E se ainda não deu, é porque não é o fim. O título desse post foi roubado de uma das obras de Fernando Sabino, morto esta semana. Remexendo em fotos e textos antigos, encontrei um trecho do prefácio de “O Encontro Marcado”, o marco da carreira do escritor. Fiquei novamente tão surpreso, que levei o escrito para a sessão de análise. Veja que beleza:
“O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos; servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”
Publicado em 16 de outubro de 2004 às 15:03 por joao
outro cara bem legal de se ler é o roberto freire que escreveu “os cúmplices”, “coyote” & “ame e dê vexame”, entre outras pérolas.
uma pena a morte do sabino.
gostaria muito de escrever um puta-post em sua homenagem... pela delícia de sua obra & a grande inspiração advinda desta para o meu cotidiano durante toda minha adolescência... mas não é poraí...
até porque nem tenho tempo pra isto...
de qualquer modo... registra-se minha lástima e nudez em plena luz do dia.
abraço!