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This is the archive for December 2004

Friday, December 31, 2004

Eu acho que vi o Márcio Leijoto perambulando pela Conselheiro Nébias já de madrugada. É isso aí. Verei 2005 chegar aqui em Santos, a praia mais democrática do universo. Acho bacana frequentar lugares onde têm negro, japonês, alemão, brasileiros aos montes, gordos, magros, descolados e caipiras. Sinto uma alegria ao passar por um grupo e ver alguns integrantes rasgando uma coxa de frango nos dentes. Todo mundo, ao seu modo, encontra um jeito muito peculiar de viver a própria felicidade.

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Eu e o Beto fizemos parte da viagem juntos. A idéia era que fôssemos até Campinas, onde ele ficaria e eu seguiria pra cá. Ocorre que a gente perdeu a entrada para a cidade e quando percebemos estávamos chegando em São Paulo. Nesta empreitada, 51% da responsabilidade foi minha, já que estava ao volante. O Beto, que também afirma não ter visto placa alguma, fica com o restante do erro. Deu um certo pânico na gente entrar na megalópole um pouco perdido, com receio da gasolina acabar no meio daquela muvuca. No fim, como sempre, tudo deu certo. Ontem, ele me ligou, já de Belo Horizonte, para assumir que o nosso erro no estado de São Paulo foi pinto perto das gafes que ele cometeu para chegar à capital mineira. hehehehehehehe. Sempre há degraus a descer.

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Sabe quais os desejos do homem médio brasileiro para 2005?

1) ter todo o dinheiro que o filho acha que ele tem;
2) comer todas as mulheres que a esposa acha que ele come,
3) trabalhar tão pouco e ter tanto quanto acham os companheiros de trabalho.

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Entre muitas outras, sabe o grande prazer que sinto em postar? Saber que a Carina Pacolla e o Keno, meu amigo de infância, passam por aqui.

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Poucas horas antes de sair de Londrina, tipo aos 48 minutos do segundo tempo, reencontrei uma figura que conhecera um ano atrás. Para encerrar com chave de ouro o ano de 2004.

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Não sei se tenho o privilégio de ser lido pelo truta Guilherme Costa, de quem sou fã confesso. Mas se ele passar por aqui, quero desejar que a festa de hoje à noite, seja no mínimo tão boa quanto a do ano passado.

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Posso encerrar com uma frase bem clichê, cantada pela Xuxa na música Lua de Cristal? Lá vai...

...tudo pode ser, se quiser será. Sonhos sempre vêm pra quem sonhar...

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Beleza, beleza, sei que é idiota. Mas a vida também não é feita dessas pequenas e tolas bobagens?

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Agora em 2005, eu espero que você faça sexo com mais qualidade. O restante a tia, a madrinha e a avó certamente vão desejar.

Wednesday, December 29, 2004

Bom...vamos combinar uma coisa? Você vai dar conta de fazer o seu novo ano o melhor possível. Não prometa algo que não possa cumprir. Mas continue acreditando que sempre tem algo bom em quase tudo que a gente faz. Na hora, nem sempre a gente compreende. O tempo passa, ajeita tudo, e a gente consegue olhar as situações com mais brandura.

Será que a gente consegue cometer menos equívocos em 2005?

Será que a gente consegue permitir que as pessoas que realmente valem a pena se aproximem?

Será que a gente pode ser um pouco mais solidário e compreensivo?

Será que a gente saberá o que fazer quando o amor da nossa vida resolver aparecer bem na nossa vida?

Sabe o que é? Eu estou feliz. O meu 2004 foi dos melhores. Aprendi tanta coisa importante. E só espero continuar a minha caminhada com mais e mais lições. O resto é uma grande bobagem.

Quer um beijo ou um abraço?

O meu amor, vida a pulsar dentro de mim.

Tuesday, December 28, 2004


Pois é. Hoje já é dia 28 de dezembro de 2004. Até agora nada do Papai Noel me entregar a tão sonhada e propalada D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A de papel que eu tanto desejava.

