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This is the archive for November 2004

Tuesday, November 30, 2004

Hoje é aniversário de minha mãe. Do jeito dela, meio cambaleante, ela conseguiu viver o ano que passou com a maior dignidade e um pouco mais de conforto físico.

Ontem fui almoçar com ela. E depois de três semanas com uma personal trainer, veio me mostrar que já consegue sentar sozinha no chão. Chamou-me no quarto para que eu visse que as aulas dão resultado.

Parabéns pra você, nessa data querida...


A dona Alice é assim, cheia de surpresas. Tem o olhar às vezes triste, às vezes cansado. Mas pulsa dentro dela uma vontade de ver o novo, experimentar, arriscar alguns desafios. Eu fico muito, muito feliz por isso.

Ela não entende o que é internet, não sabe o que é um post. Ainda assim, acho importante registrar aqui. Mãe, eu amo você.
Hoje, na coluna Zapping, do jornal Agora:

Freelance

Patrícia Poeta não renovou contrato com a Globo. Ela quer ser atriz e está estudando cinema. Tem feito apenas uma ou outra reportagem para a emissora.

Monday, November 29, 2004

Ouço, neste momento, uma das músicas mais bonitas e tristes que conheço. (a letra está lá embaixo) A composição foi-me apresentada pelo Beto, no tempo em que moramos juntos em Curitiba. Mas esse não é o mote deste post, embora, no fundo, os temas estejam interligados.

Ontem li uma reportagem na Folha de S. Paulo sobre os relacionamentos amorosos, tema que, inevitavelmente, interessa a todo mundo. A antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez uma pesquisa com 1.279 moradores do Rio de Janeiro, com idades entre 17 e 50 anos. O resultado da pesquisa é a base do livro que ela acaba de lançar, De Perto Ninguém é Normal.

Vou reproduzir abaixo, alguns trechos da entrevista que ela concedeu à Folha. Miriam entrevistou 835 mulheres e 444 homens. Revela que as mulheres são mais disponíveis para esses assuntos e que o resultado da pesquisa, embora feita no Rio de Janeiro, serve de parâmetro para o restante do Brasil.

“A crise feminina tem muito a ver com essa busca infindável de perfeição, de juventude, de beleza e magreza. É a nova questão da mulher. E sua nova prisão também.”

“Os homens são muito objetivos. No questionário, na pergunta ‘Quais os principais problemas de uma relação’, a maioria escreveu apenas: ‘falta de compreensão’. Entre as mulheres, algumas escreviam tanto que tinha até anexo. Era ‘falta de amor, de romance, de desejo, de cumplicidade, de diálogo, de companheirismo, falta, falta, falta.’ O homem tem uma visão mais global, olha para a mulher como um todo. Já a mulher é detalhista, procura imperfeições nela mesma e nas relações. O que o homem quer de uma relação é compreensão, tranqüilidade, sossego, paz. A mulher quer romance, amor, tesão, coisas que, numa relação mais duradoura são impossíveis.”

“As mulheres exigem do homem coisas que não exigiam antes. Ele não tem de ser só o provedor bem sucedido e poderoso. Também tem de cuidar do seu corpo, vestir-se bem, ser romântico. Há o modelo Reynaldo Gianecchini, sensível, e o modelo José Mayer, machão. E a mulher quer tudo isso numa só pessoa. É impossível. Elas usam o clichê ‘mulher independente assusta’ para justificar por que não têm parceiro’. Os homens dizem que não: querem que elas trabalhem e dividam as obrigações financeiras”.

“Parece que as mulheres não observam muito bem a realidade. Elas demandam como se tivessem 50 homens para escolher e algum vai ser perfeito. É contraditório, para não dizer pouco inteligente, que num mercado tão desfavorável elas exijam tanto. (...) Elas ficam reclamando que falta homem no mercado, um clichê. Mas é que estão olhando só para um homem que não existe. Se olharem com uma visão mais compreensiva, vão encontrar.”

