da viagem, só fez ferrar o meu pé. Eu cheguei a São Luis com três dedos inchados.

Passei uma pomada em todos os eles, de modo que dois sararam rapidamente. O dedão do pé direito zangou total. Ontem latejava a tal ponto que fui obrigado a achar uma podóloga aqui em Recife.

Luciene era o nome da fada. Que arrancou metade da minha unha, e junto com ela, a dor lancinante que sentia.

Bom. Ela fez um curativo imenso.
- Moça, amanhã eu vou pra Porto de Galinhas. Posso molhar o pé?
- Não pode.
- Ahn? Como assim?
- Você não pode molhar o pé. Seu dedo está muito inflamado e você tem que cuidar.
- Mas moça, se eu não for pra Porto de Galinhas amanhã, nunca mais nessa minha existência eu poderei conhecer aquele lugar. Ou é amanhã ou é nunca.
- Bom, nesse caso, só tem uma solução.
- Qual?
- Coloque uma camisinha no seu dedo e passe esparadrapo na base.

Obviamente que eu segui o conselho da Luciene. E hoje, em Porto de Galinhas, todas as pessoas do universo resolveram olhar para o meu pé. E era só sorriso maroto pra todos os lados.
No restaurante, no almoço, nem bem um grupo de quatro pessoas sentou-se à mesa e a garota já tascou o olho no meu pé e caiu na risada.
- Hehehe... Está engraçado, né?
- Muito...
- Sabe o que é? Eu estou com o dedo muito inflamado. Ou era a camisinha ou era o quarto de hotel.
- Com este calor de rachar mamona?
- O que você faria no meu lugar?
- Com certeza poria a camisinha.

Thursday, January 13, 2005


O navio Oceanic tem nove andares e capacidade para mais de mil pessoas. Nesta viagem levou 702 passageiros e mais 325 tripulantes, de 26 nacionalidades. Os brasileiros são maioria (80), com grande parte vinda de Curitiba. É uma verdadeira cidade, com clínica médica, academia, boate, cassino, teatro, cinema, duas piscinas, dois bares, duas casas de shows, dois restaurantes. Um hotel cinco estrelas flutuante.

Dentro da embarcação você é tratado como um rei. Do recepcionista, ao carregador de mala, da arrumadeira ao camareiro, do cara que serve as bebidas – existe um para água, outro para sucos e refrigerantes e um terceiro para os destilados – aos chefes de cada seção, todos são muito, muito gentis e amáveis. Existem ainda canais exclusivos dentro de cada camarote e uma equipe de animadores dá conta de deixar os passageiros ocupados todo o dia, das seis à meia-noite. A hierarquia é muito respeitada, assim como os horários, britanicamente cumpridos.

Conversei com uma dupla – garçom e assistente de garçom – de Curitiba. Eles assinam contratos de quatro ou sete meses e passam todo esse tempo dentro do navio, com intervalos para dormir e descanso de uma, duas horas por dia. Os garçons ganham, em média, 450 dólares por semana, fora as gorjetas, que podem chegar a 80 dólares por cada cruzeiro. Neste período vivem para o trabalho. Os dois são formados em turismo. E vêem a experiência como única de aprendizado. As regras são claras, rígidas e precisam ser cumpridas num intervalo de tempo. Acaba uma refeição, eles têm “x” minutos para limpar as mesas e arrumá-las para o próximo turno.

O operador da agência de turismo disse que eles ficarão quatro meses fazendo o trajeto Recife-Fernando de Noronha. Sempre os 702 lugares estão repletos. Isso considerando que a cabine mais barata custa 325 dólares. Aliás, dólar é a moeda corrente dentro do navio. Uma água, 0,90 cents, um suco, dois dólares, um refrigerante idem. O valor da cabine inclui todas as cinco refeições servidas ao longo do dia.

Os passageiros são todos endinheirados, o que se nota pelo comportamento “desprendido” de todos eles. Não há limites para os gastos. Festar, comer e beber durante o tempo que estiver acordado.


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Assim como fiz com a cocaína e minha viagem à Ilha do Mel, viajar de navio será uma experiência única. Dos quatro dias do cruzeiro, eu passei mal em três e meio. “Mareei”, como eles dizem. Chamei a presença do “Hugo” várias vezes. E o pior: já faz mais de 24 horas que desembarquei e ainda sinto o balanço do navio. A sensação é a que a gente tem depois de um porre daqueles. Você trança as pernas ao caminhar e a cabeça fica sempre muito pesada. Dorme e acorda mal. Portanto, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E o estômago muito forte.