Sucedeu que eu ganhei camisas, sabonetes, agendas, vinho, muitos abraços e desejos de paz, saúde, felicidade, dinheiro blá, blá, blá. Mas absolutamente nada da D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A.

Fiquei pensando que algo poderia ter dado errado. Até mesmo depois de descobrir outras duas pessoas que sonham em ter uma D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, além do Beto e eu. É isso mesmo, gente bacana que acessa este blog. O Carlos Roberto Appoloni e a Kátia Morbis também almejam este tão estranho objeto de desejo.

Mas voltando ao que deve ter mal sucedido, fui até a Tombini. Queria saber se o Papai Noel não passara por lá e levara todas as D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A-S da loja e que, por algum problema com as renas, não tivera tempo de deixá-la em minha casa.

Foi então que a solícita vendedora Geórgia Fontoura me deu um grande puxão de orelha. É que D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A simplesmente não existe. O que há, na verdade, é uma F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A de papel. Por uma questão lógica, a máquina fragmenta, pica, destrói o papel. Percebe? D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-R significa então, juntar tudo de novo?

Santa inteligência Batman!

Tudo ficou claro e cristalino desde ontem, por volta de meio-dia. Se eu tivesse pedido ao Papai Noel uma F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, talvez neste momento já estaria triturando meus comprovantes de cartão de crédito e não aqui escrevendo mais este post.

Não dá nada não. Ano que vem reforço minhas preces. Se bem que em junho, 35 anos, quem sabe...

...se você pensa que meu coração é de papel...

Friday, December 24, 2004

Por enquanto está quase tudo diferente, embora este mesmo quase tudo seja muito igual. A vida, afinal, se repete em ciclos.

E por falar nisso, há 17 anos, tive o primeiro melhor ano de minha vida. Na minha memória, 1987 terá momentos “felomenais”.

Agora, 2004, 17 anos depois, idem. Eita ano bom demais. Por isso, só tenho a agradecer. Ainda não fiz as providenciais ligações de fim de ano e até agora não chorei uma lágrima sequer. Bom sinal.

No meu aniversário deste ano, disse aos amigos reunidos que sempre ficava muito feliz de ver gente nova se agregando à minha vida. Agora, isso ainda tem mais valor.

O ano que quase se encerra é o ano da Ester e do Xexé, da Fabíola e da Veruska, das turmas de primeiro ano da Unopar, da presença diferente da Lara, do Vítor, da Lucilene, Cléo, Simone, Nalu, Neusinha e Vanessa. Do Peterson, do Fábio, Douglas, Carlos, Jr. e Eduardo.

Também 2004 ficará marcado pelo sexo da melhor qualidade. E isso, vixe, foi bom demais.

Hoje, por volta de 13 horas, Lucas, meu sobrinho, encasquetou que devíamos fazer amigo secreto. Assim, de última hora, saímos todos correndo já que as lojas, na grande Palotina, deveriam ter fechado as portas ao meio-dia. Isso depois da minha mãe já ter aberto a mala e dado uma lembrancinha para cada uma das pessoas. Na viagem, ela confidenciou: - Ah, é tão gostoso dar uma lembrancinha para as pessoas, né filho? Nem que seja algo bem simples, eu gosto de dar presentes.

Lá fora, agora, 18h39, minha mãe simula alguns movimentos de hidroginástica na piscina. Dá algumas dicas para a tia Irene, que também tem problemas de coluna e artrose e, também, emagreceu mais de 15 quilos. Minha irmã cuida dos pratos, a Laiza arruma as mesas, a Laira ajuda a minha mãe e a tia e o meu cunhado joga o Lucas na piscina. E ele, o cunhado, quer que eu engorde de todo jeito. Acaba de deixar uma porção de salada de frutas e a minha sobrinha insiste que eu devo comê-la com sorvete. Assim não dá! Assim não pode ser!

É assim que espero que seja 2005. Uma seqüência de bons, repetidos e novos encontros, de acontecimentos afetuosos e ternos. Eu acho que só assim vale a pena viver.