Cá entre nós? Uma das análises mais lúcidas que já vi. Algo como acabar com o ideal e olhar para o real. Ou ainda, os tais dos amores possíveis... Reflita ouvindo a música abaixo:

Brigas, de Evaldo Gouveia & Jair Amorim

Veja só, que tolice nós dois
brigarmos tanto assim
se depois vamos nós a sorrir
trocar de bem, enfim.
Para que maltratarmos o amor
o amor não se maltrata não.
Para que se essa gente o que quer
é ver nossa separação.
Brigo eu, você briga também
por coisas tão banais
e o amor em momentos assim,
morre um pouquinho mais.
E ao morrer então é que se vê,
que quem morreu fui eu e foi você,
pois sem amor
estamos sós,
morremos nós.

E ao morrer, então é que se vê
que quem morreu fui eu e foi você,
pois sem amor,
estamos sós,
morremos nós.



Sim, eu estou de luto.

Sunday, November 28, 2004

Dias atrás, tive a impressão de ter um dos meus sonhos realizado aqui no Tipos: a Karla Matida comentar um post meu. Porém, acho que ficou só no plano metafísico mesmo. Porque eu entro, entro, entro nos posts e nada de rever o escrito. Será que eu pirei na batata? Ou será que o sol inunda a sala?

Friday, November 26, 2004

O guapo curitibano Tiago Dutra lança seu olhar 43 e faz pose para a coluna. As moçoilas londrinenses estão afoitas para conferir ao vivo e em cores, se o shape do moço é tudo o que se comenta.

Momento garoto propaganda...


Depois da visita que Janaína, a Ávila, fez à Capital, elegendo-o o mais legítimo TNB* do Tipos, muita gente, por essas bandas, almeja e sonha jogar um plá com o rapaz. Além de criar textos publicitários para uma super descolada agência, ele passa parte do tempo livre degustando água tônica e tentando descobrir por que Verônika decide morrer, uma das incursões literárias de Paulo Coelho. Tin, tin!

TNB (tapa na bunda). Para saber mais, clique aqui

Wednesday, November 24, 2004

Nunca uma relação esteve tão próxima da perfeição quanto a que vivo com os alunos do sétimo período da Metropolitana. Nos três anos e meio do curso, ficamos juntos por dois e meio. Hoje, quarta-feira, dia 24, é praticamente nossa despedida. Eles vão apresentar os quatro documentários que fizeram para a minha disciplina neste semestre.

Muito mais que aprendizado técnico e teórico, vivemos aquele tipo de casamento onde o casal briga, se desentende, mas no fundo, acaba fazendo filhos bem engraçadinhos. Sempre que fico em dúvida sobre minha capacidade de ensinar da maneira correta, lembro de tudo que este pessoal conseguiu realizar. No semestre passado, foram oito telejornais. Neste, quatro “minis” documentários, mais duas edições de um programa sobre culinária com um novo formato.

Sempre digo aos alunos que a atitude faz toda diferença. É preciso acreditar e se dispor a realizar coisas. Os resultados, naturalmente aparecem. Para vocês terem idéia, no semestre passado a nossa aula era sexta-feira. Sabem o que é isso numa faculdade particular? Chega o intervalo, mais da metade da turma vai embora. Em Telejornalismo II não foi assim. Não foi uma, mas várias às vezes em que saímos da Metropolitana depois das 23h30. Todos lá, empenhados em fazer o melhor possível.

Com eles, pude desempenhar o que acredito ser o papel do professor. Orientar, apontar caminhos. Eles seguiram a trilha. Óbvio que houve muitos desentendimentos, troca de ofensas, estranharam-se. Eu tenho certeza que as exigências, os zeros atribuídos, o rigor com os prazos estabelecidos e a experiência de ficar em exame, terão significado importante nas suas carreiras. Tudo para que no fim, o resultado aparecesse. Em tevê, é o que importa.

Hoje, às 19 horas, eles mostrarão os quatro documentários. Cada um tem, em média, 15 minutos. É no auditório da Metropolitana lá perto do Catuaí Shopping. Estão todos convidados. Espero que, na apresentação, não pague muito pico de ficar lambendo a cria.

Este ciclo está praticamente encerrado. E como a vida continua, tive o prazer de encontrar três novas turmas super bacanas, com gente interessada. São os alunos do primeiro ano, noturno e diurno, e do segundo noturno, da Unopar. Parece que nosso “romance” terá momentos de extrema felicidade. Como deve ser a vida, sempre.

Eis os queridos: sonhar, acreditar, realizar. Força sempre!


