A promessa até parecia ser boa. Mas as duas primeiras semanas da novela Começar de Novo foram suficientes para provar que Antonio Calmon está meio perdido. Ele, que já criou obras importantes na teledramaturgia brasileira – vamos ficar nos exemplos de Armação Ilimitada, Vamp e O Beijo do Vampiro – enveredou pelo dramalhão mexicano sem dó nem piedade.
Todo início de novela tem pompa e circunstância para cativar o telespectador durante os quase 200 capítulos em que a estória se desenrolará. A Globo, neste caso, mandou parte do elenco para gravar em Moscou. As cenas, óbvio, são bacanas do ponto de vista estético. E só.
Marcos Paulo, o ator-diretor, parece que aprendeu mal e faz da pose de galã, pura canastrice. Marília Pêra e Luiz Gustavo estão apenas risíveis, como os velhinhos ripongas. Os clichês não param. Alguém consegue, nos dias atuais, assistir uma trama cuja vilã atende pelo nome de Lucrecia? Nem Eva Wilma consegue convencer. E o que dizer de Antonio Abujamra, o provocador, no papel do bonzinho conselheiro do protagonista? O que a gente não faz por dinheiro, heim?
A audiência parece que está gostando, o que a gente só lamenta. Eu botava alguma fé no Calmon, torcendo para que eu conseguisse acompanhar os capítulos. Não teve jeito. Experimentei retomar Senhora do Destino, mas depois que a direção optou por mostrar três imagens em seqüência – da fachada do motel, do táxi na garagem e o casal lá dentro – achei que minha inteligência estava sendo afrontada. Sem contar que ver a Renata Sorrah babando ao quebrar um relógio com martelo de bater carne, realmente é pra acabar.
Publicado em 12 de setembro de 2004 às 23:38 por joao