E sabe o que eu desejo pra você? Sabedoria e humildade para reconhecer os momentos de felicidade que, certamente, a vida vai lhe oferecer.

Beijo do tamanho do universo.

Thursday, December 23, 2004


Acho que entrei definitivamente em férias. Sabe aquela vontade imensa de não fazer absolutamente nadica de nada? Estou assim. Este post não está sendo escrito de Sabaudia, nem é perturbado pelas suricatas saltitantes. Mas estou bem pra lá da pequena cidadela. Estou em Palotina, o lugar com de 24 mil habitantes, onde há pessoas muito endinheiradas. Vim passar o Natal na casa de minha irmã mais nova. No caminho fui multado por fazer ultrapassagem em lugar indevido. Percebi que o policial queria um agrado para a ceia natalina. Fui enfático:
- Eu estava errado, o senhor deve me multar.
Ele fez cara de poucos amigos e dei-lhe uma carteirada ao contrário.

Bom, a viagem foi cansativa bagarai, com chuva praticamente o tempo todo. O bacana é sempre conversar com minha mãe. Quase 400 quilômetros e raros momentos de silêncio. Ela sempre tem uma pergunta, uma curiosidade. Às vezes até irrita, mas faz parte. Quando voltei pro carro depois da multa, ela perguntou:
- Ele te multou?
- Sim.
- Quanto?
- Quase duzentos reais, sete pontos na carteira, mas se eu pagar em 30 dias, ganho desconto de 20%.
- Oh, loko.... Você não chorou?
- Claro que não, né mãe. Eu estava errado.
- Mas não tem um jeitinho?
- Tem mãe. É só pagar a multa que está tudo certo.
- E o policial multou aquele outro cara que estava na nossa frente?
- Não sei.
- Mas ele também estava errado. E só você vai pagar a multa?
- Mãe, eu realmente fiz uma ultrapassagem errada. E dei azar de ter um policial com binóculos que viu tudo. Agora é pagar e pronto.
- Esses f... querem ganhar dinheiro pro Natal.
- Eles estão fazendo o trabalho deles.
- Ah, não. Não acho isso justo.

Mãe é mãe, sempre! Ah, e ela falou o palavrão sim. Bem sonoro, inclusive.

O trio usa branco, afinal, quem não precisa de um pouco de paz, não é?


Trio que sempre pontifica nos eventos mais descolados, Airam Oliveira e Veruska Barison em momento meigo com este colunista. Com todos os presentes já espalhados debaixo da árvore de Natal, elas adiantam com exclusividade, o desejo mais ardente para 2005: um homem pra chamarem de seu. Entre um gole e outro de espumante da melhor qualidade, elas ainda divagam sobre o mais temido livro de semiologia que foram obrigadas a ler nos tempos do curso de jornalismo. As duas, sempre, perguntam, afinal, qual é O Enigma de Kasper Hause. Sucesso!

Wednesday, December 22, 2004

Quando passa um fax para o Japão, você...

resultado



Justifique a sua resposta.
Acabo de chegar de um breve passeio pelas ruas da cidade. Dá pra acreditar que, em pleno 22 de dezembro, centenas de pessoas que caminham cabelo ao vento estão todas, todas bem agasalhadas? Tipo assim: blusa de lã, jaquetas, golas altas. Teve até uma mais friorenta que usava cachecol. Será o Benedito ou o caminhão dele?

Monday, December 20, 2004

Evitei, enrolei, posterguei o quanto pude. Mas cá estou escrevendo essas singelas palavras. A idéia é fazer um breve retrospecto das músicas mais tristes que eu conheço.

Na verdade, devo admitir, tenho uma vocação para apreciar muito composições melancólicas. O João Carlos Ribeiro, amigo que partiu dessa vida há 10 anos, pegava muito no meu pé por conta da minha discoteca. De fato, a maioria dos cds resvala em acordes muito introspectivos.

Talvez por conta da minha fixação por dramaturgia, novelas, filmes, sou movido pela música. São raros os momentos em que alguma obra não preenche o espaço. Enquanto escrevo, por exemplo, há um desfile de Altemar Dutra – Brigas -, Gal Costa – O amor em paz – Diana Krall – I’ve got you under my skin e por aí afora.

