As últimas 48 horas foram profícuas. E se você não gosta de papo sério, muitas vezes confundido com chato, não se apoquente, seja feliz.
Houve uma época que imaginei que a maturidade fosse ser algo desagradável. A cada dia vivido, mais fico grato com todo aprendizado que acumulei até este momento. E me congratulo por perceber em mim a capacidade de tentar buscar o novo, o diferente, o que ainda não sei das relações, das pessoas, das situações.
Queria falar um pouco dos limites. É incrível como todos nós precisamos deles. Nos dão referências, talvez até algumas certezas. A Raquel, amiga querida, comentou sobre uma entrevista dada pelo Lima Duarte. Nela, o ator assumia que traiu e foi traído. E reconheceu que todas as “partidas” da pessoa amada foram permitidas por ele. E é isso mesmo. As pessoas só fazem conosco, aquilo que permitimos, aquilo para o qual damos espaço.
Ontem estabeleci um limite muito claro para uma pessoa. Olhei firme nos olhos dela e esclareci exatamente até onde ela pode ir comigo. O mais bacana desse encontro, porém, foi deixar claro que se por alguma razão a gente não puder conviver, eu não vou morrer. O outro se espanta com isso. Ainda mais quando você fala com a voz branda e não desvia o olhar.
Lembro da minha primeira relação séria. Estava no segundo período da faculdade e conheci a figura, 14 anos mais velha. Eu com 18, ela com 34. Sexo selvagem quase todos dias, por pouco não reprovei numa disciplina, resolvi fazer graça. Charme, dar a impressão de ser difícil. Queria ficar na casa dela, mas resvalei na chantagem emocional fingindo querer partir. Ela abriu a porta e me mandou embora. Assustado, disse que era uma brincadeira. – Não gosto desse tipo de brincadeira. Se quer ficar, será ótimo. Se não quer, vá embora agora que eu preciso dormir.
Juro que depois dessa, nunca mais criei esse tipo de situação. Se você está se aproximando de mim, eis a dica: não finjo o que não sinto. E a cada dia, aprendo a dizer não, a delimitar espaços com quer que seja. E estou convencido que isso é fundamental em qualquer relação: amigos, família, trabalho, amor. O outro só faz com você, aquilo que você permite.
Na terapia, semana passada, vociferei contra uma vaca que fez algo que não gostei no ambiente de trabalho. A terapeuta olhou bem pra mim e perguntou:
- Qual a importância dessa pessoa na sua vida?
- Nenhuma. É uma vaca!
- Pode ser uma vaca. Mas é uma vaca importante. Do contrário, por que você desperdiça seu tempo e dinheiro tão caros? Ela só fez isso porque você permitiu. A responsabilidade é sua.
Dá pra argumentar?
Publicado em 21 de setembro de 2004 às 23:40 por joao
Concordo quando diz que: “... O outro só faz com você, aquilo que você permite.” Esta fraze me ficou na minha cabeça o dia inteiro. É, isso mesmo passei por aqui bem cedinho... Engraçado é que ela martela, martela, martela... estranho. Muito estranho...