Escrevo sob o efeito turvo de seis mojitos e a melancolia dos versos e música de Marcus Vianna que embalaram a tristeza do amor impossível de Manoela. Se você não sabe do que se trata, eu sinto muito.
Agora o relógio do computador avisa que são 4h10 e alerta que uma nova versão do virusScan acaba de ser obtida por download e eu decido que quero continuar o que estou fazendo.
A última noite latina de 2004 talvez enterre consigo o meu mais precioso sonho: você. Que apareceu no meio da festa, fez que não me viu, embora tivesse a certeza absoluta que eu percebi a sua presença.
A festa começou com uma conversa sensível, de verdadeiros amigos como somos eu e a Janaína. Falamos do que nos apoquenta, comentamos sobre o amor, suas possibilidades e as nossas limitações para vê-lo, senti-lo e, principalmente, vivê-lo.
Tive a doce e presente companhia de Lara, que é felizarda até no nome. Mas você chegou e me atormentou. E foi embora como chegou, acenando com um breve adeus.
É uma pena entender, perceber, compreender e aceitar que você não quer viver. O futuro talvez te reserve surpresas. Agradáveis ou não, vai depender de você. Quando te vejo, é um misto de raiva e afeto. Uma vontade de chegar perto e dizer-lhe o quanto estou apaixonado. O sentimento brotou de onde não devia, muito menos de onde podia. O fato é que ele está aqui em mim. Quase pronto para ser enterrado, não fossem as suas aparições no meio da noite.
Você tirou o que havia na minha frente, o que havia atrás. Tirou o norte, o sul. Você tirou Deus de mim. O meu medo já foi grande, mas agora, acredite, estou decidido a ir embora, aceitando sem ressalvas o seu covarde silêncio.
*Este texto deveria ser postado após a Noite Latina, dia em que o Tipos ficou fora do ar.
Publicado em 19 de dezembro de 2004 às 22:08 por joao