Acho que entrei definitivamente em férias. Sabe aquela vontade imensa de não fazer absolutamente nadica de nada? Estou assim. Este post não está sendo escrito de Sabaudia, nem é perturbado pelas suricatas saltitantes. Mas estou bem pra lá da pequena cidadela. Estou em Palotina, o lugar com de 24 mil habitantes, onde há pessoas muito endinheiradas. Vim passar o Natal na casa de minha irmã mais nova. No caminho fui multado por fazer ultrapassagem em lugar indevido. Percebi que o policial queria um agrado para a ceia natalina. Fui enfático:
- Eu estava errado, o senhor deve me multar.
Ele fez cara de poucos amigos e dei-lhe uma carteirada ao contrário.
Bom, a viagem foi cansativa bagarai, com chuva praticamente o tempo todo. O bacana é sempre conversar com minha mãe. Quase 400 quilômetros e raros momentos de silêncio. Ela sempre tem uma pergunta, uma curiosidade. Às vezes até irrita, mas faz parte. Quando voltei pro carro depois da multa, ela perguntou:
- Ele te multou?
- Sim.
- Quanto?
- Quase duzentos reais, sete pontos na carteira, mas se eu pagar em 30 dias, ganho desconto de 20%.
- Oh, loko.... Você não chorou?
- Claro que não, né mãe. Eu estava errado.
- Mas não tem um jeitinho?
- Tem mãe. É só pagar a multa que está tudo certo.
- E o policial multou aquele outro cara que estava na nossa frente?
- Não sei.
- Mas ele também estava errado. E só você vai pagar a multa?
- Mãe, eu realmente fiz uma ultrapassagem errada. E dei azar de ter um policial com binóculos que viu tudo. Agora é pagar e pronto.
- Esses f... querem ganhar dinheiro pro Natal.
- Eles estão fazendo o trabalho deles.
- Ah, não. Não acho isso justo.
Mãe é mãe, sempre! Ah, e ela falou o palavrão sim. Bem sonoro, inclusive.
Publicado em 23 de dezembro de 2004 às 22:31 por joao
- vou ter que ter multar, não vai ter jeito. e são cento e tantos reais.
- o sr. tá certíssimo em me multar.
- tem que ver se tem um jeito de não ser multado mais.
eles são muito ensaboados. não podem pedir a propina descaradamente, então ficam com esse papo de louco. mas eu encerrei:
- é, o jeito é não ultrapassar mais a velocidade máxima.
- ...
- e é bom que o sr. me multe, assim eu aprendo.
- ...
e lá veio o auto de infração, com o sordado super sem graça.