No carro, estou pregado na faixa 14 da coletânea do Pet Shop Boys. Só ouço Being Boring. Dia desses ouvi as trilhas sonoras de Fim de Caso e Longe do Paraíso. Aliás, para mim, a trilha do primeiro é uma das mais depressivas que existe. A faixa 10 por exemplo, deveria servir de fundo para quem pretende se suicidar. Talvez fará parte da peça de teatro que estou escrevendo. Assim como a interpretação dolorida de Tim Maia para Eu amo você. Quando ouço aquele vozeirão, tenho a impressão que existe uma faca no peito dele.

Às vezes penso que é por conta desta época, que já confessei me deixar muito pra baixo. No fundo, é uma característica mesmo. No vai e vem das minhas emoções, flagro-me perto deste sentimento que inunda o peito de maneira quase que definitiva. O bacana é saber que a sensação uma hora passa, daí eu vou sentir uma vontade imensa de sair cidade afora, encontrar os amigos que tanto prezo, pra falarmos algumas bobagens, rirmos do imprevisível e continuar acreditando que a vida é isso aí, feita de altos e baixos.

Será que não dá pra gente pular de hoje lá por dia 04 de janeiro?

Trilha sonora: Being Boring, Pet Shop Boys

I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
“Dress in white” one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone
And opened up a closing door
She said: “We were never feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends“
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end

When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: ”If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for
In the nineteen-seventies“
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends“
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend

Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends“
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend

And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: ”Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored




Sunday, December 19, 2004


Escrevo sob o efeito turvo de seis mojitos e a melancolia dos versos e música de Marcus Vianna que embalaram a tristeza do amor impossível de Manoela. Se você não sabe do que se trata, eu sinto muito.

Agora o relógio do computador avisa que são 4h10 e alerta que uma nova versão do virusScan acaba de ser obtida por download e eu decido que quero continuar o que estou fazendo.

A última noite latina de 2004 talvez enterre consigo o meu mais precioso sonho: você. Que apareceu no meio da festa, fez que não me viu, embora tivesse a certeza absoluta que eu percebi a sua presença.

A festa começou com uma conversa sensível, de verdadeiros amigos como somos eu e a Janaína. Falamos do que nos apoquenta, comentamos sobre o amor, suas possibilidades e as nossas limitações para vê-lo, senti-lo e, principalmente, vivê-lo.

Tive a doce e presente companhia de Lara, que é felizarda até no nome. Mas você chegou e me atormentou. E foi embora como chegou, acenando com um breve adeus.

É uma pena entender, perceber, compreender e aceitar que você não quer viver. O futuro talvez te reserve surpresas. Agradáveis ou não, vai depender de você. Quando te vejo, é um misto de raiva e afeto. Uma vontade de chegar perto e dizer-lhe o quanto estou apaixonado. O sentimento brotou de onde não devia, muito menos de onde podia. O fato é que ele está aqui em mim. Quase pronto para ser enterrado, não fossem as suas aparições no meio da noite.

Você tirou o que havia na minha frente, o que havia atrás. Tirou o norte, o sul. Você tirou Deus de mim. O meu medo já foi grande, mas agora, acredite, estou decidido a ir embora, aceitando sem ressalvas o seu covarde silêncio.

*Este texto deveria ser postado após a Noite Latina, dia em que o Tipos ficou fora do ar.

Tuesday, December 14, 2004

Atendendo ao pedido da Veruska, eis o Edenilson na versão cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado. Tudo bem, tudo bem, tudo bem... Você não está reconhecendo? Eu sou o de blusa verde e moleton azul. Esta fotografia foi tirada pelo Keno, em 1991. Ele está numa árvore e nós, próximo ao terreirão de limpar café na chácara dos meus pais. Juntos comigo, o Marcos Furlan (que está morando na Inglaterra), a minha mãe, o Jonas (que mora em Cordeirópolis) e a Fernanda Arânega, que na época namorava o Keno, mas se casou com outro e hoje deve estar lá pras bandas do Mato Grosso.

