O mundo parecia desabar sob Londrina. Energia cortada, árvores caídas na Concha Acústica, carros amassados pelos galhos. Alguém bate à porta de maneira firme e insistente. Era a dona Gilka, vizinha do primeiro apartamento onde morei quando me mudei para Londrina, em 1991. A gente ainda não se conhecia, mas ela se apresentou ali mesmo e pediu se podia ficar conosco (naquela época eu dividia o espaço com a Luciane Tonon) pois estava sozinha e com medo. Começou ali uma amizade que dura até hoje. Ela é uma mulher fantástica, super animada, vivaz do alto dos seus mais de 80 anos. Literalmente eu a convidava para todas as minhas festas de aniversário. Da mesma forma, ela nunca compareceu a nenhuma delas. Até que neste ano não a chamei para comemorarmos. Semana passada, encontrei-a na rua, por acaso. Nem me cumprimentou direito e reclamou: - Você não me convidou para a sua festa!
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Leonardo é o filho mais novo do Almeida, um dos meus irmãos (ele se chama Elizeu, mas o mundo se refere a ele pelo sobrenome). O garoto tem 13 anos e uma vocação descarada pela literatura. Desde muito pequeno, sempre pediu livros como presente nas mais variadas datas. Agora ele resolveu extrapolar. Escreveu quatro estórias, diagramou do jeito que bem quis, imprimiu e mandou encadernar a obra. Não contente, fez uma tarde de autógrafos para lançamento. Colocou o livro num pedestal, ao lado de outros troféus que já ganhou, comprou salgados e refrigerantes e recebeu os amigos de escola para o convescote. A família, óbvio, está toda prosa.
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Mundo Animal é o nome do pet shop que fica a poucos metros da casa de minha mãe, em Rolândia. Sucedeu que ela ligou lá, pedindo que alguém fosse buscar o Pingo, o cachorro mais feio do mundo, mas que garante segurança à velha senhora. Era preciso dar banho e tosar o cão. Batem à porta, era o funcionário do lugar. O rapazote tentou, tentou, tentou, mas não conseguiu pegar o animal. Pingo é realmente bravo, embora de médio porte. Minha mãe e a Rose, que trabalha em casa, ficaram indignadas.
- Onde já se viu um “cavalão” desse tamanho ter medo de uma coisinha como o Pingo, indignou-se a Dona Alice.
- Ninguém pode com o Pingo mesmo, divertiu-se Rose.
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Fiquei incomodado na quinta-feira. Passei por uma situação que não gostei, mas não reagi na hora. Como optei pela cara de paisagem, fiquei surdo de um ouvido. Eu tenho essa mania. Quando engulo sapos que não devo, devolvo-o em forma de dor no próprio corpo. O ouvido esquerdo está inflamado e eu com a sensação de que posso explodir a qualquer momento. A terapeuta foi taxativa: - Você não quer ouvir certas coisas.
"Uma das lições que aprendi com a maturidade profissional foi não me deixar paralisar pela angústia que o contato com a dor do outro provoca. Para ajudar quem está amedrontado pela possibilidade de perder algo tão valioso como a própria vida, o pior interlocutor que pode existir é alguém condoído a ponto de entrar em pânico. (...) O choro é uma reação exclusiva do cérebro humano, fundamental para descarregar tensões emocionais, acalmar e trazer sabedoria ao espírito para aceitar a realidade”. Drauzio Varela, em Por um fio.
Publicado em 22 de agosto de 2004 às 22:50 por joao
beijinhos