O coração do Centro Histórico de São Luis é muito interessante. Além de vários restaurantes com comida típica, saborosa e com preço bem honesto, há dezenas de bares, centros de artes, cinema etc. e tal. São tantos os bares, que eles se juntam em três e contratam o mesmo artista para alegrar os clientes. Isso significa que em cada esquina de menos de 50 metros tem alguém cantando. Quem fica no meio, não ouve nem um, nem o outro. Mas é divertido.

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Era o nosso último dia útil na capital maranhense e fomos experimentar a carne de sol e o cuxá (ou será cuchá?), uma planta cujo formato lembra a folha de maconha e o gosto é um pouco parecido com o da alcaparra. O clima estava bastante agradável quando um artesão começa a proferir palavras de ordem na praça ao lado do restaurante. Algumas frases desconexas, mas a conclusão era que ele estava revoltado com o sistema. Abusado, tirou a roupa e ficou peladão no meio da praça, bradando mais e mais palavrões. Não passou um minuto para que a viatura da polícia chegasse e ele fosse gentilmente, à base do cacetete, convidado a adentrar no camburão. Tentou reagir e levou muitos golpes nas costas e na barriga. A população ficou atônita com a atitude dos ratos fardados. Mas ficou impassível.

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Passado aquele momento de agitação, eis que surge um repórter da Rede Globo, não me lembro o nome da afiliada local, pertencente à família Sarney, acompanhado de uma figura popular, que pareceu ser um tipo de repentista famoso por aquelas bandas. Gravam num lugar e em outro até que começa outro alvoroço na praça. Era um gato correndo atrás de um rato. A agitação contagiou principalmente as crianças, que acompanhavam o desespero do ratinho, tentando fugir para todos os lados. Roubou a cena do global. Por alguns poucos segundos, o rato conseguiu se esconder até ser descoberto por um verme juvenil, que o chutou para o meio da praça, para deleite do gato. O repórter – que usava terno e gravata marrons, sapato preto e meias azuis marinho – precisou interromper de novo a entrevista, até que o cinegrafista, irritado, conseguiu chutar o rato tão longe, que o mesmo morreu na queda. Conseguiu fugir do gato, mas não sobreviveu ao homem. E mais um ciclo se completou ali.

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São Luis é bonita e pobre. Os engraxates aqui não são crianças, nem adolescentes. São homens feitos. E a quantidade de pedintes é tanta que chega a incomodar. Os ricos daqui não se misturam mesmo. Moram num bairro no lado “novo” da cidade e muito dificilmente frequentam a parte histórica.

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Armazém é o melhor restaurante da cidade, pertencente à família - advinhem? - Sarney. Música de excelente qualidade, decoração elegante e sofisticada e preços bem honestos, além de uma carta de vinhos excelente. O point descolado.

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É, viver é muito bom.


Wednesday, January 12, 2005

Cheguei hoje daquele paraíso chamado Fernando de Noronha. Tenho muitas histórias para contar. A mais bacana é que fui batizado no mergulho. É isso aí. Chegamos (eu e a instrutora)a 12 metros de profundidade, o máximo permitido por essas bandas.

Mais eu não falo que estou no clima nordestino: com uma preguiça daquelas...

Friday, January 07, 2005


Hoje eu sou muito mais feliz que ontem. Cá deste outro lado do país, resolvi me meter numa aventura, motivado pelas belíssimas cenas mostradas nas novelas O Clone e Da cor do Pecado. Antes de qualquer coisa: areia e neve são bonitas apenas para cenário.

Depois de ser enganado pela recepcionista do hotel que disse que a viagem até os Lençóis Maranhenses duraria apenas duas horas, resolvi conhecer aquele suposto pedaço do paraíso. Pois bem. Acordei às 04h45 da manhã, horário que o grupo partiria. Joelsson, o motorista avisou de cara que a viagem demoraria 4h30. Putz grila, caráleo. Tudo pago, não dava para desistir. Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Ao chegar em Barreirinhas, a 260 km de São Luis, tive contato mais que direto com a pobreza. A cidade tem 50 mil habitantes e não tem uma rua asfaltada. Esgoto a céu aberto, e os açougues mostram as carnes dependuradas de frente para a rua. Não há freezer, embora haja celulares funcionando e até um cyber na antiga aldeia de pescadores.