Ana Paula, Arlete, Beto, Bruno, Célio, Diego, Gerson, Hugo, Kellen, Leonardo, Luciana, Gisele, Marivone, Roberta, Thayana e Sara (que trancou a matrícula, mas no afeto, pertence à turma): um poeta disse, certa vez, que o fim de um ciclo não representa quase nada porque é a estrada que importa. Espero que estas palavras dêem a dimensão exata de tudo o que vocês significaram para mim. Provamos que somos capazes de tudo. Desejo que vocês consigam reconhecer os momentos de felicidade que a vida certamente vai lhes proporcionar.

Eu vejo flores em vocês!

Tuesday, November 23, 2004

Hoje à noite tive um pesadelo. Caminhava com um amigo em frente ao Museu Padre Carlos Weiss. Um garoto se aproxima, dá voz de assalto e puxa uma arma. Eu reajo e parto pra cima do filho da puta. Ele me dá um tiro no peito. Será que tem algum dos vários Edenilsons morrendo? Eu acho que sim.

O pior desse sonho, anotem aí, é que eu tenho certeza que se for assaltado à mão armada eu vou reagir.

Monday, November 22, 2004


Já faz alguns dias que terminei de ler o livro da Glória Kalil e constatei que eu não sou chiquérrimo, na melhor definição que a própria dá à palavra. Mas sou chique, o que creio estar de bom tamanho para um sujeito que nasceu em Longuinópolis. Tanto que providenciei a doação do único terno marrom – que o Beto sempre lembra que envelhece – que tinha no armário. E nunca mais nessa minha existência usarei outra coisa que seja marrom, mas não seja de couro – sapato ou jaquetas. Essas peças, segundo a Glória, podem compor o visual, sem problemas.

Mas nem sempre eu fui muito chique como agora.

Lembrei dessa história depois de ler o blogue da Janaína. Eu já tive 16 anos, sabia? E numa viagem de ônibus à Palotina, eu também vomitei. É isso mesmo. Chamei o incrível Hulk bem legal, pagando o maior mico da minha existência.

Sucedeu que era fevereiro de 1987 (se não me falha a memória) e a Challenger acabara de explodir nos ares. (Isso não tem nada a ver com o caso, mas eu lembro bem daquele dia). Resolvi atender ao convite da minha irmã Laldeci e passar uns dias com ela em sua (na dela) residência, lá no sudoeste do Estado.

Bom, calor infernal, ônibus da Viação Nordeste lotado, dezenas de passageiros em pé até Maringá, conforme prometera o motorista. Logo depois da saída da rodoviária rolandense, senti que a coisa não seria muito boa. Passando de Arapongas, um cidadão começou a fumar. Para espanto de todos, uma senhora bradou:
- Vamos parar de fumar gente porque senão minha filha vai vomitar.

Ato contínuo, eu bem quietinho ali do lado dou a maior golfada da existência, pondo pra fora tudo o que houvera comido em toda a minha vida. Foram uma, duas, três, quatro, cinco. Isso mesmo, cinco folgadas golfadas (que construção bacana!) e o serviço estava completo. O silêncio mais constrangedor da vida e eu com aquela impressão terrível:
- Será que eles estão pensando que eu sou a filha da mulher que reclamou?

Com odor tão agradável, os companheiros de viagem se solidarizaram comigo até Maringá, onde, na garagem da empresa, trocamos todos de ônibus. Eu dormi o restante da viagem e, no destino, fui o último a descer do ônibus. Não queria que ninguém naquele veículo registrasse a imagem do rapazinho que ferrou a viagem de todo mundo.

Miriam, o horror em miniatura

Esta é a cena de abertura, onde “imitamos” a Pietá. No meu colo a Janaína, que depois vira a Miriam, e, no chão, o Mr. Miller (Donizete)


