Já faz alguns dias que terminei de ler o livro da Glória Kalil e constatei que eu não sou chiquérrimo, na melhor definição que a própria dá à palavra. Mas sou chique, o que creio estar de bom tamanho para um sujeito que nasceu em Longuinópolis. Tanto que providenciei a doação do único terno marrom – que o Beto sempre lembra que envelhece – que tinha no armário. E nunca mais nessa minha existência usarei outra coisa que seja marrom, mas não seja de couro – sapato ou jaquetas. Essas peças, segundo a Glória, podem compor o visual, sem problemas.
Mas nem sempre eu fui muito chique como agora.
Lembrei dessa história depois de ler o blogue da Janaína. Eu já tive 16 anos, sabia? E numa viagem de ônibus à Palotina, eu também vomitei. É isso mesmo. Chamei o incrível Hulk bem legal, pagando o maior mico da minha existência.
Sucedeu que era fevereiro de 1987 (se não me falha a memória) e a Challenger acabara de explodir nos ares. (Isso não tem nada a ver com o caso, mas eu lembro bem daquele dia). Resolvi atender ao convite da minha irmã Laldeci e passar uns dias com ela em sua (na dela) residência, lá no sudoeste do Estado.
Bom, calor infernal, ônibus da Viação Nordeste lotado, dezenas de passageiros em pé até Maringá, conforme prometera o motorista. Logo depois da saída da rodoviária rolandense, senti que a coisa não seria muito boa. Passando de Arapongas, um cidadão começou a fumar. Para espanto de todos, uma senhora bradou:
- Vamos parar de fumar gente porque senão minha filha vai vomitar.
Ato contínuo, eu bem quietinho ali do lado dou a maior golfada da existência, pondo pra fora tudo o que houvera comido em toda a minha vida. Foram uma, duas, três, quatro, cinco. Isso mesmo, cinco folgadas golfadas (que construção bacana!) e o serviço estava completo. O silêncio mais constrangedor da vida e eu com aquela impressão terrível:
- Será que eles estão pensando que eu sou a filha da mulher que reclamou?
Com odor tão agradável, os companheiros de viagem se solidarizaram comigo até Maringá, onde, na garagem da empresa, trocamos todos de ônibus. Eu dormi o restante da viagem e, no destino, fui o último a descer do ônibus. Não queria que ninguém naquele veículo registrasse a imagem do rapazinho que ferrou a viagem de todo mundo.
Publicado em 22 de novembro de 2004 às 23:42 por joao
Bom, todo mundo vomita em público um dia, não se sinta constrangido...mas você nasceu em Longuinópolis??? meu Deus, onde fica isso?????
um bjaum...