Miriam, o horror em miniatura
Gerente: Sr. Miller, o senhor pode atender essa senhora? Ela vai abrir uma conta.
Miller: Pois não. (silêncio constrangedor)
Helena: Há muito tempo que eu queria abrir uma conta neste banco.
Miller: A senhora trouxe todos os documentos
Helena: O amor comeu todos os papéis onde eu escrevera o meu nome. (silêncio).
Miller: A sua carteira de identidade, por favor.
Helena: Eu soube o que aconteceu.
Miller: Perdão???
Helena: Eu realmente sinto muito.
Miller: O CPF e um comprovante de endereço.
Helena: Eu tentei falar com você.
Miller: Qual o valor do depósito inicial?
Helena: Eu posso fazer alguma coisa?
Miller: Pode. É só pegar a senha e se dirigir ao caixa.
Helena: Eu te amo!
Miller: A senhora precisa de mais alguma coisa?
Helena: Eu sinto muito... (Helena sai, Miller fica desconsertado, o amigo entra)
Miller: Pode me fazer um favor?
Amigo: Claro.
Miller: Vamos sair hoje à noite?
Amigo: Claro.
Miller: Aconteceu uma coisa...
Amigo: O que foi?
Miller: Helena veio aqui abrir uma conta.
Amigo: Eu vi. Qual a novidade?
Miller: Nenhuma. Posso te confessar um segredo?
Amigo: Claro.
Miller: Depois que a Estela se foi, nada mais faz sentido.
Amigo: Eu sei...
Miller: Posso te confessar outro segredo?
Amigo: Claro.
Miller: Você é um amigo muito especial.
Amigo: Eu sei!
Miller: Você é feliz?
Amigo: Claro.
Miller: Eu não.
Amigo: Eu sei.
Miller: Você pode me fazer outro favor?
Amigo: Claro.
Miller: Me diz como é ser feliz...
Esta é a sétima cena do último espetáculo de que participei. “Miriam, o horror em miniatura” era protagonizado pela Janaína Ávila e pelo Donizete Buganza. A peça é sobre o Mr. Miller, vivido na velhice pelo Donizete e na juventude por mim. Bancário dos burocráticos, é apaixonado por Estela, mas tem Helena como amante. Estela morre e ele fica desamparado, incomodado com a presença de Miriam, uma garota indecifrável. A cena acima é logo após a morte de Estela.