Gerente: Sr. Miller, o senhor pode atender essa senhora? Ela vai abrir uma conta.
Miller: Pois não. (silêncio constrangedor)
Helena: Há muito tempo que eu queria abrir uma conta neste banco.
Miller: A senhora trouxe todos os documentos
Helena: O amor comeu todos os papéis onde eu escrevera o meu nome. (silêncio).
Miller: A sua carteira de identidade, por favor.
Helena: Eu soube o que aconteceu.
Miller: Perdão???
Helena: Eu realmente sinto muito.
Miller: O CPF e um comprovante de endereço.
Helena: Eu tentei falar com você.
Miller: Qual o valor do depósito inicial?
Helena: Eu posso fazer alguma coisa?
Miller: Pode. É só pegar a senha e se dirigir ao caixa.
Helena: Eu te amo!
Miller: A senhora precisa de mais alguma coisa?
Helena: Eu sinto muito... (Helena sai, Miller fica desconsertado, o amigo entra)
Miller: Pode me fazer um favor?
Amigo: Claro.
Miller: Vamos sair hoje à noite?
Amigo: Claro.
Miller: Aconteceu uma coisa...
Amigo: O que foi?
Miller: Helena veio aqui abrir uma conta.
Amigo: Eu vi. Qual a novidade?
Miller: Nenhuma. Posso te confessar um segredo?
Amigo: Claro.
Miller: Depois que a Estela se foi, nada mais faz sentido.
Amigo: Eu sei...
Miller: Posso te confessar outro segredo?
Amigo: Claro.
Miller: Você é um amigo muito especial.
Amigo: Eu sei!
Miller: Você é feliz?
Amigo: Claro.
Miller: Eu não.
Amigo: Eu sei.
Miller: Você pode me fazer outro favor?
Amigo: Claro.
Miller: Me diz como é ser feliz...


Esta é a sétima cena do último espetáculo de que participei. “Miriam, o horror em miniatura” era protagonizado pela Janaína Ávila e pelo Donizete Buganza. A peça é sobre o Mr. Miller, vivido na velhice pelo Donizete e na juventude por mim. Bancário dos burocráticos, é apaixonado por Estela, mas tem Helena como amante. Estela morre e ele fica desamparado, incomodado com a presença de Miriam, uma garota indecifrável. A cena acima é logo após a morte de Estela.


Thursday, November 18, 2004


O cinema me apresentou à obra de Raduan Nassar. Primeiro, Um copo de cólera, depois Lavoura Arcaica. Quando vi o filme em São Paulo, fiquei completamente alucinado. Tanto que entrei na primeira livraria para comprar o livro, que desde então figura entre os meus preferidos. O capítulo 12, em especial, é lindo. Avalie:

Juliana Carneiro da Cunha interpreta a mãe, numa atuação surpreendentemente magnífica.


“(...e é enxergando os utensílios, e mais o vestuário da família, que escuto vozes difusas perdidas naquele fosso, sem me surpreender contudo com a água transparente que ainda brota lá do fundo; e recuo em nossas fadigas, e recuo em tanta luta exausta, e vou puxando desse feixe de rotinas, um a um, os ossos sublimes do nosso código de conduta: o excesso proibido, o zelo uma exigência, e, condenado como vício, a prédica constante contra o desperdício, apontado sempre como ofensa grave ao trabalho; e reencontro a mensagem morna de cenhos e sobrolhos, e as nossas vergonhas mais escondidas nos traindo no rubor das faces, e a angústia ácida de um pito vindo a propósito, e uma disciplina às vezes descarnada, e também uma escola de meninos-artesãos, defendendo de adquirir fora o que pudesse ser feito por nossas próprias mãos, e uma lei ainda mais rígida, dispondo que era lá mesmo, na fazenda que devia ser amassado o nosso pão: nunca tivemos outro em nossa mesa que não fosse o pão-de-casa, e era na hora de reparti-lo que concluíamos, três vezes ao dia, o nosso ritual de austeridade, sendo que era também na mesa, mais que em qualquer outro lugar, onde fazíamos de olhos baixos o nosso aprendizado de justiça.)”

Wednesday, November 17, 2004

Pontificando na estréia da coluna mais que up to date, a sempre e eterna simpática Fabíola Vicençoni. A advogada e repórter da TV Coroados alegra as festas, sempre pontuando charme, elegância e, principalmente, sinceridade. No momento, ela relê a obra de Sidney Sheldon, Se houver Amanhã!

“o nosso amor é lindu, tão linduuuuuu. Nada pode ser mais lindu.... do que o nosso amor”

Tuesday, November 16, 2004

Bem, finalmente você conseguiu. Depois de tanto ritual de sedução, aquela pessoa está na sua cama e vocês estão dando um meteco já faz horas. Você pensa na sua mãe, na sua tia gorda, quando bateram em você no colégio. Tudo para evitar o gozo e se despedir da pessoa tão desejada. Mas tem um momento que não dá mais. Então...