Sou avisado pelo guia, o Raimundo – um garoto de 17 anos, negro, estudante do segundo ano do ensino médio e que virou guia por conhecer toda a região – que preciso me abastecer de comida, porque no nosso passeio, não existe nada pra comer. Ele lembra ainda que usaremos uma balsa, depois seguiremos pelo mangue numa Toyota – só elas agüentam – e depois caminharemos mais meia hora pelas dunas, vixe Maria.- E coloque algo no quengo que o sol é forte.

No supermercado, só água e refrigerante Jesus, uma espécie de guaraná de cereja. No Shopping das Frutas, a única coisa que dava para levar era maçã. O resto, nem pensar. Sol de 35 graus, vento escaldante, lá fomos nós em meio aos milhares de buracos.

No caminho, conheci o pé de buriti, uma fruta que lembra o côco, inclusive no formato da planta, cuja palha serve para cobrir os casebres erguidos com barro. – Não chove nadinha dentro, confirmou depois a Celina, garçonete sem dentes do restaurante.

Depois de 45 minutos na toyota e mais 30 caminhando na areia, chegamos ao tão falado Lençol. Sabe o que é? Uma lagoa de água doce da chuva, formada no meio das dunas. E como faz muito tempo que não chove, as outras lagoas, todas, todinhas mesmo, secaram. No lugar não tem absolutamente nada, e mal da pra gente ficar na beira da praia.

Não adiantava nada lamentar. O jeito foi esperar a hora do retorno. A agência prometeu um lugar super bacana pra gente tomar banho, já que estávamos impregnados de areia até dentro do ouvido, e isso não é exagero. Entro dentro do banheiro, peladão, abro o chuveiro. Tinha água aí na sua casa? Pois é. Aqui não. Eis que olho para o lado e vejo um grande tambor com uma caneca em cima. Bingo! Aquele era o tão maravilhoso banho. Acredite: foi o melhor da minha vida. Como a Inês já estava morta mesmo, o jeito foi relaxar e pronto. Cheguei à São Luis às 22h45.

E por que, então, eu fiquei mais feliz que no dia anterior? Porque eu não sabia exatamente o que era pobreza, embora desconfiasse. No meio daquele deserto, havia duas mansões. – Esta daqui é do Sarney, frisou o Raimundo. Um pouco antes, ainda na cidade, uma fila de quatro quarteirões. – São os pobres que vieram receber os auxílios do governo, explicou o guia. Noutra esquina, um senhor vendia roupas. Todas elas espalhadas no chão, numa lona, as pessoas se esfalfando para escolher uma peça. No mercado, uma senhora de uns 50 anos, explicava pra dona que precisava levar arroz e feijão para os filhos com apenas um real que tinha sobrado. Talvez haja uma esperança:
- O prefeito que tava aí era do lado de Rósêana, contou Raimundo.
- Mas o cabra era muito ruim, não fez nada pra cidade. A gente tirou ele de lá. Agora tem um cara do PT. Vamos ver no que vai dar.

PS: Assim que possível, conto uma história muito legal sobre dois ratos daqui. Amanhã pego o navio para Fernando de Noronha.

Wednesday, January 05, 2005

Este lugar é lindo de verdade. Não foi mera ilusão o que foi mostrado na novela Da cor do pecado. Com um atraso de 1h00 no vôo, cheguei à capital do Maranhão às 3h00, contando que aqui não há horário de verão. Venta muito, o que diminui a sensação térmica dos 32 graus médios. Haja protetor solar.
Detalhe: as pessoas, no geral, são muito feias. É preciso se desprover de todos os conceitos sulistas para começar, de leve, a achar alguém interessante.

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Os nomes são muito bacanas. Fui atendido pelo Maikoflan. Pedimos algumas informações turísticas, que foram respondidas pela Gleisseane. Eu gosto de imaginar o que pensaram os pais na hora de escolher o modo de chamar os pimpolhos. Sentiram alegria? Acharam-no sonoro? Prometi que vou andar com papel e caneta para anotar tudo o que encontrar pela frente.

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Aqui há muita pobreza. Exceto nos lugares públicos, perto do poder. Os palácios dos governos municipal e estadual são belíssimos. No entorno, tudo restaurado. Nas ruas, porém, desdentados esmolam por turistas. E mais: certamente estamos sendo confundidos com estrangeiros. Vários já nos abordaram em outra língua.

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O estranhamento começou no avião, quando o comandante fez um alerta sobre prostituição infantil. Aqui é muito forte mesmo. E com tolerância social bastante clara. No restaurante onde almoçamos, um senhor com mais de 50 anos, estava com duas garotas. Mais que beijá-las, ele as lambia. Os demais turistas que estavam no local, assim como nós, ficaram constrangidos. Mas ninguém moveu uma palha. Na praia, duas garotas - pela aparência, menores de idade - fizeram sinal para que nos aproximássemos. Nas ruas da região histórica, patrimônio cultural da humanidade, elas estão sentadas nos bancos da praça. Parecem tranquilas. Mas o olhar e o movimento do corpo, revelam uma grande tristeza, um vazio profundo.