Recordar é viver, dependendo do que se recorda e como se vive...

Monday, December 13, 2004

Eu morro um pouco a cada dia. Alguns lamentam. Outros comemoram. E eu compreendo que este é um ciclo que eu não posso controlar.

Você me quer? Você cuida de mim? Mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim?

Acabo de chegar de um lugar muito bom, onde fui logo após a festa de confraternização da TV Mix. E senti a necessidade de fazer alguns questionamentos decorrentes de fatos muito importantes que ocorreram desde a última sexta-feira. As respostas, talvez, venham no decorrer das horas, dos dias, da vida.

1) O que te move a fazer uma brincadeira com alguém com quem, supostamente, você se sente à vontade para tal e no fim, acaba virando um grande mal entendido e você tem a sensação de ter perdido aquilo que nunca teve na verdade?

2) Por que uma mulher recém-separada de um troglodita da pior espécie, liga pra ele no meio da madrugada, implorando para que ele vá comê-la – assim com essas palavras – imediatamente, ou, do contrário, ela sairá às ruas à caça do primeiro que queira possui-la?

3) Por que o desejo não surge simultaneamente com as duas pessoas, até por elas serem muito legais, para que elas possam viver um romance intenso?

4) Quantas vezes, afinal, a gente vai conseguir se apaixonar de verdade e transformar esta paixão num relacionamento cheio de boas possibilidades?

5) Por que a gente insiste em tentar criar justificativas para a nossa mais completa incapacidade de conviver com o real, deixando o ideal no plano de onde ele nunca deveria ter saído, os sonhos, até porque ele não é nada além disso mesmo?

6) Por que, numa época de tantas facilidades para se encontrar as pessoas, falar com elas, estar com elas, a gente ainda tem tanto medo de dizer aquilo que realmente sente?

7) Até que ponto temos realmente o direito de ter dúvidas sobre os nossos sentimentos sem envolver o outro na nossa história, principalmente sem prometer-lhe o céu, quando no máximo conseguiremos dar apenas uma breve visão do inferno a ele?

Sunday, December 12, 2004

Acabo de chegar do show do Arrigo Barnabé, organizado pela minha amiga Raquel Rodrigues. No palco, ele, Tetê Espíndola, Vânia Bastos e grande elenco. Muitos trinados, experimentos etc. e tal. Quer saber? Nem curto.

Friday, December 10, 2004

Se Vinícius de Moraes e Tom Jobim vivos fossem, certamente dedicariam alguns versos à bela Flávia Pires. Por onde passa, a aluna de jornalismo da Unopar deixa todos em dúvida: os olhos dela são azuis esverdeados ou verdes azulados?

...ela só quer, só pensa em namorar...


Esbanjando charme e simpatia, ela lança o olhar 86 para os leitores da coluna, desejando que o vindouro ano seja uma seqüência de bons acontecimentos na vida de todos. Para esquecer os trabalhos e provas do árduo primeiro ano do curso, ela tenta descobrir se as pessoas são eternamente responsáveis por aquilo que cativam. A dúvida, claro, surgiu depois que a bela leu O Pequeno Príncipe.

Thursday, December 09, 2004


Acabo de chegar da minha última banca de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – foram 10 ao todo – desta vez como convidado da Universidade Estadual de Londrina, para avaliar o projeto experimental do Guilherme Costa. Na platéia, os pais, a irmã, um amigo, a namorada e a mãe dela. Sempre fico emocionado nessas ocasiões e pedi aos meus orientandos, cujos trabalhos estavam bons, que trouxessem a família para assistir à apresentação.

Os pais vêem esse momento de forma muito especial. Quando fui cumprimentar a mãe do Guilherme, parabenizando-a pela conquista, os olhos daquela senhora marejaram. Disse-lhe que a vitória do Guilherme era também dos pais, que sempre – quer a gente admita ou não – empenham-se muito para que a gente consiga ser alguém na vida.