Na hora do orgasmo, você é:

resultado


Quem não comentar nunca mais vai ter orgasmo em toda a sua existência, inclusive na próxima encarnação.

Monday, November 15, 2004

A cena tem o seguinte diálogo, abaixo descrito. Eu interpreto o Philip e o Henrique, Richard. Junto, a “mulher misteriosa”, vivida pela Cíntia, que passeia por todas as cenas.

A foto é do Gilberto Abelha. O espetáculo estreeou em 11 de junho de 1992, no Ouro Verde.


Philip: Olá, Richard.
Richard: Vai dormir? Volto amanhã.
Philip: Entre.
Cíntia: Prometeu-me algo difícil.
Richard: Mamãe me mandou.
Philip: Entre. Há muito tempo na França fervemos o Burgandy. Vira vapor e quando esfria temos o Brandy. (eles tomam a bebida)
Richard: Sou prisioneiro de Henry. Acha engraçado? Por que sorri?
Cíntia: Uma navio de ouro sob um mastro prateado.
Philip: Quanto tempo faz que esteve em Paris? Dois anos?
Richard: Quero tropas.
Philip: Acha-me mais velho? Nestes dois anos me preparei para ser rei?
Richard: Quero sua resposta.
Cíntia: Doze cidades e um mercado em todas elas. E uma bela e branca praça à beira-mar.
Philip: Então espere. Vê? Eu mudei. Não sou o garoto que você ensinava a caçar dois anos atrás. Caçávamos dia e noite. (Richard vai saindo). Não vá.
Richard: Vai me ajudar?
Philip: Sente-se e discutiremos. Você nunca escreveu.
Cíntia: Você prometeu algo impossível.
Richard: A ninguém.
Philip: Por que ajudá-lo? Não estou melhor com John ou Geofrey? Posso escolher o idiota ou o diabo.
Richard: Você brigaria comigo?
Philip: Estamos brigando. Boa noite.
Cíntia: Que me daria luvas de pele de peixe.
Richard: Ainda é criança.
Philip: Sob que aspecto?
Richard: Não sabe o quanto vale a sua ajuda.
Philip: E quanto vale a sua?
Richard: O Vexim e toda a Bretanha.
Cíntia: E sapatos de aves.
Philip: É de Geofrey.
Richard: E daí?
Philip: O que mais?
Cíntia: E roupa da melhor seda da Irlanda.
Richard: Só isso.
Philip: E o que quer?
Richard: Dois mil soldados.
Cíntia: E sapatos de aves.
Philip: E o que mais?
Richard: Quinhentos cavaleiros.
Cíntia: Que me daria luvas de peixe.
Philip: E o que mais?
Richard: Armas.
Philip: E o que mais?
Cíntia: Um navio de ouro sob um mastro prateado.
Richard: Nunca escrevi porque você não responderia.
Philip: Faz diferença?
Richard: Não faz?
Cíntia: Você prometeu e mentiu.
Philip: Foram dois anos que passei no inferno.
Richard: Estranho. Não vi você lá. (Dão-se as mãos). Ainda não disse que me ama.
Cíntia: Eu assoviei e gritei cem vezes e não achei nada lá.
Philip: Ainda não é a hora.


OBS: A peça fala da disputa de terras entre a Inglaterra e a França. Eu interpreto o príncipe francês, que arma esta cilada para o Richard – na verdade o Ricardo Coração de Leão – para desmascara-lo perante o pai, o rei Henry. Na seqüência, os dois transam e são flagrados por Henry. Obviamente tudo armado por Philip. Eu gostava muito de interpretar esse vilão. A Cíntia, na verdade, é o desejo de Richard, apaixonado de verdade pelo príncipe francês.

Friday, November 12, 2004

Eu tenho tanta coisa pra dizer, mas o tempo urge e agora não será possível. Só registro que depois de mentalizar alguns palavrões e perder a paciência com dois atendentes de telemarketing, meu computador voltou a funcionar. E com internet banda larga. E nem precisou da especial ajuda do Seo Geraldo, o pai da Thais e o meu consultor técnico preferido.

Nos poucos momentos que pude acessar o Tipos, vi que muita, muita, muita gente bacana passou por aqui. Beijos e abraços a todos. Vocês são tão importantes na minha vida, que volta e meia aparecem na sessão de análise. Tanto que até a terapeuta pegou o endereço do blog.

