Evitei, enrolei, posterguei o quanto pude. Mas cá estou escrevendo essas singelas palavras. A idéia é fazer um breve retrospecto das músicas mais tristes que eu conheço.
Na verdade, devo admitir, tenho uma vocação para apreciar muito composições melancólicas. O João Carlos Ribeiro, amigo que partiu dessa vida há 10 anos, pegava muito no meu pé por conta da minha discoteca. De fato, a maioria dos cds resvala em acordes muito introspectivos.
Talvez por conta da minha fixação por dramaturgia, novelas, filmes, sou movido pela música. São raros os momentos em que alguma obra não preenche o espaço. Enquanto escrevo, por exemplo, há um desfile de Altemar Dutra – Brigas -, Gal Costa – O amor em paz – Diana Krall – I’ve got you under my skin – e por aí afora.
No carro, estou pregado na faixa 14 da coletânea do Pet Shop Boys. Só ouço Being Boring. Dia desses ouvi as trilhas sonoras de Fim de Caso e Longe do Paraíso. Aliás, para mim, a trilha do primeiro é uma das mais depressivas que existe. A faixa 10 por exemplo, deveria servir de fundo para quem pretende se suicidar. Talvez fará parte da peça de teatro que estou escrevendo. Assim como a interpretação dolorida de Tim Maia para Eu amo você. Quando ouço aquele vozeirão, tenho a impressão que existe uma faca no peito dele.
Às vezes penso que é por conta desta época, que já confessei me deixar muito pra baixo. No fundo, é uma característica mesmo. No vai e vem das minhas emoções, flagro-me perto deste sentimento que inunda o peito de maneira quase que definitiva. O bacana é saber que a sensação uma hora passa, daí eu vou sentir uma vontade imensa de sair cidade afora, encontrar os amigos que tanto prezo, pra falarmos algumas bobagens, rirmos do imprevisível e continuar acreditando que a vida é isso aí, feita de altos e baixos.
Será que não dá pra gente pular de hoje lá por dia 04 de janeiro?
Trilha sonora: Being Boring, Pet Shop Boys
I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
“Dress in white” one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone
And opened up a closing door
She said: “We were never feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends“
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: ”If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for
In the nineteen-seventies“
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends“
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends“
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored
Publicado em 20 de dezembro de 2004 às 22:16 por joao
quarta-feira no madalena.
se quiser pode levar um presentinho pro amigo secreto