Muitos deles não tiveram as oportunidades que nos foram oferecidas. E ver o filho subir um degrau, independentemente do que será a carreira a partir deste momento, enche-lhes o coração de uma alegria imensa. Tenho a sensação que eles vivem para isso. Os meus pais, por exemplo, nunca entenderam o que significa o mestrado, nem tinham noção alguma do que representava ser aprovado numa instituição como a USP. Mas estavam lá, religiosamente, torcendo, perguntando todas as semanas, o que eu tinha feito em São Paulo, o que tinha aprendido.

Não tenho filhos, nem sei se os terei. Sinto-me incompetente para educar, orientar, mostrar os caminhos. Talvez faça isso com os alunos, de uma maneira genérica com muitos, mais específica com alguns. Por isso estou tão compungido. É muito gratificante perceber o empenho, esforço e dedicação que eles dedicaram aos trabalhos. Não serei hipócrita de dizer que esteve tudo excelente. Mas nos momentos que o orientador apontou caminhos, eles foram atrás do prejuízo. Mostraram ter atitude, o que, num mundo tão competitivo, pode fazer toda diferença.

Esse post é uma homenagem aos pais do Guilherme Costa e da Adriana Fiorani Pennabel, da UEL, do Marcos Sanches Alves, Luciene Roberta Barbosa e Levy Lisboa Neto, da Metropolitana, e dos pais da Ana Carolina Von Hertwig, Aline Felga, Andréa Manella Vieira, André Gonçalves, Danilo Melo, Keity Alaver, Kelsen Sato e Muriel Amaral, todos da Unopar. A vitória dos seus filhos é uma vitória também de vocês.

Wednesday, December 08, 2004

Aos que pensam que eu sempre sou assim, gentil, educado, afetuoso, uma dica: às vezes eu fico nervoso e parto para ignorância.

Eu e o Marcos Furlan, em cena de um espetáculo apresentado em Rolândia em 1991.


E como podem perceber, já tive cabelos e eles eram até compridos...

Tuesday, December 07, 2004


Querido Papai Noel,

O senhor não deve se lembrar muito de mim. Na verdade eu nunca lhe escrevi, muito menos lhe pedi algo. É que na minha família de evangélicos, o senhor e todas essas situações que envolvem o Natal, são chamados de “coisas do mundo”, conforme aprendi desde criança.

Hoje preciso admitir que eu ficava muito puto da cara com o meu pai e a minha mãe nessa época do ano. Tinha a sensação de que era lorota deles para me enrolar e não comprar presente algum.

O fato é que os anos se passaram e o senhor, que deve ter alguma conexão com Deus Pai Todo Poderoso, do contrário não poderia acompanhar tudo o que acontece com a gente, sabe que eu costumo ficar muito, muito triste nesta época do ano. E mesmo depois de alguns anos de análise, até hoje não entendo exatamente o que se sucede. Só sei que é uma dor imensa no peito, daquelas que me fazem chorar pelo trânsito, sem nenhuma razão específica.

Este ano, porém, gostaria que tudo fosse diferente, já que aprendi com o Lulu Santos, que a vida vem ondas como o mar, num indo e vindo infinito. Falar nisso, o novela ruim essa das seis, heim?! Quem mandou o senhor fazer a Aline Moraes e a Maria Fernanda Cândido acreditarem que são atrizes? Francamente.

Antes de pedir o meu tão sonhado presente, gostaria de fazer algumas ponderações. Apenas para refrescar-lhe a memória, pois tenho a maior fé que o senhor tudo vê e tudo sabe. Se é verdade que a gente precisa ter atos de extrema bondade para receber as suas (as suas mesmo) benesses, Papai Noel está cansado de saber que fui uma pessoa extremamente generosa e abnegada.

Exemplos? Quantas vezes eu fiquei absurdamente irritado em sala de aula e disse algumas verdades bem doloridas para os alunos? Apenas uma. Está certo que foi no último dia de aula, que fui tão veementemente sincero que ninguém ousou sequer contra argumentar. Mas o senhor se lembra que em outros anos foi bem pior.