Depois eu vou falar dos meus alunos favoritos. Também quero dizer que tenho ouvido músicas muito tristes. Devo registrar ainda que por conta da adsl, fiz uma coisa muito feia. Desta vez, quem me magoou foi minha mãe. E estou muito puto com isso. Ei, nada a ver a ADSL com a dona Alice, ok?

Você já ouviu a música Derretendo Satélites, do Kid Abelha? Bacana, bem bacana.

Wednesday, November 10, 2004

Com a Sercomtel tentando convencer que o problema na ADSL foi provocado por um hacker e com seis TCCs para corrigir, não dá mesmo para postar nada. Mas estou montando um arquivo excelente, podem acreditar.

Ei, quem passar por aqui, deixe um oi, uma palavra de conforto para um orientador quase exaurido.

Friday, November 05, 2004

Proponho um desafio aos visitantes deste blog:
explicar direitinho o significado da música abaixo, composta por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, talvez numa época em que já imaginavam criar os Tribalistas.

Na Estrada

Ela vai voltar, vai chegar
E se demorar, I'll wait for you.
Ela vem, e ninguém mais bela,
Baby, I wanna be yours tonight
Sem botão, no tempo, no topo, no chão,
Em cada escada, a caminhada a pé, de caminhão.
Seu horário nunca é cedo aonde estou
E quando escondo a minha olheira
É pra colher amor.
Sala sem ela tem janela,
Inclina em cerca de atenção,
Ela vem, e ninguém mais,
Ela vem em minha direção.
Sala sem ela tem janela
Inclina em cerca de atenção,
Ela vem, e ninguém mais
Bela vem em minha direção.


Os versos mais especiais e difíceis são:
a) “Sem botão, no tempo, no topo no chão, em cada escada, a caminhada a pé, de caminhão.”

b) “sala sem ela tem janela
Inclina em cerca de atenção”.

A proposta é a seguinte:
Explique a letra tin tin por tin tin e daí, você pode me cobrar:

1) um abraço, um beijo e um queijo (dizem que faço isso bem feito, hehehehe)
2) se for alguém da Unopar ou da Metropolitana, que frequente qualquer uma das disciplinas, ganha dois pontos na média. Mas atenção: tem que convencer na explicação.

Wednesday, November 03, 2004


Se você não gosta de saber o final de filme antecipadamente, pare de ler este texto agora. Vou adiantar o que aconteceu em “Mar Aberto”, produção independente que está faturando muito mundo afora.

Baseado em fatos reais, a trama gira em torno de um casal que resolve tirar férias e sai para um passeio mar aberto, onde os dois vão mergulhar. Num grupo grande, pela mais imbecil das razões, eles simplesmente são “esquecidos” no fundo do mar. Quando emergem, se dão conta que estão perdidos no meio do oceano.

É bem nessa hora que o galã leva uma mordida na perna. Horas depois está morto. Mortinho.


O filme é curto, algo que aprecio muito, e apenas 24 horas depois alguém da empresa organizadora do passeio se dá conta que o casal não retornou. Um grupo de barcos, helicópteros e aviões sai em busca dos dois. Não dá tempo. Ele é mordido por um tubarão e morre nos braços da mulher. Ela simplesmente abre mão de continuar vivendo. Pelo menos foi essa a minha leitura.

O público da última sessão de Finados ficou puto. Na verdade, putíssimo. O que mais ouvimos (eu e a Thaís) foram reclamações.
Eu achei o final ótimo. Era muito improvável que alguém sobrevivesse em meio a tantos tubarões. Com uns quinze deles rodeando o casal, só em filme besta que eles não seriam mordidos.

Talvez a raiva aconteça porque a gente tem essa mania de achar que no fim tudo dá certo. Nem sempre é assim, como bem ocorre na vida real.

Monday, November 01, 2004

Olha que belezinha... Eu tinha três anos. Sempre digo para minha mãe que eu já nasci com a orelha formada. Depois a cabeça foi se desenvolvendo. Manja o tamanho do Dumbo...

...eis que acode meu coração e oferece, como uma flor, a doçura desta lição: dar ao meu filho meu amor. Pois o amor resgata a pobreza, vence o tédio, ilumina o dia e instaura em nossa natureza a imperecível alegria.  Carlos Drummond de Andrade