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Estou em excelente companhia. Além do meu amigo Carlos, a Lígia Fagundes Telles, o José Saramago e a Hilda Hilst.

Tuesday, January 04, 2005

Na fila à espera da bagagem, uma mulher na faixa dos 30 anos toca o meu ombro:
- Oi. Você vai pra onde?
- São Luis.
- Putz. Eu vou pra Lisboa.
- Bacana.
- Acredita que até agora eu não encontrei ninguém que vai pra Lisboa?
- Sei.
- Estou me sentindo meio perdida.

PS: Eu sou pobre mesmo ou é muito, muito, muito, muito comum ir pra Lisboa às terças-feiras?

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No aeroporto de Guarulhos, na sala VIP onde uso a internet, só gente chique. Ser rico deve ser chato, né? Nos corredores, só pessoas com olhar blasé. E acredita que as mães dos pimpolhos criados com Yakult, Danette e Danoninho também fazem barraco por algumas míseras moedas?

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Continuo achando que ser garçom de avião é a profissão mais tediosa do mundo.

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A viagem promete.



São Pedro deu uma trégua e parece que vai ser possível chegar a São Luis, no Maranhão. Eu sempre digo: férias são como sexo. Sempre é bom.
A chuva me acompanhou do cinema até em casa. Aqui resolvi relembrar o tema do meu personagem na peça Miriam, o horror em miniatura. Convidei o Plácido Domingo e o John Denver para cantarem He couldn’t love you more. É linda, ouça quando puder.

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Meu tio matou um cara é bem singelo, leve, descompromissado. Tem o Darlan Cunha, o Laranjinha de Cidade dos Homens, no papel de Darlan Cunha, o Laranjinha de Cidade dos Homens. Ainda assim, eu me diverti. É uma trama policial tola acompanhada da descoberta do “amor”, se é que podemos chamar assim os arroubos juvenis.

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Lembrei da Gisele de Cássia Pegorin. Estudamos juntos na oitava série. Ela é parecida com a Elisabeth Savalla. Entre tapas e beijos, apaixonamo-nos um pelo outro. Certa vez, fui levá-la embora, depois da aula de educação física. A bicicleta barra forte da Caloi foi empurrada até que, num momento de extrema imbecilidade, eu levei o maior tombo. Até hoje não sei como consegui fazr aquilo na frente do meu amor. Era a nossa primeira saída. Quase chegando perto da casa dela, chamei-a bem perto e disse-lhe:
- Gisele, eu te amo.
- Eu também.
E assim dei o meu primeiro beijo apaixonado. Nossa primeira ida ao cinema foi para ver Beth Balanço, com a Débora Bloch e o Lauro Corona, com uma participação especial do Cazuza. Eu estava com a perna engessada, fruto da primeira entorse no joelho. Fomos de ônibus e no escurinho do cinema, creio termos dados uns 697 beijos. Precisei voltar noutro dia, sozinho, para ver o filme. Namoramos até o ano letivo terminar. Depois eu fui cursar o Técnico em Contabilidade à noite. Ela fez Magistério pela manhã. No dia do aniversário dela, deixei uma mensagem de amor no quadro, já que sabia onde Gisele estudava. Causou espécie, mas este foi o nosso último contato. Pelo que sei, casou-se com o Serginho e mudou-se para a Itália.

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Agora toca o CD Rita Lee em Bossa’n Roll, com a clássica, Cry me a river. Linda. Fez-me lembrar o meu primeiro amor verdadeiro, então já com 17 anos. Ainda lá naquela época da Gisele, eu já apreciava as palavras e, principalmente sua (a dela, a palavra) objetividade. Imagine, 14 anos e declarando Eu te amo. Éramos colegas de turma, estávamos no segundo ano colegial e eu me apaixonei. Sozinho, platônico. Um dia, voltávamos da aula, paramos na esquina da Avenida Tiradentes e fui questionado:
- A Adenir veio me dizer que você estaria apaixonado por mim.
- Sei.
- É uma brincadeira?
- Não.
- Você está falando sério?
- Sim, eu estou apaixonado por você.
- É brincadeira?
- Não. Eu estou apaixonado por você.
E assim revelei meu mais puro sentimento. Não rolou nada além de uma amizade profunda.