Lembra aquele dia na fila do self service? Pois é. Eu não perdi a paciência com aquela doce mãe que resolveu ensinar a filhinha de dois aninhos como se escolhe comida no restaurante, principalmente quando se tem uma fila de 97 pessoas atrás. E a gorda do regime? Eu não fiquei irritado com o fato da obesa resolver montar o próprio cardápio também na fila do restaurante, com outras 98 (veja bem, tinha alguém a mais) pessoas esperando ela decidir junto com a amiga, também rechonchuda, quantas calorias elas deveriam ingerir, ufa, muito menos com o excesso de simpatia que essas cidadãs exalam.

Está certo que eu magoei minha mãe duas vezes, e de maneira profunda. Mas já pedi perdão e ela aceitou. Pra encerrar esta fase de argumentação, você está quase careca de saber que eu abri mão de 30% das minhas trepadas semanais para ajudar uma pessoa que precisa se hospedar na minha casa, certo?

Pois então. Avalie tudo isso e decida se eu mereço ou não ganhar uma desfragmentadora de papel. Quero ver se o senhor é compreensivo e generoso como o Beto, a única pessoa nesta minha existência capaz de entender e me dar forças para ter uma desfragmentadora de papel.

Perceba que até para dizer D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A DE PAPEL, sente-se um prazer inigualável. Se os seus (os seus mesmo) auxiliares estiverem muito ocupados, presto-lhe esta pequena ajuda. A D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A pode ser encontrada na loja Tombini, que fica ali na avenida Celso Garcia Cid, quase esquina com a Duque de Caxias. A marca que fabrica a D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A é Aurora, se minha memória não estiver falha. Eu tenho certeza absoluta que vou ficar imensamente calmo e tranquilo toda vez que ouvir aquele barulhinho (vrum, vrum, vrum) e vir as folhinhas todas dilaceradas saindo de dentro da D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A.

Se não for abuso, gostaria também que o senhor enviasse uma D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A para o Beto. Ele ainda não fixou residência novamente, mas pode mandar o mimo aqui em casa que eu enviar-lhe-ei.

Saiba que ao ganhar uma D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, prometo que no ano que vem não terei nenhuma crise de fúria com alunos irresponsáveis, nem me incomodarei se eles não entregarem os trabalhos no prazo, muito menos ficarei puto da cara se a mãe ou o pai de algum deles tiver o displante de me ligar para pedir uma força para o filho no exame que o fofo certamente há de ficar.

Para não haver dúvidas, repita comigo: D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A. Veja se não vai me falhar dessa vez, ok?

Mais uma vez: D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A, D-E-S-F-R-A-G-M-E-N-T-A-D-O-R-A.

Um grande abraço carinhoso,

Edenilson

Monday, December 06, 2004


Nada de folhetim, grandes romances ou qualquer coisa mais sofisticada. O amor, seja lá a interpretação que se tenha dele, surge onde menos se espera. Hoje, lendo a Folha de S. Paulo fiquei emocionado.

É que o ex-presidiário Jéferson Vieira dos Santos, de 23 anos, estava na fila para visitar o amor de sua (dele) vida, ainda preso por roubo na penitenciária de São Cristóvão, 25 km de Aracaju, lá em Sergipe, terra de supostos cabras machos. O curioso dessa história é que esse amor é masculino, travestido de feminino. Sim, o Jéferson ama o Robson Roberto Silva Santos, no presídio conhecido como Roberta Shirley Chayenne.

O que o rapaz quer agora, na Justiça, é o direito de ter visitas íntimas com a Roberta, que faz questão de ser tratada no feminino. Um grande passo ele já deu: conseguiu fazer a visita comum ao seu (dele) amor. Quer ainda ter conjunções carnais. “Como a gente é pequeno no meio desses homens grandes, é sempre esquecido”, lamentou ao lembrar que é ajudado por uma promotora.