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Talvez por apreciar tanto a literatura, dramaturgia e afins, acho o momento da cantada desafiador e excelente. Creio até, sem falsa modéstia, que fui sofisticando o método. E sabe por que eu estou relembrando disso? Um pouco por nostalgia mesmo. Mas é que tem algo me incomodando. Para dar certo, a abordagem precisa ser diferente, inusitada, ter um pouco de charme, surpresa.

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Se alguém chegasse pra você e lhe dissesse:
- Adivinhe o que eu estou fazendo agora?
- Ah, sei lá. Não gosto desse tipo de brincadeira.
- Vendo um filme pornô.
Passaria pela sua cabeça que esta pessoa está lhe cantando? Para mim não. Mas fui tirar a dúvida com a minha analista, que foi taxativa:
- Talvez a pessoa esteja projetando em você um desejo que é dela.
Ah, tá. Ufa!

Sunday, January 02, 2005

Acabo de voltar da praia, depois de quase seis horas nas areias de Santos. Foi muito bom estar aqui e relembrar momentos importantes da minha vida.

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Ontem eu e o Marcos fomos passear de moto e passamos pela praia de José Menino. Ali, junto com a minha irmã Madalena, o cunhado Ismael e meu sobrinho Alessandro, vi o mar pela primeira vez. Isso foi na metade da década de 80. Antes, era como naquela música, linda por sinal, do Chaminé Batom: “eu vi na televisão, o mar. e o mar na televisão, é lindo”.

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Contei ao Marcos que nessa primeira visita às águas salgadas, fiquei sentado na beira da praia, sentindo o vai e vem das ondas. Depois à noite, quando fui dormir, ficava relembrando aqueles momentos, e sentia, novamente, o balanço do mar.

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Aqui também não resisti à tentação e comi milho verde. E relembrei do tempo em que fazer pamonha era uma aventura que reunia toda a família. Minha mãe fazia a pamonha em si, mas tinha tarefa pra todo mundo. O pai e o Elizeu, o Almeida, colhiam as espigas no pé. Eu tirava as cascas, sempre com o cuidado de preservar as folhas boas para que servissem de copo para amarrarmos as pamonhas. Minha mãe ralava as espigas num ralo caseiro, feito pelo meu pai. Sem explicar a razão, a mãe dizia que naquele ralo, o milho ficava mais gostoso. Uma ralada aqui, outra acolá e a Dona Alice ia explicando a receita. Depois do milho dilacerado, ela punha um pouco de leite - não muito, para não ficar mole - óleo, canela, um pouco de sal e açúcar a gosto. Depois despejava um pouco com a concha, para ver se estava no ponto. E era eu quem ajudava a mãe colocando o líquido nos tais copinhos. Ela amarrava-os e colocava-os para cozer. Enquanto ficava no ponto, a gente limpava a casa. Depois, todos em volta da mesa, comíamos aquela delícia. Às vezes, tinha também cural, pra enganar o estômago enquanto a pamonha não vinha. E sempre nessas ocasiões, minha mãe deixava algumas espigas para a gente comer cozidas, como fiz hoje novamente. A Madalena, minha irmã, aprendeu direitinho a fazer as guloseimas. E confesso: pamonha, cural e bolo de milho, eu só como se forem feitos pela dona Alice ou pela Madalena.

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Cenas mais bonitas da praia:
- casais apaixonados contando segredos de liquidificador;
- pai e filho, geralmente o mais velho na faixa dos 50 anos e o jovem, na faixa dos 17,20 anos, passeando juntos, contando estórias particulares.

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Se você faz parte do segmento GLS não visite nunca a Barraca da Cris, em São Vicente. Exceto, óbvio, que deseje ter uma prévia do que é a visão do inferno. Ou se quiser se sentir a pessoa mais linda do planeta.

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Quando eu trabalhava no Banco do Brasil, durante alguns anos fui instrutor de um treinamento interno. A última dinâmica falava do futuro e tinha o singelo nome de Em busca da felicidade. A cada curso, eu inventava um jeito diferente de encerrar as atividades. Mas sempre usava a música do Lulu Santos, Como uma onda. A letra é um tratado de esperança. “Nada do que foi será, de novo, do jeito que já um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas, como um mar. Num indo e vindo infinito. Tudo que se vê não é igual ao que gente viu há um segundo. Tudo muda o tempo todo, no mundo. Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo. Agora, há tanta vida lá fora. Aqui dentro, sempre, como uma onda no mar”.

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Viver é muito bom.