Jéferson frisa que briga por direitos, exige respeito e não discriminação. Ele ganhou a liberdade há mais de um mês. Contou sobre a despedida. “Logo que coloquei os pés na rua me senti leve e triste ao mesmo tempo. Na hora de me despedir de Shirley, choramos muito. Contristado, prometi que faria de tudo para ficar com ela. Enfrentaria tudo. Se precisasse até a morte. E sou um homem de palavra.”

Antes de conseguir o direito à visita comum, Jéferson ia até o presídio e via Shirley pelo alambrado, trocando sinais. “Ficava ali contemplando a pessoa dela e ouvindo piadinhas dos funcionários do presídio”. Como prova de amor, mandou estampar o rosto da amada numa camiseta, que sempre exibe com orgulho. Ouviu mais gracejos. “Sabia que o caso ali era de preconceito. E, contra isso, só o amor vale.”

De dentro, Shirley sente-se feliz. “Ele me surpreende a cada dia. Acho incrível essa luta por nossa união. Ele é forte. Sou apaixonada.”

É ou não é um jeito bom de começar uma segunda-feira?

TRILHA SONORA: VOCÊ NÃO ME ENSINOU A TE ESQUECER, CANTADA PELO CAETANO VELOSO.

Sunday, December 05, 2004


Quer dizer que a modelo Luma de Oliveira estava se sentindo um pouco desprestigiada e resolveu criar mais um escândalo para aparecer? Sinceramente? Achava muito mais bacana quando ela mostrava as fendas do vestido e outras fendinhas a mais. O que um tanque cheio de roupa encardida e um fogão todo engordurado não podem fazer por uma desocupada...

Além de ser capa de todas as revistas e ganhar a primeira matéria do Fantástico deste domingo, a modelo e empresária ressuscitou também o Berto Filho, agora como locutor da revista eletrônica.

Também na voz cavernosa de Cid Moreira, o rememorar do caso Pedrinho, já que a dona Vilma, a mulher que o seqüestrou para tentar segurar o que imaginava ser o seu (dela) grande amor, resolveu falar com a imprensa.

E ela está parecendo o Paulo Maluf. Condenada, na cadeia, ela jura ser inocente. Penso que em breve ela pode dizer que foi a mãe do Pedrinho quem deu o garoto a ela, num gesto de compaixão e em nome do amor que a Vilma dizia sentir.

Bom, tudo isso por conta do desenlace do caso Maria do Carmo/Lindalva/Nazaré, em Senhora do Destino.

Fim de ano chegando, alunos em exame em todas as turmas. Restam mais duas semanas para o fim de 2004. E isso me dá um misto de alegria e tristeza.

Eita, que este post está muito chato. Mas isso só eu posso dizer, ok?

Saturday, December 04, 2004

Trio mais que especial, em close descoladérrimo...


PS: Por razões inexplicáveis (ou eu sou lerdo mesmo) não estou conseguindo postar mais que uma foto. E seria uma sacanagem com o Grota, mostrá-lo só de esgueio.

Friday, December 03, 2004


Imponente até no nome, Rodrigo Souza Grota espalha alegria por onde passa, arrancando gargalhadas com as citações de Freud, Fausto e Becket. Num momento relax total, ele convence a amiga Raquel Rodrigues, que rir é mesmo o melhor remédio para levar a vida numa boa.

Do que será que eles tanto riem?


Entretido com as estréias cinematográficas e as produções de filmes e documentários, nas horas de lazer, lança o castanho dos olhos para a Trilogia Tebana, de Sófocles. A principal dúvida do lasanha é saber porque Édipo foi parar em Colono. Grota é dez!

Thursday, December 02, 2004


“O mundo das paixões, é o mundo do desiquilíbrio” - Raduam Nassar


“O tempo é o maior tesouro que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo; onipresente, o tempo está em tudo. (...) rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira. O equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; por isso, ninguém em nossa casa há de dar nunca, o passo mais largo que a perna: dar o passo mais largo que a perna é o mesmo que suprimir o tempo necessário à nossa iniciativa (...) pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas.” (in Lavoura Arcaica)

É chegada a hora do enterro. Eu sinto muito por você. E um pouco também por mim.

Wednesday, December 01, 2004